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Divulgação/Sony

Filme|29 de julho de 2026

Guia da Pipoca: “Homem-Aranha: Um Novo Dia” é a grande estreia nos cinemas

O novo filme do herói dos quadrinhos da Marvel domina a lista de lançamentos da semana

“Homem-Aranha: Um Novo Dia” é o marco cultural da semana no cinema. O quarto filme de Tom Holland como o herói dos quadrinhos chega às telas após o anterior, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”, arrecadar US$ 1,92 bilhão mundialmente e se tornar a maior bilheteria da história do estúdio Sony Pictures.

Expectativas estão elevadíssimas, com o filme servindo como continuação direta do anterior, além de introduzir uma nova personagem importante para o futuro cinematográfico da Marvel.

No circuito limitado, a programação alternativa é formada por lançamentos brasileiros e títulos europeus.

 
Pipoque pelo Texto ocultar
1 🎞️ HOMEM-ARANHA: UM NOVO DIA
2 🎞️ AS CORES DO TEMPO
3 🎞️ MARGEADO
4 🎞️ AQUELE QUE VIU O ABISMO
5 🎞️ AS AVES
6 🎞️ A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPO
7 🎞️ NÃO SEI VIVER SEM PALAVRAS
8 🎞️ LISTA DE DESEJOS PARA SUPERAGÜI
9 🎞️ A PROFESSORA DE PIANO

🎞️ HOMEM-ARANHA: UM NOVO DIA

▶ Assista ao trailer

 

A 4ª aventura solo de Tom Holland como Peter Parker reflete a consequência mais radical de “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”: quatro anos após apagar a própria existência da memória coletiva, o herói mora sozinho e combate o crime em tempo integral, enquanto acompanha à distância as novas vidas de MJ e Ned. Destin Daniel Cretton (“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”) substitui Jon Watts na direção, com roteiro dos veteranos da franquia Chris McKenna e Erik Sommers (ambos de “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”). A troca recoloca o personagem nas ruas de Nova York e converte o isolamento deixado pelo filme anterior no centro dramático da história.

Holland abandona parte da inquietação juvenil da trilogia anterior e sustenta um Peter consumido pelo sacrifício que fez. As cenas com Zendaya (“Duna: Parte Dois”) e Jacob Batalon (“Reginald the Vampire”) concentram esse peso: MJ e Ned continuam essenciais para ele, mas agora o tratam como um desconhecido.

Como se não bastasse, o protagonista começa a sofrer estranhas mutações e uma adversária “misteriosa”, interpretada por Sadie Sink (“Stranger Things”), passa a invadir a consciência de outras pessoas para atacar o Departamento de Controle de Danos. O Escorpião de Michael Mando (“Better Call Saul”) surge como um dos primeiros corpos dominados. A investigação aproxima o Homem-Aranha de Bruce Banner/Hulk, vivido por Mark Ruffalo (“Pobres Criaturas”), e estabelece uma parceria conflituosa com o Justiceiro de Jon Bernthal (“O Justiceiro”).

Cretton combina suspense psicológico e sinais de horror corporal com lutas apoiadas em cenários físicos e acrobacias por cabos. A fotografia de Brett Pawlak (“Luta por Justiça”) reforça a altura e a velocidade dos deslocamentos, sobretudo quando Peter despenca entre os prédios antes de lançar a próxima teia.

Cheio de referências aos quadrinhos clássicos do herói, “Um Novo Dia” ensaia aproximar o personagem das páginas da Marvel como nenhum outro filme, até decidir dedicar parte de seus 145 minutos para apresentar a origem de Jean Grey, “segredo” que já estava nas redes sociais antes mesmo da estreia, e em preparativos para histórias posteriores. O foco só é retomado quando a história confronta Peter com a impossibilidade de retomar a vida que sacrificou. Embora explore a grandiosidade das conexões do MCU (Universo Cinematográfico da Marvel, na sigla em inglês), o melhor de sua narrativa encontra-se no oposto exato: na solidão de um herói que todos conhecem e de um homem que ninguém consegue lembrar.


 

🎞️ AS CORES DO TEMPO

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A comédia dramática de Cédric Klapisch (“O Albergue Espanhol”) começa quando cerca de trinta parentes herdam uma casa abandonada na Normandia. Seb, Abdel, Céline e Guy, interpretados por Abraham Wapler (“Andor”), Zinedine Soualem (“Setembro 5”), Julia Piaton (“Que Mal Eu Fiz a Deus?”) e Vincent Macaigne (“As Coisas que Dizemos, as Coisas que Fazemos”), são encarregados de examinar o imóvel.

