PIPOCAMODERNA
Pipoca Moderna
  • Filme
  • Série
  • Reality
  • TV
  • Música
  • Etc
  • Filme
  • Série
  • Reality
  • TV
  • Música
  • Etc

Procurar

Páginas

  • #336835 (sem título)
  • Anuncie na Pipoca Moderna
  • Política de Privacidade e Proteção de Dados – Pipoca Moderna
  • Termos de Serviço

Arquivos

  • outubro 2026
  • setembro 2026
  • agosto 2026
  • julho 2026
  • junho 2026
  • maio 2026
  • abril 2026
  • março 2026
  • fevereiro 2026
  • janeiro 2026
  • dezembro 2025
  • novembro 2025
  • outubro 2025
  • setembro 2025
  • agosto 2025
  • julho 2025
  • junho 2025
  • maio 2025
  • abril 2025
  • março 2025
  • fevereiro 2025
  • janeiro 2025
  • dezembro 2024
  • novembro 2024
  • outubro 2024
  • setembro 2024
  • agosto 2024
  • julho 2024
  • junho 2024
  • maio 2024
  • abril 2024
  • março 2024
  • fevereiro 2024
  • janeiro 2024
  • dezembro 2023
  • novembro 2023
  • outubro 2023
  • setembro 2023
  • agosto 2023
  • julho 2023
  • junho 2023
  • maio 2023
  • abril 2023
  • março 2023
  • fevereiro 2023
  • janeiro 2023
  • dezembro 2022
  • novembro 2022
  • outubro 2022
  • setembro 2022
  • agosto 2022
  • julho 2022
  • junho 2022
  • maio 2022
  • abril 2022
  • março 2022
  • fevereiro 2022
  • janeiro 2022
  • dezembro 2021
  • novembro 2021
  • outubro 2021
  • setembro 2021
  • agosto 2021
  • julho 2021
  • junho 2021
  • maio 2021
  • abril 2021
  • março 2021
  • fevereiro 2021
  • janeiro 2021
  • dezembro 2020
  • novembro 2020
  • outubro 2020
  • setembro 2020
  • agosto 2020
  • julho 2020
  • junho 2020
  • maio 2020
  • abril 2020
  • março 2020
  • fevereiro 2020
  • janeiro 2020
  • dezembro 2019
  • novembro 2019
  • outubro 2019
  • setembro 2019
  • agosto 2019
  • julho 2019
  • junho 2019
  • maio 2019
  • abril 2019
  • março 2019
  • fevereiro 2019
  • janeiro 2019
  • dezembro 2018
  • novembro 2018
  • outubro 2018
  • setembro 2018
  • agosto 2018
  • julho 2018
  • junho 2018
  • maio 2018
  • abril 2018
  • março 2018
  • fevereiro 2018
  • janeiro 2018
  • dezembro 2017
  • novembro 2017
  • outubro 2017
  • setembro 2017
  • agosto 2017
  • julho 2017
  • junho 2017
  • maio 2017
  • abril 2017
  • março 2017
  • fevereiro 2017
  • janeiro 2017
  • dezembro 2016
  • novembro 2016
  • outubro 2016
  • setembro 2016
  • agosto 2016
  • julho 2016
  • junho 2016
  • maio 2016
  • abril 2016
  • março 2016
  • fevereiro 2016
  • janeiro 2016
  • dezembro 2015
  • novembro 2015
  • abril 2013
  • fevereiro 2011

Instagram/Filipe Bragança

Filme|29 de outubro de 2026

Guia da Pipoca: Cinema brasileiro domina estreias da semana com ingressos a R$ 12

Promoção acompanha lançamento de "100 Dias", de Carlos Saldanha, e mais três novidades nacionais nos cinemas

O cinema brasileiro domina as estreias desta quinta (29/10), lideradas por “100 Dias”, aventura de Carlos Saldanha sobre a travessia de Amyr Klink pelo Atlântico. A programação nacional também traz dois dramas juvenis e uma fantasia sobre a burocracia da vida eterna. A quantidade de títulos coincide com o Festival do Cinema Brasileiro, promoção de ingressos a R$ 12 para produções do país nas redes participantes até 4 de novembro.

Já a lista de atrações internacionais destaca “O Bosque Selvagem”, nova animação do estúdio Laika, que divide espaço com uma adaptação de Jane Austen, ação hollywoodiana com Rodrigo Santoro, o novo drama de Paweł Pawlikowski e um documentário sobre o Everest. Para completar, as salas ainda recebem o Festival de Cinema Francês do Brasil. Confira os detalhes.

