Lei Aldir Blanc, de auxílio emergencial à Cultura, é sancionada
O presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei Aldir Blanc, concebida pelo Congresso para instituir auxílio financeiro de R$ 3 bilhões para o setor cultural devido à pandemia de covid-19. O valor será repassado, em parcela única, a estados, municípios e o Distrito Federal, responsáveis pela aplicação dos recursos. A publicação da Lei nº 14.017/2020 aconteceu nesta terça (30/1) no Diário Oficial da União, data limite para a lei entrar em efeito. Se Bolsonaro não a assinasse, ela passaria a valer de qualquer jeito, a menos que fosse vetada pelo presidente. Anteriormente, Bolsonaro tinha vetado a participação de artistas no auxílio emergencial chamado coronavoucher. Entre outros pontos, a lei emergencial estabelece os mesmos direitos para trabalhadores da Cultura, prevendo o pagamento de três parcelas de um auxílio emergencial de R$ 600 mensais, além de um subsídio para manutenção de espaços artísticos e culturais, microempresas e pequenas empresas culturais, cooperativas e organizações comunitárias. Esse subsídio mensal terá valor entre R$ 3 mil e R$ 10 mil, de acordo com critérios estabelecidos pelos gestores locais. Em contrapartida, após a reabertura, os espaços beneficiados deverão realizar atividades a alunos de escolas públicas, prioritariamente, ou para a comunidade, de forma gratuita. Poucas horas antes, o novo secretário de Cultura, Mario Frias, chamou esse dinheiro de “esmola” e disse que os artistas, que se empenharam pela aprovação da lei junto ao Congresso, não queriam receber nada. “Artista não quer esmola. A maioria que eu vejo diz: ‘Me deixa trabalhar. Não quero auxílio emergencial’”, disse o ex-galã de “Malhação” nas redes sociais do filho do presidente. A lei foi criada de forma emergencial justamente porque Bolsonaro, além de barrar o auxílio de R$ 600 para artistas, bloqueou os fundos de fomento cultural, que superam o montante agora liberado. O dinheiro arrecadado desde 2018 para financiar a Cultura encontra-se parado em aplicações financeiras, enquanto o setor atravessa sua mais grave crise econômica. O nome da lei ainda homenageia o escritor e compositor Aldir Blanc, que morreu no mês passado, no Rio de Janeiro, aos 73 anos, após contrair covid-19. Um dos maiores compositores do Brasil, Aldir Blanc não recebeu nenhuma menção do governo em ocasião de sua morte, que ainda foi minimizada pela então secretária de Cultura Regina Duarte durante entrevista à CNN. De acordo com a lei, trabalhadores do setor cultural e microempresas e empresas de pequeno porte também terão agora acesso a linhas de crédito específicas para fomento de atividades e aquisição de equipamentos e condições especiais para renegociação de débitos, oferecidas por instituições financeiras federais. Enquanto perdurar a pandemia de covid-19, a concessão de recursos no âmbito do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), dos programas federais de apoio ao audiovisual e demais políticas federais para a cultura ainda deverão priorizar o fomento de atividades que possam ser transmitidas pela internet, por meio de redes sociais e plataformas digitais ou meios de comunicação não presenciais. Os recursos de apoio e fomento também poderão ser adiantados, mesmo que a realização das atividades somente seja possível após o fim das medidas de isolamento social. As atividades do setor cultural – cinemas, museus, shows musicais e teatrais, entre outros – foram as primeiras a parar, como medida de prevenção à disseminação do novo coronavírus no país. De acordo com a pesquisa Percepção dos Impactos da Covid-19 nos Setores Culturais e Criativos do Brasil, mais de 40% das organizações ligadas ao setor disseram ter registrado perda de receita entre 50% e 100%. Para receber o benefício, os trabalhadores da cultura com atividades interrompidas deverão comprovar, de forma documental ou autodeclaratória, terem atuado social ou profissionalmente nas áreas artística e cultural nos 24 meses imediatamente anteriores à data de publicação da lei. Eles não podem ter emprego formal ativo e receber benefício previdenciário ou assistencial, ressalvado o Bolsa Família. Além disso, devem ter renda familiar mensal per capita de até meio salário mínimo ou renda familiar mensal total de até três salários mínimos, o que for maior; e não ter recebido, em 2018, rendimentos tributáveis acima de R$ 28.559,70. O recebimento dessa renda emergencial também está limitado a dois membros da mesma unidade familiar e a mulher chefe de família receberá duas cotas. O trabalhador que já recebe o auxílio do governo federal não poderá receber o auxílio cultural.