Fotografias, objetos e uma pintura conduzem o grupo até a memória de Adèle, antepassada vivida por Suzanne Lindon (“Primavera em Paris”). Aos 20 anos, ela deixa o campo e segue para a Paris de 1895 em busca da mãe, encontrando o pintor Anatole e o fotógrafo Lucien durante o surgimento do impressionismo, da fotografia e das primeiras imagens em movimento.

A montagem cruza as épocas com fluidez, enquanto a cinematografia e os cenários aproximam a composição cinematográfica da pintura. O diretor circula com naturalidade entre os dois períodos e incorpora figuras como Claude Monet e o fotógrafo Nadar sem transformar o filme em aula de história da arte. Em vez disso, apresenta uma narrativa sobre memória, herança e a maneira como o passado reaparece nas escolhas do presente. Exibido fora de competição em Cannes, o filme alcançou 96% de aprovação no Rotten Tomatoes.


 

🎞️ MARGEADO

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Primeiro longa de Diego Zon, o drama brasileiro acompanha uma comunidade pesqueira atingida pelo rompimento de uma barragem e pela chegada de lama contaminada ao rio. Danilo Andrade (“Os Lados da Rua”), Verônica Gomes (“Os Primeiros Soldados”) e Antônio Pitanga (“Barravento”) encabeçam o elenco.

A primeira parte se concentra em Yara, vivida por Gomes, e na permanência entre casas, redes e hábitos inviabilizados pelo crime ambiental. Dingue, interpretado por Andrade, escolhe partir de motocicleta. Sua viagem desloca a narrativa do litoral às montanhas capixabas, onde trabalhos temporários, encontros e lembranças formam um percurso sem destino definido.

A fotografia de Renato Ogata registra o território com força documental, aproximando a ficção dos desastres ambientais provocados por barragens no Brasil. Com duas horas e meia de duração, porém, “Margeado” dilui parte dessa força entre núcleos dispersos e diálogos excessivamente solenes.


 

🎞️ AQUELE QUE VIU O ABISMO

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Coprodução entre Brasil e China, a ficção científica experimental é codirigida por Gregorio Gananian (“Inaudito”) e pelo músico Negro Leo. Filmado majoritariamente na China durante uma residência artística, o projeto apresenta um futuro de escassez, vigilância corporativa e desagregação social.

Negro Leo interpreta X, figura orientada por visões em meio a assassinatos e ao recrutamento promovido pela corporação ProLife, que oferece uma existência melhor aos habitantes de uma distopia. Ava Rocha (“A Alegria É a Prova dos Nove”) e Clara Choveaux (“Os Primeiros Soldados”) integram um conjunto de personagens associado mais por sons, performances e estados mentais do que por relações explicativas.

A montagem de João Dumans (“Arábia”) e Gananian trabalha a descontinuidade como estrutura, enquanto a trilha de Henri Daio e Negro Leo faz do som um gatilho para as imagens. O método mostrou-se improvisado, construído primeiro pelas performances e somente depois pelo roteiro. Vencedora do Troféu Carlos Reichenbach na Mostra Olhos Livres, da Mostra de Tiradentes, a obra é elogiada pela liberdade formal, mas também produz uma narrativa hermética, que enfraquece seu desenvolvimento dramático.


 

🎞️ AS AVES

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A produção portuguesa dirigida por Pedro Magano (“Luana”) combina o conto “A Morte, o Tempo e o Velho”, de Mia Couto, com a peça homônima de Aristófanes. Gustavo Sumpta (“Nação Valente”) e a estreante Mafalda Rocha protagonizam a fábula, rodada na Ria de Aveiro e estruturada de acordo com o movimento das marés.

Sumpta interpreta um velho isolado entre margens lamacentas, que despreza os deuses e conversa com Poupa, uma calopsita mantida em uma gaiola. Nos livros encontrados durante visitas furtivas à biblioteca, ele concebe outra existência e sonha fundar Nefelocucolândia, cidade destinada à convivência livre entre humanos e aves. A chegada da Morte e do Tempo transforma o desejo em disputa.

A narrativa circular converte repetição, mortalidade e passagem do tempo em organização dramática. A paisagem moldada pelas marés dá corpo à sensação de purgatório, enquanto os monólogos e o elenco reduzido aproximam o filme do teatro.


