Adam Sandler transforma vaias em elogios no Festival de Cannes
A Netflix continua a ser o assunto dominante no Festival de Cannes. Mal a poeira de sua estreia no evento se assentou, chega seu segundo filme, “The Meyerowitz Stories”, de Noah Baumbach. E novamente a projeção foi marcada por vaias da crítica ao logotipo da plataforma de streaming. O cineasta espanhol Pedro Almodóvar, presidente do júri da competição, deu aval para as manifestações conservadoras ao declarar-se contrário à premiação, no festival, de um filme que não será exibido no cinema. Seria um “paradoxo”, na sua definição. Sem ter como evitar o tema, o diretor americano de “The Meyerowitz Stories” brincou, na entrevista coletiva: “Não fiquei sabendo dessa controvérsia”. Baumbach explicou que sua obra não foi planejada como um produto destinado ao serviço de streaming, e que o local de exibição não alterou em nada seu trabalho atrás das câmeras. Em suma, que filme é filme e não sala de cinema. E que ainda assim prefere a forma tradicional de se assistir cinema, embora seu novo longa, como todos de sua carreira, seja rodado em 16mm, uma bitola antiga, que não é recomendada para as atuais salas de projeção digital. Um paradoxo, como diria Almodóvar. “O filme foi feito com a expectativa de ser exibido em tela grande, que ainda considero uma experiência única, que não vai acabar. O fiz de forma independente, com película em Super 16mm, assim como tenho feito todos os meus trabalhos. A Netflix adquiriu os direitos sobre ele na fase de pós-produção e, deste então, ela tem nos dado todo apoio e suporte”, resumiu. O elenco eclético da produção, composto por Adam Sandler, Ben Stiller, Dustin Hoffman e Emma Thompson, resolveu encarar a polêmica com humor. “Eu tenho uma televisão bem grande”, disse Hoffman, após Baumbach mencionar que preferia assisti-lo em “tela grande”. A discussão sobre formato quase ofuscou o debate do conteúdo, que, por sinal, tende a dar muito o que falar. Quando isso se tornou possível, veio à tona que o elenco queria evitar participar do filme por motivos bem diversos da Netflix. Os quatro atores principais chegaram a recusar o convite inicial do diretor, e só aceitaram após muita insistência para lerem o roteiro. Para começar, Adam Sandler tinha medo de fazer um papel dramático tão complexo, completamente diferente dos que costumava interpretar. Já Stiller, ao contrário, achava que o personagem se parecia demais com todos que ele tem interpretado. O receio de Thompson era atuar como uma alcoólatra com sotaque americano. E, para completar, Dustin Hoffman “não queria interpretar um velho”, brincou. “The Meyerowitz Stories” gira em torno de uma família cujos membros, que não se veem há anos, são obrigados a se reunirem para um evento que celebra as obras de arte do pai (Hoffman), um escultor que já foi famoso e se encontra em decadência. Aos poucos, as feridas e rancores do passado retornam, entre refeições e reuniões familiares. “O que me interessa em meus filmes é a diferença entre o que somos realmente e o que gostaríamos de ser. Neste filme, eu queria abordar o tema do sucesso, o que o sucesso significa para diferentes pessoas”, afirmou o diretor. E, assim como aconteceu com “Okja”, após a poeira se assentar, o filme de Baumbach recebeu críticas bastante positivas. Até Adam Sandler foi elogiado, situação rara na carreira do ator, que prefere se ridicularizar em suas comédias apelativas. Sua interpretação de um músico desempregado e em processo de divórcio chamou tanta atenção que algumas publicações até especulam a possibilidade de obter premiação. O jornal britânico The Guardian declarou ter visto um “ator formidável na tela”. E o site Indiewire completou: “Como Adam Sandler pode ser bom quando não protagoniza filmes típicos de Adam Sandler”. A Netflix ainda não divulgou a data do lançamento.
