
Divulgação/Globo
Walcyr Carrasco apoia João Victor: “Homofobia não é entretenimento”
Autor de “Quem Ama Cuida” se solidarizou com intérprete de Mau Mau após ataque no Rock in rio
Autor se solidariza com ator
Walcyr Carrasco saiu em defesa de João Victor Gonçalves neste sábado (5/9), após o intérprete de Mau Mau em “Quem Ama Cuida” denunciar como homofóbica a abordagem sofrida por um grupo de streamers durante uma transmissão ao vivo na saída do Rock in Rio. “Tô passando aqui pra prestar minha solidariedade ao João Victor Gonçalves, o Mau Mau de ‘Quem Ama Cuida’. Ele sofreu um ataque homofóbico e homofobia não é entretenimento, é crime”, afirmou o novelista em vídeo nas redes sociais.
João agradece apoio de Walcyr
Carrasco também relacionou o episódio à trama do personagem, que enfrenta homofobia dentro da própria família na novela das nove. “Vamos ficar contra essa atitude, torcer para que fique bem depois disso e vamos em frente com a história de Mau Mau em ‘Quem Ama Cuida’.”
João Victor respondeu nos comentários da publicação. “Obrigado, Walcyr. Vamos juntos com nossa novela mudar essas pessoas.” O apoio do autor se somou às manifestações de artistas como Liniker, Eliana, Gil do Vigor, Luana Piovani e Marcos Mion, que também reagiram ao caso nas redes sociais.
O que GH disse após a repercussão?
O episódio aconteceu durante uma live comandada pelo streamer GH Rell RJ. Amigos que estavam com ele seguiram João Victor pela rua e passaram a zombar de sua roupa. “Tá horroroso! Muito feio!”, gritaram enquanto o ator caminhava sem responder. Em outro momento, um integrante do grupo chegou a levantar um saco preto perto da cabeça do artista.
Pegou muito mal e, após a repercussão, GH tentou justificar a abordagem como tentativa de produzir conteúdo. “Uma ótima noite, abençoada por Jesus. Pega a visão. Eu estava numa live aqui, mano. Eu fico fazendo um monte de entretenimento pelo meio da rua. Doideira com maluquice. Fui fazer entretenimento com um cara que estava passando na rua e me dei mal. Cliparam [cortaram], postaram no Twitter e estou recebendo um monte de hate”, declarou.
O streamer pediu desculpas, mas negou ter agido por homofobia. “A gente erra, a gente é ser humano. Estou pedindo desculpa de coração aberto, que a gente erra. Perdão aí, irmão. Deus abençoe sua vida grandiosamente. Pegou a visão? É isso, pra cima.” Em seguida, afirmou: “Jamais, eu não tenho preconceito com ninguém. Só fiz aquilo pelo entretenimento e pelo conteúdo. Tem gente que gosta e tem gente que não gosta. Quem estava me assistindo achou engraçado.”
Streamer diz que riu para gerar conteúdo
GH também afirmou que nem sequer achava graça da situação e que forçou a reação para movimentar a transmissão. “Se vocês repararem no vídeo, eu nem estava com vontade de rir. Estava rindo forçado, só pra gerar o entretenimento pra quem estava assistindo a live, que a live estava zero conteúdo. Aí, pra animar, eu fico fazendo essas doideiras no meio da rua”, disse.
O streamer soma mais de 20 mil seguidores e 1 milhão de curtidas no TikTok e costuma produzir transmissões caminhando pelas ruas do Rio e abordando desconhecidos. Ele afirmou que se inspira no influenciador Rafando Diaz, que possui mais de 1 milhão de seguidores e publica vídeos sob o mote de “vencer a timidez”, aproximando-se de pessoas em locais públicos para apontar, rir e chamar atenção para elas.
A justificativa de GH contrasta diretamente com a interpretação de João Victor e de Walcyr Carrasco sobre o episódio. O ator já havia resumido sua reação numa frase: “Homofobia não é entretenimento.”
Ator diz que caso não será esquecido
Depois do primeiro desabafo, em que chorou e relacionou a agressão à história vivida por Mau Mau, João Victor publicou novo vídeo para afirmar que está bem, mas pretende levar o caso adiante.
“Eu estou bem, tenho rede de apoio muito boa, mas isso não vai ficar para trás. O meu personagem fala sobre poder ser quem ele é, sem sofrer preconceito e é isso o que a gente quer, a gente quer simplesmente poder andar na rua.”
O ator também falou sobre a exposição provocada pelas imagens. “Isso não vai passar em branco, a gente não pode deixar que passe em branco. É dolorido saber que sofri uma agressão como essa e me ver vulnerável para o Brasil inteiro.”
Ministério Público é acionado
A repercussão chegou também à esfera política. A deputada federal Erika Hilton acionou o Ministério Público e pediu investigação da abordagem. O episódio ainda motivou cobranças por maior segurança no entorno do Rock in Rio.
A organização do festival repudiou o ataque e informou que ele ocorreu fora da área sob sua responsabilidade, após João Victor questionar a segurança na região por onde o público circula para chegar e sair do evento.
Aberto para posicionamentos
O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.