Star Wars: Os Últimos Jedi ganha quatro fotos novas com Rey, Luke Skywalker e General Leia
A Lucasfilm divulgou quatro novas fotos de “Star Wars: Os Últimos Jedi”. As imagens destacam Rey (Daisy Ridley), Luke Skywalker (Mark Hamill) e a General Leia (Carrie Fisher) em sua despedida da franquia. Escrito e dirigido por Rian Johnson (“Looper”), “Star Wars: Os Últimos Jedi” estreia no Brasil em 14 de dezembro, um dia antes do lançamento nos EUA. Clique nas imagens abaixo para ampliá-las em tela inteira.
Documentário sobre David Lynch revela a Vida de um Artista
Um timing perfeito o da chegada do documentário “David Lynch – A Vida de um Artista” aos cinemas. O cineasta voltou a ser incensado como um dos maiores gênios do cinema, ironicamente pela nova revolução que vem mostrando com “Twin Peaks – The Return”, que é, entre outras coisas, uma síntese de toda sua carreira, inclusive de seu período pré-cinema, como pintor, quando resolve experimentar pinturas que se movem. Um dos grandes acertos dos diretores Jon Nguyen, Rick Barnes e Olivia Neergaard-Holm foi ter conseguido fazer um documentário que é a cara de seu objeto de estudo. Ou seja, embora possa parecer às vezes um documentário tradicional, com muitas falas de David Lynch sobre sua infância, juventude, fatos inusitados de sua vida e arte, isso é contado com por meio de músicas (muitas delas compostas pelo próprio Lynch), sons e pinturas que funcionam como objetos lynchianos perfeitos para o documentário. Há também um interesse especial por situações surreais na vida de Lynch, como algumas lembranças que ele tem da infância, como a de uma mulher andando completamente nua na rua com sangue saindo pela boca. No geral, porém, não parece haver muitos motivos em sua vida para que o artista tenha preferido adotar esse gosto pelo bizarro e pela violência com humor, que caracterizaria boa parte de sua obra. Inclusive, sua infância parece ser tão perfeita quanto são as cidades que ele aborda, quando vistas de maneira superficial. É assim em “Twin Peaks” (1990), é assim em “Veludo Azul” (1986) etc. A emulação do jeito Lynch de ser está presente em outras situações e momentos do documentário, como quando há uma exploração do humor retirado da vida real: a primeira experiência com a maconha, ou a visita do pai à sua oficina artística (o conselho do pai: “Não tenha filhos”, ao acreditar que o filho é mentalmente doente, é hilário). Destaca-se também, nos monólogos, os silêncios, que são tão caros ao cineasta, com sua fala característica. O filme ainda dá bastante espaço para suas pinturas belamente sinistras, que são uma espécie de sublimação de seu lado mais sombrio através da arte. Sem falar no quanto esses quadros são familiares a quem acompanha a obra cinematográfica e televisiva de Lynch. Paradoxalmente, há poucos bastidores de seus filmes. Mas é possível ver a gênese de “Eraserhead” (1977), primeiro longa-metragem do cineasta, visto por ele como uma das melhores e mais belas coisas que já fez. Aqueles que procurarem em “David Lynch – A Vida de um Artista” uma espécie de compêndio de suas obras cinematográficas, ao estilo de “De Palma”, “Ozualdo Candeias e o Cinema” e “Jia Zhang-Ke, Um Homem de Fenyang”, para citar três exemplos recentes, pode sair um tanto decepcionado do cinema. Mesmo assim, fãs de Lynch ficarão bastante satisfeitos com o que é exibido.