Jessica Chastain vai viver Ingrid Bergman em cinebiografia romântica
Jessica Chastain (“A Colina Escartale”) vai dar vida a uma das maiores atrizes da história do cinema, a sueca Ingrid Bergman, em “Seducing Ingrid Bergman”. Segundo o site Deadline, além de estrelar, ela também vai produzir a cinebiografia. O projeto está circulando Hollywood desde 2014, quando o roteiro de Arash Amel apareceu na Black List, a lista dos melhores roteiros não filmados daquele ano. A trama é uma adaptação do livro homônimo de Chris Greenhalgh, e se foca no tórrido romance entre Bergman e o celebrado fotógrafo de guerra Robert Capa. O relacionamento só se tornou público quando a atriz publicou sua autobiografia, em 1981, mas foi intenso. O casal se conheceu em Paris no final da 2ª Guerra Mundial. Na época, Bergman estava casada com seu primeiro marido, o neurocirurgião sueco Petter Lindström, e Capa foi seu amante. Mesmo enfrentando problemas com apostas e alcoolismo, o fotógrafo ajudou a atriz a se libertar de um casamento sem amor e dos estúdios controladores de Hollywood. O romance não durou muito, mas poucos anos depois a atriz teve sua imagem de estrela hollywoodiana abalada por outro relacionamento escandaloso, ao se envolver com o cineasta Roberto Rossellini (“Roma, Cidade Aberta”), que na época também era casado. Ela finalmente se divorciou de Lindström para casar com Rossellini em 1949. Capa morreu logo depois, cobrindo a guerra da Indochina em 1954. De acordo com Uday Chopra, chefe executivo da produtora parceira do projeto, a YRF Entertainment, Chastain “é a atriz perfeita para estrelar o filme. Jessica não é estranha a retratos de mulheres fortes e independentes, e esse papel merece uma atriz de imensurável talento. Também sentimos que ela dará uma perspectiva única como produtora”. Mas por mais que o projeto pareça excitante, vale lembrar o resultado de outra cinebiografia de estrela de Hollywood que teve roteiro de Arash Amel. “Grace: A Princesa de Mônaco” foi considerado tão ruim que acabou nem chegando aos cinemas americanos. Ainda não há previsão de estreia nem diretor definido para “Seducing Ingrid Bergman”, mas o filme chegou a encabeçar uma lista de interesses de James Mangold (“Logan”).
Rosamund Pike será a cientista Marie Curie, primeira mulher a vencer o Prêmio Nobel
A atriz Rosamund Pike, indicada ao Oscar por “Garota Exemplar” (2014), vai estrelar a cinebiografia da cientista Marie Curie. Ela fechou com o StudioCanal para estrelar “Radioactive”, que será dirigido pela iraniana Marjane Satrapi (“Persépolis”, “As Vozes”). O filme será uma adaptação do livro “Radioactive: Marie & Pierre Curie: A Tale of Love and Fallout”, de Lauren Redniss, que conta a história de Marie Curie e suas descobertas científicas, sob o prisma de seu casamento com Pierre Curie, além de acompanhar os efeitos transformadores de sua descoberta do rádio, elemento químico altamente radioativo, que impactou a ciência do século 20. Nascida na Polônia em 1867, Marie se mudou para a França em 1891 e casou com Pierre em 1895. Eles desenvolveram juntos a teoria da radioatividade e técnicas para isolar isótopos radioativos. Além disso, descobriram dois elementos químicos, polônio e rádio. Estas descobertas deram início a uma nova era científica e tecnológica, que culminou, décadas depois, com a criação da energia nuclear. Além disso, por seu trabalho, Marie Curie se tornou primeira mulher a vencer o Prêmio Nobel. Não apenas uma vez, mas duas vezes e em áreas distintas: Física em 1903 e Química em 1911. “Radioactive” deverá abranger a influência de suas descobertas, pois Satrapi afirmou, no comunicado sobre o projeto, que o filme “não é apenas um resumo da vida dessa mulher excepcional. Ele conta a história da radioatividade desde sua descoberta até hoje”. A diretora também admitiu ansiedade para trabalhar com Rosamund Pike. “Marie Curie era uma força de vida. Todas as pessoas, todos os lugares eram atingidos pela energia e brilhantismo dela. Trata-se de uma personagem intensa que necessita de alguém com muita inteligência e sensibilidade. Rosamund é aquela capaz disso e entendi no segundo que a conheci”, afirmou. O roteiro do filme foi escrito pelo inglês Jack Thorne (criador da série “The Last Panthers”) e as filmagens devem acontecer durante o outono no hemisfério norte. Ainda não há previsão para a estreia.
