
Divulgação/Virgin France
Catherine Ringer, cantora do Les Rita Mitsouko, morre aos 68 anos
Artista francesa foi vítima de câncer fulminante e deixa clássicos como “Marcia Baïla”, “Andy” e o clássico da new wave “C'est comme ça”
Câncer fulminante
Catherine Ringer, cantora e cofundadora do Les Rita Mitsouko, morreu na noite de segunda-feira (14/9), aos 68 anos, em Paris, vítima de um câncer fulminante. A morte foi anunciada no dia seguinte por seus três filhos. “É com imensa tristeza que a família e os próximos de Catherine Ringer anunciam sua morte”, informou o comunicado enviado à agência France-Presse.
Como nasceram os Les Rita Mitsouko?
Filha do pintor Sam Ringer, judeu polonês sobrevivente de campos de concentração nazistas, e de uma arquiteta, Catherine cresceu cercada por arte. Deixou a escola aos 15 anos e passou por dança, teatro e performances antes de encontrar na música o trabalho que concentraria essas diferentes linguagens.
Ela conheceu o guitarrista Fred Chichin em 1979, quando os dois participavam do espetáculo “Flashes Rouges”. A parceria rapidamente saiu do teatro para a vida e os palcos de rock. Depois de algumas experiências com outras formações, o casal decidiu funcionar como dupla e adotou o nome Rita Mitsouko, posteriormente transformado em Les Rita Mitsouko para acabar com a frequente confusão de quem imaginava que Rita Mitsouko fosse o nome artístico da cantora.
Dupla acumulou clássicos
A projeção nacional veio com “Marcia Baïla” (1984), homenagem à bailarina e coreógrafa argentina Marcia Moretto, amiga de Catherine que morreu de câncer.
O repertório cresceu com “Andy”, “C’est comme ça” e “Les Histoires d’A”, reunidas em “The No Comprendo” (1986), disco de estreia produzido por ninguém menos que Tony Visconti, produtor associado a alguns dos maiores clássicos da carreira de David Bowie. O new wave frenético de “C’est comme ça” teve papel decisivo na expansão internacional da dupla graças ao clipe dirigido por Jean-Baptiste Mondino, exibido intensamente pela MTV em vários países.
A mistura de rock, new wave, música eletrônica e teatralidade transformou a dupla numa das sensações da música francesa dos anos 1980. Catherine transformava as apresentações com uma performance que combinava canto, dança e interpretação, enquanto Chichin tocava guitarras, teclados e respondia pela construção instrumental das canções.
Câncer acabou com a banda
A parceria atravessou quase três décadas e sete álbuns de estúdio, além de colaborações com artistas como Sparks e Iggy Pop. Até “Variéty” (2007) se tornar o último disco dos Les Rita Mitsouko. Poucos meses depois do lançamento, Chichin recebeu o diagnóstico de um câncer agressivo e morreu em 28 de novembro daquele ano, aos 53 anos.
Catherine contou posteriormente que o companheiro lhe pediu para continuar. “Continue sem mim. Sou substituível como guitarrista. É você quem faz o show”, teria dito Chichin. Ela retomou a turnê interrompida em 2008, acompanhada por músicos que trabalhavam com a dupla, mas logo passou a apresentar o repertório sob seu próprio nome.
A carreira solo
A cantora iniciou formalmente a carreira solo com “Ring n’ Roll” (2011), produzido por Mark Plati, outro colaborador de David Bowie e também responsável pelo último disco do duo. O álbum transformou parte do luto pela morte de Chichin em música e abriu uma nova fase que ainda produziria “Chroniques et Fantaisies” (2017).
Catherine nunca abandonou as canções dos Les Rita Mitsouko. Em 2019, celebrou os 40 anos do encontro com Fred em apresentações na Philharmonie de Paris e lançou posteriormente um registro ao vivo desse repertório. Em outubro de 2025, voltou a cantar os hits clássicos no Centre Pompidou, em Paris, pouco antes do fechamento do museu para reformas.
Ela e Fred Chichin tiveram três filhos: Ginger, Simone e Raoul, todos ligados a atividades artísticas. Raoul tornou-se guitarrista e chegou a acompanhar a mãe no palco nos anos posteriores à morte do pai.