Kubo e as Cordas Mágicas ousa sair do lugar comum das animações de bichos falantes
Entre as bilheterias mundiais de 2016, as animações marcam presença com três fortes arrecadações: “Zootopia – Essa Cidade é o Bicho”, “Procurando Dory” e “Pets – A Vida Secreta dos Bichos”. Mesmo que pertençam a estúdios concorrentes, todas elas têm algo em comum: são protagonizados por animais. Trata-se de uma repetição de um ciclo recente no cinema, em que as animações trocam histórias mais palpáveis em favor de algo mais amigável para também alavancar todas as estratégias de marketing referente à venda de produtos licenciados. Remando contra a maré, “Kubo e as Cordas Mágicas” vem como a alternativa para pais e filhos um tanto exaustos desse filão, apostando em uma tradição da animação oriental madura, sem necessariamente afastar os pequenos ou entediar os adultos. É um risco que resultou em fracasso comercial – nos Estados Unidos, “Kubo e as Cordas Mágicas” não deve igualar nas bilheterias o seu custo de produção – , porém, é certo que essa realização do estreante Travis Knight terá um impacto mais prolongado para aqueles que o assistirem. Uma indicação ao Oscar de Melhor Animação no próximo ano também é uma aposta quase certa. Kubo (voz de Art Parkinson na dublagem em inglês) é um garotinho que vive isolado com a sua mãe (voz de Charlize Theron) em uma montanha à beira do mar. Ela está em uma condição instável e, para garantir o sustento básico, Kubo vai à vila próxima para receber algum dinheiro das crianças e idosos encantados com as suas histórias, que dão vida a personagens de origami, graças à magica de seu shamisen, tradicional instrumento de cordas japonês. Mesmo com essa independência precoce, Kubo tem claro uma regra estabelecida pela sua mãe que jamais deve desobedecer: a de nunca vagar longe do lar durante a madrugada. Eis que a norma é infringida, o que desencadeia uma série de ataques mal intencionados capitaneados por suas tias gêmeas (Rooney Mara). Para protegê-lo, a mãe de Kubo faz um encanto para que Macaca (também na voz de Charlize Theron) seja despertada de um amuleto e lute em sua defesa. Para auxiliá-los, entra em cena ainda Besouro (Matthew McConaughey), criatura atrapalhada com grande domínio de arco e flecha. Antes de aceitar o desafio de dirigir “Kubo e as Cordas Mágicas”, Travis Knight já tinha uma vasta experiência como animador, sendo o principal responsável por dar movimento às criações de “Coraline e o Mundo Secreto” (2009), “ParaNorman” (2012) e “Os Boxtrolls” (2014), as animações em estilo stop-motion anteriores do estúdio Laika. Essa bagagem só vem a somar para “Kubo e as Cordas Mágicas”, pois Knight e a sua equipe são muito imaginativos na arquitetura de personagens, ambientes e até mesmo dos climas tempestuosos que os rondam. Mas é o texto da dupla Chris Butler e Marc Haimes que realmente faz “Kubo e as Cordas Mágicas” sair da mesmice, inovando até o fim em temas consagrados como família, sacrifício e misticismo, a partir de vieses um tanto rígidos, mas recompensadores.
Kóblic traz Ricardo Darín em clima de western argentino
Sebastian Borensztein, o diretor do muito competente e divertido “Um Conto Chinês” (2011), agora nos leva ao terreno dramático da política, do suspense, da violência, dos westerns. Uma vez mais, nos traz o grande ator do cinema argentino da atualidade, Ricardo Darín. O filme é “Kóblic”, o sobrenome de um capitão das Forças Armadas em plena ditadura argentina, em 1977. Tomas Kóblic (Ricardo Darín) é escalado para pilotar um dos terríveis voos da morte, que arremessavam ao mar os chamados “subversivos” ou inimigos do regime. Lembram-se da Operação Condor, também no Brasil? A tarefa, muito difícil, e que abala a consciência de qualquer ser humano digno, não sai como devia e Kóblic é exortado a se esconder, numa espécie de exílio no próprio país, em uma localidade perdida no mapa, que não interessa a ninguém. Esse lugar esquecido, porém, tem seus próprios esquemas de poder, ainda que longe de tudo e de todos. O que alcançará o piloto militar e fará com que ele não possa ter sossego. Por um lado, um policial que se considera dono do lugar, uma terra sem lei. Por outro, um perigoso envolvimento romântico. E o suspense se instala, em clima de western. Outra forma de violência não tardará a se apresentar. Não há espaço tranquilo para os que buscam esquecer um passado que teima em não se desfazer. O contexto político realista dá lugar à dimensão mítica da violência que grassa perdida por este mundo de Deus. A partir daí, predominam as referências ao próprio cinema e sua história. O filme flui muito bem, envolve, emociona. É um bom produto do gênero cinematográfico escolhido. Só que terra sem lei leva, inevitavelmente, à justiça por conta própria, à vingança. Esse é um elemento essencial e um complicador para a trama. Afinal, o que é mesmo que a violência produz senão mais violência? A dimensão política mais séria se perde, embora o entretenimento triunfe.