Russell Crowe revela seu lado monstruoso em novo vídeo de A Múmia
A Universal divulgou um novo vídeo de bastidores de “A Múmia”, que destaca a organização secreta Prodigium, comandada pelo Dr. Henry Jekyll. Diretor, atores e equipe detalham como a Prodigium se dedica a caçar monstros, o que servirá de âncora para os demais filmes do universo compartilhado que o estúdio pretende lançar. Além disso, o próprio Jekyll, vivido por Russell Crowe (“Noé”), revela seu lado monstro, num breve vislumbre de sua transformação no Sr. Hyde. Na trama, a múmia (vivida por Sofia Boutela, de “Star Trek: Sem Fronteiras”) desperta após um sono milenar e espalha seu terror antigo pela Londres dos dias de hoje, após ser retirada de sua tumba no Egito pelo personagem de Tom Cruise (“Missão Impossível”). O elenco também destaca Annabelle Wallis (“Annabelle”), Jake Johnson (série “New Girl”) e Courtney B. Vance (série “The People vs. O.J. Simpson: American Crime Story”). O roteiro foi escrito por Jon Spaihts (“Prometheus”) e a direção é de Alex Kurtzman (roteirista de “Além da Escuridão – Star Trek”), em seu segundo longa na função. “A Múmia” tem estreia agendada para 8 de junho no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Filme da Mulher-Maravilha ganha seis cenas inéditas
A Warner Bros. divulgou seis cenas do filme da “Mulher-Maravilha”. Sem legendas, os vídeos cobrem o treinamento árduo da heroína interpretada pela atriz Gal Gadot, sua dificuldade para se adaptar à vida na civilização urbana e o combate contra os alemães na 1ª Guerra Mundial. Por sinal, a principal diferença em relação aos quadrinhos originais foi a mudança de época, já que as primeiras histórias da Mulher-Maravilha, publicadas em 1941, passavam-se durante a 2ª Guerra Mundial. Além de Gadot, presente em todas as cenas, o ator Chris Pine (“Star Trek”) também se destaca no papel do aviador Steve Trevor. A direção é de Patty Jenkins (“Monster – Desejo Assassino”), primeira mulher a assinar um filme de super-heróis neste milênio, e a estreia está marcada para 1 de junho no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Cavaleiros do Zodíaco vai virar filme com atores reais
A empresa japonesa Toei Animation anunciou a produção de um filme live action de “Cavaleiros do Zodíaco”. A adaptação da famosa série animada terá direção do polonês Tomasz Baginski, que venceu o Oscar de Melhor Curta Animada por “Katedra” (2002) e se tornou conhecido por criar as introduções do game “The Witcher”. Ele também está envolvido com a adaptação de “The Witcher” numa série da Netflix. Intitulado em inglês “Saint Seiya: Knights of the Zodiac”, a produção será estrelada por atores reais, mas o elenco ainda não foi definido. Tampouco há detalhes sobre qual trama será filmada. O mangá original dos “Cavaleiros do Zodíaco” foi criado por Masami Kurumada em 1986, mas a febre mundial se deve à série animada, adaptada de forma bastante fiel pela Toei Animation, e com produção quase simultânea à publicação dos quadrinhos, entre 1986 e 1989. Inspirada na mitologia grega, a trama acompanhava a evolução de um jovem órfão chamado Seiya, que obtém a Armadura de Bronze de Pégaso, uma veste usada pelos guerreiros da deusa grega Atena, conhecidos como Cavaleiros, e a partir daí enfrenta lutas intermináveis. A trama original já inspirou um recente longa animado, “Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário” (2014), que recriou a história de Kurumada por meio de computação gráfica, com direção de Keiichi Sato (diretor do anime de terror “Ashura”).
