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Filme, Série

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    Ator de Aquaman vai estrelar remake do terror O Mistério de Candyman

    26 de fevereiro de 2019 /

    O ator Yahya Abdul-Mateen, que viveu o vilão Arraia Negra em “Aquaman”, vai estrelar o remake do terror “O Mistério de Candyman”, que será produzido por Jordan Peele (“Corra!”). Abdul-Mateen, que também será um dos astros da série de “Watchmen” que chega este ano à HBO, vai encarnar o protagonista, numa mudança de sexo em relação ao filme original de 1992, estrelado por Virginia Madsen, vítima do monstro vivido por Tony Todd. Para quem não lembra, a lenda do Candyman girava em torno de um filho de escravo que se tornou próspero depois de desenvolver um sistema para fabricar sapatos em massa durante a Guerra Civil. Ele também se tornou conhecido como artista por seu talento como pintor de retratos. Depois de se apaixonar e ser pai de uma criança com uma mulher branca em 1890, Candyman foi atacado por uma turba de linchamento contratada pelo pai de sua amada. Eles cortaram sua mão para que não pudesse mais pintar e a substituíram por um gancho. Depois, foi untado com mel roubado de um apiário, atraindo abelhas famintas que o picaram até a morte. Seu cadáver foi queimado e suas cinzas foram espalhadas pela área de Chicago onde sua aparição é mais forte. Seu espírito vingativo aparece quando seu nome é dito cinco vezes no espelho, com consequências mortais. A descrição do personagem, que lembra uma mistura da lenda urbana de Bloody Mary (ou da Loira do Banheiro) com a tortura sofrida pelo Negrinho do Pastoreio é, na verdade, baseada no conto “The Forbidden”, assinado pelo mestre do terror Clive Barker (“Hellraiser”). O novo filme, que terá direção e roteiro de Nia DaCosta (“Little Woods”), vai retornar à vizinhança de Chicago onde a lenda se originou. Mas o local está completamente diferente após 26 anos. Se antes era cheio de residências populares, hoje é tomado por famílias de classe média alta, que se mudaram para o bairro. A estreia está marcada para janeiro de 2020.

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    Pikachu enfrenta Mewtwo no novo trailer dublado do Pokémon americano

    26 de fevereiro de 2019 /

    A Warner divulgou um novo trailer dublado e legendado (ao mesmo tempo!) de “Pokémon Detetive Pikachu”. Repleta de cenas inéditas, aparição aleatória do DJ Diplo e ao som (ainda mais aleatório!) de um hit do filme “Footloose”, a prévia destaca muitos pokémons, inclusive o vilão Mewtwo, estragando uma surpresa da trama – se bem que o spoiler já tinha vazado em blogs americanos. Na versão hollywoodiana, o personagem de Justice Smith é o único que entende o que o Pikachu diz. O resto da população reage como os fãs da série animada “Pokémon”, ouvindo apenas pika-pika-pika – o que soa como uma palavrão, quando se lembra que o bichinho tem a mesma voz de Deadpool (isto é, do ator Ryan Reynolds)! Outro detalhe curioso é o chapeuzinho de Sherlock Holmes que o Pikachu usa no filme. Este elemento visual veio junto com a premissa e o título, quando a produtora Legendary fechou o contrato para adaptar não a franquia, mas um game específico da Nintendo, que se chama, em inglês, “Great Detective Pikachu”. No jogo em que o filme se baseia, um garoto americano chamado Tim Goodman descobre que consegue entender o que Pikachu fala e os dois passam a trabalhar juntos para resolver mistérios. Já no filme, o Detetive Pikachu se apresenta como maior esperança de Tim (Smith) para encontrar seu pai, um policial lendário, que está desaparecido. Mas mesmo respeitando a premissa do game, a produção aproveita para preencher o filme com muitos pokémons, inclusive com easter eggs da série animada japonesa, e situar a trama no mesmo mundo da franquia. Aí é que entra Mewtwo, o principal pokémon do primeiro “Pokémon – O Filme”, lançado em 1998, e que voltou à ativa no mais recente longa animado da franquia. O roteiro da adaptação foi escrito por Nicole Perlman (“Guardiões da Galáxia”) e Alex Hirsch (criador da série animada “Gravity Falls”) e a direção está a cargo de Rob Letterman (“Goosebumps – Monstros e Arrepios”). A estreia está marcada para 9 de maio no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos. Confira abaixo o trailer nacional e a versão americana, com a dublagem original.

