
Instagram/GH Rell RJ e João Victor Gonçalves
GH acusa João Victor Gonçalves de racismo após denúncia de homofobia
Streamer voltou a pedir desculpas, mas cobrou retratação do ator após Decradi abrir investigação do caso
Streamer faz acusação
GH Rell RJ acusou João Victor Gonçalves de racismo neste sábado (5/9), ao voltar a negar que tenha agido de forma homofóbica contra o intérprete de Mau Mau em “Quem Ama Cuida”. O streamer relacionou a acusação ao relato do ator de que teve medo de ser roubado quando foi cercado por GH e outros três homens nas imediações do Rock in Rio. Os advogados Gustavo Polido e Andressa Knapp rejeitaram a interpretação e afirmaram que o receio decorreu da abordagem intimidatória e da superioridade numérica do grupo.
O que GH alegou?
Em um novo vídeo, posteriormente retirado do ar, GH disse respeitar João Victor e reclamou dos ataques que passou a receber após a repercussão do caso. “Boa tarde. Eu vim aqui me pronunciar de coração aberto sobre o que aconteceu na minha live de ontem. Pega a visão, João: máximo respeito, não tenho preconceito nenhum com você. O seu público tá vindo me atacar de todas as formas aqui, racista, xingando a minha família e sendo preconceituoso comigo. É isso que você quer?”
O streamer voltou a dizer que as provocações tiveram como alvo exclusivamente a roupa usada pelo ator. “A minha opinião, mano, vai continuar sendo a mesma: eu não gostei da sua calça. Onde eu moro, irmão, é dentro de uma comunidade, é muito difícil a gente ver um estilo desse. Então, quando eu vi, eu fiquei perplexo, eu fiquei abismado e eu ri mesmo. E essa vai continuar sendo a minha opinião.”
GH relaciona medo de roubo à cor
GH sustentou que não fez referência à orientação sexual de João Victor. “Em nenhum momento eu fui homofóbico com você, eu não me referi à sua orientação sexual. Você entendeu, meu irmão?”, declarou.
Na sequência, passou a exigir uma retratação do ator pelo relato de que temeu ser assaltado durante a abordagem. “Você também tem que se retratar. Se eu fui homofóbico pros meus seguidores, pra mim, você foi racista. Sabe por quê? Como que eu vou te roubar, irmão, num evento onde tinha muito segurança? Pegou a visão? Você falou que estava com medo de ser roubado. Por que você estava com medo de ser roubado? Por causa da minha cor? É porque eu sou preto?”
Mesmo ao pedir novas desculpas, GH manteve as críticas à roupa. “Eu não vou mudar minha opinião, irmão, não gostei da tua calça e ainda continuo rindo, achei muito engraçado. Pegou a visão? Essa é a minha opinião. E é isso, mano. Se você se ofendeu, eu errei de ter te gravado, mas a minha opinião sobre a calça é a mesma. Pegou a visão, irmão? Se você se ofendeu, tô pedindo aqui desculpas de coração aberto, entendeu?”
Defesa rejeita acusação de racismo
Os advogados de João Victor afirmaram que o medo relatado pelo ator não teve relação com a cor dos homens que o cercaram. Segundo a defesa, ele se viu sozinho diante de quatro desconhecidos que o seguiam e gritavam enquanto transmitiam a abordagem ao vivo.
“Trata-se de reação legítima de autoproteção, plenamente justificável diante do contexto fático: ausência de segurança no local, superioridade numérica dos agressores (quatro contra um) e a natureza intimidatória da abordagem. Não há nexo entre o receio manifestado e qualquer elemento de cunho racial”, afirmaram Gustavo Polido e Andressa Knapp.
A nota também separa João Victor das mensagens racistas que GH afirma ter recebido depois da repercussão. “Eventuais manifestações de terceiros — inclusive de cunho racista feitas por seguidores do ofendido contra o autor da hostilização — não podem ser a ele atribuídas, tampouco desviam a análise da conduta originalmente praticada contra a vítima.”
Advogados apontam discriminação pela roupa
A defesa sustenta que a hostilização esteve ligada à forma como João Victor se vestia e à inadequação de seu figurino aos padrões tradicionais de gênero. Segundo os advogados, o grupo ridicularizou uma roupa interpretada pelos agressores como feminina justamente por estar sendo usada por um homem.
“O deboche público motivado pela não conformidade da vestimenta com padrões normativos de gênero, exposto e amplificado por meio de transmissão ao vivo, constitui ato discriminatório grave, independentemente do uso de termos pejorativos diretos”, diz o comunicado.
Os advogados também usam as próprias declarações de GH sobre a busca por conteúdo para sustentar que a exposição foi deliberada. O streamer já havia afirmado que costuma abordar pessoas nas ruas para movimentar suas transmissões e declarou que chegou a rir “forçado” porque a live estava “zero conteúdo”.
João explica medo durante abordagem
João Victor afirmou que acelerou o passo porque não sabia como o grupo poderia agir depois das provocações. “Na hora eu me senti muito acuado, tava sentindo ali uma violência, mas pra mim eu tava pensando muito na minha segurança. Eu queria acelerar o passo pra fugir daquela situação. Não sabia o que podia acontecer, qual que era o próximo passo que aqueles garotos poderiam dar ali comigo.”
Em sua primeira manifestação, o ator havia relacionado o episódio diretamente à experiência de Mau Mau em “Quem Ama Cuida”. “Realmente, isso é o retrato de tudo o que a gente mostra. O Mau Mau é um personagem forte e valente que encara essa homofobia estrutural que vive dentro de casa de uma forma muito corajosa. Ele engole e segue. Talvez tenha sido isso que eu fiz hoje. Eu engoli e segui.”
João também avisou que pretende buscar responsabilização. “Nós somos muito mais fortes que qualquer coisa… Impunes não vão ficar, homofobia é crime. Só para ficarem tranquilos, eu estou bem! Amanhã falamos disso! Homofobia não é entretenimento.”
Polícia abre investigação
A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, abriu uma investigação após tomar conhecimento das imagens. A corporação informou que não havia registro formal de ocorrência até o anúncio da apuração.
A abordagem ocorreu na madrugada deste sábado, quando João Victor deixava o Rock in Rio. GH e outros três homens passaram a seguir o ator e zombar de sua roupa durante uma transmissão ao vivo. As imagens viralizaram e deram origem às acusações de homofobia feitas pelo artista.
O caso também levou a deputada federal Erika Hilton a acionar o Ministério Público do Rio de Janeiro. Walcyr Carrasco, autor de “Quem Ama Cuida”, manifestou solidariedade ao ator e afirmou em vídeo: “Homofobia não é entretenimento, é crime”.
Aberto para posicionamentos
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