Petrônio Gontijo é Edir Macedo nas primeiras fotos da cinebiografia Nada a Perder
A Paris Filmes divulgou as primeiras fotos de “Nada a Perder”, cinebiografia de Edir Macedo, que começou a ser filmado nesta semana em São Paulo. As imagens destacam Petrônio Gontijo (novela “Os Dez Mandamentos”) como o empresário religioso, nos tempos em que pregava nas ruas da capital paulista. “Nada a Perder” é baseado numa trilogia biográfica do bispo evangélico, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da rede Record. O filme tem direção de Alexandre Avancini (“Os Dez Mandamentos – O Filme”) e iniciará uma trilogia cinematográfica, em que cada filme adaptará um dos volumes biográficos escritos por Douglas Tavolaro, vice-presidente de Jornalismo da TV Record. O primeiro filme será baseado no livro homônimo, “Nada a Perder”, lançado em 2012. Os demais são “Nada a Perder 2 – Meus Desafios Diante do Impossível” e “Nada a Perder 3 – Do Coreto ao Templo de Salomão: A Fé Que Transforma”. Tavolaro também foi produtor-executivo do longa “Os Dez Mandamentos”. O roteiro foi escrito por um americano, Stephen P. Lindsey (“Sempre Ao Seu Lado”) e o elenco ainda inclui Day Mesquita (mais uma de “Os Dez Mandamentos”), Dalton Vigh (minissérie “Liberdade, Liberdade”), André Gonçalves (novela “Salve Jorge”), Eduardo Galvão (novela “Malhação”), Marcelo Airoldi (novela “Sol Nascente”), Nina de Pádua (novela “Chamas da Vida”) e Beth Goulart (novela “A Terra Prometida”). Além de São Paulo, o longo também terá locações no Rio, Nova York, Jerusalém e Joanesburgo. A previsão de lançamento é para o primeiro semestre de 2018.
Selton Mello vai parar no gelo ártico no trailer e nas fotos de Soundtrack
A Imagem Filmes divulgou o pôster, três fotos e o primeiro trailer de “Soundtrack”, drama estrelado por Selton Mello (“O Palhaço”) e filmado nos cenários desolados do Ártico. A prévia tem muita neve e horizontes brancos, com os atores expressando o tempo inteiro a vontade de sair dali, menos o protagonista. Na trama, Selton vive um fotógrafo que viaja para uma estação polar internacional, com o objetivo de realizar um projeto artístico. Ele quer reproduzir em imagens as sensações causadas pelas músicas de uma playlist. Mas ao chegar lá tem um bloqueio criativo. Sua presença ainda cria atrito com os cientistas, que não entendem o que ele realmente pretende fazer naquele fim de mundo. O elenco ainda inclui Seu Jorge (“Tropa de Elite 2”), o inglês Ralph Ineson (“A Bruxa”), o dinamarquês Thomas Chaanhing (série “Marco Polo”) e o sueco Lukas Loughran (“Nina Frisk”). O filme marca a estreia na direção de longas da dupla Manitou Felipe e Bernardo Dutra, que assinam como “300ml”. Os dois já tinham dirigido Selton Mello e Seu Jorge num curta-metragem há mais de uma década: “Tarantino’s Mind” (2006). A estreia está prevista para o dia 6 de julho.
