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Os 10 melhores filmes de agosto para ver em streaming
Lista traz os principais lançamentos do mês com destaques da Prime Video, Netflix, HBO Max, Universal+ e Mubi
A relação dos melhores lançamentos do mês coloca em perspectiva os principais filmes disponibilizados recentemente em streaming. A lista contempla desde blockbusters de qualidade até títulos consagrados do circuito de arte, apontando opções para a programação de cinema em casa. Confira a relação de agosto.
🎞️ HOKUM: O PESADELO DA BRUXA | Prime Video
O novo terror sobrenatural do diretor irlandês Damian McCarthy, aclamado em festivais internacionais por “Oddity – Objetos Obscuros” (2024), acompanha um homem atormentado que busca respostas sobre uma tragédia familiar. O papel principal é interpretado por Adam Scott (“Ruptura”), em uma performance que se afasta de seus papéis habituais na comédia.
A trama se passa em uma propriedade isolada no interior da Irlanda, onde o protagonista decide passar a noite para confrontar antigas lendas locais que assombram o vilarejo. O conflito se intensifica quando ele descobre um antigo artefato de madeira ligado a rituais de bruxaria e forças ocultas que costumavam habitar a floresta ao redor. À medida que a noite avança, a linha entre a sanidade do personagem e as manifestações sobrenaturais se dissolve completamente.
A produção, que atingiu 89% de aprovação no Rotten Tomatoes, investe em uma atmosfera opressiva de suspense psicológico, explorando o folclore celta e o isolamento geográfico como inspiração de medo.
🎞️ NÃO DESEJE BOA SORTE | Netflix
O drama musical acompanha Sophie Birenbaum (Sunny Sandler, de “Você Não Tá Convidada pro Meu Bat Mitzvá!”), uma adolescente tímida que vive para o teatro musical e se prepara para uma audição na escola. Pouco antes de subir ao palco, ela descobre por acaso que o câncer da mãe, Elizabeth (Melanie Lynskey, de “Yellowjackets”), voltou. Abalada, Sophie decide fazer o teste mesmo assim e transforma a emoção em desempenho, conquistando inesperadamente o papel principal num musical escolar. O título remete à superstição teatral de que não se deseja “boa sorte” antes de uma apresentação.
A conquista coloca Sophie diante de sentimentos difíceis de conciliar. Os ensaios, a primeira experiência como protagonista, a atração pelo colega que contracena com ela e as inseguranças típicas da adolescência continuam existindo enquanto a doença de Elizabeth avança. A mãe tenta preservar a rotina da filha e evitar que o diagnóstico transforme aquele momento em despedida, enquanto Sophie passa a questionar se é legítimo sentir entusiasmo pelo musical quando sua família atravessa uma crise. O palco acaba funcionando como o espaço onde ela consegue expressar emoções que não sabe administrar fora dele.
Dirigido por Julia Hart (“Stargirl”), o filme nasceu de uma experiência da roteirista estreante Laura Hankin. Aos 16 anos, ela recebeu o papel principal no musical de sua escola justamente quando o câncer da mãe voltou e passou os meses seguintes dividida entre a alegria dos ensaios e a piora da doença em casa. A história foi bastante ficcionalizada, mas preservou esse conflito como núcleo do longa. Adam Sandler e Jackie Sandler, pais de Sunny, estão entre os produtores. Mas não se precipite com acusações de nepotismo: o filme registra 96% de aprovação no Rotten Tomatoes e é o segundo sucesso seguido de Sunny Sandler com a crítica, após a surpresa positiva da comédia teen “Você Não Tá Convidada pro Meu Bat Mitzvá!”.
🎞️ ARDENTE VINGANÇA | Prime Video
“Ardente Vingança” acompanha as irmãs gêmeas Racine (Kara Young, “Sou de Virgem”) e Anaia (Mallori Johnson, “Vladimir”), marcadas física e emocionalmente por um incêndio sofrido na infância. Criadas longe dos pais, elas acreditavam que a mãe havia morrido até receberem uma carta convocando-as para encontrá-la. Ruby (Vivica A. Fox, “Kill Bill”), coberta pelas cicatrizes do mesmo fogo e à beira da morte, revela que o responsável foi o pai das meninas (Sterling K. Brown, de “Paradise”), que incendiou a família e as abandonou. Tratada pelas filhas como “Deus”, ela lhes deixa uma última ordem: encontrar o homem e matá-lo.