Terra Estranha deixa o suspense secar no deserto australiano
Habitada por um calor que não dá trégua, animais peçonhentos bizarros e paisagens desoladoras, a Austrália sempre se mostrou um cenário perfeito para a encenação de histórias que buscam desvendar o instinto humano, as desigualdades de uma sociedade e o quanto a nossa pequenez é capaz de devastar todo um território. Portanto, “Terra Estranha” não é um nome genérico para batizar a estreia de Kim Farrant na direção de um longa-metragem. Temos aqui uma história que se (des)constrói a partir de um desaparecimento, com contornos muito distintos aos de “Um Grito no Escuro” (1988), um aussie drama com Meryl Streep e Sam Neill sempre rememorado quando se fala do que é produzido na terra dos cangurus. Matthew e Catherine Parker (Joseph Fiennes e Nicole Kidman) são os pais de Tommy e Lilly (Nicholas Hamilton e Maddison Brown), ambos às voltas com as descobertas nem sempre agradáveis da adolescência. O histórico dos Parker foi para a lama assim que o relacionamento de Lilly com o seu professor veio à tona, com este quase morrendo pelas mãos de Matthew. Restou a eles a mudança para uma cidade insossa, com fácil acesso a uma série de regiões desérticas e montanhosas. A dinâmica familiar se dissipou e o sentimento, como bem aponta Lilly, é a de que cada um vive encarcerado. Fica evidente que algo está errado com cada membro desta família quando Catherine acorda em um dia como qualquer outro sem que os filhos estejam na cama. Eles não foram à escola e todos os vizinhos afirmam que não os viram durante o período matutino. Matthew viu que ambos pularam a cerca do quintal durante a madrugada, mas nada fez para impedi-los a abandonarem o lar. Vem literalmente a tempestade de areia, um anúncio das tragédias que vão testar o casal. Nem um pouco satisfeito em acompanhar as investigações sobre o desaparecimento pelo detetive David (interpretado por Hugo Weaving), a dupla de roteiristas Fiona Seres e Michael Kinirons insere algumas insinuações sobre o caráter de cada personagem. Se David é capaz de eliminar evidências que podem comprometer Burtie (Meyne Wyatt), o filho de sua namorada (Lisa Flanagan), o que esperar dos Parker? A truculência ou completa passividade de Matthew importunam e alguns comportamentos de Catherine a denunciam como uma versão adulta de Lilly, uma jovem de 15 anos preenchida por uma libido incontrolável. Quase ninguém parece saber exatamente o que está fazendo em “Terra Estranha”, uma vez que Kim Farrant farta a todos com inúmeras sugestões que só tornam penosa uma experiência que quase totaliza duas horas de duração. As belas panorâmicas captadas pelo diretor de fotografia P.J. Dillon não têm qualquer ressonância em uma narrativa que sequer se soluciona entre quatro paredes e há até mesmo flertes com misticismos locais para incrementar a história. Resta o grito desesperador de Nicole Kidman, que ecoa na penumbra da terra estranha, implorando por uma resolução, que infelizmente se desenha do modo mais insatisfatório possível.