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    Novos vídeos de Shazam! destacam supervilão e premissa do próximo filme da DC Comics

    26 de fevereiro de 2019 /

    A Warner divulgou um novo comercial e um vídeo legendado com entrevistas de “Shazam!”, filme de super-herói da DC Comics. Enquanto o comercial destaca o encontro entre o herói do título e seu arquiinimigo, o material de bastidores traz declarações do elenco e do diretor para apresentar os personagens, reforçando o tom de humor da da produção. O filme deve mesmo ser o mais cômico dos personagens da editora, mostrando que o trauma de “Lanterna Verde” (2011) finalmente foi superado. Reza a lenda que, na época do fracasso do super-herói vivido por Ryan Reynolds, um memorando do presidente da Warner tinha proibido piadinhas em filmes de super-heróis, originando assim a fama das adaptações da DC como super-sombrias. Claro que isso também virou piadinha do próprio Ryan Reynolds em seus novos filmes de super-heróis da franquia “Deadpool”. “Shazam!” vai adaptar a versão mais recente dos quadrinhos do herói que lhe dá título – e que foi criado nos anos 1940 como Capitão Marvel. Após longa evolução, duas brigas diferentes por direitos autorais e vários reboots, ele ganhou uma nova versão em 2012 (nos “Novos 52”), que mudou praticamente tudo o que se sabia sobre ele. O recente reboot preserva, pelo menos, a premissa básica do herói. Ele não passa de um menino chamado Billy Batson (vivido por Asher Angel, da série “Andi Mack”), que ganha a capacidade de virar um super-herói adulto e fortão (Zachary Levi, da série “Chuck”) ao pronunciar a palavra mágica “Shazam!”. O elenco também inclui Jack Dylan Grazer (“It – A Coisa”), Djimon Hounsou (“Guardiões da Galáxia”), Cooper Andrews (o Jerry de “The Walking Dead”), Marta Milans (série “No Tomorrow”), Grace Fulton (“Annabelle 2: A Criação do Mal”), Ian Chen (série “Fresh Off the Boat”), Jovan Armand (série “The Middle”), Faithe Herman (série “This Is Us”) e Mark Strong (“Kingsman: O Círculo Dourado”) como o supervilão Dr. Silvana. Com direção de David F. Sandberg (“Annabelle 2: A Criação do Mal”), “Shazam!” será o próximo filme da DC Comics a chegar nos cinemas após o fenômeno de “Aquaman”. A estreia está marcada para 4 de abril no Brasil, um dia antes do lançamento nos Estados Unidos.

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    O Tradutor: Novo filme de Rodrigo Santoro ganha trailer, fotos e pôster nacional

    26 de fevereiro de 2019 /

    O drama “O Tradutor”, coprodução cubana e canadense elogiada no recente Festival de Sundance, ganhou fotos, trailer e pôster nacional, que destacam a participação de Rodrigo Santoro. O ator brasileiro tem o papel-título da produção e precisou interpretar em espanhol e russo. O filme acompanha um professor universitário de literatura russa convocado a trabalhar na ala infantil de um hospital em Havana, que recebeu vítimas do acidente nuclear de Chernobyl. Ele auxilia a comunicação entre os médicos e os pacientes, que foram enviados pela Rússia para receber tratamento em Cuba. Mas o fato de serem crianças o deixa abalado. “O Tradutor” é baseado na história real do pai dos diretores, os irmãos Rodrigo e Sebastián Barriuso, que estreiam na direção de longas. O lançamento nos cinemas brasileiros está marcado para 28 de março.

