
Divulgação/Festival do Rio
A Margem do Rio domina Festival do Rio com cinco prêmios
Suspense pernambucano se consagra junto de documentário sobre Elza Soares e "Vicentina Pede Desculpas"
Suspense pernambucano lidera premiação
“A Margem do Rio”, suspense pernambucano que aborda a violência do fundamentalismo religioso contra a população LGBTQIA+, foi o grande vencedor do Festival do Rio 2026. O filme de Enock Carvalho e Matheus Farias conquistou quatro troféus Redentor, incluindo Melhor Longa-Metragem de Ficção, além do Prêmio Felix de Melhor Filme Brasileiro, dedicado ao cinema LGBTQIA+.
Quais foram os prêmios?
A coprodução entre Brasil e Alemanha já havia conquistado o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno, na Suíça, antes de chegar ao Rio, onde também venceu nas categorias de Fotografia, Som e Atriz Coadjuvante, que premiou três intérpretes do filme: Renna Costa, Artia e Ísis Broken.
A cerimônia de encerramento da 28ª edição aconteceu na noite de domingo (11/10), no Cine Odeon, e ainda consagrou o documentário “Elza”, de Eryk Rocha, sobre Elza Soares, e “Vicentina Pede Desculpas”, novo longa de Gabriel Martins, com três troféus.
Qual a história de A Margem do Rio?
Ambientado nos manguezais do Recife, o longa acompanha Izaquiel (Caique Copque), auxiliar de serviços gerais que de dia trabalha na limpeza de uma igreja neopentecostal e à noite procura encontros homossexuais clandestinos. Sua vida muda quando conhece Jeremias (Ítalo Martins), um pescador misterioso que o conduz às profundezas do mangue, onde desejo, violência e elementos sobrenaturais se misturam.
A trama combina suspense, erotismo e realismo mágico para abordar a repressão religiosa à sexualidade. Durante um debate no festival, Matheus Farias contou que passou 20 anos dentro de uma igreja, onde exerceu funções de liderança enquanto enfrentava conflitos sobre sua identidade sexual. A experiência inspirou a construção do ambiente religioso do filme.
O longo também chama atenção por seu elenco diversificado, com destaque para as coadjuvantes premiadas por sua performance. Renna Costa, Artia Lauandah e Ísis Broken (que ficou conhecida por interpretar Corina Castello na novela “No Rancho Fundo”) interpretam Sophia, Mica e Juliana, três mulheres trans e travestis que dividem a casa com o protagonista Izaquiel e formam sua família escolhida.
Quais foram os atores premiados?
As três coadjuvantes de “A Margem do Rio” não foram as únicas a dividir o troféu Redentor. O prêmio de Melhor Atriz terminou empatado entre Isabel Teixeira, por “Diário do Fogo”, e Grace Passô, por “A Professora de Francês”. Este último também rendeu a Pedro Goifman o troféu de Melhor Ator Coadjuvante e venceu na categoria de Trilha Sonora Original.
Já Victor di Marco conquistou o prêmio de Melhor Ator por “London”, que codirigiu com Márcio Picoli. A produção, que já tinha sido vencedora do Queer Lion na Semana da Crítica do Festival de Veneza, também recebeu o troféu de Figurino e foi escolhida como Melhor Filme Brasileiro pela Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci).
Outros destaques do festival
O prêmio de Melhor Documentário ficou com “Elza”, de Eryk Rocha, que estreou mundialmente no festival. A produção reconstrói a trajetória de Elza Soares, morta em 2022, a partir de sua própria voz, combinada a registros históricos, apresentações musicais e imagens de filmes brasileiros. Em vez de recorrer a uma narração biográfica convencional, o filho de Glauber Rocha transforma os depoimentos da cantora em um diário sobre suas experiências, sua relação com a música e as transformações do Brasil ao longo de quase um século.
“Vicentina Pede Desculpas”, do diretor de “Marte Um” (2022), levou os troféus de Melhor Direção de Ficção e Melhor Roteiro, além de ser eleito Melhor Longa de Ficção pelo Voto Popular. O drama da Netflix acompanha uma professora aposentada de 75 anos, interpretada por Rejane Faria, que perde o filho em um acidente de ônibus. Diante de suspeitas de que o motorista, seu próprio filho, teria provocado a tragédia deliberadamente, ela decide procurar as famílias das outras vítimas para pedir perdão.
Produzido pela Filmes de Plástico, “Vicentina Pede Desculpas” já havia passado pelos festivais de Toronto e San Sebastián e foi escolhido para representar o Brasil na disputa pelo Prêmio Goya 2027. O longa estreia em cinemas selecionados em 5 de novembro e chega à Netflix no dia 20 do mesmo mês.
Segundo filme queer sobre Igreja
Curiosamente, o tema de “A Margem do Rio” ainda encontrou eco na disputa entre os curtas. O filme “Santo”, de Maria Luísa Alves, que venceu a categoria, aborda a aproximação entre dois entregadores, sendo um deles ligado a uma igreja neopentecostal.