Dupla Explosiva completa três semanas na liderança das bilheterias da América do Norte
“Dupla Explosiva” manteve o 1º lugar pelo terceiro fim de semana consecutivo na América do Norte, surpreendendo seu próprio estúdio, graças à falta de grandes estreias de Hollywood. A ausência de blockbusters resultou na pior arrecadação deste século no feriado do Dia do Trabalho norte-americano. Na verdade, desde 1990 o feriadão não rendia tão pouco para a indústria cinematográfica, segundo levantamento do site Box Office Mojo. A comédia de ação estrelada por Samuel L. Jackson e Ryan Reynolds já soma US$ 54,9 milhões no mercado doméstico, um grande resultado para a Lionsgate, que investiu US$ 29 milhões em sua produção. Com um diretor de filmes B (fez “Os Mercenários 3”) e história batida (derivada de “Fuga à Meia-Noite”, de 1988), o filme foi rejeitado pela crítica (40% de aprovação no Rotten Tomatoes), mas, desde que entrou em cartaz, seus concorrentes conseguiram ser ainda mais fracos. A maior estreia da semana foi o relançamento do clássico sci-fi “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977). Distribuído em 900 cinemas, fez US$ 1,8 milhões e abriu em 13º lugar. Um desempenho bem melhor que o romance de época “Amor e Tulipas”, segunda maior estreia, que chegou em 765 salas e rendeu US$ 1,2 milhões. O desapontador 23º lugar ainda refletiu críticas extremamente negativas (só 11% de aprovação), que já viraram tendência na coleção de fiascos recentes estrelados por Dane DeHaan (“Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”). Para se ter ideia, até o piloto da série “Inhumans”, exibido em 393 telas de IMAX, rendeu mais: US$ 1,5 milhão e um 18º lugar. Ainda sem índice de aprovação, a atração também está rendendo críticas pesadas. Diante deste cenário árido, o Top 5 se manteve quase inalterado, com “Annabelle 2 – A Criação do Mal” inclusive repetindo a mesma arrecadação da semana anterior: US$ 7,3 milhões, em 2º lugar. A maior novidade no ranking foi o crescimento do thriller indie “Terra Selvagem”, que ampliou seu circuito para 2,6 mil telas e pulou para o 3º lugar. Escrito e dirigido por Taylor Sheridan, o filme recebeu o prêmio de Melhor Direção na mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes 2017, poucos meses após Sheridan ser indicado ao Oscar como Roteirista, por “A Qualquer Custo”. O elenco é liderado por Jeremy Renner e Elizabeth Olsen (ambos de “Vingadores: Era de Ultron”), como um caçador local e uma agente do FBI, que se unem para investigar o assassinato de uma jovem numa reserva indígena. Tem 86% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas, infelizmente, só vai chegar ao Brasil daqui a dois meses, em 2 de novembro. Confira abaixo o desempenho dos 10 filmes de maior bilheteria neste fim de semana nos Estados Unidos e no Canadá. BILHETERIAS: TOP 10 América do Norte 1. Dupla Explosiva Fim de semana: US$ 10,2 milhões Total EUA: US$ 54,9 milhões Total Mundo: US$ 54,9 milhões 2. Annabelle 2: A Criação do Mal Fim de semana: US$ 7,3 milhões Total EUA: US$ 88,9 milhões Total Mundo: US$ 253,3 milhões 3. Terra Selvagem Fim de semana: US$ 5,8 milhões Total EUA: US$ 18,2 milhões Total Mundo: US$ 18,2 milhões 4. A Bailarina Fim de semana: US$ 4,8 milhões Total EUA: US$ 11,3 milhão Total Mundo: US$ 94,4 milhões 5. Roubo em Família Fim de semana: US$ 4,4 milhões Total EUA: US$ 21,4 milhões Total Mundo: US$ 24,6 milhões 6. Dunkirk Fim de semana: US$ 4,1 milhões Total EUA: US$ 178,7 milhões Total Mundo: US$ 458,7 milhões 7. Homem-Aranha: De Volta para Casa Fim de semana: US$ 3,6 milhões Total EUA: US$ 324 milhões Total Mundo: US$ 746,1 milhões 8. Emoji: O Filme Fim de semana: US$ 2,4 milhões Total EUA: US$ 80,3 milhões Total Mundo: US$ 159,5 milhões 9. Meu Malvado Favorito 3 Fim de semana: US$ 2,3 milhões Total EUA: US$ 257,8 milhões Total Mundo: US$ 993,9 milhões 10. 6. Girls Trip Fim de semana: US$ 2,3 milhões Total EUA: US$ 111,5 milhões Total Mundo: US$ 125,8 milhões
Bingo – O Rei das Manhãs é um baita filme
