
Instagram/Dunkan Sheik
Duncan Sheik, cantor de “Barely Breathing”, morre aos 56 anos
Família havia informado que músico estava internado em estado crítico
Morte em Manhattan
O cantor, compositor e músico americano Duncan Sheik morreu na quinta-feira (17/9), aos 56 anos, em um hospital de Manhattan, em Nova York. A família havia informado no dia anterior que ele estava internado em estado crítico, mas estável, sem revelar o problema de saúde. Relatos posteriores registraram falência de órgãos e uma parada cardíaca. Ele morreu cercado pelos familiares.
Como Duncan Sheik virou astro pop?
Sheik alcançou projeção internacional logo no primeiro álbum, “Duncan Sheik” (1996), impulsionado por “Barely Breathing”. A música chegou ao 16º lugar da Billboard Hot 100, permaneceu 55 semanas na parada americana e rendeu uma indicação ao Grammy de Melhor Performance Vocal Pop Masculina. O disco também recebeu certificação de ouro nos Estados Unidos.
Nascido em Nova Jersey e criado em parte na Carolina do Sul, Sheik estudou semiótica na Brown University e tocou numa banda universitária com Lisa Loeb antes da carreira solo. O sucesso repentino o colocou no circuito do pop dos anos 1990, embora posteriormente admitisse desconforto com a exposição e com as exigências da indústria fonográfica.
Broadway redefiniu sua carreira
A grande virada aconteceu com “Spring Awakening” (2006), criado em parceria com o letrista e dramaturgo Steven Sater a partir da peça de Frank Wedekind, de 1891. Sheik transportou para a história de adolescentes reprimidos na Alemanha do século 19 uma trilha contemporânea de rock e pop. A montagem original venceu oito Tony Awards, e o compositor levou os troféus de Melhor Trilha Sonora Original e Melhores Orquestrações, além de um Grammy pelo álbum do espetáculo.
O musical também teve uma trajetória importante no Brasil. “O Despertar da Primavera” (2009), dirigido por Charles Möeller e Claudio Botelho, tornou-se a primeira montagem não-réplica autorizada no mundo, com liberdade para criar uma concepção diferente da produção da Broadway. Estreou no Rio e depois seguiu para São Paulo, conquistando prêmios brasileiros de teatro.
Sheik passou então a dividir definitivamente sua carreira entre discos e palcos. Compôs para musicais como “American Psycho”, “Alice by Heart” e “The Secret Life of Bees”, enquanto continuava lançando trabalhos próprios. Seu último álbum solo, “Claptrap” (2022), manteve a combinação de pop, eletrônica e composição introspectiva que caracterizava sua produção.
Novos musicais estavam prontos
A morte aconteceu quando Sheik se preparava para voltar aos palcos nova-iorquinos com projetos já em andamento. “Memoirs of Amorous Gentlemen”, adaptação do mangá de Moyoco Anno, tinha estreia Off-Broadway prevista para este mês.
Outra produção de “Spring Awakening” também estava programada para novembro. Integrantes da montagem original prestaram homenagens ao compositor após a confirmação da morte. A família declarou que “o mundo perdeu um talento singular e uma voz profundamente influente na música e no teatro”.
Sheik deixa a mulher, Nora Ariffin, e uma filha.