Douglas Slocombe (1913 – 2016)
Morreu o diretor de fotografia Douglas Slocombe, que filmou dezenas de clássicos, deixando sua marca em obras reverenciadas como “A Dança dos Vampiros”, de Roman Polanski, “O Grande Gasby”, estrelado por Robert Redford, e a trilogia original de “Indiana Jones”. Ele faleceu na segunda-feira (22/2) aos 103 anos de idade, em um hospital de Londres, onde era tratado desde janeiro em decorrência de uma queda. Nascido em Londres, em 10 de fevereiro de 1913, Douglas Slocombe começou a demonstrar seu talento para captar imagens como fotojornalista. Ele fotografou para as famosas revistas Life e Paris-Match nos anos 1930, até que, no início da 2ª Guerra Mundial, trocou a máquina fotográfica pela câmera de cinema, interessado em documentar com urgência momentos históricos, como a invasão da Polônia pelas tropas nazistas em 1939. Essas suas primeiras filmagens integraram o célebre documentário “Lights out in Europe” (1940), realizado por Herbert Kline. Ao fim do conflito europeu, ingressou na indústria do cinema britânico. Contratado pelo Ealing Studios, começou sua carreira profissional como operador de câmera do cineasta Charles Crichton em “For Those in Peril” (1944), drama de guerra que mesclou técnicas de filmagem de documentário para criar cenas realistas. Mas foram seus trabalhos na antologia de terror “Na Solidão da Noite” (1945), no segmento dirigido por Alberto Cavalcanti, e em “Grito de Indignação” (1947), a primeira comédia do estúdio, novamente com Crichton, que o tornaram requisitado. As comédias se provaram tão populares para o Ealing que Slocombe praticamente se especializou em filmes do gênero estrelados por Alec Guinness, como “As Oito Vítimas” (1949), “O Mistério da Torre” (1951), “O Homem do Terno Branco” (1951) e “Todos ao Mar!” (1957). Mas entre esses sucessos de bilheteria, ele também aperfeiçoou a construção de atmosferas sinistras em preto e branco, trabalhando com mestres do gênero noir como Basil Dearden em “Do Amor ao Ódio” (1950) e Gordon Parry em “A Tentação e a Mulher” (1958) Sua transição para o cinema colorido veio carregada de vermelho, com o cultuado terror “Circo dos Horrores” (1960), de Sidney Hayers, seguido por um legítimo terror da Hammer, “Grito de Pavor” (1961). Mesmo assim, Slocombe demorou a largar a predileção pelo preto e branco, do qual ainda se valeu para rodar importantes filmes dramáticos como “A Marca do Cárcere” (1961), em que Stuart Whitman viveu um pedófilo, “Freud – Além da Alma” (1962), cinebiografia do pai da psicanálise estrelada por Montgomery Clift, o drama feminista “A Mulher que Pecou” (1962), em que Leslie Caron viveu uma solteira grávida, e principalmente “O Criado” (1963), obra pioneira do homoerotismo, dirigida por Joseph Losey, que lhe rendeu o BAFTA (o Oscar britânico) de Melhor Cinegrafia em Preto e Branco. A repercussão desses filmes o colocou em outro patamar, tornando-o disputado por diretores de blockbusters. Slocombe viu-se obrigado a abandonar o preto e branco definitivamente, ao embarcar nas aventuras “Os Rifles de Batasi” (1964), “Vendaval em Jamaica” (1965), “Crepúsculo das Águias” (1966) e “A Espiã que Veio do Céu” (1967). Aos poucos, porém, começou a selecionar melhor as ofertas de trabalho, o que lhe permitiu encontrar o equilíbrio entre o sucesso comercial e o culto cinéfilo, a partir da comédia de terror “A Dança dos Vampiros” (1967), de Roman Polanski, em que usou locações cobertas de neve para ressaltar, mesmo em cores vibrantes, os contrastes do cinema expressionista. E continua sua série de cults com o suspense “O Homem que Veio de Longe” (1968), de Joseph Losey, o drama de época “O Leão no Inverno” (1968), de Anthony Harvey, o thriller “Um Golpe à Italiana” (1969), de Peter Collinson, a cinebiografia de Tchaikovsky “Delírio de Amor” (1970), de Ken Russell, e o drama de guerra “Seu Último Combate” (1971), de Peter Yates. A sequência impressionante de filmes de alto nível o levou a ser procurado por um mestre da velha Hollywood, George Cukor. Apesar de ser filmada em Londres com Maggie Smith e outros atores britânicos, a comédia “Viagens com a Minha Tia” (1972), de Cukor, acabou se tornando o passaporte de Slocombe para o sonho americano, ao lhe render sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Diretor de Fotografia. A partir daí, ele passou a alternar Londres e Hollywood, acumulando trabalhos nos dois lados do Atlântico, como as produções americanas “Jesus Cristo Superstar” (1973) e “O Grande Gatsby” (1974), que lhe rendeu seu segundo BAFTA, seguidas por “As Criadas” (1975) e “A Vida Pitoresca de Tom