 

🎞️ A FABULOSA MÁQUINA DO TEMPO

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A documentarista Eliza Capai (“Espero tua (Re)volta”, “Incompatível com a Vida”) retorna a Guaribas, no Piauí, para acompanhar meninas que atravessam a passagem da infância para a adolescência. Criadas em comunidades de forte presença evangélica, elas conversam com mães e avós, encenam histórias familiares e imaginam uma máquina capaz de levá-las ao passado para conhecer a vida de mães e avós, marcada por fome, trabalho precoce e restrições impostas às mulheres, e ao futuro, onde se veem adultas, independentes e profissionalmente realizadas. Relatos bíblicos, diferenças de gênero, alcoolismo e medo da vida adulta entram nas encenações elaboradas pelas próprias meninas.

A fotografia de Carol Quintanilha e o desenho de som preservam um tom de brincadeira sem diluir os conflitos. Ao compartilhar decisões narrativas com as crianças, Capai transforma memória oral em criação cinematográfica e evita que a pobreza determine sozinha suas identidades. O filme abriu a mostra Generation Kplus do Festival de Berlim e foi consagrado com prêmios de Direção, Trilha Sonora, Elenco e Crítica no Cine PE.


 

🎞️ NÃO SEI VIVER SEM PALAVRAS

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Em seu primeiro longa, o fotógrafo André Brandão retrata o pai, Ignácio de Loyola Brandão, escritor premiado de “Zero” e “Não Verás País Nenhum”, integrante da Academia Brasileira de Letras e cinco vezes vencedor do Prêmio Jabuti. O projeto nasceu de filmagens domésticas e de uma série de entrevistas realizadas entre pai e filho.

O material reúne fotografias comentadas, cartões, programas culturais, cartas e 38 rolos de Super-8 registrados pelo próprio Ignácio. As imagens percorrem São Paulo, Araraquara, Berlim, o cotidiano familiar e o nascimento de André, convertendo o escritor simultaneamente em personagem, narrador e autor de parte do arquivo visual.

Produzido a partir da convivência dos dois durante a pandemia, o documentário percorre a obra do autor e sua antiga paixão pelo cinema. Algumas passagens sobre a relação entre pai e filho dispersam o conjunto, mas essa proximidade também permite um acesso que dificilmente seria obtido por outro diretor.


 

🎞️ LISTA DE DESEJOS PARA SUPERAGÜI

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O documentário acompanha Olivares Gomes, conhecido como Martelo, pescador de 70 anos que espera pela aposentadoria enquanto enfrenta as dificuldades impostas pelo isolamento da Ilha de Superagüi, no litoral do Paraná. Por meio dele, o diretor estreante Pedro Giongo escuta outros moradores da comunidade caiçara e reúne depoimentos relacionados a trabalho, transporte, proteção ambiental e condições dignas de vida.

A câmera respeita o ritmo da ilha e evita transformar seus habitantes em ilustrações de abandono. A paisagem deixa de ser cartão-postal para revelar a tensão entre preservação, sobrevivência e ausência do poder público. Vencedor da Mostra Aurora na Mostra de Tiradentes, “Lista de Desejos para Superagüi” encontra força na observação paciente e na intimidade conquistada com seus personagens.


 

🎞️ A PROFESSORA DE PIANO

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O drama clássico de Michael Haneke (“Amor”, “A Fita Branca”) retorna ao cinema em versão restaurada sob supervisão do próprio diretor. Adaptado do romance “A Pianista”, de Elfriede Jelinek, o filme reúne Isabelle Huppert (“Elle”), Annie Girardot (“Rocco e Seus Irmãos”) e Benoît Magimel (“Pacifiction”) em um estudo sobre repressão, controle e violência.

Huppert interpreta Erika Kohut, professora do Conservatório de Viena que vive uma relação de dependência e hostilidade com a mãe. Sua rotina de disciplina musical encobre voyeurismo, automutilação e fantasias sadomasoquistas, até que a aproximação de um aluno transforma desejo, humilhação e domínio em uma disputa destrutiva.

Haneke filma essa relação sem romantização nem explicações reconfortantes. A disciplina da música clássica e a frieza dos ambientes contrastam com a violência física e emocional dos personagens. Enquadramentos estáveis, cortes secos e a recusa de explicações psicológicas fáceis mantêm a violência fora de qualquer efeito conciliador. A música de Schubert e Schumann funciona como extensão da disciplina que organiza e aprisiona Erika. O filme recebeu o Grand Prix de Cannes, além dos prêmios de interpretação para Huppert e Magimel.

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