Marlon Wayans troca Netflix pela HBO Max
Marlon Wayans trocou de plataforma. O comediante de “As Branquelas” e “Inatividade Paranormal” fechou um acordo geral de produção com o serviço de streaming HBO Max e já definiu os primeiros projetos no novo endereço. Depois de lançar o especial de stand-up “Woke-ish” (2018) e duas comédias na Netflix, “Nu” (2017) e “Seis Vezes Confusão” (2019), Wyans prepara uma série e uma coleção de especiais de humor para a plataforma da WarnerMedia. A série vai se chamar “Book of Marlon”, onde ele interpretará uma versão fictícia de Marlon Wyans, que tenta equilibrar sua vida pessoal com o fato de ser ele mesmo. Wayans co-criou o programa com seu parceiro de longa data, Rick Alvarez, que também escreveu os cinco últimos filmes estrelados pelo ator. Já os especiais humorísticos incluem duas apresentações de stand-up, uma dele próprio e outra em que atuará como anfitrião de novos humoristas. “Marlon é uma ameaça tripla, com um currículo impressionante que fala de seu talento como ator e talento para comédia”, disse Suzanna Makkos, vice-presidente executiva de comédia e animação original da HBO Max. “Estamos emocionados por ter sua voz e visão cômica únicas se unindo a nossa crescente família de criadores”. “Estou empolgado por fazer negócios com a HBO Max. Rick e eu tivemos muito sucesso no espaço do streaming e estamos empolgados em trabalhar com uma empresa igualmente empolgada por trabalhar conosco”, disse Wayans. “Esperamos ajudar as duas marcas a crescer rapidamente e internacionalmente. A HBO Max é um ótimo lugar para continuar nossa missão de colocar sorrisos no rosto das pessoas”, completou. Não há previsão de estreia para nenhum dos projetos.
Carol Duarte e Democracia em Vertigem vencem Prêmio Platino
O cinema brasileiro somou novas conquistas e reconhecimento internacional na 7ª edição dos Prêmios Platino de Cinema Ibero-americano. Entre os premiados, que foram anunciadas nesta segunda-feira (29/6) pela organização do evento no YouTube, destacaram-se Carol Duarte, vencedora do troféu de Melhor Atriz por “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, e o filme “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, o Melhor Documentário Ibero-Americano do ano. A 7ª edição dos Prêmios Platino deveria ter sido a terceira consecutiva a acontecer no Teatro Gran Tlachco de Xcaret, na Riviera Maya, no México. Entretanto, devido à pandemia do novo coronavírus, a cerimônia de gala acabou realizada de forma virtual – com apresentação do mexicano Omar Chaparro e da colombiana Majida Issa. A lista de premiados acabou consagrando o filme “Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar, e a série “La Casa de Papel”, ambas produções espanholas. “Dor e Glória” venceu 6 troféus, como Melhor Filme, Direção, Roteiro, Ator (Antonio Banderas), Música Original e Edição. Quase tantos prêmios quanto os 7 troféus da cerimônia do Goya, premiação da Academia Espanhola de Artes Cinematográficas. Por sua vez, “La Casa de Papel”, da Netflix, arrebatou as categorias de Melhor Série, Melhor Ator em Série (Álvaro Morte) e Melhor Atriz Coadjuvante em Série (Alba Flores). Os Prêmios Platino são promovido pela Entidad de Gestión de Derechos de los Productores Audiovisuales (Egeda), juntamente com a Federação Ibero-Americana de Produtores Cinematográficos e Audiovisuais (Fipca), e tem como objetivo a promoção do cinema ibero-americano. Confira abaixo o vídeo da premiação e a lista completa dos premiados. Melhor Filme Ibero-Americano de Ficção: “Dor e Glória” Melhor Direção: Pedro Almodóvar (“Dor e Glória”) Melhor Interpretação Masculina: Antonio Banderas (“Dor e Glória”) Melhor Interpretação Feminina: Carol Duarte (“A Vida