Pipoque pelo Texto ocultar
1 🎞️ 100 DIAS
2 🎞️ AS DEZ VANTAGENS DE MORRER DEPOIS DE VOCÊ
3 🎞️ MEDLEY
4 🎞️ CARTÓRIO DAS ALMAS
5 🎞️ O BOSQUE SELVAGEM
6 🎞️ RAZÃO E SENSIBILIDADE
7 🎞️ TRÊS HORAS PARA VIVER
8 🎞️ A TERRA DO MEU PAI
9 🎞️ EVEREST: O OUTRO LADO
10 🎞️ FESTIVAL DE CINEMA FRANCÊS DO BRASIL
11 Mais Pipoca

🎞️ 100 DIAS

O diretor Carlos Saldanha, responsável pelos sucessos internacionais de animação “Rio” e “A Era do Gelo”, troca os personagens digitais por uma história real de resistência física e psicológica. Seu novo filme recria a travessia solitária do navegador Amyr Klink pelo Atlântico Sul, realizada em 1984 num pequeno barco a remo ao longo de uma jornada de quase 7 mil quilômetros entre a África e o Brasil. Filipe Bragança (“Coração Acelerado”) interpreta Klink na adaptação do livro autobiográfico “Cem Dias Entre Céu e Mar”, que mistura a aventura marítima com lembranças familiares e episódios da formação do explorador. O ator enfrentou preparação física intensa e treinamento em remo e navegação para assumir o papel.

O filme mostra como, aos 28 anos, Amyr partiu da costa da Namíbia determinado a realizar uma travessia considerada impraticável. Sozinho numa embarcação especialmente projetada para a viagem, enfrenta tempestades, problemas de navegação, exaustão física e a possibilidade permanente de morrer no oceano. Durante os meses de isolamento, as dificuldades despertam recordações da infância, dos conflitos com o pai (Felipe Camargo) e das escolhas que o levaram a buscar uma experiência tão arriscada. A narrativa alterna os acontecimentos no mar com passagens do passado, enquanto a chegada à costa brasileira se torna uma possibilidade cada vez mais concreta.

As lembranças interrompem ocasionalmente o isolamento que constitui o elemento mais forte do filme e permitem sustentar uma história cujo desfecho é conhecido, com um protagonista que passa grande parte do tempo sozinho diante da imensidão do oceano. Saldanha utiliza a escala das paisagens e a vulnerabilidade da embarcação para estabelecer a narrativa, enquanto a interpretação de Bragança procura dar dimensão humana à resistência do navegador.


🎞️ AS DEZ VANTAGENS DE MORRER DEPOIS DE VOCÊ

Duas cantoras que conquistaram o público adolescente se encontram no cinema para uma história sobre amizade, morte e recomeços. Any Gabrielly, ex-integrante do Now United, e Giulia Be (“Depois do Universo”) protagonizam a adaptação do romance de Fernanda de Castro Lima, que parte de uma situação trágica para desenvolver uma jornada de amadurecimento.

Gabi (Any Gabrielly) e Julia (Giulia Be) são inseparáveis desde a infância, apesar de terem personalidades opostas. Enquanto Gabi é tímida, cautelosa e teme experiências desconhecidas, Julia é extrovertida e está sempre disposta a experimentar novidades. A amizade sofre uma interrupção brutal quando Julia morre após um acidente de carro, deixando dez cartas com missões que a amiga deverá cumprir, visando ajudá-la a aproveitar a vida. Os desafios incluem situações que Gabi jamais enfrentaria espontaneamente, desde cantar em público até se permitir novas experiências amorosas. Com a ajuda de Lorena (Pâmela Germano), ela começa a cumprir os pedidos, enquanto tenta reconstruir uma vida que parecia impossível sem a presença de Julia. Sheron Menezzes (“Vai na Fé”) e Paulo Lessa (“Terra e Paixão”) interpretam seus pais.

O filme utiliza a estrutura dos desafios para transformar o processo de luto numa sucessão de descobertas, alternando situações cômicas e momentos de maior carga emocional. A amizade entre as protagonistas sustenta a narrativa, mesmo depois que uma delas deixa de participar diretamente dos acontecimentos. A influência do cinema romântico adolescente aparece na maneira como novas relações e experiências ajudam Gabi a enfrentar seus medos.