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    Terror Escape Room vai ganhar continuação

    26 de fevereiro de 2019 /

    Um das primeiras surpresas de bilheteria do começo de 2019, o terror “Escape Room”, garantiu continuação. O diretor Adam Robitel e o roteirista Bragi F. Schut retornarão para “Escape Room 2”, cuja trama é mantida em segredo pela Sony. No filme original, ainda em cartaz nos cinemas brasileiros, um grupo de adultos recebe um convite para participar do jogo Escape Room e ser o primeiro a escapar, com direito a ganhar um prêmio de US$ 1 milhão. Mas, ao chegarem lá, os desconhecidos descobrem que a brincadeira é séria, com ameaças reais e armadilhas mortais, e que o convite não foi parar em suas mãos de forma aleatória. A trama atualiza uma premissa clássica de Agatha Christie – “E Não Sobrou Nenhum”, também conhecida como “O Caso dos Dez Negrinhos” – , em que pessoas que não se conhecem vão para uma ilha para a leitura de um testamento milionário, ficam presas no local e começam a morrer até sobrar apenas uma. Mas em vez da ilha, o ambiente está mais para o labirinto de “O Cubo” e as mortes acontecem em armadilhas que evocam a agenda sádica de “Jogos Mortais”. Feito por apenas US$ 9 milhões, o filme original foi estrelado por Deborah Ann Woll (“Demolidor”), Taylor Russell (“Perdidos no Espaço”), Logan Miller (“Com Amor, Simon”), Jay Ellis (“Insecure”) e Tyler Labine (“Planeta dos Macacos: A Origem”), e arrecadou quase US$ 120 milhões nas bilheterias mundiais até agora. A continuação tem previsão de estreia para abril de 2020.

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    Os Gremlins vão virar série animada

    26 de fevereiro de 2019 /

    Os Gremlins, monstrinhos clássicos dos anos 1980, vão deixar as reprises televisivas de lado para voltar a aprontar em aventuras inéditas. A Warner está planejando ressuscitar a franquia, que rendeu dois filmes adorados do diretor Joe Dante, como uma série de animação. Segundo a revista Variety, a produção seria lançada no novo serviço de streaming da WarnerMedia, que ainda não tem nome. A série dos “Gremlins” é a primeira produção original anunciada para a plataforma. O projeto pretende situar a trama muitos anos antes dos filmes. A animação seria focada na juventude do Sr. Wing, o vovô chinês interpretado por Keye Luke nos filmes, que seria acompanhado nos episódios pelo “gremlin bonzinho”, o famoso Gizmo. A atração está sendo desenvolvida pelo roteirista Tze Chun, do thriller “Dinheiro Sujo” (2013) e da série “Gotham”. O “Gremlins” original contava a história de Billy Peltzer (Zach Galligan), que ganha um novo bichinho de estimação, sem imaginar que, se não seguisse as regras de como tratá-lo, poderia liberar no mundo verdadeiras pestes monstruosas. Escrito por Chris Columbus (o diretor de “Esqueceram de Mim”), chegou aos cinemas em 1984 e fez tanto sucesso que ganhou a continuação “Gremlins 2: A Nova Geração” em 1990. Desde 2010, a Warner discutia um projeto de retomada da franquia, inicialmente como um terceiro filme, que seria outra vez dirigido por Dante. Mas esta produção nunca saiu do papel.

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    D’Artagnan Júnior (1961 – 2019)

    25 de fevereiro de 2019 /

    O ator José D’Artagnan Júnior, conhecido por novelas da Globo, morreu no domingo (24/2) no Rio de Janeiro, aos 58 anos. A notícia foi compartilhada pelo também ator Miguel Falabella, amigo de D’Artagnan Júnior, no Instagram. D’Artagnan era casado com a autora de novelas e teatro Maria Carmem Barbosa, e participou de mais de 20 novelas da Globo. Ele começou a atuar ainda adolescente e seu primeiro trabalho televisivo foi “A Sucessora”, em 1978. Entre outras novelas, apareceu também em “Cara & Coroa” (1995), “Salsa e Merengue” (1996), “Malhação” (1998), “Pecado Capital” (1998), “Kubanacan” (2003), “Da Cor do Pecado” (2004), “A Lua Me Disse” (2005), “O Profeta” (2006), “Negócio da China” (2008), “Insensato Coração” (2011) e “Aquele Beijo” (2011). Sua última aparição em novelas foi em “Salve Jorge” (2012), como o personagem Aziz. D’Artagnan Júnior também fez cinema, especialmente quando jovem, atuando em seis filmes entre 1976 e 2003, entre eles os cultuados “Onda Nova” (1983), de José Antonio Garcia e Ícaro Martins, e “Anjos da Noite” (1987), de Wilson Barros. Ele encerrou a filmografia com “Apolônio Brasil, Campeão da Alegria” (2003), de Hugo Carvana. O ator sofria de problemas no fígado há mais de oito anos e havia se internado três semanas antes de falecer, com Pancreatite e Hepatite C. Segundo o comunicado de Falabella, sua esposa sofre de Alzheimer e não entende que ele morreu.