Jones” (1976) no Reino Unido. A cinebiografia “Júlia” (1977), em que Jane Fonda viveu a escritora Lillian Hellman, rendeu-lhe sua segunda indicação ao Oscar, além do terceira BAFTA, mas um trabalho menor, realizado no mesmo ano, provou-se mais importante para o futuro de sua carreira. Slocombe conheceu Steven Spielberg na função de quebra-galho, para filmar uma pequena sequência, rodada na Índia, de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1977), pois o diretor de fotografia titular da produção não poderia fazer a viagem. O resultado impressionou o jovem diretor, que convidou o cinematógrafo veterano, então com 70 anos de idade, para trabalhar em “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981). Slocombe conquistou sua terceira e última indicação ao Oscar pelo primeiro filme de Indiana Jones. Mas o reconhecimento foi além da Academia. Ao captar e atualizar a sensação de perigo constante e as inúmeras reviravoltas dos velhos seriados de aventura, Slocombe materializou sequências antológicas, que entraram para a história do cinema, ampliando ainda mais seu legado e influência com os filmes seguintes da franquia, “Indiana Jones e o Templo da Perdição” (1984) e “Indiana Jones e a Última Cruzada” (1989). Ele ainda filmou “007 – Nunca Mais Outra Vez” (1983), a volta de Sean Connery ao papel de James Bond, e o drama de época “Lady Jane” (1986), com Helena Bonham Carter, antes de se aposentar após o terceiro Indiana Jones, com 75 anos de idade. “Harrison Ford foi Indiana Jones na frente das cameras, mas Dougie foi o meu herói atrás das câmeras”, declarou Spielberg, ao se despedir do velho parceiro.
Alice Através do Espelho: Vídeo destaca participação da cantora Pink na trilha sonora
A Disney divulgou um vídeo de bastidores de “Alice Através do Espelho”, que mostra a cantora Pink cantando uma versão do clássico rock psicodélico “White Rabbit”, de Jefferson Airplane, para a trilha sonora da produção. Usada no segundo trailer do filme, a versão é basicamente um cover, bastante fiel – e dispensável. Mas Pink revela, no vídeo, que também vai gravar uma canção inédita e original para a trilha. Vale lembrar que o primeiro filme teve uma música exclusiva de Avril Lavigne. A continuação vai mostrar o retorno de Alice (Mia Wasikowska) ao País das Maravilhas, onde reencontra personagens como a Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter), a Rainha Branca (Anne Hathaway), o Chapeleiro Louco (Johnny Depp), o Coelho Branco (dublado por Michael Sheen) e a Lagarta Azul (voz de Alan Rickman, em seu trabalho final). Mas se os personagens e o visual colorido remetem ao filme anterior, o roteiro abre mão da trama de Lewis Carroll para introduzir um vilão chamado Tempo, vivido por Sasha Baron Coen (“Os Miseráveis”), que não existe no livro “Alice Através do Espelho”. Com roteiro de Linda Wolverton (“Malévola”) e direção de James Bobin (“Os Muppets”), a estreia acontece em 26 de maio no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Emma Watson pretende se afastar do cinema por um ano para se focar no feminismo
A atriz britânica Emma Watson informou que vai tirar um ano de férias do cinema para se concentrar no movimento feminista. A afirmação foi feita durante uma entrevista à publicação nova-iorquina Paper Magazine. “Ficarei um ano sem atuar para me concentrar em duas coisas: meu desenvolvimento pessoal é uma delas”, disse Watson. “Pensei em ficar um ano fora do cinema para focar em estudos de gênero”, explicou a atriz. “Quero escutar o máximo de mulheres que puder. É algo que estive fazendo por conta própria, através da ONU, na campanha ‘HeForShe’ e em meu trabalho em geral”, completou. Embaixadora da Boa Vontade de ONU Mulheres, a atriz de 25 anos se envolveu recentemente na campanha “HeForShe”, que procura somar o compromisso dos homens para acabar com a desigualdade de gênero antes de 2030. A entrevista é narrada como uma conversa informal entre Watson e a prolífica escritora americana e ativista feminista Bell Hooks, e ambas trocaram experiências. Na entrevista, Watson também lembrou seus primeiros passos como atriz, aos 9 anos, no papel da estudante de magia Hermione na série “Harry Potter”, baseada nos romances de J.K. Rowling. Ela confessou que, na época, na época queria aparentar ser uma adolescente “muito mais cool” que seu personagem. As férias de Emma Watson não deverão ser muito sentidas pelos fãs, pois ela deixou prontos alguns trabalhos, como a sci-fi “The Circle”, ainda sem previsão de lançamento, e a versão com atores da fábula “A Bela e a Fera”, da Disney, que chega aos cinemas em 30 de março de 2017.