O drama de Diego Freitas (“Depois do Universo”) evoca os dramas juvenis de superação, mas também enfrenta os limites da fórmula, que transforma o sofrimento numa oportunidade quase programada de crescimento pessoal. A condução sentimental do cineasta privilegia a identificação com as personagens e a mensagem de valorização da vida, sem dar relevância às contradições mais difíceis do luto.


🎞️ MEDLEY

Mel Maia (“Os Donos do Jogo”) interpreta uma adolescente cuja carreira promissora na natação esbarra em traumas familiares. Dirigida por Ana Luiza Azevedo (“Antes que o Mundo Acabe”), a história de amadurecimento ambientada nos anos 1990 adapta o livro “Medley ou Os Dias em que Aprendi a Voar”, de Keka Reis, que também assina o roteiro. A produção utiliza a prática esportiva para representar os conflitos emocionais de uma jovem dividida entre a pressão por resultados e a necessidade de compreender acontecimentos do próprio passado.

Lola (Maia) tem 16 anos, acumula medalhas e demonstra talento nas piscinas, mas não consegue executar corretamente o estilo borboleta. O bloqueio está associado a lembranças dolorosas da infância, à ausência misteriosa do pai e ao relacionamento difícil com a mãe, interpretada por Mariana Lima (“Os Outros”). Depois de uma discussão familiar, decide passar as férias numa cidade do interior do Rio de Janeiro, onde conhece novos amigos e acaba integrando uma equipe de natação que enfrenta dificuldades. Enquanto se prepara para uma competição, a adolescente experimenta o primeiro amor, constrói novas relações e começa a investigar o desaparecimento paterno.

A ambientação dos anos 1990 e a rotina de treinamentos ajudam a distinguir o filme de outros dramas juvenis sobre conflitos familiares. A água funciona como elemento central dessa construção: Lola domina o ambiente das piscinas, mas carrega um bloqueio que a impede de completar uma das provas. O obstáculo esportivo se relaciona diretamente às lembranças que ela procura evitar.

A produção encontra força no cotidiano dos adolescentes, nas relações de amizade e na interpretação de Maia, mas trata com excessiva rapidez algumas revelações familiares que exigiriam maior desenvolvimento emocional. O roteiro reúne amadurecimento, romance, trauma e superação num percurso bastante convencional, frequentemente interessado em resolver seus conflitos em vez de explorar sua complexidade. A natação oferece uma identidade visual ao drama, que nem sempre consegue mergulhar nos problemas propostos pela história.


🎞️ CARTÓRIO DAS ALMAS

Num futuro em que a humanidade descobriu como interromper o envelhecimento, morrer deixou de ser uma fatalidade para se tornar uma escolha burocrática. Essa é a premissa da fantasia brasileira escrita e dirigida por Leo Bello (“O Espaço Infinito”), que transforma uma repartição pública no lugar onde as pessoas precisam justificar a decisão de abandonar a vida eterna. Filmado inteiramente em Brasília, o longa utiliza a arquitetura modernista da capital e as paisagens do Cerrado para criar uma distopia sobre longevidade, trabalho e liberdade individual.

Laura (Gabriela Correa) tem 126 anos e acaba de conseguir emprego no Cartório das Almas, responsável por registrar os pedidos de pessoas que decidiram encerrar suas existências. Sua função consiste em ouvir os interessados, documentar suas razões e autorizar os procedimentos de transmutação, sem emitir julgamentos. O contato com diferentes histórias, entretanto, começa a modificar a relação da funcionária com a própria imortalidade. Presa a um contrato que a impede de interromper sua existência, Laura descobre que o direito de escolher a morte não é concedido igualmente a todos.

A utilização de uma repartição como cenário da vida eterna aproxima a obra da tradição de sátiras burocráticas do cinema fantástico. A imortalidade não surge como uma conquista gloriosa, mas como uma obrigação que pode se tornar insuportável quando o cotidiano perde qualquer perspectiva de transformação. A contradição entre uma sociedade aparentemente livre da morte e uma protagonista impedida de decidir sobre o próprio destino oferece o principal conflito político do filme.

Vencedor do Candango de Melhor Longa-Metragem pelo júri popular do Festival de Brasília de 2023, o projeto também foi premiado por suas realizações técnicas. A ambientação tem papel decisivo na construção desse futuro, embora a quantidade de conceitos e regras nem sempre encontre desenvolvimento suficiente nos 77 minutos de duração.


