O Sacrifício do Cervo Sagrado é um dos mais assustadores filmes de terror recentes
O trabalho do cineasta grego Yorgos Lanthimos não é apreciado por muitos – basta ver a quantidade de pessoas indignadas no IMDb e dispostas a jogar pedras no seu mais recente filme. Embora já tenha seis longas-metragens em seu currículo e um outro já pronto para ser lançado ainda este ano, ele é mais lembrado por dois títulos: “Dente Canino” (2009) e “O Lagosta” (2015), filmando o que talvez sejam o drama adolescente e a comédia romântica mais estranhos já feitos. Os filmes do diretor na verdade são inclassificáveis, mas se a história de um homem que vai se transformar em um animal (uma lagosta) simplesmente por não ter conseguido uma namorada ou uma esposa pode ser vista como um romance, “O Sacrifício do Cervo Sagrado” se aproxima mais do horror. E nesse sentido, é um dos mais assustadores filmes de horror já feitos neste milênio. Pode parecer uma afirmativa exagerada, mas por não ser exatamente um filme agradável, pode levar alguns espectadores a fugir correndo da sala de cinema – como cheguei a presenciar na sessão de que participei. Pena que, ao ser lançada no meio da temporada do Oscar, possa acabar passando batido, com pouco tempo em cartaz. Ainda assim, é melhor do que não ser exibido no cinema, como aconteceu com “O Lagosta”. Trata-se de um filme especial, desses que ficam com o espectador ao final da sessão e por alguns dias ainda, com suas imagens poderosas, estranhas e muitas vezes aterrorizantes. A primeira imagem de “O Sacrifício do Cervo Sagrado” é um grande close na cirurgia de um coração. Trata-se de uma imagem real de uma cirurgia que foi aproveitada para o filme. O protagonista, Dr. Steven Murphy (Colin Farrell), é um cirurgião cardiologista. Ao término de uma cirurgia de rotina, ele anda com um colega pelos corredores do hospital e conversa sobre um relógio bonito. “Onde o comprou?”, pergunta ele. Mais tarde, saberemos de seus encontros estranhos com um garoto de 16 anos (Barry Keoghan, que já tem um rosto um tanto incomum e por isso se encaixa perfeitamente com o personagem). A princípio, não sabemos do que se tratam esses encontros do médico e esse rapaz. Haveria ali uma espécie de relacionamento impróprio, por assim dizer? Chama a atenção também o tipo de dramaturgia em que as falas dos personagens são despidas de emoção, algo já visto em “O Lagosta”. Trata-se de um tipo de trabalho que lembra bastante o uso de modelos no trabalho de Robert Bresson, que em entrevistas é tido como uma das grandes influências do cineasta grego. As estranhezas chegam também em casa, com a esposa (Nicole Kidman) alimentando uma das taras do marido: fingir que está imobilizada em anestesia geral para que ele possa desfrutar dessa fantasia aparentemente recorrente. Yorgos Lanthimos segue, assim, mantendo a atenção do espectador cada vez mais em alta. Inclusive pela utilização de uma trilha sonora que aos poucos vai se tornando perturbadora, principalmente a partir do momento em que um dos dois filhos de Steven afirma não conseguir se levantar da cama, teria perdido a mobilidade dos membros. É quando as respostas para isso surgem em uma conversa com o incômodo Martin, o garoto de 16 anos, que àquela altura já havia visitado a família de Steven e feito o médico visitar sua mãe (Alicia Silverstone, em uma única mas marcante sequência). As respostas para esse pesadelo que se transformou a vida do cirurgião seriam dadas em poucos segundos, a ponto de o espectador ficar não apenas aterrorizado, mas também desnorteado. Mais uma vez, Lanthimos trabalha com o tema da punição, e o que acontece a seguir é impressionante. Imagens das cenas seguintes, de tão bizarras – algumas delas chocantes – certamente ficarão presentes na memória de muitos espectadores, mesmo aqueles que sairão da sessão com um pouco de raiva do filme. O ar de tragédia seria inspirado na peça de Eurípides sobre Ifigênia, filha de Agamemnon, o general grego que venceu a guerra de Troia. Segundo os textos que precedem a “Ilíada”, Agamemnon teve que sacrificar a própria filha por ter matado um cervo sagrado em uma floresta. Só assim os deuses soprariam os ventos que levariam sua frota para Troia. Mas após dez anos de guerra, ao voltar para casa, ele é assassinado pela esposa, como vingança pelo sacrifício da filha. O ciclo continua, com o assassinato da mulher pelos dois filhos remanescentes e vingativos, Orestes e Electra – ato que, por sinal, deu origem a outra peça. Tragédia grega, horror arrepiante, Bresson e o que muitos dizem ser uma imaginação saída de uma mente doentia são alguns dos ingredientes para a construção deste espetáculo singular e perturbador que é “O Sacrifício do Cervo Sagrado”.