Andrzej Zulawski (1940 – 2016)
Morreu o diretor polonês Andrzej Zulawski, dos cultuados “O Importante É Amar” (1975) e “Possessão” (1981). Ele faleceu em consequência de um câncer, aos 75 anos de idade, informou seu filho, o também cineasta Xawery Zulawski, pelo Facebook. Zulawski nasceu em 1940 na cidade polonesa de Lwów – que após a 2ª Guerra Mundial foi rebatizada de Lviv e anexada à Ucrânia. Ele estudou cinema em França no final dos anos 1950 e iniciou a carreira como diretor assistente do célebre cineasta polonês Andrzej Wajda, trabalhando no potente drama do holocausto “Samson, a Força Contra o Ódio” (1961), na antologia romântica “O Amor aos 20 Anos” (1962) e no épico napoleônico “Cinzas e Diamantes” (1965). A qualidade de seu trabalho acabou chamando atenção do ucraniano Anatole Litvak, já estabelecido em Hollywood, que o convidou a auxilia-lo nas filmagens do clássico de guerra “A Noite dos Generais”, filmado na Polônia com muitos astros ingleses, como Peter O’Toole, Tom Courtenay e Donald Pleasence, além do egípcio Omar Shariff, em papeis de militares nazistas. Com a experiência adquirida, dirigiu seu primeiro longa-metragem em 1971, “A Terça Parte da Noite”, passado durante a ocupação nazista da Polônia, mas com tom bem diferente das obras em que foi assistente. A perseguição de um homem fugitivo, que tem a família exterminada, assumia com Zulawski contornos de terror, com direito a visões alucinógenas. O tema da descida à loucura repetiu-se em “O Diabo” (1972), passado durante a invasão da Polônia pela Prússia no final do século 18. Mas a violência do protagonista, que disfarçava uma metáfora sobre como a Polônia vinha sendo tratada por invasores ao longo dos séculos, fez o filme ser proibido pelas autoridades comunistas. A proibição levou o cineasta a buscar exílio na França, onde realizou, em 1975, aquela que é considerada a sua obra-prima, “O Importante É Amar”, melodrama estrelado pela austríaca Romy Schneider. História de um triângulo amoroso, o longa mostra uma atriz no ponto mais baixo da sua carreira, filmando obras eróticas, quando um fotógrafo apaixonado resolve lhe ajudar, financiando, com dinheiro de agiotas, uma produção teatral para ela estrelar. O gesto a comove, mas ela é casada e se vê dividida. Romy Schneider, que venceu o César (O Oscar francês) pelo papel, dizia que “O Importante É Amar” foi o melhor filme de sua carreira, repleta de clássicos. Depois das performances à beira da histeria de “O Importante É Amar”, Zulawski buscou novos excessos com seu filme seguinte, “Possessão” (1981). Novamente demandando uma grande performance de sua protagonista, o diretor filmou Isabelle Adjani entre cenas grotescas e escatológicas. Na trama, após pedir divórcio de seu marido, o comportamento da sua personagem se torna cada vez mais errático. Até que as suspeitas de infidelidade revelam algo muito pior, com o clima alucinatório atingindo níveis apocalípticos. O terror contou também com uma coincidência importante: dois meses antes, o ator Sam Neill tinha interpretado Damien Thorne em “A Profecia 3”. Ele era o marido traído, mas também a besta apocalíptica do novo horror, que surgia inicialmente como um monstro amórfico, fazendo sexo com Adjani. A entrega da atriz às situações bizarras acabou recompensada com o César, além de um prêmio no Festival de Cannes. “Possessão” foi um filme nascido do aborto de outro. Consagrado com “O Importante É Amar”, Zulawski tentou voltar a filmar na Polônia em 1977. Mas a produção de “Globo de Prata” foi interrompida pelos comunistas e parte dos negativos se perdeu, levando o diretor a voltar à França para