As duas atravessam o sul dos Estados Unidos numa viagem em busca de um pai que nunca conheceram, seguindo rastros de outras famílias e pessoas deixadas para trás por ele. Racine assume a iniciativa e encara a vingança como cumprimento da vontade materna, enquanto Anaia demonstra maior hesitação diante da escalada de violência. Cada novo encontro amplia a dimensão dos estragos provocados pelo homem que procuram e transforma uma missão aparentemente simples numa discussão sobre quanto da brutalidade dos pais pode ser herdada pelos filhos.
Aleshea Harris estreia na direção de longas adaptando sua própria peça, apresentada Off-Broadway em 2018 e vencedora do Obie. A autora concebeu a história a partir de referências à tragédia grega, aos westerns italianos e ao cinema de vingança, incluindo “Kill Bill”, mas deslocou essas tradições para duas mulheres negras normalmente relegadas ao papel de vítimas. Produzido, entre outros nomes, por Tessa Thompson (“Thor: Ragnarok”) e Janicza Bravo (“Zola”), o filme preserva a construção alegórica da peça: a mãe ocupa simbolicamente o lugar de Deus, enquanto o pai aparece como a figura destrutiva que desencadeia a jornada das filhas.
🎞️ PEQUENAS COISAS COMO ESTAS | Prime Video
O primeiro longa estrelado por Cillian Murphy após vencer o Oscar de Melhor Ator por “Oppenheimer” é um drama histórico irlandês sobre as Lavanderias de Madalena, instituições administradas pela Igreja Católica, que ficaram conhecidas por explorar e maltratar mulheres consideradas “pecadoras”. O ator vive o comerciante de carvão Bill Furlong, que leva uma vida tranquila com sua esposa e cinco filhas na pequena cidade de New Ross, Irlanda, até que, às vésperas do Natal de 1985, faz uma descoberta perturbadora durante uma entrega em um convento local. Ao tomar conhecimento das práticas abusivas, ele passa a enfrentar um dilema moral que desafia suas crenças e a influência dominante da Igreja na comunidade.
Inicialmente, os asilos de Madalena eram destinados a abrigar mulheres consideradas “perdidas” ou “caídas”. Essas mulheres incluíam mães solteiras, vítimas de abuso sexual ou mesmo aquelas percebidas como promíscuas – que perderam a virgindade antes do casamento. A Igreja oferecia refúgio e reabilitação, proporcionando-lhes um espaço para penitência e trabalho. No entanto, com o tempo, essas instituições adotaram práticas abusivas, onde as internas eram submetidas a trabalhos forçados, sem remuneração e sob rígida supervisão de ordens religiosas. Muitas dessas mulheres permaneceram nas lavanderias por anos, algumas até pelo resto de suas vidas, sob condições desumanas e isolamento social. Estima-se que aproximadamente 30 mil mulheres foram confinadas nessas instituições ao longo de 150 anos. A crueldade só veio a acabar após sua exposição escandalosa nos anos 1980.
Dirigido por Tim Mielants (“Ninguém Precisa Saber”) e baseado no aclamado romance homônimo de Claire Keegan, o drama também é estrelado por Emily Watson (“Duna: A Profecia”) e Eileen Walsh (“Não Diga Nada”), e atingiu 94% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes.
🎞️ VIDA PRIVADA | HBO Max
Jodie Foster (“O Silêncio dos Inocentes”) protagoniza o suspense francês como Lilian Steiner, uma respeitada psicanalista americana estabelecida em Paris, que mantém seus pacientes à distância por meio de uma postura rígida e controladora. A morte repentina de Paula (Virginie Efira, de “Os Filhos dos Outros”), uma mulher que tratava havia anos, abala essa segurança. Depois de ser confrontada pela família da paciente e começar a rever as últimas sessões, Lilian se convence de que Paula não morreu nas circunstâncias inicialmente apresentadas e decide investigar por conta própria. O papel marca a 1ª vez em que Foster protagoniza um longa-metragem inteiramente em francês.
