Cate Blanchett estrelará primeiro longa de Almodóvar falado em inglês
A atriz Cate Blanchett (“Thor: Ragnarok”) vai estrelar o primeiro longa falado em inglês do cineasta espanhol Pedro Almodóvar (“Dor e Glória”). Intitulado “A Manual for Cleaning Women”, o projeto é uma adaptação do “Manual da Faxineira”, coletânea de contos da americana Lucia Berlin (1936-2004) sobre mulheres em trabalhos extenuantes. A iniciativa vem logo após Almodóvar realizar seu primeiro trabalho em língua inglesa, o curta “The Human Voice”, estrelado por Tilda Swinton em 2020. Blanchett também entrou nas filmagens como produtora, por meio de sua empresa Dirty Films, juntando-se à El Deseo do cineasta. Com roteiro do próprio Almodóvar, a produção ainda está em estágios iniciais e, por enquanto, ainda não tem previsão de chegar aos cinemas.
Zhang Yimou supervisionará abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno
O premiado cineasta chinês Zhang Yimou supervisionará as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, noticiou a imprensa estatal chinesa nesta sexta-feira (7/1). Yimou já tem experiência com esse tipo de evento. O diretor veterano de “Lanternas Vermelhas”, “Herói” e “O Clã das Adagas Voadoras” também dirigiu as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Pequim, no verão chinês de 2008. Os ensaios estão em andamento para uma cerimônia reduzida, sem apresentações artísticas em grande escala como as que marcaram o evento em 2008, noticiou a agência estatal de notícias Xinhua. Em vez disso, o diretor de 71 anos utilizará tecnologia para tornar a cerimônia de abertura “etérea e romântica”. A ideia é exaltar a beleza da natureza, da humanidade e do esporte, além de inspirar confiança em um mundo devastado pela pandemia, descreveu Yimou.
DiCaprio vira nome de árvore em homenagem de cientistas
Após anos defendendo o meio-ambiente, Leonardo DiCaprio virou nome de árvore. Em agradecimento ao seu esforço pelas causas ambientais e climáticas, cientistas do Jardim Botânico Real de Kew, na Inglaterra, decidiram homenagear o astro de “Não Olhe pra Cima”, batizando uma nova espécie com seu sobrenome. A Uvariopsis Dicaprio é uma nova espécie de árvore descoberta na floresta de Ebo, em Camarões, na África. Caracterizada por flores amarelas que crescem de seu tronco, a descoberta foi registrada nos primeiros dias de 2022 na revista científica PeerJ. Em depoimento à BBC, o Dr. Martin Cheek, um dos cientistas responsáveis pela homenagem, disse que a atuação de DiCaprio foi “crucial” para impedir o desmatamento da floresta de Ebo, onde a espécie foi encontrada. A floresta é conhecida pela rica biodiversidade e por ser o lar de espécies como gorilas, chimpanzés e elefantes ameaçados de extinção, mas apesar disso é alvo da cobiça de madeireiros. Cientistas a ambientalistas chegaram a enviar uma carta aberta ao governo de Camarões alertando para o risco de extinção de diversas espécies em Ebo. E DiCaprio repercutiu o documento em suas redes sociais, reforçando significamente a campanha.
Milton Gonçalves ficou com sequelas de AVC
O ator Milton Gonçalves, de 88 anos, ficou com sequelas do acidente vascular cerebral isquêmico que sofreu há dois anos. Com problemas na perna esquerda e na voz, ele tem feito sessões diárias de fisioterapia e fonoaudiologia, e vem se recuperando. A revelação foi feita por sua filha, Catarina Gonçalves, em entrevista para a coluna de Patrícia Kogut, no jornal O Globo. Ela lembrou que seu pai ficou três meses no hospital, o tempo todo traqueostomizado, e isto prejudicou sua voz. “Isso afetou bastante a voz, que está bem baixinha. Agora ele está bem, em casa, tranquilo. É uma recuperação chatinha por causa da idade. Ele não tem andado, só na cadeira de rodas, porque também ficou com sequela na perna esquerda”, disse ela. A filha do ator afirmou que, mesmo nessa situação, não deixa de passear com o pai e ele não recusa uma cervejinha. “Mas a gente passeia bastante com ele de carro, leva para ver a praia. Ele sempre pede para tomar uma cervejinha. Também adora café e doce. Essas besteirinhas que não podem comer. Mas é um danadinho”, contou ela. O ator teve o AVC em fevereiro de 2020, enquanto participava de uma feijoada na quadra da escola de samba do Salgueiro, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. “Veio muito sem aviso. Meu pai não pegava nem gripe. Foi bem grave. Ele é forte. Se fosse outro, teria embarcado. No segundo ou terceiro dia de CTI, botamos música e ele já estava acompanhando com a mão, mesmo intubado. Sempre gostou de dançar”, disse a filha de Milton. Devido ao problema de saúde, ele não participou da continuação do especial de Natal da TV Globo “Juntos A Magia Acontece”, que foi ao ar no mês passado. Ele tinha estrelado o telefilme original em 2019.
