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Instagram/Rock in Rio

Música|6 de setembro de 2026

Rock in Rio consagra nova geração do metal com Avenged Sevenfold e Bring Me The Horizon

Avenged Sevenfold, Bring Me The Horizon e Bad Omens pesaram o clima, que rendeu vaias à escalação equivocada de mgk


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Metal muda de geração
2 O que aconteceu com mgk?
3 BMTH transforma mudança em identidade
4 Oli Sykes celebra vida brasileira
5 Poppy ocupa território próprio
6 Bad Omens fecha o Sunset
7 Avenged estreia novo espetáculo
8 Clássicos vencem material recente
9 Escalação revela acertos e ruídos

Metal muda de geração

O Rock in Rio mostrou no sábado (5/9) a nova linha sucessória do metal internacional. Sem Iron Maiden, Metallica, Ozzy Osbourne ou qualquer outro veterano que tradicionalmente ocupava o topo dessas noites, o festival entregou seus principais espaços a Avenged Sevenfold, Bring Me The Horizon, Bad Omens e Poppy. São artistas de gerações e propostas diferentes, mas todos construíram relevância depois da era dos medalhões que estabeleceu o gênero no evento.

O que aconteceu com mgk?

No meio desse proposta pesada, a escalação de mgk no Palco Mundo provocou a maior resistência da plateia e expôs o limite entre ampliar o conceito do dia e descaracterizar aquilo que o público esperava encontrar.

mgk entrou às 19h entre o show de despedida do Sepultura e o Bring Me The Horizon, posição particularmente ingrata para um artista cuja fase atual passa pelo pop-punk, rock alternativo e repertório originalmente construído no rap. A discrepância foi percebida rapidamente por parte da plateia, que reagiu com vaias e hostilidade enquanto grande parcela do público diante do Mundo aguardava os grupos mais pesados da sequência.

O próprio cantor interrompeu o show para reconhecer o problema. “Eu sei que há algumas pessoas na plateia que não entendem por que estamos aqui. Mas eu estou aqui pelos meus fãs. E estou aqui para te tornar um fã”, afirmou. Depois, tentou transformar a rejeição numa defesa de fronteiras menos rígidas: “Só existem dois gêneros musicais: música boa e música ruim. Então eu estou aqui como uma criança vivendo o seu sonho, e venho aqui com amor. Mesmo que vocês não me amem, eu amo vocês.”

BMTH transforma mudança em identidade

A resposta do público mudou radicalmente com o Bring Me The Horizon. O grupo britânico encontrou rodas de mosh desde o começo, ouviu refrões cantados em massa e usou os 80 minutos de apresentação para mostrar justamente por que se tornou um dos principais candidatos a herdar espaços antes ocupados pelas bandas veteranas. Em vez de escolher uma fase, o repertório tratou a própria transformação sonora como parte do espetáculo.

“DArkSide” abriu a apresentação, seguida por “The House of Wolves”, “Happy Song” e “Teardrops”. O show passou ainda por “Dehumanized”, “Kool-Aid”, “Shadow Moses” e “Kingslayer”, colocando lado a lado metalcore, eletrônica, refrões pop e os vocais guturais de Oli Sykes. Nos telões, menus, mensagens, avaliações e interlúdios reproduziam uma interface de videogame ligada ao universo visual de “POST HUMAN: NeX GEn”.

O salto mais radical ao passado veio com “Pray for Plagues”, do primeiro disco, “Count Your Blessings” (2006). Sykes procurou alguém na plateia capaz de cantar a faixa e chamou JP ao palco. O fã assumiu os guturais ao lado do vocalista, enquanto os telões reagiam à performance e ele próprio mandava o público abrir novas rodas.

Oli Sykes celebra vida brasileira

A estreia do BMTH no Rock in Rio também confirmou uma relação construída fora do palco. Casado com a brasileira Alissa Salls, pai de gêmeos nascidos no país e frequentador frequente do litoral paulista, Sykes falou várias vezes em português, pegou uma bandeira nacional e comemorou: “Eu tenho Pix e CPF! Brasil, meu país, te adoro!”

A proximidade pessoal acompanhou uma escalada comercial. Em 2016, o grupo tocou no Circo Voador. Depois passou pelo Lollapalooza e, em 2024, reuniu mais de 50 mil pessoas no Allianz Parque, em São Paulo, no que a própria banda definiu como o maior show de sua carreira. A apresentação foi posteriormente transformada no filme “Bring Me The Horizon: L.I.V.E. in São Paulo” (2026).

Antes do festival, Sykes já havia relacionado o tamanho conquistado por sua geração ao envelhecimento dos antigos headliners. “É difícil imaginar o dia em que as bandas que ouvimos e amamos a vida toda vão parar de fazer shows, mas, ao mesmo tempo, esse momento está chegando, sabe?”, afirmou a O Globo. “Acho que os festivais e seus promoters estão se tocando disso, e depositando a confiança em nomes como nós.”

Poppy ocupa território próprio

No Sunset, Poppy mostrou outra consequência dessa renovação: o metal atual já não exige fidelidade permanente ao próprio gênero. A cantora americana chegou ao festival depois de atravessar pop eletrônico, música industrial, rock alternativo e metal ao longo da carreira, com trabalhos recentes produzidos por Jordan Fish, ex-integrante do Bring Me The Horizon.