Demônio de Neon é um catálogo mórbido de moda interpretado por manequins
Verdade seja dita: nem todos eram familiarizados com o nome de Nicolas Winding Refn antes do sucesso de “Drive” (2011). Responsável por filmes como a trilogia “Pusher” (iniciada e 1996) e “Bronson” (2008), o realizador dinamarquês incorporou em “Drive” a sua estilização em um texto palatável para a audiência americana, ao mesmo tempo em que se mostrava sedutor para a plateia europeia, recebendo até mesmo o prêmio de direção no Festival de Cannes. A pegadinha é que Refn não conseguiu aliar o melhor desses dois mundos em que transitou nos seus passos seguintes. “Só Deus Perdoa” (2013) soou mais como um filme indesejado para o público ainda inebriado pela potência de “Drive”. Já “Demônio de Neon” resulta ainda mais desapontador. Trata-se de uma caricatura de si mesmo, com Refn autografando as suas pretensas iniciais como se fosse um equivalente a Yves Saint Laurent do cinema. Antes de se transformar a partir de sua segunda metade em um “Suspiria” (1977) do mundo da moda, a atmosfera de mistério é relativamente bem sustentada em “Demônio de Neon”. Acompanhamos com interesse a jovem de 16 anos Jesse (Elle Fanning), que se muda sozinha para Los Angeles sem deixar claro o que a atingiu para tomar uma decisão tão extrema. Hospedada em um motel decadente gerenciado por Hank (Keanu Reeves), ela pretende seguir uma carreira de modelo, conseguindo um feedback positivo e imediato de uma prestigiada agência. A beleza de Jesse pode ser comparada com a de uma flor que acabou de desabrochar, daquela impossível de ser reproduzida por suas concorrentes plastificadas, em especial Gigi (Bella Heathcote) e Sarah (Abbey Lee), duas “veteranas” derrubadas com a sua vinda. Essa realidade implacável acaba por contaminar Jesse, que logo mais será vista superando a sua ingenuidade para abraçar uma depravação nem sempre focada pelas lentes dos estúdios fotográficos e passarelas. Todos os personagens de “Demônio de Neon” são caricaturas grosseiras. Até mesmo o namorado de Jesse, Dean (Karl Glusman), o menos vil dos homens a serem apresentados, corresponde aquele padrão de garoto rico com predileções um tanto mórbidas. O propósito crítico de Refn com essa escolha é mais do que evidente, mas impossível de ser levado a sério. A inverosimilhança das interações chega a gritar, especialmente ao mostrar Jesse estreitar laços com a maquiadora Ruby (Jena Malone) no segundo em que se conhecem. Sem nenhum embaraço, Ruby compartilha para Gigi e Sarah as confissões do passado de Jesse enquanto todas estão presentes no banheiro de uma boate. Tudo para as duas se reencontrarem aos sorrisos poucos dias depois como se essa traição nunca tivesse acontecido. Se Refn faz pouco caso com o fator humano de seu filme, o empenho estético, no fim das contas, não vem a ser muito recompensador. O deslumbramento por cores fortes, a amplitude dos espaços e a inserção de simbolismos sem qualquer ressonância (como o uso excessivo de retas que formarão uma espécie de trindade do mal) só explicitam a limitação narrativa de seu cinema. “Demônio de Neon” mais parece um longo catálogo de moda preenchido de manequins do que propriamente um filme.
O Bebê de Bridget Jones mantém a graça do primeiro filme
Desde a sua encarnação em 1995 em uma coluna do jornal The Independent, Bridget Jones é uma personagem amada pelos britânicos, representando um tipo de mulher moderna, mais de acordo com a realidade, dentro de suas aspirações, obsessões e imperfeições. Sabiamente, Helen Fielding soube aproveitar o potencial de Bridget não apenas com a publicação de livros, como também com a autorização para que estes ganhassem vida no cinema, estratégia que transformou a sua criação em ícone da cultura pop. Após o desapontador “Bridget Jones: No Limite da Razão” (2004), que revisto hoje soa como uma versão infantilizada do charmoso original “O Diário de Bridget Jones” (2001), o futuro de Bridget Jones parecia incerto no cinema, especialmente por algumas escolhas radicais de Helen Fielding em seu terceiro livro da personagem, “Louca Pelo Garoto”. Nele, temos uma Bridget cinquentona redescobrindo o seu poder de sedução após a morte de Mark Darcy, algo que foi encarado como uma punhalada no coração dos leitores. Ainda que o nome de Fielding esteja creditado no roteiro e produção executiva, toda a equipe decidiu ser mais precavida em “O Bebê de Bridget Jones”, trazendo Bridget de volta com um roteiro totalmente original. Aqui com 43 anos, ela já não tem mais que brigar com a balança ou por um emprego promissor, mas continua nas crises amorosas que a notabilizaram. O perfil workaholic de Mark Darcy (Colin Firth) a fez botar