extrapolar em “Possessão”. Entretanto, Zulawski completaria aquele filme interrompido em 1988, usando narração em off para cobrir a ausência das cenas desaparecidas. Os filmes seguintes de Zulawski mantiveram-se fiel a seu estilo exagerado e controverso, atraindo sempre grandes atrizes dispostas a se arriscar, como Valérie Kaprisky, em “A Mulher Pública” (1984). Como um jovem atriz inexperiente, sua personagem é convidada a desempenhar um papel em um filme baseado em, claro, “Os Possessos”, de Dostoievski. Mas o diretor passa a tomar conta de sua vida pessoal, e em pouco tempo ela se torna incapaz de identificar a diferença entre o filme e a realidade. Logo após se casar com Sophie Marceau, Zulawski a escalou em “A Revolta do Amor” (1985), livremente adaptado de “O Idiota”, de Dostoievski, colocando-a como vértice de um triângulo amoroso estranho e trágico, que envolve seu namorado ladrão e o idiota que o segue por todo o lado. O casamento rendeu mais três filmes com a atriz, “Minhas Noites São Mais Belas que Seus Dias” (1989), “A Nota Azul” (1991) e “A Fidelidade” (2000). Este último lidava com a questão do amor e a fidelidade e, sintomaticamente, antecipou a separação do casal, que se divorciou no ano seguinte. Além de dar imagens a suas obsessões amorosas, Zulawski também era apaixonado pela arte, o que rendeu várias adaptações e referências a grandes autores – de Dostoievski a Andy Warhol, celebrado em “A Fidelidade”. Mas ele também filmou referências mais diretas, como “Boris Godounov” (1989), a gravação da famosa ópera de Modest Mussorgsky sobre os eventos trágicos do governo do czar Boris no século 17 – repleto de anacronismos para incluir críticas à União Soviética – e “A Nota Azul”, sobre os últimos dias de Chopin. Com o fim da União Soviética, ele fez uma nova tentativa de filmar na Polônia, trabalhando sobre um roteiro da escritora feminista Manuela Gretkowska. O título “Szamanka” (1996) significa xamã em polonês, e há a múmia de um xamã na história, mas a trama gira realmente em torno de uma jovem (a estreante Iwona Petry), conhecida apenas como “a italiana”, que exerce um fascínio irresistível sobre os homens. Totalmente amoral, ela faz o que lhe dá na telha e ninguém consegue recusá-la, especialmente o professor de antropologia que lhe aluga um quarto. Como de praxe, não faltam visões, que culminam num desfecho canibal. Mesmo após a queda do comunismo, o filme incomodou o governo polonês, que só permitiu exibições noturnas, enquanto a crítica local o taxou como “O Último Tanto em Varsóvia” pelo forte conteúdo sexual. Mas após lançar seu filme seguinte, “Fidelidade”, a separação de Marceau abalou seu processo criativo, fazendo-o se afastar do cinema por 15 anos, período em que se dedicou à literatura e expressou sua desilusão e desgosto pelo estado do cinema atual. “Fui o último aluno destes dinossauros que admirei, Bergman, Fellini, Kurosawa, Welles, Stroheim, Peckinpah… O cinema que queria fazer não existe mais, a voz extinguiu-se. A inteligência abandonou o argumento e a realização para se refugiar na tecnologia. Para mim, acabou”, ele escreveu em 2004. Apenas a proximidade da morte o fez retornar à ativa, com o lançamento de “Cosmos”, seu último filme, em 2015. Adaptação do romance homônimo de Witold Gombrowicz, “Cosmos” acompanhava dois amigos que chegavam numa casa de campo, onde encontram sinais misteriosos e assustadores. A obra rendeu a Zulawski o prêmio de Melhor Diretor do Festival de Locarno, o mais importante reconhecimento de sua carreira, com o qual se despediu, no exato momento em que o filme começa a ganhar “vida” no circuito exibidor.