Invisível”) Melhor Música Original: Alberto Iglesias (“Dor e Glória”) Melhor Filme de Animação: “Buñuel No Labirinto Das Tartarugas” Melhor Documentário: “Democracia em Vertigem” Melhor Roteiro: Pedro Almodóvar (“Dor e Glória”) Melhor Obra de Estreia de Ficção Iberoamericana: “A Camareira” Melhor Edição: Teresa Font (“Dor e Glória”) Melhor Direção de Arte: Juan Pedro de Gaspar (“Mientras Dure La Guerra”) Melhor Fotografia: Jasper Wolf (“Monos”) Melhor Direção de Som: Lena Esquenazi (“Monos”) Premio Platino de Cinema e Educação de Valores: “O Despertar das Formigas” Melhor Série Íbero-Americana: “La Casa de Papel” Melhor Interpretação Masculina em Série: Álvaro Morte (“La Casa de Papel”) Melhor Interpretação Feminina em Série: Cecilia Suárez (“La Casa de Las Flores”) Melhor Interpretação Coadjuvante Masculina em Série: Gerardo Romano (“El Marginal III”) Melhor Interpretação Coadjuvante Feminina em Série: Alba Flores (“La Casa de Papel”)
Linda Cristal (1931 – 2020)
A atriz Linda Cristal, que estrelou a série clássica “Chaparral”, morreu em sua casa em Beverly Hills, Los Angeles, na noite de sábado (27/6), enquanto dormia. Ela tinha 89 anos. Nascida em Buenos Aires, na Argentina, com o nome de Marta Victoria Moya Peggo Burges, ela ficou órfã aos 13 anos após o suicídio dos pais e só virou atriz por acaso, ao ser descoberta por um produtor enquanto passava as férias com o irmão no México. Ela virou Linda Cristal aos 21 anos, ao começar a carreira em pequenos papéis (metade não creditada) em seis filmes locais. Capaz de falar quatro línguas (espanhol, italiano, francês e inglês), chamou atenção de Hollywood e foi fazer sua estreia nos EUA no western “Comanche” (1956), como interesse romântico do protagonista Dana Andrews. Ela se especializou no papel de latina sedutora de westerns, aparecendo ainda em “Cavalgada para o Inferno” (1958), com Jock Mahoney, “O Terror do Oeste” (1958), com Hugh O’Brian, “O Álamo” (1960), com John Wayne, e “Terra Bruta” (1961), com James Stewart (dirigido pelo mestre do gênero, John Ford). Mas foi uma comédia que lhe deu reconhecimento. Linda foi indicada ao Globo de Ouro como coadjuvante em “De Folga para Amar” (1958), de Blake Edwards, vivendo uma estrela de cinema que aceita passar um fim de semana em Paris com um soldado sorteado (Tony Curtis) numa loteria para levantar a moral das tropas. Após as filmagens, ela ficou pela Europa e foi alçada a protagonista em produções italianas. Fez três filmes na Itália, chegando a encarnar duas rainhas do Egito: ninguém menos que Cleópatra em “As Legiões de César” (1959) e a ambiciosa Akis em “A Mulher do Faraó” (1960). O terceiro longa foi a aventura de piratas sarracenos “As Verdes Bandeiras de Allah” (1963). Ao voltar aos EUA, começou a fazer séries, como “Viagem ao Fundo do Mar” e “Cavalo de Ferro”, até ser escalada para seu papel mais lembrado em 1967, como Victoria Cannon, a latina rebelde que se torna dona do rancho Chaparral ao se casar com Big John Cannon (Leif Erickson), um ruralista disposto a prosperar com criação de gado em terras indígenas – o que rende muitos conflitos. Rendeu também a consagração para a atriz, indicada a dois Emmys e vencedora do Globo de Ouro pelo papel em 1970. A série durou quatro temporadas, até 1971, mas teve uma longa sobrevida em reprises. Seus créditos subsequentes incluem o thriller de ação “Desafiando o Assassino” (1974), com Charles Bronson, e aparições nas séries “Bonanza”, “Os Novos Centuriões”, “Barnaby Jones”, “O Barco do Amor” e “A Ilha da Fantasia”, além de um longa participação na novela “Hospital General” em 1988, seu último trabalho. Graças a bons investimentos imobiliários, ela teve uma vida próspera após se aposentar das telas.
