
Instagram/Viih Tube
Viih Tube pede desculpas por reality com empregados
Influenciadora reconheceu que expôs participantes a situações que não deveriam ser normalizadas
Influenciadora reconhece erro do projeto
Viih Tube pediu desculpas pela criação de “As Patroas”, reality no qual empregados domésticos de sua residência disputavam dinheiro e benefícios relacionados ao trabalho. A manifestação ocorreu nesta quarta-feira (29/7), após a influenciadora e Eliezer firmarem um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho.
Qual foi o contexto?
O acordo encerrou a investigação aberta pelo órgão e determinou o pagamento de R$ 350 mil por danos morais coletivos. O casal também se comprometeu a retirar os episódios das plataformas, abandonar definitivamente o projeto e publicar conteúdos sobre direitos trabalhistas.
“Primeiro de tudo: eu não podia falar sobre o assunto ainda, estava desenvolvendo o acordo. Não era ideal que eu falasse sem ter nada fechado, mas agora vocês já conseguem ver que entramos em um acordo com o MPT para resolver a situação da melhor forma possível”, disse Viih Tube.
Como ela avaliou as críticas?
A ex-BBB afirmou que os empregados conheciam o roteiro e desejavam participar da produção. Ela reconheceu, porém, que o consentimento dos trabalhadores não eliminava o problema causado pela exposição diante de sua audiência.
“Eu quero muito pedir desculpa a quem se sentiu ofendido, a gente entende os questionamentos. Eu acho que nem preciso falar que não foi a nossa intenção. As meninas aqui em casa amam a gente, queriam participar, sabiam do roteiro.”
“Mas isso não muda o fato de que nós influenciamos pessoas, temos uma audiência e não podemos normalizar a situação que colocamos as meninas. E o MPT não derrubou meu Instagram, fui eu que tirei todas as minhas redes, eu fiquei muito mal, eu não estava bem, não estava acreditando. Não era a minha intenção, mas eu fui pega no susto. Não foi por falta de aviso, mas como tinha roteiro e tudo, eu achei que jamais fosse acontecer tudo isso.”
A declaração esclareceu ainda a retirada temporária de seus perfis das redes sociais durante a repercussão do caso. Na época, a desativação levantou suspeitas de que as plataformas ou o próprio MPT teriam determinado a suspensão das contas.
O reality reunia 11 empregados da residência dos influenciadores em uma competição por um prêmio final de R$ 20 mil. As provas também ofereciam dinheiro, vantagens profissionais e redução da jornada de trabalho.
Uma das atividades exigia que os participantes procurassem moedas de plástico escondidas em vasos sanitários e lixeiras. A dinâmica provocou críticas pela exposição da relação de poder entre empregadores e empregados.
O 1º episódio foi publicado em 30 de junho no YouTube e nas redes sociais do casal. O conteúdo saiu do ar menos de 24 horas depois, mas voltou a ser divulgado em algumas plataformas. O 2º capítulo, lançado em 2 de julho, tentou apresentar o projeto como uma crítica à precarização do trabalho e à escala 6×1.
A repercussão levou o MPT a abrir uma investigação para apurar possíveis violações de direitos e verificar se os trabalhadores haviam sido submetidos a uma exposição incompatível com sua dignidade.
Como ficou o acordo?
Além da indenização de R$ 350 mil, destinada ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, o TAC proíbe Viih Tube e Eliezer de produzir conteúdos que exponham trabalhadores a situações humilhantes ou constrangedoras, mesmo quando houver consentimento.
A participação de empregados em futuras produções audiovisuais deverá ser voluntária e autorizada por escrito. O casal também não poderá aplicar punições nem prejudicar quem se recusar a aparecer nos conteúdos ou denunciar irregularidades.
O descumprimento das obrigações poderá resultar em multa de R$ 50 mil por cláusula violada, acrescida de R$ 5 mil por trabalhador prejudicado.
Viih Tube afirmou que pretende usar os conteúdos educativos determinados pelo acordo para divulgar informações sobre as relações de trabalho.
“Eu ainda vou falar sobre o assunto, não sobre o reality, mas vídeos informativos, sobre questões trabalhistas, leis. A gente vai fazer do limão uma limonada dessa situação com o MPT para instruir pessoas sobre os direitos e deveres dos colaboradores que temos em casa… Isso está dentro do acordo. E mais uma vez: desculpa. Faz parte, gente. A gente tem que lidar. O MPT está fazendo o trabalho deles”, completou.