Padre do interior de São Paulo quer processar o filme Spolight – Segredos Revelados
O padre José de Afonso Dé, da cidade de Franca, no interior de São Paulo, pretende processar os produtores do filme “Spotlight – Segredos Revelados”. O motivo é que ele acredita que o nome dele aparece no final do filme em uma lista mundial de pedofilia envolvendo integrantes da Igreja Católica. O advogado do padre, José Chiachiri Neto, relata ter revertido, no Tribunal de Justiça de São Paulo, sete das nove acusações contra o cliente dele. “Já interpomos recurso para absolvê-lo em sua totalidade”, argumentou, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo. De acordo com o advogado, é aguardado um desfecho favorável ao caso. “Quando sair o resultado, vamos à Justiça contra os produtores do filme.” No processo, será exigida uma indenização por lesão à honra. “Isso será feito devido à divulgação do nome do padre e da cidade de Franca no mundo todo”, afirma Chiachiri. O texto final do filme, porém, só cita a cidade de Franca, sem dar nome ao padre. A investigação da identidade ficou por conta da revista Isto É, que lembrou os casos envolvendo o padre – ocorreram em 2010 e as vítimas tinham entre 12 e 17 anos de idade – e outros representantes da Igreja nas localidades brasileiras listadas pela produção americana. Indicado a seis categorias do Oscar 2016, “Spotlight – Segredos Revelados”, dirigido por Tom McCarthy, mostra os bastidores da investigação de um grupo de jornalistas de Boston que descobriram um enorme escândalo de abuso sexual infantil dentro da arquidiocese católica local, revelando uma prática de acobertamento levada adiante pela Igreja em todo o mundo.
George Gaynes (1917 – 2016)
Morreu o ator George Gaynes, que será sempre lembrado como o comandante Lassard dos sete filmes da franquia “Loucademia de Polícia” e por viver o pai adotivo da pequena Punky na série dos anos 1980 “Punky: A Levada da Breca”. O ator faleceu na segunda-feira (15/2) aos 98 anos de idade, em Washington, nos Estados Unidos. Gaynes teve uma vasta carreira, de mais de 50 anos, na TV e no cinema. Seu currículo inclui aparições em séries como “Bonanza”, “Missão Impossível”, “Guerra, Sombra e Água Fresca” e “O Homem de Seis Milhões de Dólares”, e a lista dos cineastas com quem trabalhou forma um verdadeiro “quem é quem” de Hollywood. Mesmo assim, ele só foi se tornar mais conhecido na idade em que muitos já pensam na aposentadoria. Nascido em 1917 em Helsinki, na Finlândia, Gaynes era cantor de ópera, mas teve sua carreira interrompida pela 2ª Guerra Mundial, quando buscou refúgio nos Estados Unidos. Foi reencontrar o público na Broadway nos anos 1950, onde usou sua voz de barítono para estrelar diversos musicais. Sua estreia no cinema, curiosamente, foi numa produção francesa, “Jaula Amorosa” (1964), clássico de René Clément, em que contracenou com Jane Fonda e Alain Delon. Outros filmes cultuados de sua filmografia incluem “O Grupo” (1966), de Sydney Lumet, “Sem Rumo no Espaço” (1969), de John Sturges, “Nosso Amor de Ontem” (1973), de Sydney Pollack, e “Viagens Alucinantes” (1980), de Ken Russell, transitando do drama à fantasia fantástica. Sua predileção pelo humor só foi estabelecer a partir de “Dois Vigaristas em Nova York” (1976), de Mark Rydell. Gaynes começou a se especializar em comédias, dando sequência ao filão com “No Mundo do Cinema” (1976), de Peter Bognadonovich, “Cliente Morto Não Paga” (1982), de Carl Reiner, e o imensamente popular “Tootsie” (1982), de Sydney Pollack, no qual beijou Dustin