
Divulgação/Instituto Lula
Equipe de Oliver Stone nega dinheiro de Vorcaro em filme de Lula e promete processo
Produtores rechaçam acusações e colunista sugere que informação pode ter sido plantada por aliados de Flávio Bolsonaro
Acusação gera reação
A equipe do documentário “Lula”, dirigido pelo vencedor do Oscar Oliver Stone (“Platoon”), está furiosa por ter sido envolvida no escândalo do filme “Dark Horse” e prometeu processo.
Por que a equipe de Oliver Stone vai processar?
A polêmica começou após a coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo, acusar produções sobre Lula e Michel Temer de também receberem aportes de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, atualmente preso sob suspeita de fraude.
Os produtores do longa de Stone afirmam que não receberam qualquer financiamento de Vorcaro ou de empresas associadas e que adotarão as medidas judiciais cabíveis contra informações inverídicas.
Qual a fonte da informação?
Segundo a coluna de Mônica Bergamo, a informação de que “Lula” também teria recebido verbas poderia ter sido plantada por fontes com interesse político no assunto.
“Aliados do próprio Flávio Bolsonaro estariam dizendo, sob reserva, ter recebido a informação”, escreveu a colunista, sinalizando uma tentativa de diluir o impacto negativo do vazamento de áudios do senador. O ministro-chefe da Secom, Sidônio Palmeira, reforçou ao Metrópoles que o presidente e o governo federal “jamais pediram ou receberam dinheiro” de Daniel Vorcaro para qualquer produção cinematográfica.
Quem produziu “Lula”?
A produção e responsabilidade pelo financiamento de “Lula” é da New Element Film, empresa sediada em Los Angeles e dirigida pelo argentino-americano Fernando Sulichin, que produziu o projeto juntamente com Maximilien Arvelaiz, colaborador de longa data de Oliver Stone. A New Element Film e Sulichin também produziram o recente documentário sobre Melania Trump para a Prime Video.
A Dogwoof, empresa britânica especializada em documentários, assumiu as vendas internacionais de “Lula”, antes de sua estreia mundial no Festival de Cannes em 2024. A Gersh cuidou dos direitos de distribuição nos EUA.
Filme de Temer recebeu dinheiro?
Diferente da equipe de “Lula”, o produtor do filme sobre Michel Temer, “963 Dias — A História de um Presidente que Recolocou o Brasil nos Trilhos”, admitiu o pagamento de Vorcaro para as filmagens. Elsinho Mouco afirmou que o longa de Bruno Barreto recebeu R$ 1 milhão do “Fundo Moriah Asset, vinculado à família Vorcaro”, no final de 2023.
Mouco destacou que o valor representa menos de 10% do orçamento total da produção, estimado em R$ 12 milhões, tentando distanciar o projeto do volume astronômico negociado para a cinebiografia de Bolsonaro.
Qual é o impacto dos áudios de Flávio Bolsonaro?
As conversas vazadas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro criaram sérios embaraços para a pré-campanha do senador à Presidência. De acordo com o Intercept Brasil, os valores totais negociados para financiar “Dark Horse” chegavam a R$ 134 milhões. Thiago Miranda, então sócio do portal LeoDias e responsável por apresentar o projeto a Vorcaro, revelou ao UOL que R$ 61 milhões teriam sido pagos pelo banqueiro antes de seus problemas legais.
A estratégia de envolver nomes como Oliver Stone e Bruno Barreto na polêmica sugere uma tentativa de “normalizar” o financiamento do ex-dono do Banco Master para filmes políticos. No entanto, o documentário “Lula” mantém a posição de que sua estrutura financeira é completamente alheia aos negócios de Vorcaro. A disputa agora deve sair das colunas políticas para ser resolvida nos tribunais, com os produtores de Stone buscando limpar a imagem da obra internacional.