Sidney Poitier (1927–2022)
Sidney Poitier, primeiro ator negro a vencer o Oscar, morreu nesta sexta (7/1), aos 94 anos. O falecimento foi anunciado pelo ministro das Relações Exteriores das Bahamas, país de origem de Poitier, e a causa da morte não foi revelada. O ator tinha dupla cidadania já que nasceu inesperadamente em Miami durante uma visita dos pais aos Estados Unidos. Ele cresceu nas Bahamas, mas mudou-se para os EUA aos 15 anos. Com uma carreira repleta de papéis marcantes, sua trajetória se confunde com a luta pelos direitos civis nos EUA. O tema racial esteve presente em sua filmografia desde o primeiro papel, em “O Ódio é Cego” (1950), como um médico negro que precisa tratar de dois irmãos racistas. Na juventude, também integrou o elenco de “Sementes de Violência”, o filme sobre estudantes delinquentes que foi responsável por colocar o primeiro rock nas paradas de sucesso em 1955 – “Rock Around the Clock”, de Bill Haley & His Comets. Em 1958, Poitier se tornou o primeiro negro indicado ao Oscar de Melhor Ator, pelo longa “Acorrentados”, que ainda lhe rendeu o prêmio de intérprete no Festival de Berlim daquele ano. No filme de Stanley Kramer, ele aparecia acorrentado a Tony Curtis. Os dois davam vida a prisioneiros fugitivos que deviam aprender a se relacionar bem para evitar a captura. A lista de clássicos do período o colocou a encenar a revolução sangrenta dos Mau Maus no Quênia colonial em “Sangue Sobre a Terra” (1957), estrelar a adaptação do musical de blues “Porgy & Bess” (1959), liderar soldados racistas durante a 2ª Guerra Mundial em “Os Invencíveis” (1960), levar às telas a peça “O Sol Tornará a Brilhar” (1961) sobre a situação de pobreza da população negra nos EUA, celebrar a era do cool jazz em “Paris Vive à Noite” (1961) e ser o psicólogo de um presidiário neonazista em “Tormentos D’Alma” (1962). Ele venceu o Oscar por “Uma Voz nas Sombras” (1963), que ainda lhe rendeu o segundo prêmio de Melhor Ator no Festival de Berlim. Sem tema polêmico, o filme o trazia como um faz-tudo que ajuda um grupo de freiras a construir uma capela no meio do deserto. Depois desse feito, passaram-se quase quatro décadas até que outro astro negro fosse reconhecido como Melhor Ator pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Isto só aconteceu com Denzel Washington por “Dia de Treinamento” (2001), coincidentemente no mesmo dia em que Poitier recebeu um novo Oscar, numa homenagem pelo conjunto de sua obra. Embora já tivesse uma carreira repleta de obras icônicas, depois do Oscar Poitier viu sua filmografia se tornar ainda mais influente, acrescentando vários outros trabalhos que denunciavam o racismo da época. Curiosamente, isto aconteceu ao mesmo tempo em que seus filmes ganharam maior apelo comercial. Duas de suas obras mais populares depois do Oscar o colocaram como par romântico de jovens brancas. Em “Quando Só o Coração Vê” (1965), ele alimentava o afeto de uma garota cega que não distinguia diferenças raciais. E em “Adivinhe Quem vem para Jantar” (1967) era apresentado como noivo da filha de brancos supostamente liberais. Este filme marcou época, denunciando com humor constrangedor a hipocrisia de uma sociedade que apenas fingia tolerância racial, com uma força poucas vezes vista no cinema. 1967 foi, definitivamente, um ano impactante na carreira do ator, pois ainda incluiu mais dois clássicos absolutos: “Ao Mestre, com Carinho” (1967), em que Poitier interpretou um professor que conquista o respeito de adolescentes brancos rebeldes de Londres, e “No Calor da Noite” (1967), no qual deu vida ao detetive policial Virgil Tibbs, investigando um assassinato numa região racista do sul dos EUA. Numa cena marcante, ele retribuía um tapa num racista. Foi a primeira vez que um negro estapeava um branco racista num filme. “É uma escolha clara”, disse Poitier sobre os papéis que aceitava, numa entrevista concedida naquele ano. “Se a estrutura da sociedade fosse diferente, eu gritaria aos céus para bancar o vilão e lidar com diferentes imagens da vida do negro que seriam mais dimensionais. Mas