Sonia Braga vai estrelar filme sobre Nossa Senhora de Fátima
A atriz Sonia Braga (“Aquarius”) vai estrelar um longa sobre a aparição de Nossa Senhora de Fátima. Intitulada “Fátima”, a produção foi anunciada durante encontro de mercado no Festival de Cannes. Sonia Braga irá interpretar o papel de Irmã Lúcia, o que significa que a trama deve refletir o legado de Fátima, décadas após as visões originais. Lúcia foi uma das três crianças camponesas (os chamados três pastorinhos) que alegaram ter visto por seis vezes a Virgem Maria, entre maio e outubro de 1917, na cidade portuguesa que dá nome ao longa. Ela foi beatificada em 2008, três anos após sua morte, ao 97 anos de idade. As outras duas crianças, Jacinta e Francisco, que morreram entre 1918 e 1919 durante uma pandemia de gripe, foram canonizados na semana passada pelo papa Francisco. Existem rumores de que a irmã Lúcia foi substituída por uma impostora nos anos 1950 com o objetivo de não pressionar o Vaticano a publicar o terceiro segredo de Fátima, o qual deveria ser revelado após sua morte e que conteria um tema apocalíptico. Anos depois, o segredo foi revelado como sendo a tentativa de assassinato sofrida pelo Papa João Paulo II. Mas dez anos depois, o Papa Bento XVI afirmou que “iludir-se-ia quem pensasse que a missão profética de Fátima esteja concluída”. Além da brasileira, o elenco também tem confirmado o ator americano Harvey Keitel (“Juventude”), em papel não revelado. “Estamos emocionados com a ideia de trabalhar com a incrível equipe por trás de ‘Fátima’, incluindo os memoráveis e talentosos Harvey Keitel e Sonia Braga”, declarou o produtor Gary Hamilton, em comunicado à imprensa. “Cannes é o lugar perfeito para apresentar a potenciais compradores esse projeto comovente, cujos personagens acabaram de ser canonizados pelo papa e que têm uma impressionante quantidade de fiéis ao redor do mundo”, completou. A direção do longa está a cargo do italiano Marco Pontecorvo, diretor de fotografia de longa carreira no cinema e na TV (“Cartas Para Julieta” e filme “Game of Thrones”), e filho do lendário cineasta Gillo Pontecorvo, de “A Batalha de Argel” (1966).
Tom Hardy vai estrelar o filme solo de Venom
Depois de interpretar Bane, famoso vilão da DC Comics, em “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” (2012), Tom Hardy vai viver outro vilão icônico dos quadrinhos. Mas desta vez da Marvel. Ele assinou contrato para estrelar o primeiro filme solo de Venom, um dos inimigos mais populares do Homem-Aranha. De acordo com o comunicado sucinto da Sony nas redes sociais (veja abaixo), Hardy será o jornalista frustrado Eddie Brook, que acaba virando o hospedeiro da criatura alienígena. O personagem já apareceu nos cinemas, interpretado por Topher Grace em “Homem-Aranha 3” (2007), quando o herói-aracnídeo ainda era vivido por Tobey Maguire. Além do anúncio, o estúdio divulgou uma foto do ator com uma camisa do personagem. O spin-off está em desenvolvimento desde o filme de 2007 e já teve várias encarnações, que renderam roteiros escritos pelas duplas Paul Wernick e Rhett Reese (“Deadpool”) e Alex Kurtzman e Roberto Orci (“O Espetacular Homem-Aranha 2”). Venom tem sido um dos maiores vilões da Marvel e um adversário formidável do Homem-Aranha desde que foi criado em 1988, pelo escritor David Michelinie e o desenhista Todd McFarlane, a partir de um uniforme preto do herói – introduzido no infame crossover das “Guerras Secretas”. O personagem é um simbionte alienígena que precisa de um hospedeiro humano para sobreviver. Em troca, o alienígena investe sua vítima com poderes incríveis. O filme solo não será produzido em parceria com os estúdios Marvel, como “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”, e não há