Reencontro de Curtindo a Vida Adoidado revela bastidores do clássico dos anos 1980
O elenco da clássica Sessão da Tarde “Curtindo a Vida Adoidado” (Ferris Bueller’s Day Off, 1986) realizou um reencontro virtual neste domingo (28/6), dentro da série de reuniões de filmes icônicos organizadas pelo ator Josh Gad em seu programa “Reunited Apart”, no YouTube. Conversando por videoconferência, os protagonistas Matthew Broderick (o eterno Ferris Bueller), Alan Ruck (Cameron Frye) e Mia Sara (Sloane Peterson) voltaram a se juntar para um bate-papo sobre o filme de John Hughes, que marcou época. Além do trio principal, ainda participaram Jennifer Grey (Jeanie, a irmã de Ferris), Cindy Pickett, Lyman Ward (os pais de Ferris) e até Ben Stein (o professor de matemática do jovem). Os atores contaram histórias de bastidores, reencenaram algumas das cenas antológicas, responderam perguntas de um fã famoso (o ator Jake Gyllenhaal) e especialmente prestaram uma tocante homenagem ao diretor e roteirista John Hughes. Entusiasmada pelo reencontro, Jennifer Grey também postou fotos inéditas dos bastidores do filme. Uma delas poderia ter rendido uma continuação do filme. Já imaginaram Jenie e Slone se beijando? Veja abaixo. Com uma premissa simples, “Curtindo a Vida Adoidado” acompanhava Ferris Bueller, um jovem que arma um esquema elaborado para passar um dia de folga da escola com sua namorada e seu melhor amigo. A mentira de sua suposta doença escala a ponto de uma campanha por sua vida ser criada, enquanto ele é perseguido pelo diretor da escola disposto a desmascará-lo. Aproveite e relembre o trailer. Ver essa foto no Instagram “life moves pretty fast. if you don’t stop and look around once in a while, you could miss it.” ⏳#bonushints #my📸 #privatestash #johnhughes #alanruck #matthewbroderick #richardedson @miasarawrites #miasara #takfujimoto #ferrisbuellersdayoff #slowdown #lifemovesprettyfast #simplertimes #80’s #paulabscal #eddievilla Uma publicação compartilhada por Jennifer Grey (@jennifer_grey) em 27 de Jun, 2020 às 10:30 PDT
Vídeo beneficente faz crossover entre as séries Fleabag e Normal People
O ator Andrew Scott voltou a viver o Padre da série “Fleabag”, da Amazon, em um crossover beneficente com outra série de uma plataforma diferente de streaming. Em vídeo produzido para arrecadar fundos para a luta contra a covid-19 na Irlanda, o Padre ressurge nas telas para ouvir as confissões de Marianne Sheridan (Daisy Edgar-Jones) e Connell Waldron (Paul Mescal), protagonistas de “Normal People”. O vídeo foi gravado de forma a seguir as regras de trabalho sob a pandemia de covid-19. Cada ator gravou sua parte respeitando o distanciamento social, via uso inteligente da cabine confessional para mantê-los separados. O crossover foi uma produção do canal irlandês RTE One e acabou veiculado também na plataforma Hulu, que exibe “Normal People” nos EUA. Além do vídeo, Paul Mescal ainda registrou fotos do encontro inusitado em seu Instagram, assinalando o envolvimento de outros integrantes da equipe de “Normal People” na produção do esquete. Veja abaixo. Ver essa foto no Instagram Well this happened! @daisyedgarjones and Andrew are absolute legends. In the hands of Lenny and @suziecine, what is life ❤️. Thank you to element and @emeraoshea. Please, please please donate x Uma publicação compartilhada por Paul Mescal (@paul.mescal) em 26 de Jun, 2020 às 2:41 PDT
Sacha Baron Cohen engana extremistas com pegadinha musical
Sacha Baron Cohen voltou a aprontar. No sábado (27/6), o intérprete de Borat e Bruno se disfarçou de cantor caipira barbudo numa convenção da extrema direita americana no Estado de Washington, onde liderou uma cantoria racista. A participação foi gravada e viralizou nas redes sociais, especialmente entre os que reconheceram o ator e aproveitaram para trollar os manifestantes. A aparição não rendeu maiores explicações, mas pode significar o resgate da produção de “Who Is America?”, programa de pegadinhas do canal pago Showtime, que arranjou várias polêmicas com políticos e líderes da direita americana em seus episódios iniciais, exibidos em 2018. Nem os representantes de Cohen nem do Showtime se manifestaram, após o disfarce do ator ser descoberto. O evento que ele invadiu foi o March For Our Rights a favor do armamentismo, feito para contra-atacar o movimento March for Our Lives, de estudantes que criticam a facilidade de acesso às armas nos EUA, criado em resposta ao massacre da Parkland High School na Flórida, em 2018. Diante de cerca de 500 manifestantes do grupo Washington 3%, considerado uma milícia armada de supremacistas brancos pela esquerda, Cohen cantou uma música pedindo ao público que atacassem os liberais, a CNN, a Organização Mundial de Saúde, Barack Obama, Hillary Clinton, o Dr. Anthony Fauci, Bill Gates, o vírus chinês e todos que usam máscaras. A multidão aplaudiu a letra, além das provocações anti-semitas e anti-asiáticas inseridas pelo humorista para convencer a plateia a se envolver na cantoria. Veja o vídeo abaixo.