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    Oscar 2019 registra segunda pior audiência televisiva da história da premiação nos EUA

    25 de fevereiro de 2019 /

    Sem apresentador e sem filmes independentes, mas com Queen e Lady Gaga, o Oscar 2019 foi um relativo sucesso ou um relativo fracasso na TV dos Estados Unidos, dependendo de como seus números são apresentados. A audiência da cerimônia contabilizou um aumento de 11,5% em relação ao ano passado e registrou 7,7 pontos na demo (a faixa demográfica de adultos entre 18 e 49 anos, mais relevante para os anunciantes). Cada ponto equivale a 1,3 milhão de adultos na medição da consultoria Nielsen. Ao todo, 29,6 milhões de telespectadores sintonizaram a transmissão da rede ABC. Um bom resultado diante dos 25,5 milhões que assistiram à premiação do ano passado, quando se registrou o recorde negativo da transmissão. Entretanto, o alento é pequeno, já que o resultado contabiliza o segundo menor público televisivo da história do Oscar. Antes, o segundo pior desempenho tinha sido registrado em 2008, quando a exibição foi vista por 32 milhões de americanos. Os produtores da cerimônia não esconderam que o objetivo deste ano era dar mais atenção à premiação de cinema como um programa televisivo. E tinham muitas ideias para atrair público. A maioria delas acabou rejeitada após reação negativa dos membros da Academia – que, nostálgicos, ainda defendem que o Oscar deve ser sobre cinema e não TV. Entre os planos engavetados estavam um Oscar para Melhor Filme Popular (também conhecido como o Oscar para “Pantera Negra”), exclusão da maioria das performances de candidatos a Melhor Canção e a apresentação de quatro categorias nos intervalos comerciais. O objetivo de jogar alguns prêmios para fora da transmissão ao vivo era encurtar a premiação. A rede ABC queria uma cerimônia de 3 horas. Com a entrega de todos os troféus, o Oscar acabou durando 3h21. Ainda assim, foi uma das menores cerimônias dos últimos anos. A falta de um apresentador oficial agilizou o programa. Em vez de um monólogo de abertura, houve rock da banda Queen. E em vez de artistas desconhecidos de filmes independentes, multiplicaram-se os astros da televisão no evento. Quatro deles venceram os Oscars de interpretação. Apesar de todo esse esforço, que culminou numa péssima seleção de candidatos blockbusters, o programa do Oscar continuou a apresentar números muito baixos, quando comparado aos anos anteriores. Para se ter noção, em 2014 cerca de 43,7 milhões de pessoas assistiram a “12 Anos de Escravidão” vencer o Oscar ao vivo nos Estados Unidos.

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    Premiação do Oscar 2019 consagra geração de “atores de TV”

    25 de fevereiro de 2019 /

    Apesar do voto anti-Netflix em “Green Book”, a premiação do Oscar 2019 mostrou que os preconceitos que separam trabalhos na TV e no cinema estão cada vez mais ultrapassados. Não só pela vitória de “Free Solo”, produção do canal NatGeo, como Melhor Documentário. O detalhe que mais chamou atenção foi o fato de os quatro vencedores nas categorias de interpretação serem “atores de TV”, com aval do Emmy. A Melhor Atriz Coadjuvante Regina King (“Se a Rua Beale Falasse”) foi reconhecida pela Academia de Ciências e Artes Cinematográficas depois de conquistar três prêmios Emmy da Academia da Televisão – por “American Crime” e “Seven Seconds”. Melhor Ator do Oscar 2019, Rami Malek (“Bohemian Rhapsody”) também já tinha vencido seu Emmy pela série “Mr. Robot”. Olivia Colman (“A Favorita”), que foi praticamente apresentada ao grande público de cinema americano pelo papel que lhe deu o Oscar de Melhor Atriz, é uma veterana de séries britânicas. E concorreu ao Emmy antes de ser descoberta pela Academia do Cinema dos Estados Unidos, pela minissérie “The Night Manager”, que lhe rendeu um Globo de Ouro em 2017. Seu próximo papel será como a rainha Elizabeth na 3ª temporada da série “The Crown”. Mesmo Mahershala Ali (“Green Book”), que conquistou seu segundo Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, foi reconhecido pelo Emmy um ano antes de estrelar “Moonlight”, ao ser indicado pela série “House of Cards” em 2016. Por sinal, ele estava no ar, simultaneamente à transmissão do Oscar, no capítulo final da 3ª temporada de “True Detective”. O que isso significa? Logicamente, que ser “ator de TV” não é mais estigma na profissão. Não é por caso que estrelas famosas do cinema têm migrado para as séries. E celebram prêmios por esses trabalhos. Até Julia Roberts, que apresentou o Oscar de Melhor Filme, estrelou recentemente uma série – e foi indicada a Melhor Atriz pela 1ª temporada de “Homecoming” no último Globo de Ouro. Enquanto astros veteranos do cinema vão disputar prêmios de TV, estrelas reveladas em séries agora conquistam o Oscar.