um ponto final no relacionamento e, para contornar a recusa de Hugh Grant em reprisar o seu papel, Daniel Cleaver tem a sua ausência justificada por um episódio trágico. Uma série de circunstâncias faz Bridget Jones ter relações sexuais com dois homens em uma mesma semana. O primeiro é Jack (Patrick Dempsey), sujeito boa-pinta que mais tarde ela descobre ser um guru do amor milionário. O segundo, claro, é Mark Darcy, numa recaída, durante a festa de batizado do novo filho de sua amiga Jude (Shirley Henderson). O que era para ser casual acaba se tornando uma bomba para Bridget no instante em que ela se descobre grávida e não sabe quais dos dois é o pai. Há seis anos sumida do cinema, Renée Zellweger tem um retorno triunfal ao papel que a transformou em estrela. Sem precisar de piscadelas para atrair o público, Renée é verdadeiramente adorável com a sua naturalidade ao dar vida à Bridget, especialmente ao encarar as características a princípio menos atrativas da personagem, como a incapacidade de se dirigir a um grande público sem se meter em algum constrangimento ou a de cair em furadas maiores do que o fundo do poço emocional em que está presa. Diretora do original, Sharon Maguire compreendeu tudo o que fez de Bridget uma mulher muito além da mera heroína de comédia romântica ao conduzi-la ao cinema, e o seu retorno à personagem em “O Bebê de Bridget Jones” é decisivo para manter essa singularidade. Sem desconsiderar as virtudes do filme de 2001, Maguire dá novos passos ao situar Bridget em novos tempos, nos quais uma mulher se vê capaz de novas possibilidades dentro de dilemas gerados a partir de questões como casamento, maternidade, vida profissional e envelhecimento. A conclusão pode soar excessivamente conciliadora para os mais exigentes, mas nada que impeça o encanto do filme, capaz de deixar os espectadores mais leves com a ternura bem particular que injeta, a partir de suas situações adversas e cômicas.
O Lar das Crianças Peculiares resgata a sombra do diretor que já foi Tim Burton
Adaptado dos livros de Ransom Riggs, “O Lar das Crianças Peculiares” tem o perfil de um filme típico de Tim Burton, cuja filmografia é repleta de alegorias contra a descrença. Infelizmente, Burton já não é o mesmo diretor que fez seus grandes clássicos há duas décadas. “O Lar das Crianças Peculiares” pode divertir, encantar, assustar aqui e ali, além de impressionar pela estética (o mínimo que se espera de Tim Burton) e apresentar uma bela trilha sonora. Está tudo lá. Mas, por um segundo, imagine se o diretor tivesse total liberdade criativa (ou a palavra seria “vontade”?) para ser Tim Burton. Falta, sim, aquela pitada de ousadia que caracterizava suas melhores obras, de “Os Fantasmas se Divertem” (1988) a “Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” (1999). Fica a impressão de que, há tempos, estúdio nenhum entrega dinheiro de bandeja para Burton fazer o filme que ele quiser e do jeito que bem entender. Das duas, uma: 1) Ele perdeu a essência que chamou a atenção do mundo no final dos anos 1980, até o fim dos 1990, e assumiu que hoje é uma caricatura de si próprio, ou 2) Ainda que trabalhando sob rédea curta, acomodou-se e prefere seguir usando o apelo de seu nome para faturar com salários caros em contratos com grandes estúdios. Não dá para esconder que este é um produto importante para um grande estúdio como a Fox, que deve enxergar nos livros de Riggs “uma mistura de Harry Potter e X-Men”. Ou seja, uma oportunidade para gerar mais uma franquia lucrativa. Para Tim Burton, trata-se de um conto capaz de despertar as inspirações de outrora para conduzir um filme com sua assinatura tão conhecida e apreciada. Afinal, mesmo dentro do “esquema”, a obra de Riggs permitiu que o cineasta voltasse a extrair beleza da escuridão, sem perder o equilíbrio entre o lirismo e o macabro, entre os prós e contras de estar vivo ou morto de acordo com a sua excêntrica visão. As intenções do estúdio e do diretor se cruzam, mas não parecem se encontrar, o que interfere diretamente no resultado final. Talvez seja o melhor filme de Tim Burton nesta década, muito em função do material de origem. Não se engane, porque a grande cabeça do projeto é a de Ransom Riggs, que armou um tabuleiro sobre o poder da imaginação ser hereditário, mesmo que pule uma geração, passando de avô para neto. Isso leva a uma aventura em um passado mágico, onde existe um orfanato de crianças que carregam mais fardos que poderes. Tudo obra de Riggs, enquanto Burton se contentou apenas em reproduzir na tela algumas das cenas mais bonitas do livro, como a menina cheia de ar nos pulmões isolando a água de um dos cômodos de um navio fantasma ou qualquer frame