Kelly Asbury (1960 – 2020)
O diretor, roteirista e animador Kelly Asbury, que trabalhou em alguns dos principais desenhos animados americanos das últimas três décadas, morreu na sexta-feira (26/6) em Los Angeles, aos 60 anos, após uma longa batalha contra um câncer abdominal. Ele iniciou sua carreira no departamento de animação da Disney em 1983, onde ajudou a criar clássicos como “O Caldeirão Mágico” (1985), “A Pequena Sereia” (1989) e principalmente “A Bela e a Fera” (1991), que ele escreveu. Asbury se tornou diretor assistente na animação de stop-motion “O Estranho Mundo de Jack” (1993) e também trabalhou no gênero em “James e o Pêssego Gigante” (1996), ambos dirigidos por James Selick. Acompanhando de perto a evolução dos desenhos nos últimos anos, ainda integrou a equipe de roteiristas de “Toy Story” (1995), da Pixar, o primeiro longa inteiramente animado por computador, antes de se estabelecer na DreamWorks Animation, onde sua carreira deslanchou. Seu trabalho inicial na DreamWorks foi como supervisor de roteiros em “O Príncipe do Egito” (1998), “A Fuga das Galinhas” (2000, coprodução com o estúdio britânico Aardman), e no primeiro “Shrek” (2001), filme que viabilizou a ambição da DreamWorks de competir com a Disney. O sucesso de “Shrek” lhe permitiu alçar voos maiores. Em 2002, ele dirigiu seu primeiro longa animado, “Spirit, o Corcel Indomável”, dividindo os créditos com a roteirista Lorna Cook (“O Rei Leão”, “Mulan”). O filme foi exibido no Festival de Cannes, venceu quatro Annie Awards e disputou o Oscar de Melhor Animação. Em seguida, integrou o trio de diretores de “Shrek 2”, também indicado ao Oscar, em que se lançou como dublador, fazendo as vozes de vários personagens secundários. A experiência foi estendida a “Shrek Terceiro” (2007) e a todos os seus futuros trabalhos como diretor. Na DreamWorks, ele ainda trabalhou com as equipes de “Kung Fu Panda” e “Madagascar 2: A Grande Escapada” (ambos de 2008). Mas a demora para assumir outro filme o motivou a trocar o emprego fixo por projetos individuais. Seu primeiro trabalho solo como diretor foi “Gnomeu e Julieta” (2011), que ele também escreveu para a Touchstone (divisão da Disney), transformando as músicas de Elton John numa fábula shakeaspearana de anões de jardim. A produção voltou a aproximá-lo da Disney, levando-o a integrar a equipe de mais dois clássicos modernos do estúdio: “Detona Ralph” (2012) e o blockbuster “Frozen: Uma Aventura Congelante” (2013). Kelly Asbury também colaborou com a continuação “Gnomeu e Julieta: O Mistério do Jardim” (2018) e dirigiu o primeiro longa animado dos Smurfs, “Os Smurfs e a Vila Perdida” (2017), para a Sony. Seus últimos trabalhos foram consultoria de roteiro em “A Família Addams” (2019), da MGM, e a direção de “UglyDolls” (2019), o último filme com sua assinatura e sua voz. “Todo mundo amava Kelly, era impossível não se encantar com ele ou se alimentar de sua energia positiva”, escreveu no Facebook Ronnie Del Carmen, diretor de “Divertida Mente”, que trabalhou com Asbury em “O Príncipe do Egito” e “Spirit, o Corcel Indomável” e lembrou que “as histórias do grande ‘deus Kell’ eram lendárias”. “Vou sentir muita falta dele. Descanse em paz, querido amigo”, despediu-se.