Jogador Nº 1: Novo trailer e 22 fotos exploram o futuro dirigido por Steven Spielberg
A Warner divulgou um novo trailer e 22 fotos novas de “Jogador Nº 1” (Ready Player One), que destacam cenas de ação intensa, explosões, efeitos visuais e o universo virtual da trama futurista. A prévia mostra melhor acabamento nas sequências de animação digital que os vídeos anteriores, mas mantém a impressão de que o suposto mundo imersivo não supera animações de videogames da década passada, embora, na trama, o Oasis seja o mais moderno dos games já inventados. Claro que sempre há a possibilidade de o escuro do cinema e o 3D interagirem para criar uma ilusão mais convincente, como aconteceu com o mundo virtual de “Avatar” (2009), por exemplo. O longa, que marca a volta do diretor Steven Spielberg à ficção científica, é uma adaptação do livro homônimo de Ernie Cline. A história se passa em 2044, quando a humanidade se conecta no Oasis, uma utopia virtual, onde as pessoas podem viver o que sonham, interagir com outros jogadores e até se apaixonar. Mas o protagonista Wade Watts (Tye Sheridan, de “X-Men: Apocalipse”) quer mais que sonhar. Ele pretende resolver o enigma do criador do Oasis (Mark Rylance, de “Ponte dos Espiões”), que escondeu uma série de pistas na realidade virtual para premiar quem resolvê-las com a herança de sua enorme fortuna – e até o próprio Oasis. Milhões tentam conseguir o prêmio, sem sucesso, mas Wade está na frente da competição. Isto porque as chaves do enigma são baseadas numa cultura esquecida que ele domina: o entretenimento pop dos anos 1980. Assim como o personagem procura pistas para o ovo dourado, escondido pelo Willy Wonka futurista, o público também tem centenas de easter eggs na produção para identificar. Os vídeos disponibilizados já trouxeram várias menções à cultura pop, desde o protagonista da animação “O Gigante de Ferro” (1999) até o DeLorean de “De Volta para o Futuro” (1985). O elenco também inclui Olivia Cooke (série “Bates Motel”), Ben Mendelsohn (série “Rogue One: Uma História Star Wars”), Simon Pegg (“Missão Impossível: Nação Fantasma”), Hannah John-Kamen (série “Killjoys”), Ralph Ineson (“A Bruxa”), T.J. Miller (“Deadpool”), Lena Waithe (série “Master of None”), Win Morisaki (“Gokusen: The Movie”) e Letitia Wright (“Pantera Negra”). “Jogador Nº1” estreia em 29 de março no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Dwayne Johnson enfrenta monstros gigantes no novo trailer legendado de Rampage
A Warner divulgou um novo trailer legendado de “Rampage”, que ganhou o subtítulo “Destruição Total” no Brasil. A prévia destaca o ator Dwayne Johnson (“Baywatch”), sua amizade com o gorila George e a mutação que afeta o primata e mais dois animais, transformado-os em criaturas gigantes. Além da ação e dos efeitos, não faltam piadinhas, enquanto Johnson embarca em sua missão para salvar seu amigão e, claro, o mundo. O filme é uma adaptação do velho game homônimo, lançado em 1986, em que três monstros gigantes (o macaco George, o lagarto Lizzy e o lobisomem Ralph) destruíam cidades e lutavam contra militares. A adaptação foi escrita pelos roteiristas Carlton Cuse e Ryan Condal (criadores da série “Colony”), marcando um reencontro entre Condal e Johnson após “Hércules” (2014). “Rampage”, por sinal, também é o terceiro filme do ator dirigido por Brad Peyton, que o comandou