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    Diretor do filme mais premiado é “esquecido” no Oscar 2019

    25 de fevereiro de 2019 /

    Com quatro estatuetas, “Bohemian Rhapsody” foi o filme mais premiado do Oscar 2019. Mas nenhum dos vencedores lembrou de agradecer seu diretor. O nome de Bryan Singer não foi mencionado uma vez sequer nos discursos dos premiados. Isto já tinha acontecido nas premiações anteriores, desde que a tática foi implementada no Globo de Ouro. A opção foi a estratégia escolhida pela Fox para separar o filme das controvérsias que acompanham o diretor. Singer foi denunciado por abuso sexual de menores antes, durante e após as filmagens do longa. São denúncias de fatos que teriam acontecido em outra década, mas que podem ter abalado o cineasta durante a produção, já que ele foi demitido antes do final das filmagens, supostamente porque precisava de um tempo para lidar com problemas de saúde de sua mãe. Ninguém comenta abertamente detalhes dos bastidores, mas rumores mencionam brigas no set com Rami Malek, vencedor do Oscar de Melhor Ator, ausências seguidas durante datas de filmagens – coincidindo com a descoberta de uma reportagem sobre novas denúncias – e comportamento descrito como “não profissional”. As revelações mais recentes, da tal reportagem, vieram à tona ao fim de janeiro pela revista The Atlantic, e levaram o cineasta a ser excluído das indicações ao BAFTA, o “Oscar britânico”. Além disso, seu mais recente projeto, uma nova versão dos quadrinhos de “Red Sonja”, acabou engavetado após a repercussão. O diretor Dexter Fletcher (do vindouro filme de Elton John, “Rocketman”) foi quem completou as filmagens de “Bohemian Rhapsody”. E se tornou ainda mais invisível que Singer, pois, além de não receber nenhum agradecimento sequer, nem teve seu nome incluído nos créditos do longa. Singer manteve-se como diretor solitário da produção. Ele se defendeu das acusações publicadas pela revista The Atlantic acusando um dos repórteres de homofobia e revelando que a mesma denúncia tinha sido vetada por supostos problemas de apuração pela revista Esquire. Os autores da reportagem confirmaram que a editora da Esquire barrou a publicação original, mas disseram “não saber porquê”. Mas o cineasta já tinha sido alvo de duas ações legais por abuso sexual de menor, ambas antes de filmar “Bohemian Rhapsody”. A mais recente é de 2017, quando foi acusado de estupro por Cesar Sanchez-Guzman. O jovem conta que tinha 17 anos quando compareceu a uma festa em um iate na qual Singer era um dos convidados. A ação ainda tramita na justiça americana. Mas chama atenção o fato de o advogado de Cesar Sanchez-Guzman ser Jeffrey Herman, o mesmo que representou Michael Egan em 2014, quando este também fez acusações de abuso sexual de menor contra vários figurões de Hollywood, inclusive Singer. Mais tarde, Egan voltou atrás nas denúncias, após inúmeras contradições em seus depoimentos. No caso de Singer, por exemplo, ele acusou o diretor de estuprá-lo numa viagem ao Havaí. Entretanto, Singer estava no Canadá filmando um dos longas dos “X-Men” no período apontado, e diante das evidências o caso foi retirado. Singer garante que também é inocente das demais acusações. Ironicamente, ele alega que as novas denúncias quiseram se aproveitar de seu destaque como diretor de “Bohemian Rhapsody”.