Seu repertório concentrou-se principalmente nos discos “Negative Spaces” (2024) e “Empty Hands” (2026), da fase em que sua guinada pesada se tornou mais evidente.

A apresentação também produziu uma das imagens mais incomuns do dia. Durante “vital”, parte da plateia sentou no chão e começou uma “remada viking”, movimento coletivo normalmente associado a shows de folk e metal extremo, que se popularizou mundialmente durante a Copa do Mundo 2026, graças à torcida da Noruega, o pais mais metaleiro do mundo. Poppy acompanhou o gesto num show que alternou vocais agressivos, falsete, bases eletrônicas e passagens acústicas sem tentar acomodar tudo num único rótulo.

Bad Omens fecha o Sunset

O Bad Omens assumiu o último horário do Sunset em sua estreia no Rock in Rio, apenas dois anos depois de fazer a primeira passagem pelo Brasil no Knotfest. A posição de headliner refletiu o crescimento acelerado do grupo de Noah Sebastian desde “THE DEATH OF PEACE OF MIND” (2022), álbum que ampliou o metalcore da banda com dark pop, eletrônica e produção mais atmosférica.

“Specter” abriu o show pela fase atual, antes do recuo até “Glass Houses”, do primeiro álbum. “THE DEATH OF PEACE OF MIND”, “Dying to Love”, “CONCRETE JUNGLE”, “Nowhere to Go”, “ARTIFICIAL SUICIDE”, “Like a Villain” e “Just Pretend” mostraram as duas faces da banda: ataques de guitarra e guturais convivendo com pausas, sintetizadores e vocais limpos.

“Just Pretend”, faixa que ultrapassou a bolha do metalcore depois de ganhar força nas redes sociais, provocou um dos maiores coros do Sunset. “V.A.N.” também integrou o repertório, conectando musicalmente o Bad Omens a Poppy, que havia cantado a colaboração em sua própria apresentação pouco antes.

Avenged estreia novo espetáculo

A chuva voltou antes do Avenged Sevenfold e a plateia ainda precisou enfrentar um atraso de aproximadamente meia hora. Prevista para 0h05, a banda entrou por volta de 0h35, já na madrugada de domingo (6/9), sem explicar a demora. Depois da introdução com o hit synthwave “Nightcall”, do recentemente falecido Kavinsky, “Nightmare” abriu uma apresentação de aproximadamente 1h45.

O show marcou a estreia mundial de uma nova identidade visual criada pelo estúdio americano See You Later, com design de palco de Jordan Coopersmith. A produção foi desenvolvida para usar a gigantesca área de LEDs do Palco Mundo como parte da arquitetura, e não apenas como tela de fundo.

O conceito avança por três atos. Primeiro surge um monólito rígido e fechado. Depois, essa estrutura começa a se romper e expõe um interior turbulento. Na fase final, a arquitetura se dissolve em imagens mais abertas e abstratas. Em vez de responder ao tamanho do novo Mundo preenchendo todos os painéis permanentemente, o projeto usa espaços escuros, contraste e mudanças pontuais.

Clássicos vencem material recente

Musicalmente, o Avenged fez uma escolha mais conservadora que sua produção visual. “Magic”, single lançado em 2025, apareceu logo depois de “Nightmare”, mas o restante se concentrou principalmente no catálogo consolidado: “Afterlife”, “Shepherd of Fire”, “Buried Alive”, “Seize the Day”, “The Stage”, “Hail to the King”, “Nobody”, “M.I.A.”, “Bat Country” e “Unholy Confessions”.

“A Little Piece of Heaven”, que não vinha aparecendo com frequência na turnê, abriu o bis. “Cosmic” encerrou a madrugada com efeitos pirotécnicos, já depois das 2h. Chuva, atraso e horário avançado provocaram alguma dispersão do público na reta final, sem eliminar os grandes coros das músicas mais conhecidas.

A apresentação também fez M. Shadows comentar uma disputa que havia se desenvolvido nas redes sociais ao longo do sábado. O vocalista disse ter encontrado críticas a mgk, Bring Me The Horizon, Bad Omens, Poppy e outros nomes do line-up, além de brigas entre fãs, e lembrou que os artistas convivem e mantêm relações amistosas fora das discussões de gênero travadas pelo público.

Escalação revela acertos e ruídos

A fala de M. Shadows ajuda a explicar a intenção da curadoria, mas não elimina a diferença entre as respostas vistas no palco. Bring Me The Horizon encontrou uma plateia preparada para sua mistura de metalcore, deathcore, pop e eletrônica. Poppy e Bad Omens mostraram no Sunset que a expansão do metal para outras linguagens também pode acontecer sem romper a conexão com o público pesado.

mgk representou outra situação. O próprio Rock in Rio o divulga como nome do pop-punk que transita entre rap e rock. Colocá-lo entre Sepultura e BMTH numa programação apresentada como “dia do metal” transformou essa distância estética em confronto direto com uma plateia formada, naquele horário, principalmente por fãs das atrações seguintes.

O resultado não invalida a mistura de gêneros — o próprio BMTH passou duas décadas demonstrando como essas fronteiras podem se deslocar. Mostra, porém, que renovação e ecletismo não são necessariamente a mesma coisa. Avenged Sevenfold, Bring Me The Horizon, Bad Omens e Poppy representam linguagens muito diferentes, mas compartilham vínculos reconhecíveis com a evolução recente do metal. A reação a mgk mostrou onde uma parte significativa do público deixa de enxergar essa continuidade.

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