
Divulgação/Warner Bros.
Filme com Tom Cruise pode dar prejuízo de US$ 245 milhões à Warner
"Digger" perde 60% do público no 2º fim de semana e caminha para se tornar um dos maiores fracassos financeiros da história de Hollywood
Prejuízo aumenta após nova queda
“Digger”, estrelado por Tom Cruise e dirigido por Alejandro González Iñárritu, caminha para um prejuízo estimado em US$ 245 milhões, um dos maiores da história de Hollywood. A projeção foi revelada neste domingo (11/10) pela Variety, após a sátira ambiental registrar uma queda de 60% em seu 2º fim de semana nos cinemas americanos. O longa arrecadou cerca de US$ 3,2 milhões entre sexta-feira e domingo, chegando a US$ 14,4 milhões nos Estados Unidos e Canadá e US$ 35,3 milhões mundialmente.
Quanto custou o filme?
O orçamento de produção ficou entre US$ 160 milhões e US$ 180 milhões, aos quais se somam aproximadamente US$ 100 milhões gastos em divulgação. Segundo fontes da indústria consultadas pela Variety, o filme precisaria arrecadar cerca de US$ 350 milhões mundialmente para atingir o equilíbrio financeiro.
A Warner contestou esse cálculo e apontou US$ 300 milhões como valor necessário. Como os cinemas ficam com aproximadamente metade da receita dos ingressos, o estúdio recupera apenas uma parcela da arrecadação bruta.
Estreia já tinha sido péssima
Na estreia, “Digger” havia arrecadado somente US$ 8 milhões na América do Norte e US$ 20 milhões no mundo, levando a projeções iniciais de perdas entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões. A queda na semana seguinte agravou o cenário, com expectativa de uma bilheteria mundial final próxima de US$ 50 milhões.
O TheWrap já havia divulgado, na quarta-feira (7/10), uma estimativa ainda maior, de US$ 250 milhões em prejuízos, mesmo considerando futuras receitas com aluguel digital, streaming e televisão. Uma fonte ouvida pelo veículo calculou perdas entre US$ 200 milhões e US$ 215 milhões, dependendo do desempenho nessas plataformas.
Por que Digger fracassou?
A produção marcou a volta de Cruise a um papel fora das franquias de ação que dominaram sua carreira recente. Transformado por próteses e maquiagem, ele interpreta Digger Rockwell, magnata do petróleo que provoca uma catástrofe ambiental e tenta convencer o mundo de que é a única pessoa capaz de impedir a destruição do planeta.
A comédia de humor sombrio chegou aos cinemas brasileiros em 1º de outubro, com um elenco que inclui Riz Ahmed, Sandra Hüller, Jesse Plemons e John Goodman.
A recepção dividida contribuiu para o fracasso comercial. O filme obteve cerca de 51% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e nota C+ na pesquisa CinemaScore, que mede a reação dos espectadores americanos. A Warner tentou transformar a polarização em campanha publicitária, com anúncios que convidavam o público a decidir por conta própria, mas a estratégia não reverteu a rejeição. Nem mesmo o histórico internacional de Cruise conseguiu compensar o desempenho doméstico.
As consequências já começaram
O fracasso também tem consequências corporativas. “Digger” foi integralmente financiado pela Warner Bros., sem parceiros para dividir os custos, e se tornou o último grande lançamento do estúdio antes da conclusão de sua fusão com a Paramount Skydance.
O projeto havia sido aprovado durante a gestão de Michael De Luca e Pamela Abdy, que deixaram o comando da divisão cinematográfica com a mudança de controle. O investimento representava uma aposta na combinação entre o prestígio de Iñárritu, vencedor de dois Oscars de Melhor Direção, e o apelo comercial de Cruise.
Hollywood tenta salvar o filme
O desastre financeiro provocou uma mobilização de artistas em defesa de “Digger”. Anne Hathaway deu cinco estrelas à produção no Letterboxd e escreveu: “Adorei este filme brilhante. É inteligente, alucinante, agressivo, engraçado e ambicioso”. A atriz recomendou que o público assistisse à obra e formasse sua própria opinião.
Mandy Patinkin foi ainda mais enfático, classificando o longa como “um clássico instantâneo” e “uma das maiores obras cinematográficas que já vi em toda a minha vida”.
Jane Fonda também defendeu a produção, especialmente por sua abordagem da crise climática. A atriz elogiou a coragem de Cruise ao assumir um papel tão diferente e afirmou que o filme encontra uma maneira original de alertar sobre o aquecimento global.
Guillermo del Toro resumiu sua posição numa publicação nas redes sociais: “Amem a arte. F*dam-se os números”.