🎞️ O BOSQUE SELVAGEM

O estúdio Laika, responsável por “Coraline e o Mundo Secreto”, “Kubo e as Cordas Mágicas” e outras obras impactantes de animação em stop-motion, retorna aos cinemas com sua produção mais ambiciosa. O filme dirigido por Travis Knight, o diretor de “Kubo”, adapta um romance de fantasia escrito por Colin Meloy, vocalista da banda The Decemberists, que mistura criaturas fantásticas, conflitos políticos e elementos sombrios dos contos de fadas.

Prue McKeel tem 13 anos e vive em Portland, nos Estados Unidos, quando seu irmão mais novo é sequestrado por uma revoada de corvos. Determinada a recuperá-lo, atravessa os limites de uma floresta proibida, conhecida como Bosque Selvagem, acompanhada pelo colega Curtis. A região esconde um mundo habitado por animais falantes, bandidos e facções que disputam o controle do território. A dupla descobre que o sequestro está ligado aos planos de uma feiticeira e acaba envolvida numa guerra que ultrapassa a missão inicial de resgate. Na dublagem brasileira, Giulia Benite (a Mônica da “Turma da Mônica” live-action) interpreta Prue.

A dimensão artesanal é o grande diferencial. A Laika utiliza a técnica de animação quadro a quadro para construir batalhas, florestas, criaturas e cidades, numa escala incomum para produções realizadas com bonecos. O resultado combina a atmosfera gótica de “Coraline” com a fantasia épica de histórias como “O Senhor dos Anéis” e “Princesa Mononoke”, sem suavizar a violência e as consequências enfrentadas pelos personagens.

A riqueza visual e a complexidade do universo fantástico sustentam uma aventura que, por vezes, sofre com o excesso de acontecimentos e personagens. As disputas políticas da floresta exigem longas explicações, retardando a busca pelo irmão desaparecido. Ainda assim, a qualidade da animação e a disposição de apresentar situações genuinamente perigosas afastam o filme das fantasias infantis mais previsíveis. Com 99% de aprovação no Rotten Tomatoes, a produção se destaca como uma demonstração do potencial artístico do stop-motion num mercado cada vez mais dominado pela animação digital, e praticamente garante sua presença na disputa do Oscar 2027 de Melhor Animação.


🎞️ RAZÃO E SENSIBILIDADE

Mais de 30 anos depois da adaptação de Ang Lee, que rendeu o Oscar de Roteiro a Emma Thompson, o romance de Jane Austen ganha uma nova versão cinematográfica. Daisy Edgar-Jones (“Twisters”) e Esmé Creed-Miles (“Hanna”) interpretam Elinor e Marianne Dashwood, irmãs de diferentes temporamentos que protagonizam a história publicada originalmente em 1811.

Após a morte do pai, as irmãs Dashwood perdem a segurança financeira e precisam deixar a propriedade familiar, herdada por um parente do sexo masculino. Elinor (Edgar-Jones), mais velha e pragmática, procura manter a estabilidade emocional da família, mesmo apaixonada por um homem comprometido com outra mulher. Marianne (Creed-Miles), impulsiva e romântica, acredita na entrega absoluta aos sentimentos e se envolve com um pretendente cuja conduta coloca suas convicções à prova. Enquanto as duas enfrentam frustrações amorosas, a mãe tenta assegurar o futuro das filhas numa sociedade em que casamento e patrimônio estão profundamente ligados.

A nova adaptação desloca parte da atenção dos romances para a relação entre as irmãs, que representam formas diferentes de enfrentar a mesma condição de vulnerabilidade social. Elinor não é incapaz de sentir, mas aprendeu a esconder emoções que poderiam comprometer sua posição. Marianne, por sua vez, descobre os riscos de uma liberdade sentimental que o ambiente social não permite às mulheres exercer plenamente.

A diretora Georgia Oakley (“Blue Jean”) trabalha essa oposição com interpretações contidas e uma ambientação rural que privilegia os gestos e os silêncios. A versão preserva o humor e a crítica social de Austen, embora encontre dificuldades para escapar completamente da comparação com o filme de Ang Lee.


🎞️ TRÊS HORAS PARA VIVER

Alan Ritchson, protagonista de “Reacher”, assume outra missão praticamente impossível num thriller de ação que coloca uma entrega médica no centro de uma perseguição criminosa. Dirigido por Scott Waugh (“Os Mercenários 4”), o filme combina o porte físico e as habilidades de combate do ator com o humor de Owen Wilson (“Loki”), enquanto Rodrigo Santoro (“O Filho de Mil Homens”) aparece como o vilão determinado a impedir a dupla de cumprir sua missão. O resultado segue a tradição das aventuras de ação construídas em torno de um prazo fatal.

