Unsplash/Viktor Theo

Netflix perde 200 mil assinantes em 2022

A Netflix divulgou o relatório financeiro do primeiro trimestre de 2022, onde registrou uma diminuição em seu número de assinantes. Após relatar quedas consistentes no ritmo de crescimento ao longo do ano passado, a empresa revelou ter perdido 200 mil clientes entre janeiro e março.

Foi a segunda vez que a gigante do streaming apresentou números negativos, desde o lançamento de suas primeiras produções originais. A primeira foi em 2011, quando um investidor aproveitou o viés de baixa para tentar adquirir a empresa comprando suas ações no mercado. Na ocasião, a Netflix conseguiu impedir a compra hostil.

A plataforma perdeu assinantes em quase todas as regiões, exceto no mercado da Ásia e do Pacífico, onde teve um acréscimo líquido de mais de 1 milhão de assinantes, puxado pela diminuição no preço das assinaturas na Índia.

O aumento asiático ajudou a compensar uma queda impressionante entre os consumidores da América do Norte. Com concorrência cada vez mais acirrada pelas diversas ofertas de streaming, a empresa perdeu cerca de 640 mil assinantes na região.

O serviço também perdeu 350 mil assinantes na América Latina e mais 300 mil entre a Europa, Oriente Médio e África.

A projeção do relatório não é otimista, prevendo que o encolhimento deve aumentar no segundo trimestre, quando a Netflix espera perder até mais de 2 milhões de assinantes. Este número elevado leva em conta a decisão da empresa de suspender seu serviço na Rússia, onde possui cerca de 700 mil assinantes, em protesto contra a invasão da Ucrânia.

Para reagir às perdas, o streamer pretende impedir o compartilhamento de senhas entre pessoas de diferentes residências.

Em seu relatório para o mercado, a Netflix apontou que, no universo de suas 220 milhões de assinaturas pagas, cerca de 100 milhões de pessoas compartilhavam o serviço sem pagar. Deste total, 30 milhões usufruem de senhas de terceiros apenas nos EUA e Canadá.

O plano da plataforma é explorar “a melhor forma de monetizar o compartilhamento”. Em vez de condenar a prática, pretende cobrar por ela.

A ideia é oferecer o serviço com preço promocional, chamado a iniciativa de “uma grande oportunidade” para quem quiser compartilhar a senha com terceiros, “pois essas famílias já estão assistindo à Netflix e desfrutando de nosso serviço”.

No mês passado, a Netflix começou a fazer testes para a cobrança de compartilhamento em três países da América Latina (Chile, Costa Rica e Peru) e a experiência deve agora ser implementada em todo o mundo.

O crescimento acelerado da Netflix nos últimos anos foi o fator que fez os estúdios de Hollywood criarem seus próprios serviços de streaming, mas a desaceleração que a empresa começa a enfrentar também pode levar a concorrência a reavaliar o tamanho do mercado global do entretenimento online e os investimentos elevados dispendidos para competir por assinantes.