
Instagram/José de Abreu
José de Abreu cobra Selton Mello por silêncio político após Ainda Estou Aqui
Ator questiona omissão de colegas diante do bolsonarismo e cita filme sobre a ditadura militar para cobrar posicionamento
Cobrança por “Ainda Estou Aqui”
José de Abreu (“Avenida Brasil”) cobrou publicamente um posicionamento político de Selton Mello (“Ainda Estou Aqui”) e outros colegas que, em sua avaliação, permanecem em silêncio diante da possibilidade de retorno do bolsonarismo ao poder. Em vídeo publicado na noite de sexta-feira (9/10), o ator questionou a ausência de manifestações no 2º turno da eleição presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Para ele, a omissão de Selton é especialmente contraditória depois de protagonizar um filme sobre a repressão da ditadura militar.
O que José de Abreu disse?
O ator declarou estar perplexo com a falta de mobilização de artistas que considera amigos. “Não é possível que uma pessoa como o Selton Mello […] não tenha se pronunciado”, afirmou, após mencionar o trabalho do colega em “Ainda Estou Aqui”. Em seguida, também questionou Giovanna Antonelli (“O Clone”), Carolina Dieckmann (“Laços de Família”) e Danton Mello (“Hilda Furacão”), irmão de Selton. “Vocês vão ficar parados olhando para a parede?”, perguntou, ao criticar a falta de participação dos colegas no debate político.
Abreu esclareceu que sua cobrança não exige uma declaração de voto em Lula ou apoio ao PT. O ator pediu que os artistas ao menos condenem o avanço do que identifica como fascismo no Brasil, independentemente de suas preferências partidárias. “Falem sobre o que vocês acham do fascismo que tá querendo tomar conta do país”, insistiu. Na legenda da publicação, reforçou que a omissão não se justifica quando, em sua avaliação, a democracia enfrenta uma ameaça.
Por que ele citou “Ainda Estou Aqui”?
O longa de Walter Salles (“Central do Brasil”) acompanha a luta de Eunice Paiva (Fernanda Torres, “Tapas & Beijos”) após o desaparecimento do marido, Rubens Paiva, ex-deputado interpretado por Selton que foi preso, torturado e assassinado por agentes da ditadura em 1971. A produção conquistou o Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, após se tornar um símbolo da memória histórica sobre a repressão militar brasileira. É justamente a ligação do ator com essa história que motivou a cobrança de José de Abreu.
A preocupação com o futuro do cinema nacional também entrou no pronunciamento. Abreu mencionou o risco de extinção da Agência Nacional do Cinema (Ancine), defendida em um projeto do deputado Capitão Augusto (PL-SP). Apresentado em março, o PL 994/2026 prevê eliminar a agência e transferir suas atribuições ao Ministério da Cultura. A proposta permanece parada na Câmara, mas voltou a circular nas redes após o 1º turno das eleições. Durante o governo Jair Bolsonaro, a Ancine também foi alvo de ameaças de extinção, tentativas de controle ideológico e bloqueios de recursos que paralisaram a produção audiovisual brasileira.
Como exemplos de artistas que decidiram se manifestar, José de Abreu citou a cantora Anitta e a ex-BBB Ana Paula Renault. A referência a Anitta aconteceu no mesmo dia em que ela declarou explicitamente seu voto em Lula, após receber críticas de fãs por rejeitar uma campanha direta em favor do presidente. A cantora afirmou ter subestimado a força do bolsonarismo no 1º turno e passou a defender publicamente a reeleição do petista. O posicionamento foi destacado por Abreu como contraponto à ausência de manifestações dos colegas cobrados em seu vídeo.