que traga Eva Green no papel da Srta. Peregrine, que cuida da garotada. A beleza dessas cenas é, claro, mérito do diretor, mas ele tem talento de sobra para ir além da plasticidade evidente. A história era um prato cheio para Tim Burton brilhar, afinal Ransom Riggs distribuiu temas variados em seus livros, como viagens no tempo, a ameaça de uma espécie de bicho papão, o excesso de cuidado com crianças quando o mundo real está lá fora, homenagens ao cinema – como o menino que projeta seus sonhos na tela –, e a situação do orfanato que remete aos judeus fugindo e se escondendo dos nazistas na 2ª Guerra Mundial. Mas tudo acaba se perdendo. Não há a menor dúvida que os dois primeiros atos são muito mais Tim Burton que o último. Embora traga elementos que costumamos identificar em seu cinema, o clímax parece ter sido acelerado pelo estúdio, como se fosse obrigatória a necessidade de aumentar a ação para agradar uma plateia mais jovem. A ação pode acontecer, mas ela precisa ser devidamente preparada. Porém, neste filme, somos arremessados, durante seu ato derradeiro, a uma correria desenfreada, passando por explicações apressadas e, por isso mesmo, confusas sobre fendas no tempo e as motivações dos vilões. O pior é que esse atropelamento narrativo é corriqueiro quando se trata de adaptações literárias infanto-juvenis. Até isso é lugar-comum. E flertar com o convencional é muito pouco quando se trata de Tim Burton. Ao final, é triste constatar que qualquer David Yates poderia ter feito este filme.
Sete Homens e um Destino explora a mitologia do western como aventura leve
Nada se cria, tudo se copia. Essa máxima parece cair como uma luva em se tratando de “Sete Homens e um Destino”, seja a nova versão dirigida por Antoine Fuqua, ou até mesmo a original, com comando de John Sturges em 1960. Já naquela época se sabia que a produção era uma versão da história de “Os Sete Samurais”, de Akira Kurosawa. Se a versão de Sturges já não tinha como intuito oferecer um painel da vida no Oeste americano em fins do século 19, mas enfatizar os aspectos heroicos e selvagens e explorar a mitologia e os estereótipos do gênero, o que dizer de uma versão feita no século 21, que já viu a morte e o renascimento do western repetidas vezes, passando inclusive pelo surgimento do western spaghetti na década de 1960? Os dias de hoje, mais que o velho Oeste, refletem-se no novo remake, como mostrar um homem negro como líder do bando (Denzel Washington), além de retratar um dos pistoleiros com síndrome de pânico (Ethan Hawke) e uma mulher disposta a entrar nas trincheiras (Haley Bennett). Também não deixa de ser sintomático que Chris Pratt tenha um dos papéis mais importantes do filme, após estrelar dois blockbusters consecutivos – e se a gente pensar bem, “Guardiões da Galáxia” era meio como um western no espaço sideral, não? Não dá, por sinal, para reclamar da escolha do elenco. Sem falar que a parceria entre Denzel Washington e Antoine Fuqua tem sido bem frutífera, em filmes como “Dia de Treinamento” (2001), que também contava com Hawke, e “O Protetor” (2014). O lado negativo da produção também é reflexo da modernidade, na mão pesada de Fuqua para retratar a violência e na edição apressada das cenas de tiroteio envolvendo muitos personagens. Em alguns momentos, não temos a mínima ideia do que está acontecendo. Mas, no balanço, sobressaem-se os aspectos positivos do trabalho, como a introdução do grande vilão, Bogue, interpretado por Peter Sarsgaard, que exala maldade na cena da invasão à igreja. É um belo prólogo, assim como a apresentação do grande herói Chilson (Washington) e sua primeira conversa com a viúva de uma das vítimas de Bogue. No mais, é aquilo que todo mundo já sabe: a busca por Chilson por seis parceiros para enfrentar o bando de Bogue, que se instalou e toca o terror em uma pequena cidade. A intenção de tornar o grupo bastante eclético já se mostrava na versão de Sturges e aqui ainda é mais radical, reflexo de dias mais politicamente corretos. Além de Washington, Pratt e Hawke, há Vincent D’Onofrio, como um homem meio maluco, Byung-hun Lee, como o asiático especialista em facas, Manuel Garcia-Rulfo, como o representante mexicano, e Martin Sensmeier, como o índio. Em vários momentos, o filme é bem-sucedido em brincar com a xenofobia de alguns membros do grupo em relação ao outro, e nisso vai ficando mais leve e descompromissado. Por outro lado, o humor também diminui o impacto do drama que conduz ao enfrentamento com o grande vilão, produzindo uma aventura leve de tom meramente escapista, com direito a homenagens e referências – inclusive utilizando a música Elmer Berstein citada pelos dois compositores originais do filme.