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    Oscar sem indies premia igualmente os grandes estúdios de Hollywood

    25 de fevereiro de 2019 /

    Lembra quando filmes independentes venciam o Oscar? A vitória de “Moonlight” há dois anos marcou o auge e o fim de uma era. Em 2019, a Academia barrou os indies de sua competição, resultado num vencedor controvertido e uma premiação bem diferente do Spirit Awards, considerado o “Oscar do cinema independente”. A decisão de não incluir títulos que a crítica e outras instituições consideraram os melhores do ano, para dar mais espaço aos filmes medianos dos grandes estúdios, teve impacto na distribuição dos prêmios. Sem a concorrência “desleal” de A24, 30West e outras, que se acostumaram a ter a qualidade seus filmes de arte reconhecidos, Disney, Fox, Universal e Netflix dividiram igualmente as estatuetas douradas entre si. Cada estúdio ficou com quatro ouros. Os quatro troféus da Disney correspondem aos prêmios técnicos de “Pantera Negra” e ao curta animado “Bao”. A Universal foi impulsionada pelas três vitórias de “Green Book”, inclusive como Melhor Filme, e completou sua lista com a vitória de Efeitos Visuais de “O Primeiro Homem”. A Netflix somou três Oscars de “Roma” e a estatueta de Melhor Documentário em Curta-metragem por “Period. End of Sentence.” Já os quatro da Fox se devem todos a “Bohemian Rhapsody”. Mas vale reparar que, se Marvel e Pixar são contados como Disney, a Fox também pode calcular as vitórias da Fox Searchlight, sua “divisão indie”. Assim, saiu-se melhor que os demais, ao somar mais dois Oscars – de Melhor Atriz (Olivia Colman por “A Favorita”) e Curta (“Skin”). Tem mais. A Fox também é dona da NatGeo, produtora do Melhor Documentário: “Free Solo”. Do mesmo modo, a vitória de Spike Lee pelo roteiro de “Infiltrado na Klan” poderia entrar na conta da Universal, já que o filme foi lançado pela Focus Features, a “divisão indie” do estúdio. Apenas uma produtora 100% indie conseguiu penetrar nessa festa exclusiva de gigantes milionários, a Annapurna, com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante de Regina King, por “Se a Rua Beale Falasse”, e de Melhor Maquiagem para “Vice”. Esta multiplicação da supremacia dos dólares sobre a arte do cinema seria ainda mais impactante se a Disney já tivesse consumado sua aquisição da Fox. Quando se soma as vitórias da Disney e da Fox, o resultado são 11 estatuetas para o conglomerado do CEO Bob Iger – deixando apenas outras 13 para serem divididas por seus rivais. Nada mal para o estúdio que tradicionalmente só era lembrado nas categorias de Melhor Animação e Canção, e que sempre preferiu fazer blockbusters a filmes de arte.

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    Spike Lee surta e protesta contra a vitória de Green Book no Oscar 2019

    25 de fevereiro de 2019 /

    Spike Lee surtou com a vitória de “Green Book: O Guia” como Melhor Filme no Oscar 2019. O site Deadline registrou que o cineasta ficou tão indignado quando ouviu o nome do filme ser chamado por Julia Roberts, que se levantou de sua cadeira para ir embora. Ele andou até os fundos do Dolby Theatre, onde conversou brevemente com o amigo Jordan Peele, que o ajudou a produzir “Infiltrado na Klan”. Peele deve tê-lo acalmado, porque ele logo voltou para o seu lugar. Entretanto, deu as costas para o palco enquanto os produtores de “Green Book” faziam seus agradecimentos. Em entrevista após a cerimônia, Lee demonstrou sua contrariedade sobre a vitória de “Green Book”. Usando uma metáfora de basquete, seu esporte favorito, ele disse: “Eu senti que estava sentado bem perto da quadra em um jogo, e vi o árbitro fazendo uma marcação errada”. O cineasta já havia dado a entender que não ficaria feliz com uma vitória do filme. Em uma entrevista realizada antes do Oscar, Lee comparou uma possível vitória de “Green Book” com o triunfo de “Conduzindo Miss Daisy” no Oscar de 1990. O longa com Morgan Freeman venceu a estatueta de Melhor Filme no mesmo ano em que “Faça a Coisa Certa”, clássico de Lee, foi lançado – e esnobado pela Academia. Na ocasião, a Academia também optou por um filme sobre racismo de diretor e roteirista brancos, focado no arco da personagem branca. “Toda vez que alguém dirige alguém, eu perco”, brincou Lee na entrevista pós-cerimônia. “Desta vez eles mudaram uma coisa, no entanto: em 1990, eu não fui indicado. Este ano eu fui”. Muitos ativistas negros americanos também fazem objeções a “Green Book”, especialmente depois da família de Don Shirley (o pianista interpretado por Mahershala Ali no filme) contestar a veracidade de vários eventos do roteiro.

