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Meta bloqueia vídeo de MC Cabelinho sobre Flávio Bolsonaro
Plataforma retirou novo vídeo "Revelando" a três dias da eleição por suposto uso de inteligência artificial, negado pela produção
Vídeo é derrubado e volta ao Instagram
A Meta retirou do Instagram nesta quinta-feira (22/10) o vídeo de divulgação de “Flavinho de Papai”, novo episódio da série jornalística “Revelando”, apresentado pelo cantor MC Cabelinho sobre Flávio Bolsonaro (PL). A publicação foi bloqueada menos de uma hora depois de entrar no ar, sob a alegação de uso de inteligência artificial, a três dias do 2º turno da eleição presidencial. A equipe negou uso de IA e republicou o material. O episódio completo, de aproximadamente 23 minutos, seguiu intacto no YouTube.
Qual foi a justificativa da Meta?
A empresa alegou que estava cumprindo as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proíbem a publicação de novos conteúdos sintéticos com imagens ou vozes de candidatos e pessoas públicas nas 72 horas anteriores à votação e nas 24 horas posteriores. Segundo a Meta, programas de edição podem inserir marcas digitais de inteligência artificial nos arquivos. “A Meta lê esses sinais automaticamente e, para cumprir a determinação, indisponibiliza esses conteúdos no Brasil”, explicou. Entretanto, a restrição eleitoral só começa à meia-noite desta quinta (22) e vai até segunda-feira (26), às 23h59.
A equipe de “Revelando” também negou o uso de IA na produção ou na finalização do vídeo. “Utilizamos apenas imagens ilustrativas de banco de imagens da Adobe. Nada que afete a veracidade e a apuração dos fatos descritos no episódio”, declarou. Segundo os produtores, a Meta apontou como artificial uma cena do documentário completo em que o cantor aparece diante de um fundo genérico de videochamada, numa sala branca. A imagem sequer estava presente no teaser bloqueado. A equipe também rejeitou a classificação da reportagem como propaganda eleitoral, defendendo que se trata de jornalismo.
O que MC Cabelinho revela sobre Flávio?
O episódio “Flavinho de Papai” é o 8º da série e compara a trajetória profissional de MC Cabelinho à do candidato à Presidência. Criado nas comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, no Rio de Janeiro, o cantor trabalhou como estoquista e montador de persianas antes de alcançar o sucesso na música. Em contraste, Flávio Bolsonaro começou a receber dinheiro público aos 19 anos, como “funcionário fantasma” da Câmara dos Deputados, enquanto seu pai, Jair Bolsonaro, exercia mandato parlamentar.
O vídeo recupera suspeitas de que Flávio receberia sem frequentar o gabinete do pai. Entre dezembro de 2000 e junho de 2002, o atual senador ocupou um cargo comissionado que previa expediente em Brasília, embora cursasse Direito e realizasse estágio presencial no Rio de Janeiro. A reportagem também questiona o discurso de meritocracia de um candidato que nunca trabalhou e suas propostas de redução de gastos públicos em saúde e educação. Cabelinho contrapõe essas ideias à importância das políticas públicas para sua própria ascensão profissional.
Após a derrubada, o cantor reclamou nas redes: “Tropa, derrubaram meu reels (Revelando) mas o episódio continua no YouTube. No link do story vocês conseguem ver! Qual foi @meta?”. O ator e humorista Gregório Duvivier, integrante do projeto, também criticou a plataforma. “Não tem IA nenhuma. Isso é um boicote. O vídeo está muito forte e é por isso que a Meta derrubou ele”, afirmou.
Meta já havia derrubado o perfil de Revelando
O bloqueio repete um episódio ocorrido em 23 de setembro, quando a Meta suspendeu o perfil inteiro de “Revelando” no Instagram após a repercussão de “Grandes Igrejas, Master Negócios”, reportagem apresentada por Fábio Porchat sobre as conexões entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha, Flávio Bolsonaro e outros políticos. Na ocasião, a empresa alegou genericamente que o perfil havia violado suas regras. A conta voltou ao ar horas depois, após uma revisão interna, e a Meta pediu desculpas.
Desde então, a série ampliou sua repercussão com episódios apresentados por Camila Pitanga, Luana Piovani, Juliette e Wagner Moura. Na terça-feira (20), Porchat voltou ao projeto com “República dos Laranjas”, investigação sobre negócios, suspeitas de lavagem de dinheiro e relações políticas envolvendo pessoas próximas de Flávio. A iniciativa é produzida pelo podcast Calma Urgente, em parceria com ICL Notícias, Mídia Ninja e 342 Artes.
A nova restrição também acontece em meio a questionamentos sobre o tratamento dado pela Meta às campanhas presidenciais. Na sexta-feira (16), o TSE determinou que a empresa garantisse igualdade de tratamento entre os candidatos, sob pena de multa diária de R$ 500 mil. A decisão ocorreu após sucessivos bloqueios de conteúdos ligados à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, que a plataforma atribuiu a “falhas técnicas”.
Aberto para posicionamentos
O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.
Veja o vídeo completo.