Sem experiência como detetive, Lilian recorre a Gabriel (Daniel Auteuil, de “Caché”), seu ex-marido, e começa a ultrapassar limites profissionais que sempre cobrou dos outros. As suspeitas recaem sobre pessoas próximas de Paula, mas a investigação também força a psiquiatra a examinar o quanto realmente conhecia sua paciente. Uma sessão de hipnose acrescenta mais mistério ao sugerir uma ligação entre as duas mulheres que atravessaria vidas passadas, embaralhando investigação criminal, memória e projeção psicológica.
Rebecca Zlotowski (“Os Filhos dos Outros”) dirige o filme e assina o roteiro, combinando investigação de assassinato, comédia e elementos de suspense psicológico.
🎞️ MISS YOU, LOVE YOU | HBO Max
A comédia acompanha Diane Patterson (Allison Janney, “A Diplomata”), uma mulher de temperamento direto que acaba de perder o marido e precisa organizar o funeral praticamente sozinha. Seu filho Tyler, de quem está afastada, não aparece para ajudá-la e manda em seu lugar Jamie Simms (Andrew Rannells, “Girls”), seu assistente pessoal. Os dois nunca se encontraram e começam a convivência unidos apenas pela tarefa desagradável de preparar uma cerimônia para alguém que Jamie mal conhecia.
Os preparativos transformam essa parceria forçada numa sucessão de conversas sobre o morto, Tyler e as relações que Diane deixou deteriorar ao longo dos anos. Ressentimentos familiares e segredos aparecem enquanto Jamie ocupa progressivamente um espaço que deveria pertencer ao filho ausente. O filme mantém Tyler fora de cena e concentra a história na relação improvável entre a mãe e esse estranho, que passa de funcionário enviado para resolver problemas a uma espécie de filho substituto durante os dias de luto.
Jim Rash, vencedor do Oscar pelo roteiro de “Os Descendentes” e codiretor de “O Verão da Minha Vida”, escreve e dirige o longa a partir de uma experiência pessoal: após a morte de seu pai, sua irmã levou a própria assistente para ajudar a família durante o funeral, e Rash percebeu como a presença de uma pessoa de fora modificava a maneira como todos lidavam com aquele momento. Filmado em apenas 17 dias, “Miss You, Love You” depende sobretudo dos diálogos e do confronto entre Janney e Rannells, abordagem que recebeu 88% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes.
🎞️ ERUPCJA | Mubi
A dramédia indie marca o primeiro papel de Charli XCX no cinema. Escrita e dirigida pelo cineasta Pete Ohs (“Love and Work”), traz a cantora britânica no papel de Bethany, uma jovem que viaja de férias para a Polônia ao lado de seu namorado Rob (Will Madden, “O Lobo de Snow Hollow”). A viagem toma um rumo inesperado quando, diante da forte suspeita de um pedido de casamento para o qual não se sente pronta, Bethany decide fugir do roteiro planejado pelo companheiro.
Em sua fuga pelas ruas de Varsóvia, ela busca Nel (Lena Góra, “Imago”), uma florista polonesa com quem compartilha um histórico afetivo do passado. A partir desse encontro, as duas passam a vagar juntas pela capital polonesa, confrontando sentimentos antigos e revendo suas escolhas de vida. O filme usa imagens de erupções vulcânicas como uma alusão constante à turbulência emocional reprimida e diálogos improvisados na condução das situações, com crédito aos próprios atores como roteiristas da história.
🎞️ A HISTÓRIA DO SOM | Prime Video
Dirigido por Oliver Hermanus (“Viver”), o drama romântico de época acompanha a jornada de dois jovens estudantes do Conservatório de Música da Nova Inglaterra dos anos 1910 unidos por um projeto incomum: viajar pelo país para gravar e preservar as vozes, histórias e canções folclóricas de seus compatriotas em cilindros de cera.
O enredo segue Lionel e David enquanto cruzam as paisagens rurais do Maine e outras regiões interioranas. Durante o processo de documentação musical, a convivência estreita e o isolamento transformam a amizade em um romance profundo. O relacionamento é testado pelas brutais realidades do conflito global iminente – a 1ª Guerra Mundial – e pelas separações forçadas, explorando como a memória afetiva se conecta aos sons e à passagem do tempo.