eu seria amaldiçoado se fizesse isso nesta etapa do jogo”. Ele retomou o papel do detetive Tibbs em mais dois filmes, “Noite Sem Fim” (1970) e “A Organização” (1971), confrontando brancos poderosos. E então, no auge de sua popularidade, decidiu virar diretor, assinando o cultuado western “Um por Deus, Outro pelo Diabo” (1972). Ao todo, Poitier dirigiu oito filmes até 1990. Um dos mais simbólicos, “Dezembro Ardente” (1973), foi motivado pelo desejo simples de viver um romance com uma mulher negra nas telas, algo que nunca tinha feito em sua longa e prestigiosa carreira, porque Hollywood não estava interessada em mostrar romances entre casais negros. Os demais filmes que assinou foram comédias estreladas por ele mesmo com Bill Cosby, ou protagonizadas por Gene Wilder e Richard Pryor – incluindo o sucesso “Loucos de Dar Nó” (1980). Mas esta dedicação à direção teve um efeito colateral, afastando-o das telas. Ele passou a aparecer basicamente nos filmes que dirigia, voltando a atuar para terceiros apenas no fim dos anos 1980, em obras como “Espiões sem Rosto” (1988), ao lado de River Phoenix, e “Quebra de Sigilo” (1992), com Robert Redford. Nos anos 1990, ainda fez algumas produções televisivas. Duas lhe renderam indicações ao Emmy: a minissérie “Separados, Mas Iguais” (1991) e o telefilme “Mandela e De Klerk” (1997), em que viveu Nelson Mandela. Sua última aparição cinematográfica foi no thriller “O Chacal” em 1997, e quatro anos depois abandonou as telas com o desempenho no telefilme “Construindo um Sonho” (2001). O que o motivou a se afastar do cinema foi o convite para ser embaixador das Bahamas no Japão, cargo que ele serviu entre 1997 e 2007. Mas mesmo afastado das telas, o mestre continuou a receber o carinho de Hollywood e do mundo, com vários prêmios pela carreira – em homenagens do Oscar, da Academia Britânica, do Globo de Ouro, etc – em reconhecimento ao seu enorme talento e por tudo o que representou para a Cultura e a civilização.
Globo de Ouro anunciará vencedores nas redes sociais
Depois de confirmar que o Globo de Ouro aconteceria sem tapete vermelho, astros ou cobertura televisiva neste domingo (9/1), a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA, na sigla em inglês) revelou que não fará nem transmissão ao vivo por streaming. Os nomes dos vencedores serão anunciados por postagens nas redes sociais da organização. “O evento deste ano será privado e não terá transmissão ao vivo. Nós providenciaremos atualizações em tempo real sobre os vencedores no site oficial do Globo de Ouro e em nossas redes sociais”, disse a HFPA, em comunicado. Apesar disso, a associação tentará manter as aparências, realizando o evento como uma confraternização entre seus membros e parceiros filantrópicos no Beverly Hilton Hotel, de Los Angeles, local onde o Globo de Ouro realiza suas cerimônias há anos. Segundo apurou a revista Variety, a HFPA até chegou a contatar alguns famosos para participarem da apresentação de prêmios, mas todos recusaram. Emissoras ao redor do mundo, incluindo a norte-americana NBC e a brasileira TNT, já tinham cancelado a transmissão do prêmio pela TV. A decisão de não transmitir a premiação se juntou aos boicotes de vários setores de Hollywood contra a HFPA, após uma denúncia de que a organização não tinha integrantes negros, o que também trouxe à tona acusações de histórico sexista e falta de ética dos responsáveis pelo Globo de Ouro. Por conta disso, a HFPA se comprometeu a mudar, abrindo vagas para novos membros e mudando várias de suas regras, incluindo a adoção de um manual de ética. Poucos levaram fé nas promessas e o boicote ao evento foi mantido. Após os esforços iniciais para se renovar, a organização aprovou seis integrantes negros em 1 de outubro – um resultado pífio, que tornou os eleitores do Globo de Ouro apenas 5,7% mais diversos que no ano passado. A premiação sem entrega de prêmios servirá basicamente para que os responsáveis pelo Globo de Ouro voltem a se comprometer com mudanças, visando viabilizar a transmissão televisiva de seu evento em 2023.
