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Instagram/Luiz Bacci

TV|10 de janeiro de 2026

Luiz Bacci ataca Banco Central em meio a campanha suspeita de influenciadores

Estadão publicou que apresentador do SBT seria um dos influenciadores pagos para defender Daniel Vorcaro


Pipoque pelo Texto ocultar
1 Reportagem investigativa
2 Vídeos seriam evidência de campanha
3 Acusações de “mutreta” e envolvimento político
4 Defesa de Vorcaro e ataques ao BC
5 Esquema de pagamentos milionários
6 O que dizem as defesas dos citados?

Reportagem investigativa

O jornal O Estado de S. Paulo publicou neste sábado (10/1) uma reportagem implicando o apresentador Luiz Bacci, do SBT, no contexto de uma suposta campanha coordenada nas redes sociais. Segundo a reportagem, Bacci publicou pelo menos quatro vídeos em suas redes sociais no último mês com críticas diretas ao Banco Central (BC) e defesas ao Banco Master, instituição de Daniel Vorcaro envolvida num escândalo financeiro.

Embora a reportagem do Estadão não apresente recibos de pagamentos feitos diretamente ao apresentador, o jornal incluiu Bacci na lista de perfis monitorados por identificar que o conteúdo publicado por ele segue a mesma linha narrativa, cronológica e de pauta dos influenciadores que teriam sido contratados para atacar a autarquia federal. Até o momento, Bacci não se pronunciou sobre as acusações.

Vídeos seriam evidência de campanha

De acordo com a reportagem, a série de publicações começou em 18 de dezembro nas redes sociais. No primeiro vídeo, Bacci questionou a liquidação do Banco Master, citando um pedido de explicações do ministro do TCU, Jhonatan de Jesus. “Ninguém conseguiu engolir algo como uma fraude bilionária onde não apareceu nenhum cliente sequer reclamando, dizendo que o Banco Master está devendo para ele. Como alguém consegue fazer uma fraude bilionária estando sujeito às regras do Banco Central?”, disparou o apresentador.

Bacci foi além e levantou suspeitas de conspiração. “Quem teve interesse de liquidar um banco de uma hora para outra? Quem teve interesse de, no dia para a noite, simplesmente liquidar um banco? Há suspeita de uma manobra política de algum grupo financeiro, político, para desestabilizar o Banco Master”, afirmou.

Acusações de “mutreta” e envolvimento político

Em um segundo vídeo, postado no dia 29 de dezembro, o jornalista alegou que a liquidação foi feita “na surdina e na calada da noite”, informação contestada pelo fato de o BC ter analisado o caso por mais de cinco meses antes da decisão. “E essa série de escândalos envolvendo o Banco Central? O que que é isso? Um escândalo sem precedentes que envolve a liquidação na surdina, na calada da noite, que envolve o Banco Master. Pelo que estou entendendo estão suspeitando que tem mutreta na tal liquidação do Banco Master”, disse Bacci.

O apresentador chegou a insinuar envolvimento do governo federal, citando o presidente Lula e Gabriel Galípolo, presidente do BC. “O presidente [Gabriel Galípolo] foi escolhido pelo Lula. Como é que pode estar no alvo de tanto escândalo? Daqui a pouco a população brasileira vai desconfiar, e com toda a razão, se a taxa de juros altíssima, que não para de bater recorde, é honesta, se está sendo definida de maneira transparente”, completou.

Defesa de Vorcaro e ataques ao BC

No dia 1º de janeiro, Bacci divulgou um terceiro vídeo replicando a defesa de Daniel Vorcaro à Polícia Federal. “Vorcaro foi enfático, negou qualquer tipo de irregularidade, afirmou que não houve fraude, e que os fatos divulgados até agora estão distorcidos e apresentados fora de contexto”, relatou o jornalista.

Ele questionou a prisão de Vorcaro no aeroporto de Guarulhos, sugerindo que a detenção ocorreu convenientemente após o anúncio de uma suposta venda do banco que resolveria seus problemas de liquidez. O vídeo não mencionou, no entanto, que a Polícia Federal agiu para evitar uma possível fuga do banqueiro para Dubai, suspeitando que a proposta de venda fosse apenas uma cortina de fumaça.

O ataque mais contundente veio no quarto vídeo, em 5 de janeiro. “O TCU não está fazendo uma devassa. Ele está fazendo a única coisa que resta de digno neste País, acendendo a luz. É justamente por isso que as baratas estão correndo pelos corredores. É a maior confissão de culpa, que não querem que você veja”, declarou Bacci, referindo-se à “caixa-preta” do Banco Central.

Esquema de pagamentos milionários

A existência de uma campanha organizada de descredibilização do Banco Central foi revelada pelo vereador Rony Gabriel (PL-RS), que denunciou à jornalista Andreia Sadi ter recebido proposta para integrar o “projeto DV” (Daniel Vorcaro). O deputado estadual Leo Siqueira (Novo-SP) também confirmou ter sido sondado. A jornalista Malu Gaspar, de O Globo, informou que os valores para os influenciadores podiam chegar a R$ 2 milhões, dependendo do número de seguidores.

O Estadão analisou o conteúdo, os horários das publicações e os pontos em comum entre os materiais publicados, concluindo que todos os influenciadores publicaram conteúdos no final de dezembro, tendo como referência o mesmo conteúdo, que seria uma possível revisão da liquidação do Master, por meio de críticas contra a atuação dos órgãos reguladores e questionamento sobre a “rapidez” da decisão. Em nenhum dos casos, as publicações foram identificadas como publicidade. Ainda segundo o Estadão, o acordo previa um termo de confidencialidade para o “projeto DV”, cuja violação implicava multa de R$ 800 mil aos influenciadores.

A denúncia do jornal paulista afirma que os repasses seriam intermediados pela agência MiThi, de Thiago Miranda, ex-CEO do Grupo Leo Dias. A informação foi corroborada por outros veículos de imprensa. Um denunciante, influenciador de SP, falou sob condição de anonimato ao G1, afirmando a que foi procurado por um integrante da agência GroupBR. Segundo documentos enviados por ele ao site do grupo Globo, ele recebeu um cachê de R$ 7.840, pago em 19 de dezembro, mesmo dia do primeiro post. O documento mostra que o dinheiro saiu da conta de Thiago Miranda, dono da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi. Outros influenciadores fizeram relatos similares ao G1.

A Polícia Federal deve investigar se houve uma ação coordenada para difundir críticas à autoridade monetária após a liquidação do Banco Master.

O que dizem as defesas dos citados?

Em meio à polêmica, o jornalista Leo Dias esclareceu nas redes sociais que Miranda se desligou de sua empresa em junho de 2025.

Daniel Vorcaro, por meio de seus advogados, negou envolvimento na contratação de influenciadores e pediu investigação sobre a propagação de fake news. Em petição ao STF, os advogados do banqueiro argumentam que é ele que tem sido vítima de milícias digitais, alvo de um “massivo ataque reputacional, da disseminação constante de fake news feita de forma orquestrada e coordenada”, e pedem a apuração da origem das publicações.

Luiz Bacci e Thiago Miranda ainda não se pronunciaram.

O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes citadas, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado.

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