Irmãos Coen vão escrever história de crime real da Dark Web
Os irmãos Joel e Ethan Coen vão escrever o suspense “Dark Web” para o estúdio 20th Century Fox, informou o site The Hollywood Reporter. A trama é baseada numa história real, trazida à tona por um artigo escrito por Joshuah Bearman na revista Wired, em 2013, que investigou a dark web, a parte sinistra da internet que não aparece nos mecanismos de busca. “Dark Web” gira em torno de Ross William Ulbricht, um jovem de 29 anos que criou um esquema ilegal de venda de drogas pela internet chamado “The Silk Road” e que, com o sucesso da empreitada, acabou se tornando um perigoso chefão do crime. Com uma história cheia de reviravoltas, a trama teve um primeiro tratamento assinado pelo escritor Dennis Lehane (“Ilha do Medo”) e chega aos Coen após ser rotulada como “coenesca” por suas similaridades com “Fargo” (1996). Recentemente, os Coen também escreveram o roteiro de “Suburbicon”, o próximo filme dirigido por George Clooney, que estreia em 2017. Além disso, o filme “Going Places”, escrito, dirigido e estrelado por John Turturro, será baseado em personagens que eles criaram em “O Grande Lebowski” (1998).
Animais Fantásticos e Onde Habitam: Dumbledore vai aparecer na continuação do derivado de Harry Potter
“Animais Fantásticos e Onde Habitam” ainda nem estreou, mas a equipe do filme deu de falar da continuação como se o sucesso já tivesse sido contabilizado. Depois da escritora J.K. Rowling afirmar que a franquia terá cinco filmes, o diretor David Yates adiantou que o personagem Alvo Dumbledore, o diretor da escola de magia dos livros de “Harry Potter”, estará presente no segundo filme. Veja abaixo o vídeo da entrevista em que ele conta este e outros detalhes da produção. Dumbledore, por sinal, já tinha sido mencionado num trailer de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”. O novo filme é uma espécie de prólogo de “Harry Potter”, que marca a estreia da escritora que criou o menino bruxo como roteirista de cinema. A história gira em torno de Newt Scamander (vivido por Eddie Redmayne, de “A Garota Dinamarquesa”), um mago britânico de Hogwarts que chega a Nova York em 1928 com uma mala repleta de criaturas mágicas. O elenco também inclui Katherine Waterston (“Vício Inerente”), Dan Fogler (série “Secrets and Lies”), Alison Sudol (série “Dig”) e Colin Farrell (série “True Detective”), entre outros. Com direção de Yates, responsável pelos quatro últimos filmes de “Harry Potter”, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” tem previsão de estreia em 17 de novembro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Como se Tornar o Pior Aluno da Escola: Teaser já prevê que a comédia de Danilo Gentili será massacrada pela crítica
A Paris Filmes divulgou um novo teaser da comédia brasileira “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola”, baseado no livro de mesmo nome do humorista Danilo Gentili (“Mato sem Cachorro”). O material se diferencia pela honestidade, prevendo que o filme será massacrado pela crítica. Claro que a aposta do marketing é que isso pouco importa para o sucesso de um filme, como insinua a segunda parte do vídeo, mas pelo menos não há a hipocrisia de tentar vender o besteirol como algo melhor do que é. O longa tem direção de Fabrício Bittar, do MTV Sports, e além de Gentili também traz no elenco Bruno Munhoz (“descoberto pelas redes sociais”, segundo o release), Daniel Pimentel, Raul Gazola, Joana Fomm, o músico Rogério Skylab, o cantor Moacyr Franco e o mexicano Carlos Villagrán (o Quico do seriado “Chaves”). “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola” estreia no primeiro trimestre de 2017.