Ator da série The Expanse é acusado de assédio
O estúdio Alcon Entertainment, responsável pela produção da série sci-fi “The Expanse”, iniciou uma investigação independente sobre o ator canadense Cas Anvar, que nesta semana viu seu nome envolvido em inúmeras acusações de assédio e abuso sexual. A polêmica aumentou nos últimos dias, com mais mulheres se apresentando para compartilhar suas histórias no Twitter, incluindo capturas de tela do que dizem ser mensagens inapropriadas de Anvar. Nenhum dos supostos incidentes de agressão sexual aconteceu no set da série, que foi resgatada pela Amazon após seu cancelamento pelo canal pago Syfy. A maioria dos casos seria relacionado a convenções de fãs. Daniel Abraham, um dos co-autores da série de livros em que a atração é baseada, revelou que depois que descobriu que um membro do elenco havia sido acusado de má conduta sexual, “imediatamente transmitiu essas graves acusações ao estúdio Alcon. A Alcon contratou uma empresa independente para investigar esse assunto e leva essas acusações muito a sério”. O perfil de James SA Corey, pseudônimo usado por Abraham e Ty Franck para assinar os livros, também tuitou as notícias da investigação, agradecendo às mulheres que se manifestaram. As acusações contra Anvar ganharam visibilidade em um tópico do Reddit que agregou todas as reivindicações, e também contou com tuítes e reações de Abraham e Corey, além de membros do elenco da Expanse. Isso inclui Steven Strait, Wes Chatham e Dominique Tipper, cuja declaração foi publicada na conta dos autores. Ao contrário das recentes e refutadas acusações contra o elenco de “Riverdale”, as contas de Twitter das acusadoras não são recém-criadas. Ao contrário, interagem na rede social há anos, possuem fotos e identificações claras. Depois de três temporadas no Syfy, “The Expanse” teve seu quarto ano lançado em dezembro passado pela Amazon. A série foi renovada para uma 5ª temporada na plataforma de streaming.
Demi Lovato revela sua música no filme Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars
A cantora Demi Lovato divulgou no YouTube sua música do filme “Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars”, comédia da Netflix que estreou nesta sexta (26/6) em streaming. A faixa se chama “In The Mirror” e é uma balada potente, que valoriza os vocais da cantora. A letra bipolar dá voz a uma pessoa na mira dos flashes, muito adorada, mas também – explorando o clichê melodramático – solitária. “Estou em um foguete para o céu/ Todo mundo me ama/ Estou cercado por pessoas/ Desejando-me o melhor enquanto eu dou partida”, ela canta, na parte up da canção, antes de chegar na parte down, em que expressa sua depressão. “Então por que parece/ Como se eu fosse a garota mais solitária do mundo/ Como se houvesse uma outra metade escura de mim”… “Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars” vai explorar o exagero das apresentações pomposas da competição, que existe de verdade e foi realizada pela primeira vez na Suíça em 1956. A Eurovision já teve entre seus participantes diversos astros célebres, como a cantora Céline Dion (em 1988), o grupo ABBA (em 1974) e, mais recentemente, até Madonna (em 2019). Os personagens principais da comédia são um dupla de artistas islandeses fictícios, Sigrit e Lars, que se apresentam como Fire Saga. Eles são vividos por Will Ferrell (“Pai em Dose Dupla”) e Rachel McAdams (“Doutor Estranho”). Ferrell também produz e assina o roteiro em parceria com Andrew Steele, com quem já trabalhou na minissérie “The Spoils of Babylon” (2014) e na paródia em espanhol “Casa de Mi Padre” (2012). A direção é assinada por David Dobkin, retomando a parceria com os dois protagonistas após “Penetras Bons de Bico” (2005), e o elenco ainda inclui Pierce Brosnan (“Mamma Mia!”) como o pai de Lars, Dan Stevens (“Legion”) irreconhecível como um cantor “pegador”, Natasia Demetriou (“What We Do in the Shadows”), Jóhannes Haukur Jóhannesson (“Alfa”) e Ólafur Darri Ólafsson (“NOS4A2”). Veja abaixo também um trecho da apresentação da cantora no filme.