Hoffman. Suas comédias eram geralmente sucessos de público, trazendo a marca de grandes diretores, de carreiras consagradas em Hollywood. No entanto, o filme que o tornou conhecido foi iniciativa de um novato da indústria, Tom Wilson, que escreveu e dirigiu “Loucademia de Polícia” (1984). O êxito da produção foi um verdadeiro fenômeno, tanto que rendeu sete sequências. A maioria dos atores originais abandonou as continuações, conforme o sucesso diminuía, mas Gaynes permaneceu firme como comandante da “Loucademia” até o último longa, lançado em 1994, e até na série derivada, que durou só uma temporada, entre 1997 e 1998. Seu grande hit televisivo, na verdade, veio com um papel bem diferente. Poucos meses após “Loucademia de Polícia” estourar nas bilheterias, Gaynes foi contratado para viver seu primeiro personagem fixo numa série de TV, estrelando “Punky: A Levada da Breca” em 1984, como o pai adotivo da pirralha interpretada por Soleil Moon Frye. A série infantil se tornou seu segundo êxito, sendo renovada por quatro temporadas e adaptada até como um desenho animado – que também contou com Gaynes e Frye como dubladores. A fama, porém, chegou tardiamente em sua carreira, quando o ator já tinha 67 anos de idade. Por isso, após os filmes da “Loucademia de Polícia”, ele não fez muitos outros papeis. Sua última década incluiu participações em “Tio Vanya em Nova York” (1994), de Louis Malle, “As Bruxas de Salém” (1996), de Nicholas Hytner, “Mera Coincidência” (1997), de Barry Levinson, e “Recém-Casados” (2003), de Shawn Levy, seu último trabalho, em que viveu o padre responsável por casar os personagens de Ashton Kutcher e da também já falecida Brittany Murphy. Gaynes era casado com a também atriz Allyn Ann McLerie e deixa uma filha, uma neta e duas bisnetas. Além de uma “filha da televisão”, Soleil Moon Frye, a intérprete da Punky, que se pronunciou sobre a morte do ator em seu Instagram. “Quando eu penso sobre os melhores momentos da minha vida, eles foram compartilhados com este homem incrível. O universo acaba de ganhar uma estrela gigante. Você estará para sempre no meu coração e na minha alma”, lamentou a atriz, que se despediu assinando como “sua pequena Punky”.
Amy vence o Grammy de Melhor Documentário
O documentário “Amy”, que conta a história da cantora Amy Winehouse, venceu o Grammy (o Oscar da música) de Melhor Documentário Musical. O resultado foi divulgado durante a pré cerimônia transmitida pelo site oficial do evento, na noite de segunda-feira (15/2). Dirigido por Asif Kapadia, cineasta que antes fez “Senna” (2010), sobre o piloto brasileiro de Fórmula 1, o filme também venceu o BAFTA, premiação da Academia Britânica de Cinema, e concorre ao Oscar de Melhor Documentário. Outro premiado pelo Grammy que disputa o Oscar, The Weeknd venceu o troféu de Melhor Performance R&B por “Earned It”. Lançada na trilha do filme “Cinquenta Tons de Cinza”, a música concorre ao Oscar de Melhor Canção Original. O Grammy de Melhor Trilha Sonora foi para Antonio Sanchez, pelo filme “Birdman” (2014), e o de Melhor Canção para Mídia Visual ficou com “Glory”, de Common & John Legend, entoada no filme “Selma” (2014). “Glory” foi a vencedora do Oscar de Melhor Canção Original no ano passado. Por fim, “Bad Blood”, de Taylor Swift, venceu o prêmio de Melhor Vídeo. O clipe dirigido por Joseph Khan já tinha sido consagrado como vídeo musical do ano no Video Music Awards, da MTV, e foi o principal destaque da divulgação do álbum multiplatinado “1989”, que acabou encerrando o Grammy 2016 como disco do ano.