Canal americano The CW está à venda
A WarnerMedia e a ViacomCBS estão dispostos a vender parte significativa ou até toda a rede americana The CW, lar das séries do Arrowverso, “Riverdale”, “Legacies”, “Walker” e várias outras atrações de fantasia juvenil. A rede foi inaugurada em 2006 como resultado da união dos antigos canais UPN e Warner nos EUA. Muitos apostaram que a experiência não duraria, mas embora nunca tenha se tornado lucrativa de forma tradicional, a joint venture se provou um bom negócio para os estúdios da CBS e Warner (o C e o W do nome do canal). A CW passou a render dinheiro por sinergia, ao comprar apenas séries produzidas pelas duas empresas. Além disso, as séries da emissora depois são negociadas por seus estúdios para o mercado internacional. Só a Netflix chegou a pagar US$ 1 bilhão pelos direitos de exibição do conteúdo da CW em 2018. Este modelo, porém, sofreu abalos nos últimos anos, acompanhando mudanças internas na Warner e na CBS. A primeira foi desastrosamente comprada pela AT&T, que passou a desmontar a empresa, dissolvendo ou vendendo parte de seu patrimônio – processo que parece seguir mesmo após as negociações para fusão com a Discovery. Já a CBS sobreviveu a um escândalo sexual de seu chefão, Les Mooves, para se fundir com a Viacom. Desde o ano passado, os dois grupos vêm priorizando a expansão de seus serviços streaming, HBO Max e Paramount+, sobre todos os outros projetos. Por isso, romperam o acordo bilionário com a Netflix, interrompendo o fluxo de dinheiro para o canal. Mesmo assim, Warner e CBS querem continuar usando a CW como parceira, tanto como fonte de renda quanto para reduzir os custos de produção de suas séries. A negociação com interessados na compra do canal teria que considerar manter os dois estúdios como sócios e renovar o acordo de exclusividade para a produção de conteúdo. Segundo o Wall Street Journal, que anunciou o negócio, o maior interessado em adquirir a CW é a Nexstar Media Group, empresa televisiva que já transmite o conteúdo da CW e tem se expandido com aquisições de outros grupos, buscando ganhar projeção nacional. Mas a revelação da possível venda atraiu outros interessados. Fala-se até na Netflix.
Queijo da fazenda de Marcos Palmeira é eleito um dos melhores do Brasil
A fazenda do ator Marcos Palmeira, que fica na região serrana do Rio, recebeu o prêmio ouro pelo seu queijo frescal. A iguaria foi eleita como uma das melhores do Brasil pelo Guia do Queijo, em uma avaliação que contou com mais de 120 queijos concorrentes, vindos de 60 produtores de 18 estados brasileiros. Além do sabor e a textura, a produção da Vale das Palmeiras Orgânicos também se destacou pela fabricação sob a ótica da sustentabilidade, desde questões empresariais, recursos humanos, trato com os animais até o destino dos resíduos. Segundo o Instagram da marca, o queijo da Vale das Palmeiras Orgânicos é produzido “com leites de vacas criadas bem longe de pesticidas, hormônios e agrotóxicos”. Para os jurados do prêmio, o produto chamou a atenção por ser “suave, lático e doce”. Em novembro passado, Marcos Palmeira também foi premiado como Melhor Ator pela Academia Brasileira de Cinema pelo filme “Boca de Ouro”. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Vale das Palmeiras (@valedaspalmeirasorganicos)
Peter Bogdanovich (1939-2021)
O diretor Peter Bogdanovich, de clássicos como “A Última Sessão de Cinema”, “Lua de Papel” e “Marcas do Destino”, morreu nesta quinta (6/1) de causas naturais em sua casa em Los Angeles, aos 82 anos. Filho de um pintor sérvio, ele decidiu estudar para virar ator aos 16 anos, mas já aos 20 fez a transição para a direção, numa montagem teatral off-Broadway de “The Big Knife”, que ganhou muitos elogios em 1959. Seu primeiro contato com o cinema foi por meio de críticas e artigos publicados na revista Esquire. Acabou encorajado a se mudar para Hollywood, onde conheceu Roger Corman, que o colocou a trabalhar como seu assistente no clássico de motoqueiros “Os Anjos Selvagens”, estrelado por Peter Fonda em 1966. A estreia como diretor aconteceu dois anos depois com “Na Mira da Morte”. Escrito pelo próprio Bogdanovich, o filme destacava em seu elenco o astro de terror Boris Karloff (“Frankenstein”), que devia dois dias de filmagem a Corman. Mesmo