em “Terremoto: A Falha de San Andreas” (2015) e “Viagem 2: A Ilha Misteriosa” (2012). Todos muito bem-sucedidos nas bilheterias. Além de Johnson, o elenco da produção inclui Naomi Harris (“Moonlight”), Joe Manganiello (“Magic Mike”), Jeffrey Dean Morgan (série “The Walking Dead”), Marley Shelton (“Planeta Terror”), Malin Akerman (série “Billions”) e Jake Lacy (série “Girls”). A estreia está marcada para 19 de abril no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Olivia Wilde vai estrear como diretora em comédia adolescente feminina
A atriz Olivia Wilde (série “Vinyl”) vai fazer sua estréia como diretora. Ela vai comandar a comédia adolescente feminina “Booksmart”, que será estrelado por Kaitlyn Dever (“Detroit em Rebelião”) e Beanie Feldstein (“Vizinhos 2”). A história segue as personagens de Dever e Feldstein, que, na véspera da formatura do ensino médio, percebem que deveriam ter se esforçado menos e se divertido mais. Determinadas a não ficarem atrás dos colegas, as meninas partem em uma missão para tirar o atraso de quatro anos de diversão em uma noite. O roteiro original é de Emily Halpern e Sarah Haskins (criadoras de “Trophy Wife”), e passou por revisões de Susanna Fogel (“Parceiras Eternas”) e Katie Silberman (“Como Ser Solteira”). A produção está a cargo da Gloria Sanchez, que não é uma pessoa de verdade, mas o nome de uma nova “divisão feminina” da Gary Sanchez Productions, a produtora do ator Will Ferrell (“Pai em Dose Dupla”) e do cineasta Adam McKay (“A Grande Aposta”). Gloria é comandada por Jessica Elbaum, produtora associada da dupla há uma década, desde “Quase Irmãos” (2008), primeiro longa estrelado por Ferrel e dirigido por McKay para a Gary Sanchez. “Booksmart” representa o tipo de filme que a Gloria Sanchez pretende lançar: escrito, dirigido e estrelado por mulheres. Para este filme, a produtora ainda vai se associar com a Annapurna, que também é comandada por uma produtora, Megan Ellison. A experiência de Olivia Wilde como diretora inclui dois curtas e um par de clipes, entre eles “Dark Necessities”, da banda Red Hot Chili Peppers. Ela também já atuou como produtora de cinco documentários em curta-metragem, além de dois filmes indies que estrelou, “Um Brinde À Amizade” (2013) e “Meadowland” (2015)
Pantera Negra bate primeiro recorde de bilheteria em sua pré-estreia na América do Norte
Ao contrário do Brasil, em que as estreias cinematográficas acontecem às quintas-feiras, nos Estados Unidos e no Canadá os lançamentos chegam no dia seguinte. Mas a ansiedade do público para ver “Pantera Negra” fez com que as sessões especiais de pré-estreia do filme da Marvel já lotassem na noite desta quinta (15/2) na América do Norte. O resultado foi o primeiro recorde da produção. Com US$ 25,2M (milhões) arrecadados, trata-se da maior bilheteria de pré-estreia de um filme no mês de fevereiro no mercado doméstico, dobrando o número do recorde anterior, atingido por “Deadpool” (US$ 12,7M). O valor também representa ao segunda maior pré-estreia de um filme da Marvel, atrás apenas de “Vingadores 2: Era de Ultron” (US$ 27,6M) . O novo filme de heróis da Marvel deve dominar as bilheterias de todo o mundo no fim de semana. A expectativa é que o longa arrecade US$ 170M nos Estados Unidos e Canadá, de acordo com a revista Variety. Ou US$ 200M, segundo os sites Deadline e The Hollywood Reporter.