Daniel Rezende é pé quente. Seu primeiro filme como montador foi “Cidade de Deus” (2002). Já chegou com muita força, recebendo até indicação ao Oscar e um reconhecimento internacional que o levou a trabalhar com Terrence Malick, em “A Árvore da Vida” (2011). Sem falar em colaborações memoráveis em outros filmes marcantes de diretores brasileiros como Walter Salles, José Padilha, Laís Bodansky e novamente com Fernando Meirelles. Ser um editor de filmes de sucesso de público deve ter lhe dado uma sábia compreensão do que se deve fazer para que um filme flua bem. Em “Bingo – O Rei das Manhãs”, sua estreia na direção de longas-metragens, não parece haver nenhuma gordura. Tudo no filme está ali muito bem amarradinho. Difícil perder o interesse em algum momento. E não só porque é uma obra que fala de assuntos que interessam a quem viveu os anos 1980 e assistia ao programa do Bozo – embora tenha um sabor especial para quem testemunhou aqueles anos de exageros. “Bingo” tem uma estrutura mais clássica e um acabamento profissional que lembra bastante o cinema americano. Mas é, sim, um filme conceitualmente brasileiro, como foi a transformação do palhaço gringo Bozo em “coisa nossa”, como o Sílvio Santos, a Aracy de Almeida e o Pedro de Lara. Até a mudança do nome do palhaço para Bingo, por questões de direitos, contou para a “abrasileiração”, além de ampliar a liberdade da adaptação. Todos os personagens, à exceção de Gretchen (Emanuelle Araújo, de “S.O.S.: Mulheres ao Mar”), são tratados por outros nomes. Arlindo Barreto, o verdadeiro personagem da história, virou Augusto Mendes, vivido de maneira inspirada por Vladimir Brichta (“Muitos Homens num Só”). O fato de “Bingo” trafegar por caminhos sombrios é outro aspecto atraente. Até dá pra entender o fato de ter sido a Warner a distribuidora do filme aqui, já que é uma empresa que tem raízes nos filmes de gângster e nunca se desvencilhou totalmente dessa linha mais dark – inclusive, produziu o vindouro terror de palhaço “It: A Coisa”. Por sinal, “Bingo” também explora como a figura do palhaço pode despertar medo em algumas pessoas. E isso se reflete numa cena tão forte que leva a questionar se aquilo aconteceu de verdade com o Arlindo no SBT. Na trama, Augusto Mendes é um ator de pornochanchada que está separado da esposa e tem uma relação muito próxima com o filho. Logo no começo do filme, o menino até chega a flagrar um pouco o trabalho do pai dentro daquele universo, numa época em que o cinema brasileiro era uma versão nua, crua e mais desbocada da dramaturgia que hoje é representada nas telenovelas da Globo. Inclusive, era possível ver algumas das atrizes globais nuas em determinados filmes. Isso fazia parte da graça da época e é representado no filme na figura da ex-esposa de Augusto. As coisas ficam mais interessantes para o protagonista quando ele, depois de se sentir humilhado com uma ponta em uma novela da Rede Globo (no filme, Mundial), vai parar, sem querer, no teste para ser o palhaço Bingo, em uma das apostas mais caras do SBT, que aqui aparece com outro nome também. E é com sua inteligência e astúcia que ele consegue não só tirar sarro do produtor gringo, como mostrar, à sua maneira, que era preciso adaptar as piadas para o Brasil, se quisesse arrancar o riso e conquistar as crianças. Mas o que mais encanta no filme é o quanto esse universo de programa infantil é tratado como uma fachada para a vida louca de Augusto, que bebia e cheirava muito nos bastidores, além de se envolver em orgias e desfrutar das loucuras que o dinheiro podia comprar. Talvez o ponto fraco do filme seja ter quase que uma obrigação de fazer um arco dramático para redimir o personagem, embora isso seja perfeitamente coerente com um tipo de cinema mais comercial – sem querer colocar nenhuma carga pejorativa no termo. Os ingredientes que mais divertem e emocionam são as inúmeras referências pop dos anos 1980. Não apenas à televisão, mas ao comportamento da época e as canções escolhidas, com muita new wave brasileira, mas também duas lindas faixas do Echo and the Bunnymen. O que não quer dizer que também não haja uma trilha sonora original ótima, que se destaca principalmente nos momentos mais dramáticos e sombrios do filme. Claro que é possível encontrar alguns problemas nas interpretações e no roteiro, mas são coisas que podem ser relevadas diante de um todo brilhante. É um baita filme. Embora o maior mérito seja de Rezende, a produção está repleta de técnicos ilustres: Lula Carvalho (“As Tartarugas Ninja”) como diretor de fotografia, Luiz Bolognesi (“Como Nossos Pais”) como roteirista, Marcio Hashimoto (“O Filme da Minha Vida”) como montador, Cassio Amarante (“Xingu”) na direção de arte, além de um elenco de apoio muito bom – como esquecer da cena do Brichta com a Leandra Leal (“O Lobo Atrás da Porta”) em um restaurante? Aliás, como esquecer tantas cenas memoráveis de “Bingo”? É o tipo de filme que merece ser visto e revisto, algo raríssimo entre os lançamentos do cinema nacional.