com esta restrição, virou um clássico de suspense, contando a história de um atirador que começava a disparar num cine drive-in, durante a aparição de um antigo astro de Hollywood (Karloff). Em troca deste filme, ele topou dirigir um trash para Corman, “Viagem ao Planeta das Mulheres Selvagens” (1968), sobre mulheres belíssimas que habitavam o planeta Vênus. Mas usou um pseudônimo para não se queimar. Decidido a virar um diretor sério, conseguiu assegurar produção de um grande estúdio, a Columbia Pictures, para seu longa seguinte. E fez questão de filmar em preto e branco. Lançado em 1971, “A Última Sessão de Cinema” o consagrou com duas indicações ao Oscar, como Melhor Diretor e Roteirista. O drama baseado no romance homônimo de Larry McMurtry acompanhava estudantes do ensino médio que viravam adultos em uma cidade isolada e decadente no norte do Texas em 1951, momento em que o local começava a definhar, tanto cultural como economicamente. O elenco da produção projetou os jovens astros Timothy Bottoms, Jeff Bridges e Cybill Shepherd, e rendeu Oscars de Melhores Atores Coadjuvantes aos veteranos Cloris Leachman e Ben Johnson. Com apenas 31 anos, Bogdanovich viveu o auge e chegou a ser comparado a Orson Welles. “Ele realizou o mais difícil de todos os feitos cinematográficos: tornou o tédio fascinante”, definiu a revista Time ao elogiar sua obra-prima. Bogdanovich ainda conseguiu um novo amor com “A Última Sessão de Cinema”: Cybill Shepherd, que ele transformou em atriz após vê-la como modelo na capa da revista Glamour. O caso levou ao rompimento de seu casamento com a designer de produção Polly Platt, com quem o cineasta teve duas filhas. A fase de ouro de sua carreira continuou com a comédia “Essa Pequena é uma Parada” (1972) e o drama “Lua de Papel” (1973), ambos estrelados por Ryan O’Neal. Também filmado em preto e branco, “Lua de Papel” foi a última unanimidade crítica de Bogdanovich, acompanhando um golpista e uma menina durante a Grande Depressão. Nos papel principal, O’Neal contracenou com sua própria filha, Tatum O’Neal, que pelo desempenho se tornou a atriz mais jovem a vencer um Oscar, aos 10 anos de idade. Depois destes lançamentos, Bogdanovich decidiu rodar mais dois filmes com sua musa. Shepherd estrelou a comédia de costumes “Daisy Miller” (1974) e o musical “Amor, Eterno Amor” (1975), que também trouxe Burt Reynolds cantando e dançando corajosamente músicas de Cole Porter. Mas ambos fracassaram, já que a crítica – que anos antes o elogiava por revigorar a indústria – se voltara contra o cineasta. “Eles ficaram revoltados porque eu estava tendo um caso com Shepherd”, disse Bogdanovich em uma entrevista de 2019 ao site Vulture . “Eu vi fotos nossas em que parecia um cara arrogante e ela uma garota sexy. E éramos ricos e famosos e fazíamos filmes juntos. Nesta época, Cary Grant me ligou. Ele diz: ‘Peter, pelo amor de Deus, você pode parar de dizer às pessoas que está feliz? E pare de dizer que você está apaixonado. Eu disse: ‘Por quê, Cary?’ ‘Porque eles não estão felizes e não estão apaixonados.’ Ele estava certo.” O status de menino dourado durou pouco e os filmes seguintes não foram incensados. Apesar disso, “No Mundo do Cinema” (1976), novamente estrelado por Ryan e Tatum O’Neal, foi exibido no Festival de Berlim. Sua carreira sofreu outro baque quando um novo affair o devolveu aos tabloides. Ele se envolveu com a ex-playmate Dorothy Stratten, ao dirigi-la na comédia romântica “Muito Riso e Muita Alegria” em 1980, e a jovem acabou assassinada por seu marido, Paul Snider, que depois se matou. Diante do crime, o estúdio desistiu de lançar o filme. Abalado, Bogdanovich comprou os direitos da 20th Century Fox e tentou distribuir a comédia sozinho. Mas ninguém encarou as sessões com risos e alegria, e o diretor acabou falindo. Em 1984, ele escreveu o livro “The Killing of the Unicorn: Dorothy Stratten 1960-1980”, no qual atribuiu grande parte da culpa pela morte de Stratten a Hugh Hefner, argumentando que o fundador da Playboy desencadeou a ira de Paul Snider quando o baniu de sua mansão. O cineasta recuperou seu prestígio com o lançamento de “Marcas do Destino” (1985), um drama romântico sobre um adolescente deformado. O filme estrelado pelos jovens Eric Stoltz e Laura Dern também incluiu em seu