
Divulgação/Instituto Lula
Oliver Stone volta a negar dinheiro de Vorcaro para filme sobre Lula
Diretor afirma que sequer conhecia o ex-banqueiro e rejeita acusação divulgada pela Veja sobre suposto repasse de R$ 30 milhões
Cineasta rechaça acusação da Veja
O diretor Oliver Stone (“Platoon”) voltou a negar que seu documentário “Lula” (2024) tenha recebido qualquer financiamento de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Em manifestação à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, divulgada na noite de sexta-feira (9/10), a equipe do cineasta afirmou que ele nunca pediu nem recebeu dinheiro do banqueiro e sequer havia ouvido falar dele. Stone também desconhece qualquer negociação de patrocínio no Brasil para a produção, codirigida por Rob Wilson.
O que dizem os responsáveis pelo filme?
A negativa reforça uma declaração feita em maio, quando surgiram as primeiras acusações de que Vorcaro teria financiado o documentário. Na ocasião, os produtores e diretores divulgaram uma nota rejeitando “quaisquer recebimentos de recursos, investimentos, patrocínios ou contribuições de qualquer natureza” provenientes de negociações com o banqueiro, o Banco Master ou empresas e fundos associados. A equipe também anunciou que poderia adotar medidas judiciais contra a divulgação de informações falsas.
O longa foi produzido pela New Element Film, companhia de Los Angeles comandada por Fernando Sulichin, produtor e colaborador de longa data de Stone. Exibido no Festival de Cannes em 2024, o documentário acompanha a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, com destaque para sua prisão em 2018 e o retorno à Presidência em 2022. A produção não teve participação do Instituto Lula na captação de recursos, segundo comunicado da própria instituição.
O que aconteceu com a acusação da Veja?
A manifestação do cineasta ocorre após a Veja divulgar, na sexta-feira, um áudio atribuído a Vorcaro em que ele afirma ter financiado irregularmente o documentário. A revista também apresentou um suposto anexo de delação no qual o ex-banqueiro teria relatado pagamentos de aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo para a produção, além de repasses ao Instituto Lula para o filme. A denúncia relacionou os valores a negociações para obter acesso a fundos de pensão federais.
A versão divulgada pela revista foi contestada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. A PF negou ter recebido depoimento, anexos ou documentos com o conteúdo descrito na reportagem. A PGR esclareceu que Vorcaro nunca prestou depoimento oral à instituição e que todas as propostas de colaboração foram apresentadas por intermédio de advogados. A própria defesa do banqueiro afirmou desconhecer o tema da reportagem, além da origem, autenticidade ou integridade do áudio apresentado.
O UOL teve acesso às propostas de delação e identificou uma contradição entre os relatos. Em um anexo efetivamente apresentado em junho, Vorcaro afirmava ter patrocinado filmes sobre Lula e Michel Temer nos mesmos moldes da cinebiografia de Jair Bolsonaro. Já na gravação divulgada pela Veja, a voz atribuída ao banqueiro classifica como irregular o suposto financiamento do documentário sobre Lula, enquanto apresenta como normal o patrocínio ao filme sobre Bolsonaro. A análise das mensagens extraídas do celular de Vorcaro também não encontrou registros de pagamentos relacionados à produção de Stone, ao contrário das evidências abundantes sobre “Dark Horse”, com mensagens de Flávio Bolsonaro cobrando dinheiro.
Reação política e investigação
O Instituto Lula divulgou uma nota repudiando a reportagem e reiterou que jamais recebeu recursos para a realização do documentário. Seu diretor, Paulo Okamotto, também negou conhecer Vorcaro. A campanha do presidente classificou as acusações como falsas e anunciou medidas judiciais contra a revista e o banqueiro. A Advocacia-Geral da União solicitou direito de resposta à publicação.
A origem do áudio divulgado pela Veja também passou a ser questionada. Procuradores familiarizados com as investigações suspeitam que a gravação possa ter sido produzida ilegalmente durante a prisão de Vorcaro para uso na campanha presidencial, segundo outra apuração de Mônica Bergamo. A defesa de Lula pediu à PF que investigue as circunstâncias da gravação, enquanto a corporação confirmou o recebimento de uma notícia-crime sobre os fatos relacionados à publicação.
Aberto para posicionamentos
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