Primeira lista de apresentadores do Oscar 2018 confirma exclusão de Casey Affleck
A divulgação da primeira lista de artistas que entregarão estatuetas do Oscar 2018, que revelou a participação da atriz chilena Daniela Vega, primeira transexual a apresentar a premiação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, também confirmou o “banimento” de Casey Affleck. Vencedor do Oscar de Melhor Ator no ano passado, o ator pediu para ser dispensado da obrigação de anunciar o premiado deste ano, devido à acusações de abuso sexual, e seu nome não foi incluído na lista, que traz os demais atores consagrados no Oscar 2017: Emma Stone (vencedora por “La La Land”), Viola Davis (“Um Limite entre Nós”) e Mahershala Ali (“Moonlight”). Affleck foi premiado por “Manchete à Beira-Mar”, após ser acusado de assédio por duas mulheres com quem trabalhou no documentário “Eu Ainda Estou Aqui” (2010). Na ocasião, a atriz Brie Larson, que entregou o prêmio, fez questão de não aplaudi-lo. “Eu acredito que o que eu fiz no palco falou por si mesmo”, ela afirmou em entrevista para a revista Vanity Fair. Ele foi acusado pela produtora Amanda White e pela diretora de fotografia Magdalena Gorka, que acionaram Affleck judicialmente e o caso foi resolvido em sigilo, com uma indenização financeira. Após vencer o Oscar, o ator deu entrevista ao jornal Boston Globe em que confirmou que todos os envolvidos no caso estavam proibidos por contrato de comentar o assunto. Desde então, o escândalo sexual de Harvey Weinstein veio à tona, repleto de contratos similares, e a tolerância com assediadores diminuiu a zero. No caso de Affleck, havia até uma campanha online para impedir sua participação no Oscar deste ano. Quase 20 mil pessoas assinaram o abaixo-assinado no site Change.org para que ele não fosse convidado a apresentar o prêmio – e o site agora registra que a campanha foi vitoriosa. Segundo o site Deadline, o ator teria ficado com receio e, diante do tom anti-assédio que deverá marcar a cerimônia, preferiu cancelar sua participação a comprometer o resto de sua carreira. A informação foi confirmada por um representante da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Os primeiros nomes confirmados para participação da cerimônia de premiação incluem, portanto, três dos quatro atores que venceram os prêmios de interpretação do ano passado, a chilena Daniela Vega e mais os seguintes astros de Hollywood: Chadwick Boseman (“Pantera Negra”), Laura Dern (“Star Wars: Os Últimos Jedi”), Jennifer Garner (“Clube de Compra Dallas”), Greta Gerwig (diretora de “Lady Bird”), Tiffany Haddish (“Girls Trip”), Tom Holland (“Homem-Aranha: De Volta ao Lar”), Kumail Nanjiani (“Doentes de Amor”) e Margot Robbie (“Eu, Tonya”). A 90ª edição do prêmio mais importante do cinema vai acontecer em 4 de março no Teatro Dolby, em Los Angeles, e contará com o humorista Jimmy Kimmel como mestre de cerimônias. Os canais Globo e TNT realizam a transmissão no Brasil.
Daniela Vega é confirmada como primeira apresentadora transexual da história do Oscar
A atriz chilena Daniela Vega, protagonista de “Uma Mulher Fantástica”, foi confirmada como uma das apresentadoras da premiação do Oscar 2018, anunciou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em comunicado divulgado nesta sexta-feira (16/2). Vega conquistou o público e a crítica com a interpretação de uma mulher trans que sofre a perda do parceiro em “Uma Mulher Fantástica”, mais recente filme do cineasta chileno Sebastián Lelio. E será a primeira transexual a entregar um prêmio no Oscar. Sua participação histórica é confirmada após a Academia nomear pela primeira vez um cineasta transexual na premiação: Yance Ford concorre na categoria de Melhor Documentário, por “Strong Island”. “Uma Mulher Fantástica” também está competindo na premiação, na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira, ao lado de “O Insulto” (Líbano), “Sem Amor” (Rússia), “Corpo e Alma” (Hungria) e “The Square – A Arte da Discórdia” (Suécia).