elenco a cantora Cher e foi um grande sucesso de público e crítica. Revigorado, ele decidiu retomar os personagens de seu principal clássico em 1990, voltando a se juntar com Timothy Bottoms, Jeff Bridges e Cybill Shepherd em “Texasville”, continuação colorida de “A Última Sessão de Cinema”. Mas o revival não teve a repercussão esperada. Sua vida privada voltou a render notícias quando ele se casou com Louise Stratten, irmã mais nova de Dorothy Stratten, em 1988. Ela tinha apenas 20 anos e ele estava com quase 50. Mesmo assim, o casamento durou até 2001 e eles permaneceram amigos depois do divórcio, chegando a morar juntos novamente no final de 2018, quando Bogdanovich precisou de ajuda após quebrar o fêmur. Stratten também escreveu o roteiro de “Um Amor a Cada Esquina”, último filme dirigido pelo cineasta em 2014. Antes disso, ele ainda filmou as comédias “Impróprio para Menores” (1992), com Michael Caine, “Um Sonho, Dois Amores” (1993), com River Phoenix, e “O Miado do Gato” (2001), com Kirsten Dunst, além de vários telefilmes e um documentário sobre a banda Tom Petty and the Heartbreakers. Mas os trabalhos de direção foram ficando cada vez mais escassos e espaçados, o que o fez reconsiderar sua incipiente carreira de ator. Bogdanovich costumava aparecer em seus filmes e tinha participado como ele mesmo de um episódio da série “A Gata e o Rato”, estrelada por Cybill Shepherd e Bruce Willis nos anos 1980. Mas foi só após ser estimulado por Noah Baumbach a coadjuvar em “Louco de Ciúmes” (1997), que passou a levar a sério a ideia de virar ator. Ele virou figura frequente no elenco de diversos filmes e séries dos anos 2000, incluindo o grande sucesso da HBO “Família Soprano” (The Sopranos), no qual viveu o terapeuta Dr. Elliot Kupferberg. A variedade de títulos que contaram com sua presença abrangem do terror blockbuster “It – Capítulo 2” (no papel de um diretor) ao drama indie “Enquanto Somos Jovens” (novamente dirigido por Baumbach), até se despedir da atuação na série “Get Shorty” em 2019. Ele também deu aulas de cinema, publicou diversos livros com entrevistas com os grandes mestres da sétima arte e desenvolveu um show solo chamado “Monstros Sagrados”, no qual contava anedotas sobre sua carreira. Mais recentemente, apresentava um podcast chamado “Plot Thickens”. A notícia de sua morte foi repercutida por dezenas de cineastas, como Guillermo del Toro e Francis Ford Coppola, e os mais variados astros de Hollywood nas redes sociais. “Ele foi meu Céu e meu Chão”, escreveu Tatum O’Neal, emocionada. Veja abaixo o trailer original da obra-prima do diretor.
Bolsonaro usa fake news para atacar Ivete Sangalo
Após ser hospitalizado pelos excessos das férias – o diagnóstico: não mastigou um camarão – , Jair Bolsonaro já voltou ao ritmo normal, divulgando suas primeiras fake news de 2022. Durante uma entrevista coletiva desta quarta (5/1), Bolsonaro aproveitou para atacar Ivete Sangalo, após a cantora puxar um coro contra ele durante um show recente, que viralizou nas redes sociais. “Estamos mexendo na Lei Rouanet. Nós queremos a Lei Rouanet para atender aquele artista que está começando a carreira e não para figurões ou figuronas como a querida Ivete Sangalo”, iniciou. “Ela está chateada, o José de Abreu está chateado, porque acabou aquela ‘teta’ deles gorda de pegar até R$ 10 milhões por ano da Lei Rouanet e defender o presidente de plantão. Eu não quero que me defenda, eu quero que fale a verdade a meu respeito”, completou Bolsonaro. O detalhe é que Ivete Sangalo não utiliza a Lei Rouanet. Desde a campanha de 2018, o presidente associa sem provas (fake news, a popular mentira grossa) a oposição que recebe da classe artística a uma suposta dependência dos recursos de incentivo para o setor cultural. Entretanto, os dados abertos de projetos inscritos em Leis de Incentivo à Cultura não registram nenhum projeto da cantora ou de empresas de que é sócia. Ao longo dos quase 30 anos de sua carreira, só dois projetos buscaram incentivo em nome de Ivete Sangalo. Em 2016, ela chegou a ser autorizada a captar até R$ 1,3 milhão para um show com a Orquestra Juvenil da Bahia, mas não levantou nenhum recurso. No ano seguinte, ela buscou desenvolver uma produção audiovisual, mas a captação não foi aprovada. A única captação da