
Ilustração/Nano Banana
Seleção de Cannes 2026 destaca autores do cinema europeu e asiático
Evento aposta em diretores consagrados como Pedro Almodóvar, Hirokazu Kore-eda e Asghar Farhadi, com ausência de filmes de Hollywood
O foco da competição principal
A seleção oficial do Festival de Cannes 2026 foi anunciada na manhã desta quinta-feira (9/4). A programação revelou uma competição fortemente voltada para autores consagrados do cinema mundial. Cerca de 65% dos filmes que disputam a Palma de Ouro são produções da França, Japão e Espanha, em contraste com uma presença tímida de Hollywood e ausência de latino-americanos.
O representante americano na disputa
Apenas um filme integra a Competição Oficial: “The Man I Love”, do diretor independente Ira Sachs. O filme ambientado na Nova York dos anos 1980 e foi descrito como uma “fantasia musical de uma cidade sob coação”. O diretor do festival, Thierry Frémaux, revelou que o longa aborda a crise da epidemia de AIDS.
O roteiro foi escrito por Ira Sachs em parceria com o brasileiro Mauricio Zacharias e o elenco estrelado conta com Rami Malek (“Bohemian Rhapsody”), Tom Sturridge (“Sandman”), Luther Ford (“The Crown”), Rebecca Hall (“Godzilla vs. Kong”) e Ebon Moss-Bachrach (“O Urso”).
Cineastas consagrados
O iraniano Asghar Farhadi, vencedor de dois Oscars de Melhor Filme Internacional, apresentará “Parallel Stories”. O longa foi filmado em Paris no ano passado e marca a segunda incursão do diretor no idioma francês, após “O Passado”, que rendeu à Bérénice Bejo o prêmio de Melhor Atriz no festival em 2013. A produção ainda não possui sinopse oficial, mas traz grandes nomes no elenco, como Isabelle Huppert, Virginie Efira, Vincent Cassel, Pierre Niney e Adam Bessa.
O diretor romeno Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro, retorna ao festival com “Fjord”. O longa traz no elenco Sebastian Stan e Renate Reinsve (de “A Pior Pessoa do Mundo”) e chega embalado pela distribuidora Neon, responsável pelos últimos seis vencedores do prêmio principal de Cannes.
Outro nome consagrado no festival, o belga Lucas Dhont, que despontou no evento de 2018 com “O Florescer de Uma Garota”, vencedor da Câmera de Ouro de melhor estreia, está de volta com “Coward”, sobre os horrores da 1ª Guerra Mundial. Assim como o polonês Pawel Pawlikowski, vencedor do troféu de Melhor Diretor no mesmo ano com “Guerra Fria”. Famoso por dramas intensos em preto e branco, ele retorna com outra produção característica de seu estilo, “Fatherland”, uma cinebiografia que explora a vida alemã de Thomas Mann no pós-guerra, a posição de sua família contra o nazismo e sua jornada para o exílio.
O também vencedor do Oscar e veterano de Cannes Pedro Almodóvar exibirá seu mais recente trabalho, “Bitter Christmas”, na competição principal. Frequentes colaboradores do cineasta também retornam ao festival com outros projetos: Javier Bardem estrela “The Beloved”, de Rodrigo Sorogoyen, enquanto Penélope Cruz faz uma participação memorável em “La Bola Negra”, dirigido pela dupla Javier Calvo e Javier Ambrossi.
A força do cinema asiático
O Japão marca forte presença com três filmes na disputa, incluindo “Sheep in the Box”, do aclamado diretor Hirokazu Kore-eda, que abordará o tema da inteligência artificial. A Coreia do Sul também entra na briga com “Hope”, de Na Hong-jin, que faz sua estreia em inglês após uma carreira marcada por produções violentas e cultuadas como “O Caçador” (2008) e “O Lamento” (2016). O elenco conta com Michael Fassbender, Alicia Vikander, Taylor Russell e a estrela revelada por “Round 6”, Hoyeon.
Forte presença feminina e títulos aguardados
A competição deste ano conta com cinco filmes dirigidos por mulheres, número próximo ao recorde histórico do festival (sete filmes, estabelecido em 2023). Frémaux destacou que o evento recebeu a submissão de 2.541 longas-metragens, um aumento de mil títulos em comparação com a década passada.
Entretanto, algumas ausências chamaram a atenção da imprensa, como “Bucking Fastard”, do alemão Werner Herzog, e “Paper Tiger”, do americano James Gray. No entanto, o diretor do festival indicou que pelo menos mais um filme será adicionado à disputa principal.
A ausência da América Latina e do Brasil
Outra ausência bastante sentida na disputa principal pela Palma de Ouro é a da América Latina. O Brasil, que no ano passado brilhou com “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, não emplacou nenhum longa-metragem na competição oficial deste ano. Nenhum outro país latino-americano tampouco entrou na lista dos 21 filmes que concorrem ao prêmio máximo.
No entanto, a bandeira nacional não estará totalmente ausente do evento. O Brasil é um dos coprodutores do filme “Elefantes na Névoa” (junto com Nepal, Alemanha, França e Noruega). Dirigido pelo nepalês Abinash Bikram Shah, o longa garantiu espaço na prestigiada mostra paralela Um Certo Olhar – que também exibirá “El Deshielo” (Manuela Martelli, Chile) e “Siempre Soy Tu Animal Materno” (Valentina Maurel, Costa Rica).
Os destaques das mostras paralelas
Fora da Competição Oficial, a programação não decepciona. A cineasta americana Jane Schoenbrun, do cultuadíssimo “Eu Vi o Brilho da TV”, abrirá a mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard) com “Teenage Sex and Death at Camp Miasma”, produzido pela Plan B de Brad Pitt e estrelado por Hannah Einbinder e Gillian Anderson.
Outros grandes nomes também farão exibições especiais: Nicolas Winding Refn apresenta “Her Private Hell”, Steven Soderbergh exibe “John Lennon: The Last Interview” e Ron Howard lança o documentário “Avedon”. Até John Travolta fará sua estreia na direção com “Propeller One-Way”, com exibição fora de competição antes do lançamento na Apple TV.
Além disso, o tapete vermelho promete brilhar com nomes como Brendan Fraser, Bill Murray e Dustin Hoffman no longa “Diamond”, dirigido por Andy Garcia, além de Kristen Stewart e Woody Harrelson de “Full Phil”, do francês Quentin Dupieux.
Filme de abertura e homenageados
A honra de abrir o festival ficou com “The Electric Kiss” (La Vénus Électrique), drama de época do veterano diretor francês Pierre Salvadori. A trama é ambientada no mundo da arte parisiense do início do século XX e traz Pio Marmaï, Anaïs Demoustier, Gilles Lellouche e Vimala Pons no elenco.
A 79ª edição do Festival de Cinema de Cannes 2026 ocorrerá de 12 a 23 de maio de 2026. O prestigiado evento acontece na Riviera Francesa, com o cineasta sul-coreano Park Chan-wook (três vezes premiado no festival) presidindo o júri da competição principal. Os homenageados da edição serão o cineasta neozelandês Peter Jackson e a atriz, diretora e cantora americana Barbra Streisand.