previsão para uma aparição do Homem-Aranha. O roteiro aprovado foi escrito por Scott Rosenberg e Jeff Pinkner, criadores da série “Zoo” e responsáveis, respectivamente, pelas histórias de “Con Air – A Rota da Fuga” (1997) e “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro” (2014). A direção do filme será realizada por Ruben Fleischer, responsável pela comédia bem-sucedida “Zumbilândia” (2009) e o thriller de época fracassado “Caça aos Gângsteres” (2013). As filmagens começam no segundo semestre para uma estreia em outubro de 2018. Além deste projeto, a Sony também pretende lançar um filme conjunto com as anti-heroínas Sabre de Prata e Gata Negra, personagens do mesmo universo dos quadrinhos do Aranha. Tom Hardy is Eddie Brock in #Venom, the upcoming film from Sony’s Marvel Universe releasing October 5, 2018 – production starts this fall. pic.twitter.com/OZQqDEvoum — Sony Pictures (@SonyPictures) May 19, 2017
Corra! diverte e assusta ao fazer terror com a hipocrisia da tolerância racial
Se equilibrar entre dois gêneros tão extremos como o terror e a comédia não é tarefa para muitos. Jordan Peele, o diretor de “Corra!”, realiza a proeza de nos surpreender continuamente com risadas nervosas e sustos. A trama estranhamente parece obedecer até demais os lugares comuns do gênero. Mas é aí que está sutileza. Peele estica os clichês a um limite tão agudo, que a normalidade começa a incomodar. O horror em “Corra!” nasce dessa sensação. Percebe-se que há alguma coisa errada, mas é terrível quando você não consegue identificar exatamente de que se trata. Na primeira metade do filme, há apenas um episódio sombrio. Numa rua escura e deserta, um sujeito mascarado sequestra um rapaz negro. A cena parece completamente dissociado da seguinte, que mostra, numa vibe bacana, o personagem central, o fotógrafo Chris (o ator britânico Daniel Kaluuya, visto antes em “Sicário”), vivendo um romance de sonhos com uma garota branca de olhos azuis (Allison Williams, da série “Girls”). Rose acha que está na hora de levá-lo para conhecer seus pais. Chris resiste e ela insiste, o que leva o rapaz a uma pergunta desajeitada mas necessária: “Eles sabem que eu sou preto?” Rose cai na gargalhada, chama o namorado de bobo e lembra que eles estão no século 21. Depois acrescenta: “Meu pai teria votado em Obama pela terceira vez, se pudesse”. E então: “Eles não são racistas”. Podemos observar em primeira mão como eles não são racistas quando Chris e Rose dirigem para o norte e, depois de um pequeno acidente rodoviário, chegam à bela mansão suburbana da família. O pai de Rose (Bradley Whitford, da série “Trophy Wife”) não faz cerimônias; puxa Chris para um abraço de “homem”, tagarelando sobre o privilégio que é ser capaz de experimentar a cultura de outras pessoas. Sua mãe (Catherine Keener, de “Capitão Phillips”), uma psiquiatra, é um pouco mais tática, oferecendo infinitas xícaras de chá enquanto fala sobre as virtudes da terapia de hipnose. Só o estranho irmão de Rose, Jeremy (Caleb Landry Jones, de “Byzantium”) parece destoar daquele mundo de mil maravilhas. Até os empregados, curiosamente todos negros, aparentemente estão risonhos. Aliás, tão risonhos que soa incomodo. Os pais de Rose fazem uma festa para seus ricos vizinhos brancos, e Chris de repente se toca que ele está virando o centro das atenções. Os convidados o abordam com suas maneiras de clube e elogiam seu físico, fazendo referências forçadas a Tiger Woods e acariciando os músculos de Chris com o mesmo espirito dos velhos comerciantes de escravos sulistas do século 19. Mas ninguém ameaça chicoteá-lo ou mesmo ofendê-lo, ao contrário, um dos insights mais persistentes do filme é que mesmo a cortesia, de indivíduos presumivelmente educados, pode ser