Boneco do Mal inspira pegadinha apavorante do Programa Sílvio Santos
Como já virou tradição, a produção do “Programa Silvio Santos” exibiu no domingo (14/2) uma nova pegadinha inspirada em filme de terror. Para variar, a brincadeira resulta melhor e mais apavorante que o próprio filme, desta vez “Boneco do Mal”, que estreia na quinta (18/2) nos cinemas brasileiros. As imagens gravadas mostram babás e faxineiros contratados para cuidar de uma criança, em uma casa de São Paulo. Mas, ao chegarem no novo trabalho, encontram um boneco “amaldiçoado”. A repercussão na internet foi grande. No filme, a atriz Lauren Cohan (série “The Walking Dead”) é contratada como babá de um boneco com as feições de um menino morto. Quando os patrões a deixam sozinha na casa, com uma lista de regras, ela logo descobre que ignorar as instruções e deixar o boneco sozinho é a última coisa que deveria fazer. Com direção de William Brent Bell (“Filha do Mal”), “Boneco do Mal” recebeu críticas negativas em sua estreia nos EUA, atingindo 31% na média da avaliação do site Rotten Tomatoes.
Banda OK Go desafia a gravidade em clipe gravado num avião em queda livre
A banda OK Go é famosa por seus vídeos de malabarismos coreográficos. Mas seu novo clipe vai muito além da dança sobre esteiras rolantes de “Here It Goes Again”, que ganhou o Grammy de Melhor Vídeo Musical em 2007. Assim como aquele, a nova aventura desafia a física e passa a impressão de ter sido gravada num take contínuo. A diretora também é a mesma, Trish Sie, irmã do cantor da banda. O detalhe é que, desta vez, tudo acontece em gravidade zero. O vídeo de “Upside Down & Inside Out” foi gravado à bordo de um voo da S7 Airlines, em trajetória de queda livre, o que transmite a sensação de ausência de gravidade. A companhia aérea russa ajudou a treinar os músicos para a experiência e ainda cedeu duas comissárias de bordo para a gravação. As garotas que aparecem uniformizadas no vídeo não são bailarinas contratadas, mas funcionárias reais da S7 Airlines. A coreografia desenvolvida pela diretora é repleta de coisas que voam pelo ar, como laptops, bolas, globos giratórios e balões cheios de tinta, mas a trajetória elíptica necessária para a queda livre dura apenas 21 segundos, de modo que tudo foi filmado e editado de forma hábil para esconder os cortes, criando a ilusão de uma tomada contínua de três minutos. Esse tipo de voo é o mesmo usado pela NASA para treinar astronautas, e a forma como revira o estômago lhe rendeu o apelido sugestivo de “cometa do vômito”. Em entrevista para o site do RedBull, o cantor Damian Kulash confessou: “No começo, foi extremamente nauseante. A banda tomou remédios pesados contra náuseas e nenhum de nós vomitou, mas, como éramos entre 25 a 30 pessoas envolvidas na produção e o avião fez 20 voos, acho que vomitaram umas 58 vezes. Uma média de duas ou três pessoas por voo”.
Pesquisa revela divisão de classes na preferência por programas dublados e legendados
Uma pesquisa realizada pelo Ibope revelou que o abismo cultural entre as classes se estende também à TV paga. Encomendada pela PTS, empresa que monitora o mercado de televisão por assinatura, o levantamento deixou claro que a diferença entre os telespectadores que preferem assistir programas dublados ou legendados é social. Enquanto os mais pobres exigem mais programas dublados, os mais ricos preferem áudio original e legendas. De acordo com a pesquisa, entre a classe A, a mais rica, 46% preferem programas legendados. Já na classe C somente 14% apreciam legendas. A grande maioria (64%) dos emergentes só assiste programa estrangeiro se for dublado em português. A classe B oscila entre os dois extremos, com 56% preferindo conteúdo dublado. Embora a pesquisa não revele o grau de escolaridade dos entrevistados, é inevitável associar melhor educação e hábito de leitura com a preferência por legendas, além da cultura cinéfila, desenvolvida por quem frequenta cinemas para ver filmes legendados. Mas embora falha nesse aspecto, um dos dados levantados permite fazer uma associação cultural relevante. 12% da classe C diz que só assiste a programas brasileiros, o que leva a concluir a influência da TV aberta em sua formação, onde toda a programação é 100% falada em português. Graças ao estimulo do consumo durante o governo Lula, a TV por assinatura cresceu principalmente na classe C. Isto explica porque muitas programadoras, como HBO e Telecine, investiram em versões de canais somente com conteúdo dublado. Entretanto, nos últimos meses, durante o governo Dilma II, a crise financeira tem levado a classe C a liderar os pedidos de cancelamento de assinaturas.