Hank Malone (Ritchson) é um ex-militar especializado no transporte de cargas de alto risco. Sua nova missão parece simples: entregar um fígado destinado ao transplante de uma menina de sete anos. O problema surge quando Damián Zaldívar (Santoro), líder de uma poderosa organização criminosa, decide tomar o órgão para seus próprios interesses. Ao lado de Ben Bishop (Wilson), responsável por proteger a carga, Hank precisa atravessar uma sucessão de emboscadas, confrontos armados e perseguições automobilísticas antes que o prazo de três horas torne o transplante inviável.

A experiência de Waugh como dublê influencia diretamente a encenação, com preferência por perseguições e efeitos práticos. O diretor chega a utilizar um carro partido ao meio numa das sequências, numa tentativa de recuperar o impacto físico de produções de ação menos dependentes de computação gráfica. A diferença de temperamento entre Ritchson e Wilson também introduz momentos de humor entre os confrontos.

A urgência do transplante oferece uma justificativa dramática para a sucessão de perigos, mas o roteiro opera dentro de convenções bastante conhecidas. Os criminosos funcionam principalmente como obstáculos, enquanto a habilidade quase ilimitada do protagonista reduz a imprevisibilidade dos confrontos.


🎞️ A TERRA DO MEU PAI

O diretor polonês Paweł Pawlikowski, vencedor do Oscar por “Ida” e também responsável por “Guerra Fria”, retorna à Europa do pós-guerra para acompanhar uma viagem do escritor Thomas Mann por uma Alemanha dividida entre os interesses americanos e soviéticos. Com Sandra Hüller (“Anatomia de uma Queda”) e Hanns Zischler (“Munique”), o drama utiliza um episódio da vida do vencedor do Nobel de Literatura para examinar a dificuldade de reconstruir a identidade nacional depois do nazismo. A produção, que estreou na competição do Festival de Cannes, mantém a fotografia em preto e branco e o formato de tela quase quadrado dos trabalhos anteriores do cineasta.

Em 1949, Thomas Mann (Zischler) retorna à Alemanha após 16 anos de exílio nos Estados Unidos. Acompanhado pela filha Erika (Hüller), atriz, escritora e ativista política, atravessa o país para participar de homenagens ao centenário de Goethe. A viagem começa em Frankfurt, sob influência americana, e segue até Weimar, controlada pelos soviéticos. Ao longo do percurso, os dois encontram autoridades interessadas em utilizar o prestígio do escritor para legitimar seus respectivos governos, enquanto antigos colaboradores do nazismo procuram se apresentar como representantes de uma Alemanha renovada. A presença de Erika também desperta conflitos familiares, especialmente em torno do irmão Klaus (August Diehl), cuja trajetória revela outras consequências do exílio.

O roteiro ficcionaliza acontecimentos históricos para estabelecer um paralelo entre as divisões políticas do país e as dificuldades afetivas da família Mann. O escritor conserva o prestígio intelectual, mas enfrenta acusações contraditórias de traição e oportunismo. Erika, por sua vez, demonstra menos disposição para aceitar a reabilitação de personagens associados ao passado nazista.

Pawlikowski utiliza enquadramentos rígidos, silêncios e diálogos econômicos para representar uma sociedade incapaz de lidar abertamente com suas responsabilidades. A interpretação de Hüller oferece um contraponto à postura distante de Zischler, numa relação em que admiração e ressentimento convivem sem possibilidade de reconciliação simples.

O filme encontra sua força na maneira como transforma uma viagem relativamente breve numa discussão sobre memória histórica e responsabilidade moral. Com 93% de aprovação no Rotten Tomatoes, a produção reafirma a capacidade de Pawlikowski de combinar rigor formal e densidade política sem recorrer a explicações excessivas.


🎞️ EVEREST: O OUTRO LADO

Vencedores do Oscar de Documentário por “Free Solo”, Elizabeth Chai Vasarhelyi e Jimmy Chin retornam ao montanhismo extremo para registrar uma das expedições mais arriscadas já realizadas no Everest. Desta vez, o desafio não consiste apenas em alcançar o cume, mas em descer de esqui pela face norte direta da montanha, uma rota praticamente vertical que ninguém havia conseguido completar. O filme acompanha os alpinistas americanos Jim Morrison e Hilaree Nelson, casal unido pela paixão pelo esporte e por experiências anteriores de perdas familiares.