Las Herederas: Coprodução brasileira na competição do Festival de Berlim ganha vídeos com trailer e cenas
Única produção brasileira na disputa do Urso de Ouro do Festival de Berlim 2018, “Las Herederas” ganhou trailer, dois vídeos com cenas completas e seu pôster internacional. O filme é uma parceria sul-americana e europeia, dirigida por um jovem paraguaio, Marcelo Martinessi, curtametragista premiado que assina seu primeiro longa. A trama gira em torno de um mulher sexagenária (Ana Brun, aplaudidíssima em Berlim) separada de sua parceira de toda a vida, enquanto precisa se desfazer dos móveis e obras de arte da família para pagar as contas da casa em que viveram juntas, atualmente em estado de ruína. As dívidas se acumulam, após uma delas ser presa por fraude bancária, deixando a outra sozinha no casarão. Até que, aos poucos, a senhora solitária cede aos convites da vizinha mais jovem, que gosta de sair de casa para jogar pôquer com as amigas, e transforma o antigo Mercedez Bens herdado do pai em transporte particular. O filme é sutil, mas lida com temas poderosos, como amor e companheirismo entre mulheres (LBGTQ, mesmo), decadência da classe média, crise econômica, Terceira Idade, etc, tudo num microcosmo doméstico. E ganhou críticas elogiosas da imprensa internacional durante a exibição no festival alemão. Coproduzido pela diretora carioca Julia Murat, “Las Herederas” também conta com apoio de produtoras do Uruguai, da França, da Alemanha, entre outros países. A coprodução internacional, segundo o cineasta, é a única forma de se fazer cinema de qualidade no Paraguai. Leia a entrevista de Martinessi aqui. “Las Herederas” ainda não tem previsão de lançamento comercial.
Robert Pattinson e Mia Wasikowska estrelam primeiro western do #MeToo no Festival de Berlim
Na competição do Leão de Ouro do Festival de Berlim 2018, até o bom e velho western aparece sob a ótica contemporânea do movimento #MeToo. Dirigido pelos irmãos David e Nathan Zellner (“Kumiko, a Caçadora de Tesouros”), “Damsel” traz o inglês Robert Pattinson (“Bom Comportamento”) e a australiana Mia Wasikowska (“Alice Através do Espelho”) como um casal de noivos no Velho Oeste. O detalhe é que ela não quer ser a donzela do final feliz da novela. O personagem de Pattinson é um forasteiro que chega numa cidadezinha em busca de um pastor beberrão para oficializar seu casamento, enquanto a personagem de Wasikowsk luta para confrontar os anseios casamenteiros de um mundo de vaqueiros. “Não preciso ser salva de nada!”, avisa a jovem na trama, que tem mais tom de comédia que tiroteios ao meio-dia e cavalgadas ao por-do-sol. “Gostei de encontrar uma personagem que segue sua própria vontade sem se limitar a satisfazer as projeções de um homem”, disse Mia Wasikowska, na entrevista coletiva de Berlim. Ela afirmou ter gostado muito da proposta da produção. “Sempre tento dar espaço para o cinema independente nas minhas escolhas e aprender com experiências nas quais possa me conectar com pessoas dispostas a mudar o cinema”. Após explicar que passou o último ano inteiro na Austrália, ele contou que estava maravilhada por ver, à distância, as discussões em torno do assédio sexual e da igualdade de gêneros, mas que só percebeu o impacto cultural do momento durante a pré-estreia mundial de “Damsel” no Festival de Sundance. “Foi possível sentir a energia gerada pelos debates que o filme suscitou entre as pessoas que participaram do festival”, ela apontou. “Estamos vivendo um momento que vai trazer mudanças significativas para as mulheres, em todos os setores da sociedade”. Para a atriz, a campanha #MeToo não se restringe apenas à denúncia de assediadores, “é reflexo de uma mudança maior de comportamento – o que significa que certas posturas não serão mais toleradas, dentro e também fora do mundo do cinema”. Robert Pattinson comentou esse clima de mudanças, ao descrever como seu personagem “acredita que o amor permite qualquer atitude, mas não é assim que as coisas funcionam”. “Ele acha que pode tudo e acredito que isso é o que ocorre com a maioria dos homens”, ponderou o ator, para quem a trama reflete a encruzilhada que os homens precisam confrontar. O fato desse confronto de visões acontecer no gênero mais masculino de todos, o western, chama atenção, mas não é casual. “Somos fãs de western desde crianças. Mas a verdade é que alguns clichês nos deixavam entediados”, disse o cineasta David Zellner. “Nos clássicos do gênero, as personagens femininas eram vistas como elementos decorativos ou simples objetos do desejo dos homens. Eram elementos que não nos interessavam agora. Queríamos fazer da heroína um ser humano complexo, com conflitos emocionais. Hoje em dia é difícil fazer filmes como os de John Wayne”, completou.
