
IA Arte/Pipoca Moderna
Globo cede parcialmente a abaixo-assinado por checagem no debate de Lula e Flávio
Após mais de 1,1 milhão de assinaturas, emissora anuncia verificação das declarações pelo g1, mas não exibirá correções na TV
Globo anuncia checagem após pressão popular
A Globo cedeu parcialmente à pressão popular por checagem de fatos no debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para sexta-feira (23/10). Após um abaixo-assinado superar 1,1 milhão de assinaturas, a emissora anunciou nesta quinta (22) que vai verificar as declarações dos candidatos durante o confronto. Entretanto, as correções serão publicadas apenas na internet, sem aparecer na transmissão da TV ou servir para contestar informações falsas durante o debate.
Como vai funcionar a checagem?
A verificação ficará a cargo do Fato ou Fake, serviço do g1 com participação de mais de 30 jornalistas dos veículos do Grupo Globo. As primeiras análises serão publicadas durante o debate, numa operação conjunta que também envolve os jornais O Globo, Extra e Valor Econômico e a rádio CBN. O trabalho continuará pela madrugada para concluir a análise das declarações. A GloboNews exibirá um programa especial com os resultados após o confronto.
A decisão representa uma concessão à mobilização, mas não atende ao pedido central dos organizadores do abaixo-assinado: incorporar as correções à própria transmissão televisiva, para que os espectadores recebam esclarecimentos sem precisar procurar informações em outros canais. A Globo também não adotou mecanismos de advertência ou punição aos candidatos por declarações falsas.
Abaixo-assinado ultrapassa 1 milhão de assinaturas
A campanha foi iniciada na segunda-feira (19) por Rafael Brito, de Curitiba, na plataforma Change.org. Em três dias, a petição passou de 1,1 milhão de assinaturas com a reivindicação de “checagem durante a transmissão, com esclarecimentos exibidos ao público sempre que houver evidências suficientes”, além de critérios iguais para os dois candidatos e correções visíveis e contextualizadas.
Outra iniciativa, organizada por professores, estudantes e ex-alunos da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, reuniu mais de 12,5 mil adesões. A proposta é mais rigorosa: candidatos que apresentarem informações falsas deveriam receber advertências do mediador e, em caso de reincidência, perder parte do tempo de fala.
A mobilização chegou também aos artistas da Globo. Carolina Dieckmann publicou um vídeo na quarta-feira (21) em defesa da checagem ao vivo. A atriz argumentou que os eleitores precisam distinguir informações verdadeiras de mentiras antes de escolher o próximo presidente e pediu aos seguidores que compartilhassem a cobrança.
Mentiras no debate da Band motivaram cobrança
A pressão cresceu depois do primeiro confronto do 2º turno, realizado pela Band no domingo (18). A Agência Lupa verificou 41 declarações dos candidatos e encontrou incorreções em 27 delas. Entre as afirmações falsas, Flávio Bolsonaro declarou que viagens de Lula e da primeira-dama Janja custaram R$ 7 bilhões, enquanto o presidente errou ao afirmar que o PIB brasileiro só voltou a crescer em seu governo.
A campanha de Lula também havia solicitado formalmente à Globo a incorporação da checagem ao debate. O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, defendeu a medida em negociações com a emissora. A Agência Lupa chegou a oferecer uma força-tarefa de verificação à Globo e à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), mas informou na quarta-feira que não havia recebido resposta.
A Lupa fará uma operação independente em parceria com a Folha de S. Paulo. Uma equipe de 20 jornalistas e especialistas utilizará bases de dados públicas e ferramentas de pesquisa para classificar as declarações como verdadeiras, falsas, exageradas ou sem contexto. As análises serão publicadas nos sites das duas organizações, com cinco transmissões pelo Instagram durante os intervalos e após o encerramento do debate.
Quando será o debate da Globo?
O encontro entre Lula e Flávio Bolsonaro começará às 21h20 desta sexta-feira (23), logo após o “Jornal Nacional”, com mediação de César Tralli. A transmissão será feita pela TV Globo, GloboNews, g1 e Globoplay.
O debate terá quatro blocos, três com temas determinados e um de tema livre. Os candidatos poderão circular pelo cenário enquanto estiverem com a palavra, mas deverão permanecer em seus púlpitos durante as intervenções do adversário. No último bloco, cada um terá oito minutos para suas perguntas e respostas.
Será o último confronto televisivo antes do 2º turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25).