Bye Bye Alemanha usa de bom humor para tratar de tema sério
Os judeus alemães que conseguiram sobreviver ao regime nazista, logo após a 2ª Guerra Mundial, tinham um sonho comum: abandonar a Alemanha e partir para os Estados Unidos. É o caso de David Bermann (Moritz Bleibtreu) e seus amigos, em Frankfurt, em 1946. Com um negócio de família de venda de roupa fina para os alemães, foi possível obter o dinheiro para a viagem, e o visto para a América é quase automático na situação dele. Porém, ao examinar seus documentos e vasculhar seu passado recente, a oficial americana Sara Simon (Antje Traue) resolve investigar melhor e encontra coisas suspeitas. O filme “Bye Bye Alemanha”, do diretor Sam Garbarski, conta a história desse personagem da vida real, do que ele relata e do que ele esconde, e vamos descobrindo uma personalidade cheia de nuances e jogo de cintura, que explicam sua sobrevivência. David tem também uma malandragem e uma vivacidade intelectual que, certamente, contam muito em situações extremas. Basta dizer que um dos elementos centrais nessa história é sua capacidade de contar piadas, nos momentos e situações mais improváveis. E o humor salva. A trama é muito boa e muito bem contada, pelo cineasta que já nos deu dois bons filmes antes: “Irina Palm”, em 2007, e “O Tango de Rashevski”, em 2003. Seu estilo de narrar é tradicional e popular. Comunicativo e bem humorado, geralmente abordando temas bem sérios, como é o caso aqui. O ator alemão Moritz Bleibtreu é talentoso e compõe muito bem o tipo retratado no filme. Ainda assim, para um personagem que conta piadas, ele é discreto demais. Ele optou por uma interpretação contida, considerando o contexto, mas talvez tenha exagerado um pouco na dose. A personagem de Sara também comportaria mais expansividade. Ela enfatiza mais as suspeitas em relação ao personagem do que o acolhimento e o direito de considerá-lo uma pessoa inocente até prova em contrário, na maior parte do filme. Curiosamente, os dois atores principais trabalharam juntos em outro filme recente sobre as consequências do nazismo, “A Dama Dourada” (2015). “Bye Bye Alemanha” traz uma boa caracterização de época, incluindo uma fotografia que, em tons sépia, cinza e ambientação escurecida, nos remete ao passado, e um passado nada glorioso. Não fosse o tom bem-humorado da realização, poderia resultar em um filme pesado. Não é o caso. Esse é um dos méritos de “Bye Bye Alemanha”: tratar com respeito, mas sem muita dramaticidade, um assunto grave. E por um ângulo inesperado, como verá quem for assistir ao filme.
Annabelle 2 é terror tradicional que funciona
Um filme que dialoga com o terror tradicional como “Annabelle 2: A Criação do Mal” (2017) pode passar a impressão de ser uma obra ultrapassada. Mas não deixa de ser admirável como o diretor David F. Sandberg consegue transformar o roteiro banal em algo elegante, em sua construção formal, e que sabe equilibrar a sutileza de mostrar o mal aos poucos, até revelar sua extensão de forma explícita em seu terceiro ato. O primeiro filme sobre Annabelle já havia sido feito para explorar o sucesso da boneca numa trama paralela de “Invocação do Mal” (2013), que deixou muitas pontas soltas. E “Annabelle” (2014), dirigido por John R. Leonetti, provou-se razoável, embora pouco memorável. Com um cineasta melhor, como é o caso de Sandberg, responsável por “Quando as Luzes se Apagam” (2016), vem um filme mais caprichado, pelo menos na condução narrativa. “Annabelle 2” é realmente o filme de origem da boneca, já que o longa anterior foi uma apresentação de fatos que antecederam o filme de Wan. Curiosamente, cada uma das três aparições da boneca acontece em ordem cronológica inversa. O modo como Sandberg e o roteirista Gary Dauberman resolvem contar a história de origem é bem satisfatória, introduzindo inicialmente a família composta por um pai (Anthony LaPaglia, da série “Without a Trace”), uma mãe (Miranda Otto, da série “24: Legacy”) e sua filha (Samara Lee, de “O Último Caçador de Bruxas”). O modo como eles perdem a menina é brutal e funciona como um prólogo muito bom para a verdadeira história que virá a seguir, passando-se 12 anos após o trágico evento. O salto no tempo apresenta novos personagens: um grupo de meninas que serão abrigadas na casa daquela família, que funcionará como orfanato. As que contarão para o espectador são as mais jovens, Linda (Lulu Wilson, de “Ouija: A Origem do Mal”) e Janice (Thalita Bateman, de “A 5ª Onda”). Esta segunda convive com uma sequela da poliomielite e tem dificuldade de locomoção. As duas são muito amigas e sonham em ser adotadas pela mesma família, para que se tornem, oficialmente, irmãs. Há, ainda, a personagem de uma amável freira (Stephanie Sigman, de “007 Contra Spectre”) que cuida das meninas e as demais crianças mais velhas, que já pensam em garotos e namoros, mesmo estando em um ambiente totalmente distante desse tipo de tentação. E o filme prefere não adicionar