sufocante e opressiva. Claro, a ameaça está diretamente ligada às revelações mais profundas, e, para quem é cinéfilo, não é difícil adivinhar que o enredo deve algo a “O Homem de Palha” (1973) e “Vampiros de Almas” (1956), mas o grande público não sabe disso. Como nesses filmes, a paranoia inquietante dá lugar ao pânico de aceleração total, enviando Chris para um buraco do qual será muito difícil de escapar. Peele sabe tudo de ritmo e cadência, domina a linguagem das alternâncias, trafega pela estética de Hollywood sem perder seu estilo, e transforma o filme, em sua segundo parte, numa vertiginosa montanha russa de aflições. Mas não é pelos sustos e pelas reviravoltas que “Corra!” marca uma posição tão significativa dentro do cinema norte-americano atual, e sim graças ao desmantelamento que o diretor inteligentemente faz de várias décadas de estereótipos racistas, para mostrar, com um riso safo no rosto, que por trás desse exterior aberto e tolerante, a América continua hipócrita e conservadora. Assim como Barry Jenkis fez em “Moonlight”, Peele é o mais novo representante infiltrado no velho recinto de exaltação branca que é Hollywood, a conquistar uma nova posição na indústria do cinema norte-americano. E ele constrói esse caminho com uma delicadeza e inteligência imensas.
Documentário Um Casamento encontra em registros de família as angústias da humanidade
Logo em suas primeiras cenas, “Um Casamento” dá a dimensão do apetite pela autenticidade com que a documentarista Mônica Simões retoma o passado de seus pais, o professor de filosofia Ruy Simões e a atriz baiana Maria da Conceição Moniz, para levantar um importante debate sobre a sociedade e o casamento. Numa tomada fixa, ela explica à mãe, que todo o trabalho de restituição será filmado em ordem cronológica e estabelece um pacto: tudo que as duas conversarem durante o filme será gravado uma única vez. Não importa os erros, os gaguejos: para chegar o mais próximo da verdade, a espontaneidade será a lei. Dada as coordenadas, Mônica começa a tirar do baú as relíquias da família. A mais inusitada delas, é o filme do casamento da mãe. Ou melhor, o que sobrou daquele registro, já que mal vemos a festa em si. Temos borrões e uma nebulosidade, que, vez por outra, revela o casal abraçado, uma pessoa sorrindo, um bolo sendo cortado… O tempo foi implacável com a cópia de 16 mm. Mas o registro, embora deficiente, permanece. O material quase abstrato, com mais de 50 anos, se espalha pela superfície da tela, enchendo cada quadrante de signos misteriosos. Esses pequenos trechos de verdades quase que inteiramente diluídas deve ter tido uma imensa influência sobre a vida da diretora. São imagens que convidam a imaginar e a especular como o projeto do casamento de Ruy e Maria fracassou. É claro que a cineasta entendia que um dia podia sentar com os pais para uma conversa franca. Aliás, essa não é uma história atípica da natureza humana: somos curiosos, queremos tomar contato com as histórias mal contadas de nossos pais. Queremos saber. Queremos compreendê-los. Só não podemos demorar demais. No caso de Mônica Simões, ela adiou (como todos nós adiamos) essa conversa até se tocar que, com a morte de seu pai, uma parte da história não poderia mais ser revista. Restava para se apegar a mãe, o filme do casamento, os álbuns de família. Há um sentido majestoso na forma como se desenrola o fio das memórias do casamento dos Simões. O exercício do registro das conversas por vezes são bem íntimos. O realismo das relações com a mãe são filmadas sem pudor inútil numa luz que derrota a hipocrisia e adquire uma dimensão moral quase metafísica. O filme do casamento volta a ser exibido várias vezes. Como se fosse a estrofe de um poema a ser reiterada. São