Coprodução brasileira na disputa do Leão de Ouro em Berlim agrada a crítica internacional
Única produção brasileira na disputa do Urso de Ouro do Festival de Berlim 2018, “Las Herederas” recebeu críticas elogiosas da imprensa internacional que cobre o evento alemão. O filme é uma parceria sul-americana e europeia, dirigida por um jovem paraguaio, Marcelo Martinessi, curtametragista premiado que assina seu primeiro longa. A trama gira em torno de um mulher sexagenária (Ana Brun, aplaudidíssima) separada de sua parceira de toda a vida, enquanto precisa se desfazer dos móveis e obras de arte da família para pagar as contas da casa em que viveram juntas, atualmente em estado de ruína. As dívidas se acumulam, após uma delas ser presa por fraude bancária, deixando a outra sozinha no casarão. Até que, aos poucos, a senhora solitária cede aos convites da vizinha mais jovem, que gosta de sair de casa para jogar pôquer com as amigas, e transforma o antigo Mercedez Bens herdado do pai em transporte particular. O filme é sutil, mas lida com temas poderosos, como amor e companheirismo entre mulheres (LBGTQ, mesmo), decadência da classe média, crise econômica, Terceira Idade, etc, tudo num microcosmo doméstico. “Comecei a pensar nessa casa como uma pequena prisão para essa mulher, que luta por mais liberdade. Queria contar uma história dentro de um espaço fechado, que refletisse um pouco a situação em que a sociedade paraguaia está atravessando. É uma metáfora para o país”, contou Martinessi durante entrevista coletiva no festival. Coproduzido pela diretora carioca Julia Murat, “Las Herederas” também conta com apoio de produtoras do Uruguai, da França, da Alemanha, entre outros países. A coprodução internacional, segundo o cineasta, é a única forma de se fazer cinema de qualidade no Paraguai. “O Paraguai é quase invisível, em termos de cinema. Não temos leis de incentivo lá. Outros países do continente também atravessam momentos difíceis, como o México e o Brasil, mas pelo menos eles tem incentivo e seus cineastas estão contanto histórias fantásticas sobre sua sociedade. Em um certo sentido, nosso filme reflete a obscuridade em que o Paraguai vive. Ninguém sabe o que acontece por lá”.
