
Instagram/Mark Ruffalo
Mais de 170 judeus de Hollywood defendem Mark Ruffalo de acusação de antissemitismo
Carta classifica críticas ao ator como “campanha difamatória” após embate sobre fusão entre Paramount e Warner
Em defesa de Mark Ruffalo
Mais de 170 artistas, escritores e profissionais judeus da indústria do entretenimento assinaram uma carta em defesa de Mark Ruffalo após o ator ser acusado de antissemitismo por declarações relacionadas à proposta de fusão entre Paramount e Warner Bros. Discovery. O documento define as críticas contra ele como uma “campanha difamatória” baseada em acusações infundadas. Entre os signatários estão Todd Haynes, Hannah Einbinder e Wallace Shawn.
Como começou a controvérsia?
Ruffalo criticou a negociação entre as empresas e relacionou a família Ellison, ligada à Paramount e à Oracle, à guerra em Gaza. O ator mencionou contratos e relações da companhia de tecnologia com Israel ao argumentar contra a concentração de poder econômico e midiático.
A Paramount reagiu acusando Ruffalo de recorrer a “estereótipos antissemitas” ao associar executivos judeus à negociação empresarial e ao conflito. Organizações como o Simon Wiesenthal Center e o Creative Community for Peace também contestaram as declarações.
Que diz a carta?
Os signatários sustentam que críticas ao governo de Israel, a contratos militares ou à atuação de empresários específicos não equivalem a ataques contra judeus. O documento começa com uma reação direta às acusações: “Basta! Basta de instrumentalização falsa e perigosa de acusações de antissemitismo”.
A carta também relaciona a negociação entre Paramount e Warner a preocupações sobre concentração de mídia, perdas de empregos e poder das grandes empresas de tecnologia. As referências à guerra em Gaza aparecem dentro dessa argumentação, com os autores atribuindo a Larry Ellison e seus aliados interesses econômicos e políticos ligados ao conflito.
Os signatários apresentam essas conexões como parte de um debate político e empresarial, não religioso ou étnico. “Apontar as conexões cruciais entre o que está acontecendo em Gaza e o que está acontecendo em Hollywood é o oposto exato de antissemitismo”, afirma o texto.
Ruffalo rejeita acusação
O ator também rebateu a interpretação da Paramount e sustentou que questionar o governo israelense, contratos militares e executivos envolvidos nesses negócios não representa hostilidade contra judeus.
Reação dos colegas de Hollywood
Jane Fonda foi a primeira personalidade de destaque de Hollywood a defender publicamente Ruffalo após a reação da Paramount. Em manifestação divulgada pelo Committee for the First Amendment, a atriz ressaltou sua condição de judia americana e afirmou considerar “profundamente preocupante” o uso de acusações falsas de antissemitismo para silenciar críticas políticas legítimas. Para ela, justamente porque o antissemitismo “é real e perigoso”, a acusação não deve ser transformada em arma contra pessoas com posições políticas divergentes.
Historicamente ligada a protestos políticos desde os anos 1960, Fonda defendeu o direito do ator de questionar a negociação. “Mark Ruffalo tem o direito, pela Primeira Emenda, de falar sobre política”, afirmou, antes de classificar a acusação da Paramount como uma tentativa de deslegitimar as críticas à fusão e desviar a discussão sobre a concentração de poder sobre cinema, televisão e jornalismo.
A atriz Ilana Glazer também se incluiu as personalidades que defenderam publicamente Ruffalo, argumentando que acusações de antissemitismo não deveriam ser usadas para impedir discussões sobre concentração de poder na mídia. O cineasta Kenneth Lonergan igualmente classificou a acusação contra o ator como absurda e desonesta.