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    Oscar “temático” consagra o Conduzindo Miss Daisy de 2019

    25 de fevereiro de 2019 /

    A noite do Oscar 2019 foi “temática”, reflexo de uma Academia empenhada em ser cada vez mais politicamente correta, após o #OscarSoWhite, ainda que o resultado final represente uma visão liberal dessa abordagem. Do principal vencedor da cerimônia, realizada no domingo (24/2) em Los Angeles, aos prêmios menos badalados, a mensagem que a distribuição de troféus buscou transmitir foi de incentivo à diversidade. Homens brancos venceram menos prêmios que o costume, resultando em maior reconhecimento para mulheres (15 estatuetas) e pessoas negras (7). São números que representam recordes de diversidade para a Academia das Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos. Isto permitiu que o mais famoso dos cineastas negros, que já deveria ter sido premiado há 30 anos, finalmente vencesse seu primeiro Oscar – Spike Lee, pelo roteiro de “Infiltrado na Klan”. Dois atores negros foram premiados como coadjuvantes, Regina King (por “Se a Rua Beale Falasse”) e Mahershala Ali (“Green Book”). E Ali se tornou o segundo ator negro a vencer dois Oscars, após Denzel Washington. Marcas de segregação técnica ruíram em várias categorias. Peter Ramsey foi o primeiro diretor negro a vencer o Oscar de Melhor Animação – por “Homem-Aranha no Aranhaverso”. A veterana Ruth E. Carter virou a primeira figurinista negra a conquistar sua categoria – por “Pantera Negra”. Sua colega, Hannah Beachler, consagrou-se como a primeira mulher negra indicada e vencedora do Oscar de Design de Produção (cenografia) – também por “Pantera Negra”. E não ficou nisso. Asiáticos tiveram destaque por meio do casal Elizabeth Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin, vencedores do Oscar de Melhor Documentário por “Free Solo”, e com Domee Shi, diretora do Melhor Curta Animado, “Bao”. O Oscar de Melhor Ator foi para Rami Malek, filho de egípcios, que comentou sua origem ao agradecer o prêmio, lembrando que Freddie Mercury, seu papel em “Bohemian Rhapsody”, também era filho de imigrantes africanos. O mexicano Alfonso Cuarón representou os latinos conquistando três estatuetas – Melhor Direção, Fotografia e Filme Estrangeiro por “Roma”. Por isso, o fecho da noite, com “Green Book” eleito o Melhor Filme, poderia (pseudo) representar uma conclusão do tema. Afinal, trata-se de drama que critica o racismo, ao celebrar a amizade entre um motorista branco sem educação e seu passageiro refinado, um músico negro em turnê pelo sul segregado dos Estados Unidos dos anos 1960. Entretanto, trata-se de um filme sobre racismo escrito, dirigido e produzido por brancos – o cineasta Peter Farrelly e os roteiristas Nick Vallelonga e Brian Hayes Currie – , que privilegia o arco de redenção de seu protagonista branco, um racista bruto, que se transforma ao longo de sua jornada. Vale lembrar que o intérprete do personagem negro venceu o Oscar de Ator Coadjuvante, o que deixa claro sua menor importância em comparação ao branco da trama. O vencedor do Oscar é, portanto, o “Conduzindo Miss Daisy” de 2019. Um filme sobre racismo para branco ver e aplaudir, numa abordagem bastante convencional sobre tensões raciais, que considera o ponto de vista negro mero coadjuvante. “Green Book” é similar ao filme de 30 anos atrás até do ponto de vista narrativo, na história do motorista e seu passageiro, apenas mudando quem conduz o veículo, para chegar no mesmo destino: a transformação positiva do personagem branco. Além disso, assim como “Conduzindo Miss Daisy”, o diretor de “Green Book” sequer foi considerado merecedor de indicação na categoria de Melhor Direção. Para completar as comparações, vale