Novos talentos e homenagens
Na mostra Novos Rumos, dedicada a cineastas emergentes, “Não Estamos Sonhando”, de Ulisses Arthur, foi eleito Melhor Longa-Metragem. A produção também rendeu a Pedro Leão o prêmio de Melhor Ator. “O Deserto de Luiza”, de Alan Minas, conquistou o voto popular e o troféu de Melhor Atriz para Nina Prado, enquanto Thais Fujinaga venceu em Direção por “Talismã”.
A cerimônia ainda homenageou Guilherme Terreri, conhecido pela personagem drag Rita Von Hunty, com o Prêmio Suzy Capó de Personalidade do Ano, dedicado a figuras de destaque na cultura LGBTQIA+.
O Festival do Rio exibiu 101 produções brasileiras nesta edição, das quais 45 participaram das competições oficiais. Os vencedores foram escolhidos por júris especializados e pelo público, em diferentes mostras.
Confira os vencedores do Festival do Rio 2026
PRÊMIÈRE BRASIL — JÚRI OFICIAL
Melhor Longa-Metragem de Ficção
“A Margem do Rio”, de Enock Carvalho e Matheus Farias
Melhor Longa-Metragem Documentário
“Elza”, de Eryk Rocha
Melhor Curta-Metragem
“Santo”, de Maria Luísa Alves
Melhor Direção de Ficção
Gabriel Martins, por “Vicentina Pede Desculpas”
Melhor Direção de Documentário
Camila Valença, por “Cão Sem Plumas”
Melhor Ator
Victor di Marco, por “London”
Melhor Atriz (empate)
Isabel Teixeira, por “Diário do Fogo”
Grace Passô, por “A Professora de Francês”
Melhor Ator Coadjuvante
Pedro Goifman, por “A Professora de Francês”
Melhor Atriz Coadjuvante
Renna Costa, Artia e Ísis Broken, por “A Margem do Rio”
Melhor Roteiro
“Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins
Melhor Montagem (empate)
Cristina Amaral, Fabio Meira e Juliano Castro, por “A Extraordinária Vida de Vera Valdez”
Cristiane Oliveira e Tula Anagnostopoulos, por “Ela Foi Ali Guardar o Coração na Geladeira”
Melhor Fotografia
Luciana Baseggio, por “A Margem do Rio”
Melhor Direção de Arte
Ana Paula Cardoso, por “Funk”
Melhor Figurino
Samy Sill, por “London”
Melhor Som
Moabe Filho, Guma Farias, Daniel Turini e João Victor Coura, por “A Margem do Rio”
Melhor Trilha Sonora Original
Florencia Di Concilio, por “A Professora de Francês”
Prêmio Especial do Júri
“O Filho da Puta”, de Erica Maradona, Tania Anaya, Otto Guerra e Sávio Leite
Melhor Longa de Ficção — Voto Popular
“Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins
Melhor Longa Documentário — Voto Popular
“Fui Olhar Você Dormir”, de Anna Azevedo
Premiados da mostra Novos Rumos
Melhor Longa-Metragem
“Não Estamos Sonhando”, de Ulisses Arthur
Melhor Curta-Metragem
“Ondas de Silêncio”, de Caio J. Bonfim
Melhor Direção
Thais Fujinaga, por “Talismã”
Melhor Atriz
Nina Prado, por “O Deserto de Luiza”
Melhor Ator
Pedro Leão, por “Não Estamos Sonhando”
Prêmio Especial do Júri
Elenco de “Um Domingo”, de Maíra Bühler e Rô Albuquerque
Melhor Longa-Metragem — Voto Popular
“O Deserto de Luiza”, de Alan Minas
Vencedores do Prêmio Felix
Melhor Filme Brasileiro
“A Margem do Rio”, de Enock Carvalho e Matheus Farias
Melhor Filme Internacional
“Em Segredo”, de Leyla Bouzid
Melhor Documentário
“Pai e Pai”, de Jake Witzenfeld
Prêmio Especial do Júri
“Morfeu e Caronte”, de Jocimar Dias Jr. e Luiz Ulian
Menção Honrosa
“Elefantes na Névoa”, de Abinash Bikram Shah
Outros prêmios do festival
Prêmio Fipresci — Melhor Filme Brasileiro
“London”, de Victor di Marco e Márcio Picoli
Prêmio Fipresci — Melhor Filme Latino
“Seis Meses no Prédio Rosa e Azul”, de Bruno Santamaría Razo
Prêmio Aquisição TV Globo
“Maria Vitória”, de Mário Patrocínio
Prêmio Aquisição Telecine
“Seis Meses no Prédio Rosa e Azul”, de Bruno Santamaría Razo
Prêmio da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira (ACIE)
“Me Deixa Ser”, de Viviane D’Avilla
Menção Honrosa da ACIE
“144 – Apocalipse Não”, de João Paulo Cuenca
Prêmio Suzy Capó — Personalidade do Ano
Rita Von Hunty / Guilherme Terreri