personagens masculinos, o que acaba por ser uma boa escolha, já que isso dá mais mais força às várias personagens, mesmo à misteriosa Sra. Mullins (Miranda Otto), que vive o tempo todo trancada em um quarto, sem ser vista pelos demais habitantes do novo orfanato. Há um cuidado especial na apresentação da casa, no quanto ela é grande e composta por lugares proibidos, como o quarto dos Mullins e, principalmente, o quarto onde habitava a garotinha morta Bee. O horror propriamente dito já começa no silêncio, ou melhor, no ainda não-dito, mas já previsto pelos espectadores. Aos poucos, pequenos eventos como janelas que se abrem sozinhas ou coisas do tipo vão ajudando a compor a narrativa de horror. As explicações sobre o mal que habita a boneca são rápidas, mas funcionam, embora o mais importante seja o quanto a direção sabe lidar com os ataques que as forças malignas impõem às crianças, aproveitando-se de sua inocência e curiosidade. Há uma opção por evitar sustos fáceis, o que fornece mais dignidade à obra, embora tudo siga as convenções dos filmes de horror – os próprios movimentos da câmera antecipam, em cada cena, quando o que vem a seguir é algo assustador. Em suma, “Annabelle 2” oferece ao público aquilo que ele espera. O espectador até mesmo imagina que, mais cedo ou mais tarde, verá a figura de uma freira maligna, fazendo com o que o filme tenha ligação também com “Invocação do Mal 2” (2016) e o vindouro spin-off sobre a freira, a ser dirigido por Corin Hardy (“A Maldição da Floresta”). Ou seja, “Annabelle 2” faz parte de um universo compartilhado, como as produções de super-heróis da Marvel. Há até mesmo uma cena pós-créditos. Ao menos, é um universo mais efetivo que o introduzido em “A Múmia”.
Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é superficialmente deslumbrante
Luc Besson não é o melhor dos realizadores quando o assunto é roteiro, diálogos e dramaticidade. Mesmo quando faz filmes históricos, como foi o caso de “Joana D’Arc” (1999). Seu novo filme, “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” (2017) guarda parentesco com um de seus trabalhos mais marcantes, a aventura sci-fi “O Quinto Elemento” (1997), e é puro visual, a ponto de praticamente dispensar a trama. Vinte anos separam os dois filmes, mas há muito em comum neles, principalmente a ambição e o capricho na direção de arte de espaços inventados e incrivelmente belos e coloridos. E pode-se dizer isso num momento em que efeitos digitais raramente impressionam. O filme de Besson tem imagens tão espetaculares que nem mesmo os óculos escuros do 3D conseguem atrapalhar. Ao contrário, é um dos raros exemplares em que a tecnologia soma pontos ao filme. A produção mais cara da história do cinema europeu é uma adaptação dos quadrinhos franceses do herói espacial Valerian, criado em 1967, o ano mais lisérgico do século 20. Até por isso, o filme flui como uma espécie de viagem de ácido, gerando uma das mais bonitas e interessantes experiências sensoriais dos últimos anos. O problema é a dificuldade que Besson tem em transformar seus filmes em algo um pouco mais elaborado, no que diz respeito à construção dos personagens, aos diálogos (algumas vezes constrangedores) e à narrativa em si, que é bem problemática. Por isso, o melhor é se perder na viagem, compensando com a beleza da paisagem os inúmeros problemas da produção, que já começam com a escalação de Dane DeHann (“O Espetacular Homem-Aranha 2”) no papel-título, cuja personalidade sorumbática não combina com o personagem. Por outro lado, a modelo e atriz Cara Delevingne (“Esquadrão Suicida”) está muito bem como Laureline, a parceira do herói na aventura, que chega a eclipsar o protagonista com o charme, beleza e inteligência da personagem. Mas falta química à dupla. Um dos detalhes que mais chama a atenção em “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas” é sua semelhança com o universo e trama de “Star Wars”. Entretanto, desta vez não se trata de plágio. Os quadrinhos de Pierre Christin e Jean-Claude Mézières foram mesmo grande influência para a franquia de George Lucas. Há até mesmo um vilão parecidíssimo com Jabba the Hutt. Quanto às apontadas semelhanças dos Pearls com os Na’vi de “Avatar”, talvez isso tenha sido puramente acidental. Também se destaca a ação non-stop, que soma o gosto do próprio Besson pelo cinema de aventura hollywoodiano com o ritmo dos quadrinhos, que se caracterizam por dar pouco espaço para um respiro – no filme, os poucos momentos de tranquilidade são aqueles em que Valerian tenta convencer sua parceira Laureline a casar com ele. A ausência de uma construção narrativa satisfatória é compensada por essa bagunça de certa forma divertida, sustentada por um dos mais brilhantes trabalhos de direção de arte e efeitos visuais do cinema contemporâneo. O problema é que a produção dura duas horas e nem mesmo a paisagem mais linda do mundo é capaz de sustentar um fiapo de trama por tanto tempo.