Paul Mescal (“Gladiador II”) e Josh O’Connor (“Rivais”) protagonizam o longa. O elenco conta ainda com Chris Cooper (“Beleza Americana”) e Molly Price (“O Urso”). A coprodução entre Estados Unidos, Reino Unido e Suécia estreou no Festival de Cannes e se chama a atenção pelo minucioso trabalho de design de som e fotografia, ressaltando o valor do patrimônio oral e a efemeridade das relações humanas.
🎞️ NANDO ENTRE DOIS MUNDOS | Netflix
O filme retoma um dos três protagonistas de “Sintonia”, série que durou cinco temporadas acompanhando os amigos Nando, Doni e Rita na periferia de São Paulo, entre o tráfico de drogas, o funk e diferentes tentativas de mudar de vida. Enquanto Doni construiu carreira musical e Rita seguiu o caminho da advocacia, Luiz Fernando, o Nando, entrou ainda jovem no crime e avançou na hierarquia da organização. O spin-off dirigido por Johnny Araújo encerra isoladamente a trajetória do personagem vivido por Christian Malheiros após o fim da série.
A história avança cinco anos e encontra Nando vivendo na Sérvia, distante da esposa Scheyla (Júlia Yamaguchi) e dos filhos, mas ainda ligado aos negócios criminosos que deixou no Brasil. A situação muda quando Bruninha (Duda Pimenta, de “Olhar Indiscreto”), agora adolescente, foge de casa. O desaparecimento obriga o pai a retornar ao país e tentar reconstruir uma relação desgastada pela ausência. Mesmo perto da família, ele continua administrando suas atividades à distância com a ajuda de Moicano (Henrique Santana), parceiro que permanece na Europa, até uma traição dentro de seu círculo e a pressão da organização que comandava transformarem sua volta numa nova ameaça.
O conflito coloca Nando diante da possibilidade de abandonar definitivamente o crime para evitar que os filhos repitam o caminho que definiu sua própria vida. Bruna Mascarenhas e Jottapê reaparecem como Rita e Doni, ligando o desfecho à amizade que sustentou “Sintonia” desde 2019. Produzido pela Gullane, o filme parte de uma ideia original do produtor KondZilla desenvolvida com os cocriadores Felipe Braga e Guilherme Quintella, e tem roteiro de Quintella, Denis Nielsen (“3%”) e Léo Todeschini.
🎞️ ELIS & EU | Universal+
O documentário revisita Elis Regina a partir das lembranças do produtor musical João Marcello Bôscoli, seu filho mais velho, que tinha 11 anos quando a cantora morreu em 1982. Baseado no livro “Elis e Eu: 11 Anos, 6 Meses e 19 Dias com Minha Mãe”, publicado por ele em 2019, a obra desloca o foco da trajetória pública já amplamente documentada para a convivência doméstica. A artista que alcançou projeção nacional com “Arrastão”, atravessou os festivais dos anos 1960 e deixou discos como “Elis & Tom” aparece também como mãe que cozinhava, participava de reuniões escolares e cultivava uma horta enquanto administrava uma das principais carreiras da música brasileira.
As recordações de João Marcello conduzem episódios como a viagem aos Estados Unidos para gravar “Elis & Tom” com Tom Jobim, a criação do espetáculo “Falso Brilhante”, a visita a Rita Lee quando a cantora estava presa em 1976 e a passagem pelo festival Live Under the Sky, no Japão. O filme também aborda os obstáculos enfrentados por Elis numa indústria musical dominada por homens e procura mostrar como ela exercia controle sobre repertório, músicos e carreira mesmo sem ser compositora. Mais de 1.500 imagens e cerca de 200 horas de registros foram pesquisados para recuperar esse cotidiano e confrontar a memória familiar com documentos da época.
André Bushatsky (“Domingo à Noite”) dirige o longa e intercala material de arquivo, depoimentos e dramatizações com Lílian Menezes, que já viveu a cantora em “Elis, A Musical”. As reconstituições buscam reconstruir a mulher que existia entre os shows, gravações e viagens, a partir das lembranças de um filho que passou a vida preocupado em não esquecê-la.