Lei Rouanet relacionada a Ivete aconteceu, ironicamente, durante o governo Bolsonaro. Em fevereiro de 2019, a produtora Madeirada Produções captou R$ 813 mil para fazer seis shows da cantora. Mas o projeto não foi iniciativa da artista ou de seus sócios. Da mesma forma, ela participou de vários eventos incentivados, como o Rock in Rio, sem ter buscado o inventivo – como também não buscaram os demais artistas deste e de outros festivais musicais do Brasil. Outra fake news identificada no discurso após as férias indigestas foi o propalado fim da tal “teta gorda”. Só no ano passado, 22 projetos de mais de R$ 10 milhões foram aprovados pela secretaria especial de Cultura do governo Bolsonaro. Juntos, só estes 22 projetos consumiram R$ 533 milhões do orçamento disponível. Além disso, 242 projetos de mais de R$ 1 milhão receberam aval da gestão de Mario Frias, comprometendo R$ 1,3 bilhão da Rouanet. É mais da metade do total aprovado para a lei em 2021. Ou seja, a teta continua gorda para defender o presidente de plantão. Bolsonaro quer que se fale a verdade a seu respeito. Aí está. – Lei Rouanet e seus limites.@mfriasoficial @andreporci @CulturaGovBr Via Telegram: @CarlosBolsonaro pic.twitter.com/m8brcOzI4A — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) January 5, 2022 Ivete Sangalo pedindo gritos de “Ei Bolsonaro vai tomar no cu” no show de ontem ahahaha amoo #ForaBolsonaro #BolsonaroVagabundo #BolsonaroGenocida pic.twitter.com/wFQSy5spCA — Ivt 🏳️🌈 (@sangalizando) December 30, 2021
HBO Max chega a 73,8 milhões de assinantes mundiais
A HBO Max fechou o ano de 2021 com 73,8 milhões de assinantes em todo o mundo, superando as projeções mais otimistas de 70 milhões. Comemorando os números, o CEO da WarnerMedia, Jason Killar, disse ao site Deadline que 2021 foi “o ano em que a HBO Max realmente fez sua marca” no mercado de streaming. Após chegar a vários territórios internacionais em junho, inclusive na América Latina, a plataforma tornou-se disponível em 46 países ao redor do planeta. Este número, porém, não inclui mercados europeus importantes para a indústria do entretenimento, como Reino Unido, Itália e Alemanha. Nesses países, a Warner ainda não conseguiu lançar a HBO Max por causa de contratos prévios de distribuição firmados com o canal pago Sky, que valem até 2024. Nos EUA, a HBO Max foi lançada em maio de 2020, mas foi um início complicado pela falta de conteúdo original, devido à paralisação das produções durante a pandemia de covid-19. Para contornar este problema, a WarnerMedia tomou uma decisão polêmica, programando lançamentos simultâneos de seus filmes de 2021 nos cinemas e na plataforma americana. O resultado foram bilheterias baixas e crescimento das assinaturas. Em um ano, a HBO Max foi de fracasso a sucesso popular. O detalhe é que a AT&T, empresa que adquiriu a Warner em 2018, entrou em pânico com a pandemia, as baixas bilheterias e a dificuldade de emplacar a HBO Max, e decidiu se desfazer do negócio, repassando o conteúdo da WarnerMedia para a Discovery. A criação da Warner Bros. Discovery, nova empresa resultante do negócio, aguarda autorização dos reguladores de mercado para ser aprovada, mas a Discovery não poderia ter feito melhor negócio.
“Harry Potter: De Volta a Hogwarts” vira maior estreia da HBO Max na América Latina
O especial “Harry Potter: De Volta a Hogwarts” virou a estreia mais assistida da HBO Max em toda a América Latina. A informação é da própria plataforma de streaming, que celebrou o feito sem revelar os números da produção. “Os filmes da saga [Harry Potter] já são alguns dos títulos mais queridos por nossos usuários na América Latina, e é graças a eles que em poucos dias este especial se tornou a estreia mais assistida da região, posicionando a América Latina como uma meca dos fãs de Harry Potter no mundo”, disse Luis Durán, gerente geral da HBO Max para a região, em comunicado. “Harry Potter: De Volta a Hogwarts” celebrou os 20 anos de lançamento de “Harry Potter e A Pedra Filosofal”, primeiro longa da franquia, com a reunião dos principais atores dos filmes do bruxinho, com destaque para trio protagonista, Daniel Radcliffe (Harry Potter), Emma Watson (Hermione Granger) e Rupert Grint (Ron Weasley), numa confraternização repleta de momentos divertidos e emotivos.