Suzana Amaral (1932 – 2020)
A cineasta Suzana Amaral, diretora do clássico “A Hora da Estrela” (1985), premiado em Berlim, morreu na tarde desta quinta-feira (25/6) em São Paulo. Segundo a família, a causa da morte não foi relacionada à covid-19. “Minha mãe deixa legado em várias áreas, sobretudo no cinema. Suzana veio e trouxe para o cinema brasileiro uma nova linguagem, uma poética que era só dela — com muita influência do cinema alemão. Ela também deixa um legado na sua ética como professora, além de ter sido uma mãe maravilhosa”, disse a filha Flávia ao jornal Folha de S. Paulo. Neste momento delicado para o cinema brasileiro, continua Flávia, “que ela seja uma bandeira para que se salve o cinema nacional, bem como todas as áreas da cultura, que estão tão vilipendiadas nos nossos dias”. Há registros na imprensa do nascimento de Suzana em 1928 e 1932, mas ela dizia em entrevistas que não gostava de falar qual era sua idade. “Ela era muito danada [com relação à idade], até o último momento”, afirmou Flávia. Fica, então, assinalada sua data preferida de nascimento, 1932. Suzana Amaral nasceu em São Paulo e só decidiu virar cineasta depois de ser mãe de nove filhos. Ela entrou na Escola de Comunicação Social e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) em 1968 e fez sua estreia como diretora no último ano do curso, em 1971, com os curtas “Sua Majestade Piolim” sobre o famoso palhaço Piolim, e “Semana de 22”, um panorama da Semana de Arte Moderna. Foram mais de 35 anos de carreira, mas apenas três longas de ficção. Todos adaptações de obras literárias. O primeiro foi “A Hora da Estrela”, baseado no texto original com mesmo nome de Clarice Lispector. A obra marcou época com a performance da então desconhecida Marcelia Cartaxo, que venceu o Urso de Prata de Melhor Atriz. Suzana também recebeu dois prêmios paralelos de direção (o OCIC e o C.I.C.A.E. Award) e seguiu colecionando reconhecimentos, no Festival de Havana e de Brasília – onde conquistou tudo: Melhor Filme, Direção, Atriz, Ator (José Dumont), Fotografia, Edição… O longa seguinte só foi lançado 16 anos depois. Baseado na obra homônima de Autran Dourado, “Uma Vida em Segredo” chegou às telas em 2001 lançando outra atriz, Sabrina Greve. Que também foi premiada por sua performance, vencendo o troféu de Melhor Atriz nos festivais de Brasília e Cine Ceará. Suzana ainda levou o troféu de Melhor Filme no festival cearense E, finalmente em 2009, saiu “Hotel Atlântico”, com roteiro adaptado de um romance de João Gilberto Noll, estrelado pelo já conhecido Júlio Andrade. Venceu o prêmio de Melhor Filme do Festival de Lima, no Peru. Ela também dirigiu dezenas de documentários e programas para a TV Cultura, sem esquecer uma minissérie portuguesa, “Procura-se”, em 1993. Em uma entrevista concedida à Fundação Casper Líbero em 2016, a diretora foi questionada porque só tinha feito três longas em toda a carreira. Ela respondeu: “Porque faltou dinheiro. Faltou apoio e grana”. Vítima de um AVC há cerca de um ano, Suzana estava com a saúde fragilizada desde então.
