
Instagram/Viih Tube
MPT investiga reality de Viih Tube e Eliezer com empregados
Procedimento apura possíveis irregularidades trabalhistas após repercussão de programa gravado com funcionários
Investigação trabalhista aberta
O Ministério Público do Trabalho abriu um procedimento para investigar possíveis irregularidades no reality criado por Viih Tube e Eliezer com os 11 funcionários que trabalham na casa do casal. A apuração foi confirmada depois da repercussão negativa das provas exibidas nas redes sociais e da retirada dos episódios do ar.
O que o MPT vai apurar?
Em nota enviada à Folha de S. Paulo, o órgão informou que o procedimento foi instaurado após a divulgação das dinâmicas promovidas pelos influenciadores. O objetivo é avaliar possíveis condutas trabalhistas questionáveis na produção do programa.
Procurados por meio de suas assessorias e pelas redes sociais, Viih Tube e Eliezer ainda não se manifestaram sobre a abertura da investigação.
TST faz alerta nas redes
Em meio à polêmica, o Tribunal Superior do Trabalho publicou uma mensagem nas redes sociais sobre exposição de trabalhadores a situações constrangedoras. A publicação não cita o casal, mas foi interpretada como uma reação ao caso.
“Humilhação não é entretenimento. No ambiente de trabalho, inclusive no doméstico, respeito é dever”, escreveu o órgão.
Prova com lixo gerou revolta
Batizado de “As Patroas”, o reality reunia babás, cozinheira, motorista e outros empregados da residência em uma competição por prêmios que chegavam a R$ 50 mil, além de outros bens.
A atração passou a ser criticada depois de uma dinâmica em que participantes precisavam procurar moedas de plástico espalhadas pela casa. Em um dos trechos mais comentados, um funcionário colocou a mão em um lixo de banheiro com papel higiênico sujo para resgatar uma das moedas. Em seguida, comentou, aos risos: “Estava cheio de bosta. Quem vai limpar?”
As imagens provocaram acusações de humilhação nas redes sociais e levaram o casal a apagar o conteúdo do YouTube e do Instagram.
Representação aponta assédio moral
Além da investigação do MPT, a deputada estadual Ediane Maria Nascimento (PSOL-SP) protocolou uma representação pedindo a apuração do caso. No documento, a parlamentar sustenta que o reality pode configurar “assédio moral organizacional”.
A representação questiona se houve consentimento formal dos empregados para participar das gravações e levanta dúvidas sobre pagamento de horas extras e uso comercial da imagem dos trabalhadores em plataformas monetizadas.
O texto também contesta benefícios oferecidos durante a competição, como a possibilidade de entrar uma hora mais tarde no expediente. Para a deputada, esse tipo de redução de jornada não deveria ser tratado como prêmio. A representação ainda afirma que recompensas como dinheiro e motocicletas poderiam mascarar remuneração por trabalho extraordinário.
Funcionárias defendem o casal
Após a repercussão, funcionárias gravaram um vídeo em defesa de Viih Tube e Eliezer. Elas afirmaram que ninguém foi obrigado a participar da competição e rebateram as críticas feitas nas redes.
“A gente trabalha feliz aqui, a gente ama o que a gente faz, a gente ama os nossos patrões. Somos bem cuidadas, somos bem tratadas. E agora vocês querem cancelar o nosso reality? Vai chamar o Ministério do Trabalho para onde tem coisa irregular”, disse uma delas. “Ninguém aqui precisa de advogado, não. Se nós quisermos advogado, a gente tem”, emendou.
Outra participante reforçou que a adesão ao programa teria sido voluntária. “Nós não fomos obrigadas a fazer nada que a gente não queira. Foi tudo conversado certinho e nós estamos amando participar”, afirmou.