Divulgação/TVI

Eunice Muñoz (1928–2022)

A atriz portuguesa Eunice Muñoz, que participou da novela “Porto dos Milagres” na Globo, morreu na sexta-feira (15/4) aos 93 anos. Ela estava em um hospital de Lisboa e não resistiu a uma parada cardiorrespiratória.

Com uma carreira longa, dedicada principalmente ao teatro português, Muñoz estreou nos palcos em 1941, aos 13 anos de idade, e desde então atuou em quase 200 peças, além de cerca de 80 produções audiovisuais.

Ela começou a aparecer nas telas também na adolescência. Tinha 15 anos quando figurou pela primeira vez na comédia “O Costa do Castelo” (1943) e 18 ao se destacar como coadjuvante em “Camões” (1946), exibido no Festival de Cannes, e “Um Homem do Ribatejo” (1946).

Com 21 anos, virou protagonista com o papel-título de “A Morgadinha dos Canaviais” (1949), adaptação do romance de Júlio Dinis.

Mas com a chegada da televisão em Portugal nos anos 1950, passou a dedicar mais atenção para o novo meio de comunicação, estrelando vários teleteatros, reprisados à exaustão devido à grande audiência alcançada em suas aparições.

Sua presença nas telas acompanhou a evolução da TV. Os teleteatros viraram telefilmes e, mais tarde, minisséries. Ela chegou até a participar de uma nova versão, em formato de minissérie, de “A Morgadinha dos Canaviais” em 1990, desta vez no papel da tia que hospeda o interesse romântica de Madalena, a “Morgadinha” que interpretara na juventude.

A partir dos anos 1990, as novelas passaram a dominar a programação noturna portuguesa, e Eunice Muñoz se tornou um dos maiores nomes do gênero ao assumir o papel-título de “A Banqueira do Povo” em 1993, produzida pelo brasileiro Walter Avancini, famoso diretor da Globo.

Seu sucesso acabou chegando ao Brasil em 2001, quando deu vida à cigana Emília Pita em “Porto dos Milagres”.

A passagem pelo país também rendeu uma parceria com Eva Wilma na peça “Madame”, que elas apresentaram em 2000 no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, após temporada em Portugal. Na trama, viviam Capitu e Maria Eduarda, personagens de Machado de Assis e Eça de Queirós, respectivamente.

Sua carreira, porém, foi interrompida por problemas de saúde. Uma queda em 2012, durante ensaios de teatro, lesionou sua cervical e fraturou seu dois punhos, e no ano seguinte ela foi diagnosticada com câncer na tireoide, que a fez perder a voz.

Lutando para voltar aos palcos, ela conseguiu realizar uma despedida em 2021, atualmente ao lado da neta, Lídia Muñoz, na peça “A Margem do Tempo”. Mas a temporada foi encurtada para que a atriz fosse hospitalizada.

Ao se recuperar, chegou a participar da série “Festa é Festa”, de um documentário e de um filme ainda inédito, mas voltou a sofrer problemas de saúde, que a deixaram internada praticamente desde janeiro. Ficou poucos dias de alta, voltando ao hospital no começo desta semana, onde veio a falecer.

Ao saber do falecimento, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa decretou luto nacional e prestou uma emocionada homenagem a Eunice Muñoz, agradecendo-lhe, em nome de todos os portugueses, por “décadas inesquecíveis”.