Disney coloca princesa Tiana no lugar de A Canção do Sul em seus parques
A princesa Tiana, protagonista da animação “A Princesa e o Sapo” (2009), vai ganhar uma nova atração nos Parques da Disney na Califórnia e na Flórida. Em anúncio desta quinta (25/6), a empresa revelou que ela será o novo tema de uma montanha-russa, substituindo a homenagem dos parques ao filme “A Canção do Sul”, de 1946, considerado racista por seu retrato romantizado da escravidão nos Estados Unidos. “A Canção do Sul” já tinha ficado fora do Disney+ (Disney Plus) pelos mesmos motivos. De acordo com o comunicado, a Disney vinha trabalhando para renovar o tema da atração desde o ano passado, destacando na primeira princesa negra do estúdio. Após os assassinatos de George Floyd e Breonna Taylor — duas pessoas negras mortas por policiais negros nos EUA —, a pressão pela retirada de referências à “A Canção do Sul” dos parques se intensificou nas redes sociais. O filme do século passado venceu o Oscar por sua canção “Zip-a-Dee-Doo-Dah”, que se tornou muito popular. Na história, um garoto vai visitar a plantação de sua avó após a Guerra Civil nos EUA. Diversas críticas são feitas ao filme pela forma como retrata as pessoas negras e o próprio período histórico. Na época do lançamento do Disney+ (Disney Plus), Bob Iger, então CEO da Disney, afirmou que o filme “não era apropriado ao mundo de hoje, nem com ressalva ou aviso para o público”.”É difícil, dadas as representações em filmes como esse, divulgá-lo sem, de alguma forma ou outra, ofender as pessoas, por isso decidimos não disponibilizá-lo”, ele explicou no ano passado. Carmen Smith, executiva de desenvolvimento criativo e estratégias inclusivas da Walt Disney Company, afirmou ter ficado incrivelmente orgulhosa de ver o novo passeio ganhar vida: “É importante que nossos convidados possam se ver nas experiências que criamos”. A produtora criativa sênior que liderou o projeto, Charita Carter, também comemorou o resultado: “Como a princesa Tiana, acredito que coragem e amor são os principais ingredientes para aventuras maravilhosas. Estou muito satisfeita por fazer parte de trazer essa experiência divertida aos nossos visitantes”. Tanto Charita Carter quanto Carmen Smith são mulheres negras que lideram setores criativos da Disney.
Diretor colombiano de O Abraço da Serpente e Pássaros de Verão é acusado de assédio
O renomado diretor colombiano Ciro Guerra foi acusado por oito mulheres de assédio moral e sexual. A denúncia foi publicada pelo Volcánicas, um autointitulado “periódico feminista latino-americano”, que reuniu relato das oito mulheres, sendo que sete delas falam de comportamentos moralmente inadequados do diretor, e uma relata um abuso sexual. Ciro Guerra é o diretor de “O Abraço da Serpente” (2015), indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro – , além de “Pássaros de Verão” (2018), vencedor do Festival de Havana e de muitos prêmios. Seu próximo filme, “Waiting for the Barbarians”, é estrelado por Johnny Depp e está selecionado para os festivais de Veneza, San Sebastian, Londres e outros. As agressões teriam ocorrido entre 2013 e 2019, três delas em cidades colombianas e três fora do país – incluindo nos bastidores dos festivais de Cannes e Cartagena. De acordo com o periódico, todas as entrevistadas relataram em depoimentos gravados e publicados na íntegra que Guerra tinha conversas impróprias, que terminavam em convites para um apartamento ou quarto de hotel. Lá, fazia uso da força para tocá-las e beijá-las, ainda que elas dissessem não de forma clara contra os avanços do diretor – num padrão semelhante ao das acusações contra o produtor Harvey Weinstein, que inspirou o movimento #MeToo e acabou preso nos EUA. Ele ainda é acusado de usar seu posto de poder, como diretor, para estabelecer relações abusivas com as mulheres e oferecer trabalhos em troca de favores sexuais. As denunciantes tiveram suas identidades preservadas para serem protegidas de retaliação. As oito mulheres trouxeram as denúncias ao público, mas, no momento, dizem que não abrirão um processo penal contra Guerra. O periódico afirma que elas preferem evitar um processo de revitimização e o escárnio público. Entrevistado pelo Volcánica, Guerra negou ter assediado as mulheres sexualmente e moralmente. “Jamais. Já fui ameaçado com esse tipo de acusações. Foi algo que deixei passar e não dei atenção. Mas obviamente quero conhecer as denúncias e saber quem está falando e o quê. (…) É uma acusação grave e não é verdadeira.”