Cléo Pires vai estrelar comédia romântica do roteirista de Pequeno Segredo
A atriz Cléo Pires vai voltar a estrelar uma comédia romântica após dois filmes dramáticos (“Operações Especiais” e “Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo”) e a série de terror “Supermax”. Ela fará par com Igor Angelkorte (minissérie “Nada Será Como Antes”) em “Todo Amor”. Com roteiro e direção de Marcos Bernstein (roteirista de “Central do Brasil” e “Pequeno Segredo”), o filme aborda relações amorosas de um médico (Angelkorte) que passou um ano fora do Brasil trabalhando na África, de onde trocou correspondência com sua ex-cunhada (Pires), achando que se tratava da ex-namorada. A confusão, logicamente, rende o romance prometido pelo título. A produção está sendo patrocinada por Lojas Americanas e Americanas.com. As filmagens tem início marcado para o dia 15 de novembro, visando um lançamento em 2017.
Cinebiografia de Edir Macedo pode virar trilogia e maior projeto do cinema brasileiro
A vida do bispo Edir Macedo e a saga da Igreja Universal vão virar uma trilogia milionária. Ou seja, o próximo projeto de cinema da rede Record não será uma simples cinebiografia, como anteriormente anunciado, mas três filmes. Segundo o colunista do UOL Ricardo Feltrin, cada filme será baseado num volume diferente das três biografias escritas pelo jornalista e diretor da Record, Douglas Tavolaro – também produtor-executivo dos filmes. O projeto teria um orçamento estimado em cerca de quase R$ 50 milhões. O jornalista afirma que cada um custaria R$ 16 milhões, mais que o dobro da média dos filmes de alto orçamento no país (R$ 7,5 milhões). A maior dificuldade para tirar o projeto do papel está em sua complexidade. A ideia é rodar os três filmes simultaneamente, devido à variedade de países e de locações previstas, o que tornaria a trilogia a maior empreendimento do cinema brasileiro em todos os tempos, em termos de escala de produção, orçamento, acordos para viabilização e logística. De acordo com Feltrin, a Record não pretende recorrer a nenhuma lei de incentivo, como a Rouanet, e deverá contar apenas com patrocínios diretos. A emissora, inclusive, já teria começado a sondar empresas e interessados em uma eventual parceria para a produção. As filmagens começariam no segundo semestre do próximo ano ou no mais tardar em 2018.
Cinquenta Tons Mais Escuros: Marketing do filme usará realidade virtual para colocar fãs no quarto vermelho
O diretor James Foley revelou que gravou cenas de realidade virtual (RV) com o casal de “Cinquenta Tons Mais Escuros” para o marketing do filme. Durante uma mesa-redonda nos estúdios da Paramount, ele disse ter ficado fascinado pela experiência, a ponto de prever que este será o futuro do cinema. Para ele, trabalhar num cenário de 360 graus fornece a “libertação máxima” tanto para o ator como para o diretor. “Acredito que o cinema vai mudar para a RV porque ela é uma extensão da linguagem visual. Assistir ao material gerado por essa nova tecnologia ajudou a expandir minha mente”, disse o diretor. Foley explicou como funcionou o processo de gravações de VR no cronograma das filmagens. “Depois que terminávamos as filmagens do dia, os atores ficariam um pouco mais e as pessoas ligadas à realidade virtual recriavam as cenas que fizemos para o longa”, revelou. A intenção dessas gravações é colocar os espectadores dentro do polêmico quarto vermelho, ao lado de Anastasia Steele e Christian Grey, interpretados respectivamente por Dakota Johnson e Jamie Dornan. “Temos bastante material de marketing para produzir os bastidores do longa”, acrescentou. “Cinquenta Tons Mais Escuros”, a continuação do romance erótico “Cinquenta Tons de Cinza” (2015), estreia em fevereiro nos cinemas.