Lady Macbeth aborda consequências da opressão masculina de forma desconsertante
Após tantos séculos de opressão do patriarcado, começam a despontar cada vez mais obras sobre a libertação feminina. E embora haja uma série de outros títulos que prefiram denunciar situações de sofrimento intenso, como são os casos de “A Vida de uma Mulher”, de Stéphane Brizé, e “Faces de uma Mulher”, de Arnaud des Pallières, para citar exemplos recentes, há outros filmes – uma minoria, é verdade – que preferem seguir por outro caminho. Pode-se dizer que o caminho seguido por “Lady Macbeth”, primeiro longa-metragem de William Oldroyd, diretor britânico de teatro, é no mínimo desconcertante. Baseado no romance “Lady Macbeth do Distrito de Mtsensk”, do escritor russo Nikolai Leskov, o filme acompanha a história da jovem Katherine (a ótima Florence Pugh, do terror “The Falling”), que é vendida pela família e passar a viver um casamento de conveniência com um homem rude e de comportamento doentio. É um homem que parece não saber dar conta da bela esposa que tem, e que deseja que ela fique enclausurada dentro de casa, lendo um livro de orações. “Mas eu prefiro o ar fresco”, diz a jovem, ainda que seja sempre recebida de forma desrespeitosa pelo marido. Sua vida muda quando ela encontra um serviçal da família, um homem de pele escura chamado Sebastian (Cosmo Jarvis, de “Spooks: O Mestre Espião”), que até pode não ser o melhor dos homens, como dá a entender pelo modo como trata a empregada/escrava da casa, Anna (Naomi Ackie, da série “The Five”), mas, comparado ao marido, trata-se de uma promessa de felicidade para a jovem e carente Katherine. Mas engana-se quem pensa que as ousadias de Katherine se resumirão apenas às infidelidades, às transas na cama da casa, enquanto o marido e o sogro estão fora. Essas infidelidades, aliás, são inicialmente mostradas como um elemento bastante libertador e agradável, ao mesmo tempo que também funcionam como uma espécie de desforra. No entanto, a jovem mulher acaba por repetir nos demais as ações de repressão e violência por ela sofridas. E de maneira ainda mais brutal. O diretor Oldroyd trata seu filme como uma pintura, com o capricho de quem quer causar maravilhamento em nosso olhar. E funciona que é uma beleza. Mesmo quando serve para atenuar os crimes cometidos em nome dos caprichos e das vontades de Katherine, em sua busca por algo próximo de uma vida ideal, perto do homem que ama. O uso dos silêncios e de uma ausência de maiores sentimentalismos torna o filme uma experiência especial.