Escola inglesa tira nome de J.K. Rowling de seu prédio em crítica à transfobia
Uma escola britânica decidiu rebatizar um de seus prédios para tirar o nome da escritora J.K. Rowling, criadora de “Harry Potter”, devido às polêmicas declarações da autora sobre questões de transexualidade, que lhe valeram acusações de transfobia. A Boswells School, em Chelmsford, no leste da Inglaterra, que atende alunos de 11 a 18 anos, explicou que mudou o nome do prédio para homenagear a medalhista de ouro olímpico Kelly Holmes. “Na Boswells School, promovemos uma comunidade escolar inclusiva e democrática, onde estimulamos os alunos a se desenvolverem como cidadãos autoconfiantes e independentes”, disse o diretor da instituição, Stephen Mansell. Os seis edifícios da instituição foram nomeados em homenagem a “destacados cidadãos britânicos”. “No entanto, após os vários pedidos de alunos e funcionários, estamos revisando o nome da nossa casa vermelha ‘Rowling’, à luz dos comentários e opiniões de J.K. Rowling sobre pessoas trans”, explicou. Rowling também não apareceu no recente reencontro com o elenco dos filmes de “Harry Potter”, disponibilizado pela HBO Max, após ser criticada pelos principais intérpretes da saga e rejeitada até por comunidades de fãs de “Harry Potter”. Oficialmente, ela teria dito que as imagens de arquivo seriam suficientes. Mas sua postura transfóbica, disfarçada de feminismo, criou atrito com Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint, que renegaram os argumentos da criadora de “Harry Potter”, colocando-se ao lado das pessoas transexuais. A cruzada de Rowling veio à tona há pouco mais de um ano, quando usou o Twitter para criticar uma reportagem que citava “pessoas que menstruam” para designar indivíduos do sexo feminino. “Tenho certeza que costumava existir uma palavra para essas pessoas”, escreveu ela, insinuando que a matéria deveria dizer apenas “mulheres”. Ela fez questão de esquecer que homens trans podem menstruar. Logo em seguida, a escritora acirrou sua campanha, explorando a descrição mais sensacionalista possível, ao considerar transexuais como estupradores em potencial. “Eu me recuso a me curvar a um movimento que eu acredito estar causando um dano demonstrável ao tentar erodir a ‘mulher’ como uma classe política e biológica e oferecer cobertura a predadores como poucos antes dele”, ela escreveu. “Quando você abre as portas dos banheiros e dos vestiários para qualquer homem que acredite ser ou se sinta mulher – e, como já disse, os certificados de confirmação de gênero agora podem ser concedidos sem a necessidade de cirurgia ou hormônios -, você abre a porta a todo e qualquer homem que deseje entrar. Essa é a verdade simples”, disse a autora. A declaração foi confrontada por ninguém menos que Nicole Maines, estrela de “Supergirl” que viveu a primeira super-heroína transexual da TV. Ela se tornou conhecida aos 15 anos de idade por enfrentar o mesmo preconceito defendido por Rowling, sendo constantemente humilhada e impedida de frequentar o banheiro feminino de sua escola. Como também não podia ir ao banheiro masculino, onde sofria bullying, sua família entrou com uma ação na Justiça contra discriminação. Em junho de 2014, a Suprema Corte dos Estados Unidos concluiu que o distrito escolar havia violado seus direitos humanos. A família Maines recebeu uma indenização de US$ 75 mil todas as escolas americanas foram proibidas de impedir alunos transgêneros de entrar no banheiro com qual se identificassem. Inconformada, Rowling foi adiante, escrevendo um livro sobre um assassino travesti, “Sangue Revolto” (Troubled Blood), lançado no ano passado dentro da coleção de mistérios do detetive Cormoran Strike. Rowling também defendeu uma pesquisadora demitida após protestar contra mudanças de leis britânicas que passaram a reconhecer os direitos de pessoas transexuais, escrevendo no Twitter que “homens não podem se transformar em mulheres”. Embora não tenha comentado as críticas que recebeu dos intérpretes dos filmes de “Harry Potter”, ela apagou um elogio a Stephen King nas redes sociais após escritor defender mulheres trans. Foi além: devolveu um prêmio humanitário que recebeu da fundação de Direitos Humanos batizada com o nome do falecido senador Robert F. Kennedy após Kerry Kennedy, filha do célebre político americano, manifestar sua “profunda decepção” com os comentário transfóbicos. Daniel Radcliffe chegou a tuitar um pedido de desculpas em seu nome para a comunidade trans.