Morrison e Nelson compartilham o sonho de realizar a descida inédita, enfrentando temperaturas extremas, avalanches e dificuldades de aclimatação numa região considerada uma das mais perigosas do Himalaia. A preparação envolve equipes especializadas e anos de planejamento, mas a história sofre uma reviravolta trágica quando Hilaree morre em 2022, durante uma expedição ao Monte Manaslu, no Nepal. Devastado pela perda, Jim decide retomar o projeto como forma de homenagear a companheira. Sua tentativa de completar a travessia em 2025 passa a representar tanto um desafio esportivo quanto uma maneira de lidar com o luto.

A experiência de Chin como alpinista e fotógrafo permite acompanhar a expedição a partir de uma perspectiva raramente alcançada em documentários de natureza. Câmeras instaladas nos equipamentos dos atletas, imagens aéreas e registros realizados em condições extremas oferecem uma dimensão concreta dos riscos, enquanto vídeos domésticos e depoimentos recuperam a relação pessoal entre os protagonistas.

O documentário da National Geographic encontra sua maior força na tensão entre o desejo de superar limites e as consequências de uma atividade que já provocou perdas irreparáveis na vida dos envolvidos. A decisão de Morrison de continuar o projeto também levanta uma questão incômoda: até que ponto a busca por uma conquista extraordinária representa uma homenagem à pessoa perdida ou a impossibilidade de abandonar uma obsessão?

A montagem combina o espetáculo visual das montanhas com momentos de dor e vulnerabilidade, evitando transformar completamente a aventura numa celebração heroica.


🎞️ FESTIVAL DE CINEMA FRANCÊS DO BRASIL

O cinema francês ocupa espaço nas salas brasileiras com a 17ª edição do festival dedicado à produção recente do país, reunindo 21 títulos entre lançamentos inéditos e clássicos restaurados. A programação percorre diferentes gêneros, de comédias populares a dramas políticos, documentários e filmes históricos, além de promover sessões especiais e encontros com artistas. Entre os destaques estão “O Beijo Elétrico”, de Pierre Salvadori, que abriu o Festival de Cannes deste ano, e “A Ilustre Desconhecida”, com Isabelle Huppert, sobre uma figurante que tenta conquistar reconhecimento profissional.

A seleção também reúne “O Sentido da Vida”, de Ryusuke Hamaguchi, estrelado por Virginie Efira e Tao Okamoto, premiadas pela interpretação em Cannes, e “De Gaulle: A França Livre”, produção histórica dividida em duas partes, dirigida por Antonin Baudry (“O Chamado do Lobo”). O projeto sobre o general francês ultrapassou 5 milhões de espectadores em seu país de origem e representa um dos maiores sucessos recentes do cinema francês. Outras atrações incluem uma nova versão de “O Fantasma da Ópera”, com Deva Cassel, “A Casa das Mulheres”, com Karin Viard, e “O Canto da Floresta”, documentário ambiental de Vincent Munier.

O festival ainda recupera dois clássicos: “A Grande Escapada”, com Louis de Funès e Bourvil, um dos maiores sucessos populares da história do cinema francês, e a animação “O Rei e o Pássaro”, de Paul Grimault, obra que influenciou cineastas japoneses como Hayao Miyazaki.

A diversidade da programação contraria a associação automática do cinema francês a dramas intimistas e produções exclusivamente autorais. Há espaço tanto para o espetáculo histórico e a comédia comercial quanto para filmes experimentais e discussões políticas contemporâneas. A seleção oferece uma oportunidade de acompanhar tendências de uma indústria que mantém uma produção nacional expressiva e uma relação própria com os grandes circuitos de exibição. A programação e as salas participantes podem ser consultadas no site oficial do festival.

Mais Pipoca

Guia da Pipoca: Dexter, zumbis e terror marcam streaming no Halloween Guia da Pipoca: Primeiro terror da DC e super-herói brasileiro estreiam no cinema Guia da Pipoca: “Michael”, “Moana” e “Lupin 4” chegam ao streaming Guia da Pipoca: Cinemas recebem Street Fighter, sátiras ácidas e maratona de Jogos Vorazes

Pipoca Moderna

Acompanhe Pipoca Moderna (pipocamoderna.com.br) para mais notícias de entretenimento.

@Pipoca Moderna 2025
Privacidade | Cookies | Facebook | X | Bluesky | Flipboard | Anuncie