Trailer de terror com atriz de Fear the Walking Dead revela maldição do Facebook
A Warner britânica divulgou o trailer e o pôster de “Friend Request”, terror sobre o Facebook estrelado pela australiana Alycia Debnam-Carey (série “Fear the Walking Dead”). A prévia mostra como desfazer uma amizade no Facebook desperta uma maldição. Após brigar com uma colega gótica de faculdade, a jovem estudante Laura (Debnam-Carey) decide acabar com a amizade virtual. Mas a garota acaba cometendo suicídio. O choque é logo substituído pela percepção de que sua morte pode ter sido parte de um ritual, pois mensagens ameaçadoras passam a assombrar Laura nas redes sociais. Além de atacar sua reputação, não demora para o terror visar seus amigos, com o objetivo de matar todos que ficarem a seu lado. Tudo para cumprir a maldição de torná-la completamente sozinha. Originalmente chamado de “Unfriend”, o filme é uma produção alemã falada em inglês, com roteiro e direção de Simon Verhoeven, cujo filme posterior (sim, mais recente), “Welcome to Germany”, venceu diversos prêmios como Melhor Filme Alemão de 2016. Ele é filho do diretor Michael Verhoeven (“A Rosa Branca”) e da atriz Senta Berger (“A Cruz de Ferro”). Além de Debnam-Carey, o elenco inclui outros atores conhecidos das séries americanas, como Connor Paolo (série “Revenge”), William Moseley (série “The Royals”), Brit Morgan (série “Supergirl”) e Sean Marquette (série “The Goldbergs”). “Friend Request” foi lançado em janeiro de 2016 na Alemanha, mas só agora está sendo divulgado nos Estados Unidos, onde estreia em 22 de setembro. Não há previsão de lançamento no Brasil.
Nova foto de Liga da Justiça junta Batman, Mulher-Maravilha e Flash
A Warner divulgou uma nova foto dos heróis “Liga da Justiça”. A imagem junta Batman (Ben Affleck), Mulher-Maravilha (Gal Gadot) e Flash (Ezra Miller), que encaram alguma ameaça do filme. Além deles, o grupo de super-heróis contará com Aquaman (Jason Momoa), Ciborgue (Ray Fisher) e Superman (Henry Cavill). Dirigido por Zack Snyder (“Batman vs. Superman”) e refeito por Joss Whedon (“Os Vingadores”), “Liga da Justiça” estreia em 16 de novembro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Paul Bettany entra no filme derivado de Star Wars sobre a juventude de Han Solo
As filmagens do longa derivado de “Star Wars” sobre a juventude de Han Solo ganharam um reforço de peso. O diretor Ron Howard (“Inferno”) publicou uma foto do set em seu Twitter, em que aparece ao lado de Paul Bettany (“Capitão América: Guerra Civil”). O papel do ator ainda não divulgado, mas, segundo a revista Variety, ele substituiu Michael K. Williams (série “The Night Of”), que teve sua participação cortada por ter ficado indisponível para refilmagens. Originalmente, o filme estava sendo dirigido pela dupla Phil Lord e Christopher Miller (“Anjos da Lei”), mas reclamações do roteirista Lawrence Kasdan (“Star Wars: O Despertar da Força”) sobre o tom de comédia da produção chamaram atenção da presidente da Lucasfilm Kathleen Kennedy, que optou por demiti-los. No lugar da dupla, entrou o veterano Ron Howard e a produção ganhou nova dinâmica. Ainda sem título oficial, o filme tem previsão de estreia para o dia 24 de maio no Brasil. The Outer Rim just got a little bit wilder #PaulBettany #ForceFriday pic.twitter.com/KzuAwhcIXy — Ron Howard (@RealRonHoward) September 1, 2017
Shelley Berman (1925 – 2017)
Morreu o veterano comediante de stand-up Shelley Berman, que ficou conhecido do grande público por viver o pai de Larry David na série de comédia “Curb Your Enthusiasm” (“Segura a Onda”). Ele faleceu em sua casa, na manhã de sexta-feira (1/9), aos 92 anos, de complicações de Alzheimer. Berman foi um dos comediantes de stand-up de maior sucesso dos anos 1950 e 1960, elevando o humor de improviso a uma arte. Ele entrou para a história como o primeiro comediante a ganhar um Grammy com “Inside Shelley Berman”, disco de 1959 que também se tornou o primeiro álbum de comédia a atingir vendagem de disco de ouro nos Estados Unidos. A popularidade lhe rendeu diversos aparições em programas de variedades da TV e até papéis em filmes e séries, geralmente em pequenas participações. Ele foi um beatnik chapado no terror “Demência” (1955) e um cabeleiro na comédia “Beware! The Blob” (1972), além de ter aparecido em episódios de inúmeras séries clássicas, como “A Feiticeira”, “O Agente da UNCLE”, “A Garota da UNCLE”, “Agente 86”, “Police Woman”, “CHiPs”, “A Supermáquina” e “MacGyver – Profissão: Perigo”. Em 1975, Berman fez seu único filme como diretor de cinema, “Keep Off My Grass!” (1975), uma comédia sobre hippies e maconha, estrelada por Micky Dolenz (da banda The Monkees), que virou cult. Além de “Curb Your Enthusiasm”, ele teve papel recorrente em “Friends” e em duas séries jurídicas, “L.A. Law” no começo dos anos 1990 e “Justiça Sem Limites” (Boston Legal) na metade dos 2000. Mas a série de Larry David foi seu trabalho mais duradouro. Ele apareceu em 13 episódios entre 2002 e 2009, e acabou recebendo uma indicação ao Emmy de Melhor Ator Coadjuvante pelo papel de Nat David. Berman também foi pai de Adam Sandler no filme “Zohan: O Agente Bom de Corte” (2008) e integrou o elenco das comédias “Entrando Numa Fria Maior Ainda” (2004) e “O Amor Não Tira Férias” (2006). Apareceu ainda em “Hannah Montana”, “Grey’s Anatomy” e fez sua última participação televisiva num episódio de “Hawaii Five-0” exibido em 2012. Ele se aposentou logo em seguida, ao ser diagnosticado com Alzheimer.