as mesmas imagens, mas cada vez elas parecem ganhar um novo significado. Primeiro, transmitem uma sensação de alegria e inocência perdidas, depois, numa segunda exibição, evocam uma certa angústia de como o tempo destrói o passado e, numa terceira vez, torna-se justificativa de como aquele casamento não podia dar certo. Seis anos depois, a mãe pediu a separação. Maria Moniz conta que o marido não gostava de seu lado independente e, quando ela foi trabalhar num jornal, ele teria ficado enciumado com os modos como Maria partilhava ideias libertárias com um companheiro de trabalho. O rompimento foi decisivo para Maria Moniz mudar de vida: tornou-se atriz, articuladora de encontros com poetas e virou uma figura influente no mundo dos tropicalistas baianos. Como não temos em cena depoimentos do pai, a presença paterna torna-se enigmática. Em recordações, mãe e filha sinalizam que Ruy parece ter guardado um rancor de tudo que se passou. A filha encontra nos pertences paternos, fotos em que ele devia estar acompanhado, mas todas essas imagens estão cortadas ou rasgadas, sinal de que talvez ele quisesse apagar suas memórias. Ou ainda tivesse raiva do que fora e de como tudo terminou. É curioso, porque isso leva a intuir sobre o estado deteriorado do filme do casamento. Será que foi o tempo mesmo que destruiu o filme? Ou o pai poderia ter algum tipo de influência no estado de deterioração do registro? Eis, mais uma pergunta sem resposta. Há qualquer coisa de indizível em “Um Casamento”, da natureza das relações, e é realmente fabuloso. No olhar íntegro de Mônica Simões, a ordem secreta do mundo se inscreve sobre a tela com uma naturalidade irresistíveis. Ele não explica nada; o fortuito revela a existência. A beleza de “Um Casamento” escapa a essa hierarquia chata, que, aliás, anda afligindo muitos dos documentários atuais. Essa tendência de tentar vender um cotidiano falso, oportunista, calculado e maquiado, como no Facebook. Uma última palavra: em “Um Casamento”, a coragem de se expor é das mais dolorosas. A filha mantém a obsessão pela verdade, custe o que custar, e percebe-se seu sofrimento por isso. Já a mãe preserva sua meta admirável, de condessa descalça errante, à procura sempre de algo novo mesmo aos 82 anos de idade. Ambas, belas em suas metas e contradições, frágeis e muito humanas. Nada disso é fácil. Mas o resultado tem uma força e verdade ricas e desconcertantes.
Okja: Filme da Netflix no Festival de Cannes ganha trailer legendado
A Netflix divulgou o pôster e o trailer legendado de “Okja”, novo filme do diretor Bong Joon Ho (“Expresso do Amanhã”). A prévia apresenta a simpática criatura de seu título, uma espécie de “superporco” criado em laboratório pela empresa Mirando, dirigida pela personagem de Tilda Swinton (“Doutor Estranho”), para acabar com a fome mundial. O problema é que o bicho é fofo demais e vira o animal de animação de uma garotinha, que se desespera ao vê-lo ser levado para o abatedouro e se junta a um grupo de ativistas para libertá-lo. Não faltam cenas de ação na tentativa de resgate. A produção está a cargo da Plan B, empresa de Brad Pitt, em parceria com o serviço de streaming, e o elenco também conta com Jake Gyllenhaal (“O Abutre”), Lily Collins (“Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos”), Paul Dano (“12 Anos de Escravidão”), Devon Bostick (série “The 100”), Steven Yeun (série “The Walking Dead”) e a dupla Byeon Hie-bong e Yun Je-mun, que trabalhou com o diretor em vários filmes, entre eles “O Hospedeiro” (2006), primeiro filme de monstros de Bong Joon Ho. Exibido no Festival de Cannes 2017, entre vaias de protesto da crítica francesa e elogios da crítica internacional, “Okja” vai chegar na Netflix no dia 28 de junho.