Festival de Berlim é criticado por incluir novo filme de Kim Ki-Duk em sua programação
Conforme previsto pela Pipoca Moderna, a contradição do Festival de Berlim 2018 não passou despercebida. Após o diretor do evento, Dieter Kosslick, afirmar que a programação deste ano barrou a inclusão de filmes com a participação de pessoas acusadas de abusos ou assédio sexual, em concordância com a campanha #MeToo, uma atriz sul-coreana acusou o festival de estimular predadores ao incluir o novo filme de Kim Ki-Duk em sua programação. Em um encontro com a Associação da Imprensa Estrangeira na Alemanha, Kosslick não quis citar os títulos recusados nem os nomes dos envolvidos, mas confirmou que retirou do evento filmes que pretendia exibir, devido a participação de pessoas envolvidas em denúncias de assédio sexual. “São menos de cinco”, especificou o diretor, há duas semanas. Pois deveriam ser “seis”, com “Human, Space, Time and Human”, de Kim Ki-Duk, liderando a lista, de acordo com a atriz que pediu anonimato e acusou o diretor de agressão e de tê-la obrigado a rodar cenas de sexo improvisadas quando trabalhava em um de seus filmes. Kosslick tentou explicar à agência de notícias AFP por que não vetou Kim, que já tem um prêmio de Melhor Direção do Festival de Berlim, vencido por “Samaritana” (2004). Ele minimizou o fato, alegando que algumas acusações de assédio sexual apresentadas pela mesma atriz contra o cineasta foram rejeitadas por falta de provas, acrescentando que estava à espera de mais informações. Na verdade, há muitas informações nos autos do processo. Kim Ki-duk não foi apenas denunciado, mas condenado por agredir a atriz durante a produção do longa “Moebius” em 2013. Não se trata de um caso de mera denúncia. Ele já tem uma condenação na justiça de seu país. Foi obrigado a pagar 5 milhões de wons por agressão física, após admitir que “deu tapas” na atriz, como “forma de aprendizado”. A atriz apelou da decisão porque o juiz não considerou as acusações de abuso sexual. Na quinta-feira (15/2), o diretor alemão Tom Tykwer, presidente de um júri que premiará os melhores trabalhos da competição, tentou contemporizar, pedindo que o debate “não seja alimentado de forma artificial (pelos meios sensacionalistas), nem tampouco calado por ninguém”, defendendo que o movimento se foque em mudanças e não “em nomes”. Pois a atriz que acusa Kim Ki-duk recebeu o apoio de 140 associações sul-coreanas em protesto contra a participação do diretor no festival. O manifesto de apoio é bastante claro, ao denunciar a “realidade injusta, em que o agressor está trabalhando e sendo recebido em todas as partes como se não houvesse nada, enquanto a vítima que denunciou o abuso está sendo isolada e marginalizada”. “Por que a Berlinale é indulgente com Kim, estendendo o tapete vermelho para ele e para seu filme?”, questiona o comunicado, que acusa os organizadores do festival de “consentir e endossar” o comportamento do diretor. A Pipoca Moderna foi um dos poucos veículos do mundo a chamar atenção para essa polêmica em potencial no começo de fevereiro, quando Koselick fez seu anúncio sobre corte de filmes de acusados de abuso, sem mencionar nomes e ignorando prontamente um cineasta já condenado por isso.
Robert Pattinson vai estrelar o novo terror do diretor de A Bruxa
O ator Robert Pattinson (“Bom Comportamento”) entrou no segundo longa de Robert Eggers, diretor do premiado terror de época “A Bruxa” (2015), vencedor do Festival de Sundance. Eggers voltará ao gênero em seu próximo filme, intitulado “The Lighthouse” (o farol). Ele escreveu e vai dirigir o filme, que também será estrelado por Willem Dafoe (“Meu Amigo Hindu”) como um velho faroleiro chamado Old. O personagem de Pattinson ainda não foi divulgado. A história será ambientada na Nova Escócia, no início do século 20, e irá abordar antigos mitos marinhos. A produção está a cargo da produtora brasileira RT Features, de Rodrigo Teixeira, em parceria com as americanas A24, New Regency e o estúdio de efeitos Parts and Labor – basicamente, a equipe de produção de “A Bruxa”.
Suposto vídeo íntimo de Marcelo Adnet vaza na internet
Um suposto vídeo íntimo de Marcelo Adnet teria vazado na internet. As imagens viriam de uma webcam e mostrariam o humorista se masturbando. A revelação foi feita pelo colunista Léo Dias, que descreveu o material. De acordo com o colunista do jornal O Dia, o vídeo mostra o ator do “Tá no Ar” fazendo caras e bocas e, depois de um corte, um homem do pescoço para baixo se masturbando. Não fica claro se há uma montagem entre o começo e o fim da reprodução. O feed dura 15 minutos e teria sido feito para uma mulher chamada Daniela C. Paula. A assessoria de imprensa de Adnet ainda não comentou o vazamento. O ator atualmente mora com a namorada Patrícia Cardoso, após se separar de sua mulher, a também comediante Dani Calabresa, em abril de 2017. O fim do casamento de sete anos aconteceu após flagras de supostos casos extraconjugais do humorista.