ainda lembrar que apesar da vitória do drama de Bruce Beresford, o favorito da crítica e filme mais lembrado daquele Oscar era “Faça a Coisa Certa”, de Spike Lee, muito negro para a época. O tema da diversidade pode ter embalado o Oscar 2019, mas, na hora de definir o prêmio principal, a Academia decidiu ignorar novamente Spike Lee, que tratou de racismo de forma mais contundente em “Infiltrado na Klan”. Pior ainda: barrou “Se a Rua Beale Falasse”, de Barry Jenkins, melhor abordagem do “tema”, que sequer foi indicado ao Oscar de Melhor Filme, embora tenha vencido, 24 horas mais cedo, o Spirit Awards de filme indie do ano. A vitória de “Green Book” também é o “Crash” de 2019. Em 2006, os eleitores da Academia elegeram outro filme mediano, “Crash: No Limite”, como opção para derrotar “O Segredo de Brokeback Mountain”, de temática homossexual, que irritava a maioria conservadora da época. Até a vitória de “Green Book”, a conquista de “Crash” era considerada a pior decisão da Academia em todos os tempos. O filme que a Academia não queria que vencesse em 2019 era “Roma”. Não porque seria a primeira vez que uma obra falada em outra língua levaria o Oscar – o francês “O Artista” era mudo. Mas porque “Roma” é produção de uma plataforma de streaming. A discussão sobre se as produções da Netflix são cinema tem dividido a comunidade cinematográfica. Uma vitória no Oscar representaria o aval da principal instituição da indústria. Para que isso não acontecesse, “Green Book” ganhou o voto dos contrários. E se juntou a “Crash” na história dos Oscars da mediocridade humana. Um esforço inútil, pois as conquistas de “Roma”, especialmente na categoria de Melhor Direção, já mudaram a Netflix de patamar. Ao final das contas, o que fica para a História é que o cineasta de “Debi e Lóide” venceu o Oscar. Porque tudo é discutível em “Green Book”, menos que seu diretor é o mesmo de “O Amor É Cego”, que achava gordofobia engraçada, e “Ligado em Você”, concebido como piada de deficientes. O fato de a Academia premiar “Green Book” também demonstra que, embora o Oscar 2019 tenha se esforçado para ser “temático”, as opções disponíveis para Melhor Filme foram muito limitadas. Podendo listar dez títulos, os organizadores da premiação preferiram limitar suas indicações a oito, deixando de fora o superior “Se a Rua Beale Falasse”, além de diversas outras possibilidades premiadíssimas. Sobre esse contexto, leia mais aqui. Em resumo, a Academia barrou o cinema independente para privilegiar produções de grandes estúdios, como Fox, Disney, Sony, Universal e, sim, Netflix. “Green Book” é um filme com distribuição da Universal na América do Norte. E o estúdio realmente investiu em estratégia para fazê-lo conquistar o Oscar, trazendo para sua equipe especialistas em crises. Os spin doctors conseguiram apagar incêndios que deveriam ter sido devastadores, causados por revelações do passado do diretor Peter Farrelly – achava engraçado mostrar seu pênis para as atrizes de seus filmes – e do roteirista Nick Vallelonga – apoiou declaração de Trump de que muçulmanos americanos simpatizam com os terroristas que derrubaram as Torres Gêmeas de Nova York. Esta é a equipe que venceu o Oscar 2019. E Jimmy Kimmel não apareceu com o envelope correto do verdadeiro vencedor. Claro, Oliva Colman (por “A Favorita”) e não Glenn Close (por “A Esposa”) como Melhor Atriz também rende discussão. Mas não pode ser comparada à consagração do filme que o New York Times chamou de “indesculpável”. Decisões politicamente corretas não impediram o ato falho da Academia, ao oferecer a versão branca de como é o racismo como conclusão do Oscar 2019. Confira aqui a lista completa dos premiados.

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