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Sepultura se despede do Rock in Rio com show exclusivo da era Derrick Green
Banda tocou só músicas gravadas desde 1998, estreou “Sacred Books” ao vivo e deixou “Roots Bloody Roots” fora do último show no festival
Adeus sem raízes
O Sepultura encerrou sua história no Rock in Rio sob chuva forte no sábado (5/9), com uma escolha que transformou a despedida num acerto de contas com quase três décadas frequentemente colocadas à sombra da formação dos anos 1990. Durante 55 minutos, Derrick Green, Andreas Kisser, Paulo Xisto e Greyson Nekrutman tocaram 13 músicas, todas gravadas após a entrada do atual vocalista. Pela primeira vez na carreira, o grupo apresentou um repertório inteiro sem nenhuma faixa cantada originalmente por Max Cavalera.
O que ficou fora do repertório?
A decisão eliminou justamente as músicas mais associadas internacionalmente ao Sepultura. Não houve “Arise”, “Refuse/Resist”, “Territory”, “Ratamahatta” ou “Roots Bloody Roots”. A opção já havia sido anunciada antes do festival e dividiu fãs, mas ganhou uma ironia adicional no sábado: a página oficial do Rock in Rio continuava apresentando “Arise”, “Refuse / Resist” e “Roots Bloody Roots” como grandes hits da banda e prometia ao público seus “maiores sucessos” ao vivo.
O recorte também exige precisão histórica. Não se tratou de eliminar toda a chamada “fase Cavalera”, porque Iggor Cavalera permaneceu na bateria até 2006 e gravou quatro discos com Derrick. O divisor adotado foi a saída de Max, em 1996, e a chegada do novo vocalista no ano seguinte. O show começou justamente com “Against”, faixa-título do primeiro álbum da nova formação, lançado em 1998, seguida por “Choke”.
Último EP entra inteiro no show
A despedida abriu espaço para o outro extremo da trajetória: as quatro músicas de “The Cloud of Unknowing”, EP lançado em abril como último trabalho de inéditas do Sepultura. “All Souls Rising” apareceu logo na 3ª posição, “The Place” entrou mais adiante, “Sacred Books” ganhou sua primeira execução pública e “Beyond the Dream” ocupou a reta final.
O repertório percorreu ainda “Kairos”, “Means to an End”, “Phantom Self”, “Convicted in Life”, “Mind War” e “Corrupted”. Em vez de fechar com algum clássico inevitável da década de 1990, a banda escolheu “Sepulnation”, do álbum “Nation” (2001), reforçando até o último minuto a proposta de valorizar o período construído com Derrick.
O formato tinha sido concebido como uma apresentação única. Antes do Rock in Rio, Andreas explicou à Billboard Brasil que o festival sempre ofereceu espaço para experiências específicas, como os encontros com Zé Ramalho, Les Tambours du Bronx e a Orquestra Sinfônica Brasileira. Desta vez, a ideia era fazer algo que o Sepultura nunca havia tentado: olhar exclusivamente para a produção posterior à mudança de vocalista.
Andreas homenageia Derrick
A chuva não esvaziou a área diante do Palco Mundo, e rodas de mosh começaram a aparecer conforme o repertório avançou. Andreas tratou a apresentação como uma celebração dos 42 anos da banda e agradeceu ao público: “Um momento especial, um dos melhores momentos da nossa história, celebrando 42 anos de história. Graças a vocês”.
O guitarrista também interrompeu o show para destacar Derrick, que assumiu uma das posições mais difíceis do metal em 1997 e permaneceu à frente do Sepultura por quase 30 anos. A homenagem tinha relação direta com o conceito daquele repertório: em vez de tratar o vocalista como substituto de Max, o show apresentou a quantidade de música criada durante sua própria passagem pelo grupo.
Despedida fecha relação de 35 anos
A ligação do Sepultura com o Rock in Rio começou em 1991, quando o grupo subiu ao antigo Maracanã na mesma noite de Megadeth, Judas Priest, Queensrÿche e Guns N’ Roses. Naquela apresentação, tocou “Orgasmatron”, do Motörhead, pela primeira vez ao vivo.
Nas décadas seguintes, o festival virou laboratório para apresentações que dificilmente seriam reproduzidas em turnês convencionais. O Sepultura dividiu palco com Les Tambours du Bronx, Zé Ramalho e a Orquestra Sinfônica Brasileira, além de passar tanto pelo Mundo quanto pelo Sunset. “A história do Sepultura no Rock in Rio é riquíssima”, resumiu Andreas em entrevista a O Globo antes da despedida.
O último gesto de sábado veio depois de “Sepulnation”. Os quatro integrantes caminharam pela passarela do Palco Mundo para agradecer ao público. O encerramento definitivo da banda acontece em 7 de novembro, na Mercado Livre Arena Pacaembu, com Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich, além dos ex-integrantes Jairo Guedz e Jean Dolabella.
O que o Sepultura tocou?
- “Against”
- “Choke”
- “All Souls Rising”
- “Kairos”
- “Means to an End”
- “The Place”
- “Phantom Self”
- “Convicted in Life”
- “Sacred Books” — estreia ao vivo
- “Mind War”
- “Corrupted”
- “Beyond the Dream”
- “Sepulnation”