
Arte IA/Pipoca Moderna
Globo exibirá mais jogos do mundial feminino que da Copa de 2026 na TV aberta
Os 56 jogos previstos para 2027 superam a cobertura dos jogos deste ano, quando a Globo exibiu 54 partidas na TV aberta
Copa feminina dominará a grade da Globo
A Globo vai exibir 56 das 64 partidas da Copa do Mundo Feminina de 2027 na TV aberta, numa mudança radical em relação ao espaço reservado às edições anteriores. O Mundial disputado no Brasil terá, pela primeira vez, uma presença na programação da emissora comparável à das Copas masculinas. Na verdade, será até maior que a cobertura da Copa 2026, que exibiu apenas 54 partidas de futebol masculino.
Que muda em relação às últimas Copas?
Na Copa Feminina de 2023, a Globo transmitiu apenas 7 jogos na TV aberta. Em 2019, foram 5. O salto para 56 partidas significa multiplicar por 8 a cobertura de quatro anos antes e por mais de 11 a quantidade exibida no Mundial da França.
A emissora pretende mostrar o maior número possível de partidas. Os 8 jogos que ficarão fora da TV aberta correspondem a confrontos simultâneos da última rodada da fase de grupos. O Sportv transmitirá os 64 jogos, enquanto a ge TV também oferecerá cobertura gratuita do torneio pela internet, mas sem as partidas. Isto porque a CazéTV tem exclusividade na internet e igualmente exibirá todos os jogos.
Até jogos sem o Brasil ganharão espaço
O tamanho da operação aproxima a Copa Feminina do tratamento tradicionalmente dado pela Globo ao Mundial masculino. Nas edições com 32 seleções, a emissora transmitia praticamente toda a competição, deixando de fora apenas jogos simultâneos. Em 2026, com a expansão do torneio masculino para 48 países e a perda da exclusividade para a CazéTV, a Globo exibiu 54 partidas.
A mudança tem um efeito concreto na grade. Durante anos, a presença do futebol feminino na TV aberta ficou concentrada nos jogos do Brasil e em algumas partidas decisivas. Em 2027, confrontos da fase de grupos sem a Seleção e entre equipes de menor apelo comercial também interromperão a programação regular, da mesma forma que acontece tradicionalmente durante uma Copa masculina.
O Mundial terá 32 seleções e será realizado entre 24 de junho e 25 de julho em oito cidades brasileiras. Esta será a primeira Copa do Mundo Feminina disputada na América do Sul. O Brasil, classificado automaticamente como anfitrião, tentará conquistar seu primeiro título depois de ter alcançado o vice-campeonato em 2007.
Marta mira mais uma Copa
O torneio também pode representar a última participação de Marta em uma Copa do Mundo. A camisa 10 havia anunciado sua despedida do Mundial após a eliminação brasileira em 2023 e chegou a deixar a Seleção depois dos Jogos Olímpicos de Paris, mas voltou a ser convocada em 2025 e retomou o projeto de chegar à competição no Brasil.
Aos 40 anos, Marta continua em atividade e afirmou recentemente que não pretende encerrar a carreira antes de 2027. Caso seja convocada, disputará sua 7ª Copa do Mundo e terá mais uma oportunidade de buscar o único grande título que falta à sua trajetória com a Seleção.
Patrocínio ainda mostra diferença entre homens e mulheres
A equiparação no número de transmissões ainda não se repete no mercado publicitário. Segundo o plano comercial obtido pelo Notícias da TV, a Globo colocou à venda 6 cotas de patrocínio do Mundial feminino por R$ 150 milhões cada, numa expectativa de faturamento de R$ 900 milhões.
O valor já representa o maior pacote comercial já oferecido no Brasil para uma competição de futebol feminino, mas permanece muito abaixo dos valores da Copa masculina de 2026. Para aquele torneio, a Globo buscou R$ 1,59 bilhão com patrocínios.
A diferença também aparece no Sportv. O canal colocou 6 cotas da Copa Feminina no mercado por R$ 26,2 milhões cada, totalizando cerca de R$ 157 milhões. No Mundial masculino de 2026, o plano comercial previa aproximadamente R$ 352 milhões. A exposição televisiva, portanto, chega perto da igualdade antes que o valor comercial faça o mesmo caminho.