
Divulgação/Warner Bros.
Cara-de-Barro lidera bilheterias com US$ 43 milhões na estreia mundial
Terror da DC arrecada US$ 43 milhões mundiais, documentário surpreende em 2º lugar e “Street Fighter” despenca
DC conquista liderança com filme de terror
“Cara-de-Barro” estreou no topo das bilheterias dos Estados Unidos e Canadá com US$ 24 milhões arrecadados entre sexta-feira (23/10) e domingo (25/10). O terror do DC Studios também faturou US$ 19 milhões em outros países, alcançando uma abertura mundial de US$ 43 milhões. O resultado representa um começo favorável para a produção de orçamento reduzido, que custou em torno de US$ 40 milhões para ser filmada.
Por que o resultado é importante para a DC?
Dirigido por James Watkins (“Não Fale o Mal”) por uma fração dos valores investidos nos grandes filmes de super-heróis, a transformação de um vilão menos conhecido do Batman em monstro de filme de terror corporal recebeu nota A- dos espectadores consultados pelo CinemaScore, avaliação incomum para filmes de horror. A crítica também aprovou, com 75% de média no Rotten Tomatoes.
A estreia oferece uma perspectiva comercial positiva para a Warner Bros., que acumulou prejuízos com produções caras como “Supergirl” e “Digger” em 2026. Embora ainda precise sustentar sua arrecadação nas próximas semanas, “Cara-de-Barro” demonstra o potencial de explorar personagens dos quadrinhos com investimentos menores. O resultado reforça a estratégia anunciada por Peter Safran, copresidente do DC Studios, de desenvolver outras produções do mesmo porte, com personagens menos conhecidos e propostas de gêneros diferentes.
Documentário sobre Elizabeth Holmes surpreende
O grande fenômeno do fim de semana, entretanto, foi “Tudo Pode Ser Visto” (You Can See Everything), documentário de Nathan Fielder e Lance Oppenheim sobre Elizabeth Holmes, fundadora da fraudulenta empresa de biotecnologia Theranos. Em 2º lugar no ranking, o longa arrecadou US$ 19,5 milhões em seu 2º fim de semana, crescimento de 23% em relação à estreia, e chegou a aproximadamente US$ 45 milhões acumulados nos Estados Unidos e Canadá. A expansão de 855 para 2.655 salas ajudou o filme a desafiar a produção da DC pela liderança.
O desempenho é especialmente expressivo para um documentário de quase três horas. A produção acompanha Holmes nos 34 dias anteriores à sua prisão e transforma o registro de seus últimos dias em liberdade numa investigação sobre manipulação, fama e mentira. Condenada por fraudar investidores, a empresária protagonizou um dos maiores escândalos do Vale do Silício. O filme abriu com US$ 15,6 milhões em apenas 855 cinemas na semana anterior, atraindo um interesse incomum para o gênero.
A repercussão também chegou ao Brasil. A Sony Pictures confirmou o lançamento comercial de “Tudo Pode Ser Visto” para 26 de novembro, mas o público brasileiro terá uma oportunidade de assisti-lo antes: o documentário será exibido em 29 de outubro como filme de encerramento da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
Como ficaram os demais filmes?
A estreia da animação em stop-motion “O Bosque Selvagem” (Wildwood) ficou em 3º lugar com aproximadamente US$ 11,2 milhões. Dirigido por Travis Knight (“Kubo e as Cordas Mágicas”), o novo longa do estúdio Laika adapta o livro de Colin Meloy sobre uma adolescente que entra numa floresta encantada para resgatar o irmão sequestrado. Apesar da recepção positiva e da nota A no CinemaScore, a abertura ficou aquém do necessário para cobrir seu custo estimado em US$ 100 milhões. A dificuldade para recuperar o investimento apenas com as bilheterias é uma decepção diante da qualidade da produção, que deve aparecer no Oscar 2027.
Líder da semana anterior, “Street Fighter” sofreu a queda mais acentuada entre os principais títulos. A adaptação do videogame da Capcom perdeu aproximadamente 73% de sua arrecadação e caiu para o 4º lugar, com cerca de US$ 8,4 milhões. Depois de abrir com US$ 30,8 milhões, o filme da Paramount acumula aproximadamente US$ 46,7 milhões no mercado norte-americano. O recuo indica que a curiosidade inicial dos fãs deu lugar à rejeição em sua 2ª semana.
O 5º lugar ficou com “Wicker”, romance fantástico estrelado por Olivia Colman e Alexander Skarsgård, com arrecadação estimada entre US$ 5,5 milhões e US$ 6 milhões. Ainda sem previsão de distribuição no Brasil, a história acompanha uma pescadora que encomenda a um artesão um marido feito de vime e acaba provocando uma crise na pequena comunidade onde vive. A fábula adulta atingiu uma pontuação de 94% de aprovação no Rotten Tomatoes, tanto da crítica quanto do público.
Muito mais abaixo no ranking, “Klara e o Sol”, ficção científica de Taika Waititi com Jenna Ortega e Amy Adams, teve uma estreia desastrosa. A Sony limitou o lançamento a apenas 880 salas na América do Norte e a estreia ficou fora do top 10, com uma arrecadação de apenas US$ 725 mil no fim de semana e terríveis 25% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. O lançamento no Brasil está marcado para 5 de novembro.