Produção de Star Wars: O Despertar da Força será processada por acidente sofrido por Harrison Ford
A produção de “Star Wars: O Despertar da Força” está sendo processada no Reino Unido, devido ao acidente sofrido por Harrison Ford durante as filmagens. Em junho de 2014, Ford acabou atingido por uma porta hidráulica da nave Millennium Falcon, que falhou e caiu sobre sua perna, quebrando seu tornozelo. Na ocasião, o ator foi levado às pressas para o hospital John Radcliffe, em Oxford, e ficou afastado das filmagens por alguns meses. A história, porém, não acabou aí. O órgão do governo britânico responsável pelas condições de trabalho no Reino Unido abriu uma investigação sobre o ocorrido e decidiu processar a produtora responsável pelas filmagens, a Foodles Production, um braço da Disney. A HSE (Health and Safety Executive), que investigou as condições de trabalho nos estúdios Pinewood, onde a produção foi filmada, encontrou vários problemas no set, o que rendeu quatro acusações contra a Foodles por quebrar as leis de segurança vigentes no país. A primeira audiência no tribunal está marcada para 12 de maio. Caso o juiz confirme as falhas encontradas pelo HSE, a produtora pode receber uma grande multa.
Johnny Depp interpreta Donald Trump em vídeo cômico
O ator Johnny Depp (“Aliança do Crime”) está irreconhecível como Donald Trump, o milionário que é pré-candidato à Presidência dos EUA, num vídeo lançado pelo site de humor “Funny or Die”. Criado pelo ator Will Ferrel (“Pai em Dose Dupla”) e os diretores Adam Mckay (“A Grande Aposta”) e Judd Apatow (“Descompensada”), o site produz esquetes curtas sobre temas diversos, sempre chamando atenção por sua irreverência. Desta vez, a piada imita um trailer em VHS, de baixa definição, de um telefilme baseado na autobiografia de Trump, “The Art of the Deal: The Movie”. A ironia já aparece nos créditos iniciais, que apresentam o filme como produzido, escrito e dirigido pelo próprio Trump. Baseado no best-seller escrito pelo ricaço em 1987, a telebiografia seria uma relíquia filmada na década de 1980, que ficou perdida até o cineasta Ron Howard (“No Coração do Mar”) localizar o VHS em uma feira de quintal. Johnny Depp gravou sua participação em quatro dias de dezembro, após aceitar o convite de Mckay. Em entrevista ao jornal The New Tork Times, o diretor disse esperar que o vídeo, lançado na quarta-feira (10/2), irrite o pré-candidato. Funny Or Die Presents Donald Trump's The Art Of The Deal: The Movie from Funny Or Die
Oscar 2016: Para acelerar cerimônia, listas de agradecimentos serão mostrados em vídeo
Os produtores do Oscar 2016, Reginald Hudlin e David Hill, anunciaram a implementação de uma medida para acelerar a cerimônia. Geralmente criticado pela longa duração dos agradecimentos dos premiados, o evento deste ano contará com o auxílio da tecnologia para cortar a fase mais chata dos discursos. A ideia é projetar em vídeo a lista de todos que merecem agradecimentos, do produtor à mãe dos indicados, deixando o microfone aberto apenas para os premiados expressarem sua emoção pela conquista. A inovação foi apresentada pelos produtores durante o almoço especial com os indicados ao Oscar, na última segunda-feira (8/2). Eles encorajaram os presentes a prepararem discursos mais emotivos e que tenham algum verdadeiro significado, em vez de lutarem para lembrar o nome de todos com quem trabalharam. Para isso, pedem que os indicados preencham uma lista de agradecimentos prévios, que serão exibidos pela TV durante a entrega de seus prêmios. Segundo os produtores, o objetivo também visa evitar constrangimentos, como o caso de Dana Perry, vencedora do Melhor Documentário em Curta-metragem de 2015 por “Disque-Crise para Veteranos”. Durante seu discurso, ela tentou falar sobre o suicídio do filho, mas foi interrompida pela orquestra pois já havia gasto os 45 segundos permitidos. A cerimônia de entrega do Oscar 2016 acontecerá no dia 28 de fevereiro com apresentação do comediante Chris Rock. No Brasil, a premiação será exibida pela rede Globo e pelo canal pago TNT.