23 filmes disputam indicação do Brasil à vaga no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
O Ministério da Cultura (MinC) divulgou a lista dos filmes brasileiros que disputarão a indicação do Brasil a uma vaga na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar 2018. As inscrições, abertas no dia 9 de agosto pelo MinC, se encerraram na quinta-feira (31/9). Ao todo, 23 filmes foram inscritos para a vaga, número bem maior do que no ano passado, quando apenas 16 longas se habilitaram, num processo marcado por desistências e politização. A lista deste ano inclui filmes premiados em festivais, como “Gabriel e a Montanha”, dirigido por Felipe Barbosa, que venceu o prêmio Revelação na Semana da Crítica em Cannes e o prêmio da Fundação Gan. Também se inscreveram “Como Nossos Pais”, de Laís Bodanzky, que venceu o prêmio do público no Festival de Cinema Brasileiro de Paris e seis troféus, inclusive o de Melhor Filme, no Festival de Gramado, e “Era o Hotel Cambridge”, de Eliane Caffé, vencedor do prêmio do público no Festival de San Sebastián (Espanha), 40ª Mostra Internacional de Cinema e no Festival do Rio. Outros títulos passaram por festivais internacionais sem conquistar prêmios, como “Joaquim”, de Marcelo Gomes, selecionado para a mostra competitiva do Festival de Berlim, e “Vazante”, de Daniela Thomas, projetado na mostra Panorama do Festival de Berlim. Mas, curiosamente, “Pendular”, de Julia Murat, que foi premiado pela crítica na Panorama, não se inscreveu. Há também bons filmes que optaram pelo lançamento direto no circuito comercial, como “O Filme da Minha Vida”, de Selton Mello, diretor do filme escolhido para representar o Brasil no Oscar de 2013, “O Palhaço”, “Bingo – O Rei das Manhãs”, de Daniel Rezende, que estreia como diretor, mas já concorreu ao Oscar em 2004, pela Edição de “Cidade de Deus”, além de “Polícia Federal – A Lei É para Todos”, que estreia na quinta-feira (7/9). Ainda há cinebiografias, filmes políticos, documentários e outras produções bem fraquinhas, que fazem apenas número na relação. Uma comissão da Academia Brasileira de Cinema será responsável por definir o escolhido, que será divulgado dia 15 de setembro. Confira abaixo a relação completa. A Família Dionti Direção: Alan Minas A Glória e a Graça Direção: Flávio Ramos Tambellini Bingo – O rei das Manhãs Direção:Daniel Rezende Café – Um dedo de prosa Direção: Maurício Squarisi Cidades Fantasmas Direção: Tyrell Spencer Como Nossos Pais Direção: Laís Bodanzky Corpo Elétrico Direção: Marcelo Caetano Divinas Divas Direção: Leandra Leal Elis Direção: Hugo Prata Era O Hotel Cambridge Direção: Eliane Caffé Fala Comigo Direção:Felipe Sholl Gabriel e a Montanha Direção: Fellipe Barbosa História Antes da História Direção: Wilson Lazaretti Joaquim Direção: Marcelo Gomes João, o Maestro Direção: Mauro Lima La Vingança Direção: Fernando Fraiha e Jiddu Pinheiro Malasartes e o Duelo com a Morte Direção: Paulo Morelli O Filme da Minha Vida Direção: Selton Mello Polícia Federal – A Lei É para Todos Direção:Marcelo Antunez Por Trás do Céu Direção: Caio Sóh Quem É Primavera das Neves Direção: Ana Luiza Azevedo, Jorge Furtado Real – O Plano por Trás da História Direção:Rodrigo Bittencourt Vazante Direção: Fernando Fraiha e Jiddu Pinheiro












