Cade mantém fusão entre Disney e Fox paralisada no Brasil

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) decidiu manter paralisado o processo de fusão entre Disney e Fox no Brasil. Em contraste ao avanço obtido pela aprovação da fusão entre Warner e a AT&T na semana passada pela Anatel, o conselho do Cade não pautou a análise do outro caso urgente de mídia, mesmo com – ou por causa da – reclamação da Disney em relação ao ritmo lento adotado pelo órgão para analisar o processo.

No último dia 6 de fevereiro, representantes da Disney e membros do Cade tiveram uma reunião em Brasília (DF) na sede do órgão, onde o clima teria se tornado tenso. Os representantes da empresa de entretenimento se disseram bastante incomodados com a lentidão do órgão para definir a situação da fusão entre Disney e Fox no Brasil.

Segundo apuraram vários veículos de imprensa, a Disney deixou claro nesta reunião que apresentou todos os pedidos de venda do Fox Sports, que era a condição para a aprovação, além de ter cumprido todas as obrigações que o Cade pediu para aprovar o negócio. Mas o próprio Cade impediu propostas do maior interessado, o grupo Globo.

A próxima sessão do Cade para julgar processos que podem caracterizar monopólio está marcada para quarta-feira (19/2), mas a pauta publicada no site oficial do órgão não prevê a discussão do caso da Disney.

Com isso, a conclusão da fusão entre Disney e Fox está adiada pelo menos até o dia 9 de março, quando ocorre a terceira sessão do ano.

Assim como aconteceu com a WarnerMedia, o Brasil é último país a travar o negócio da Disney em nível mundial.

Por conta dessa indefinição, o estúdio diminuiu seus investimentos no país. Não só na área de esportes, que vive a maior incógnita, mas principalmente em seus planos para o lançamento da plataforma de streaming Disney+, que utiliza propriedades da Fox, como a série animada “Os Simpsons”. Também são afetados os planos relacionados aos demais serviços da empresa, como a Hulu, que depende mais fortemente do conteúdo da Fox, e a versão de streaming da ESPN, que está perdendo prazos para negociar direitos de transmissões.

Ao mesmo tempo, a empresa tem feito reestruturações nas chefias de departamentos da Fox, a partir da decisão original do Cade de aprovar o negócio. O aval foi dado há exatamente um ano, mas incluiu a condição de venda do canal Fox Sports.

Como a Disney não conseguiu nenhum comprador que atendesse as exigências do órgão, o Cade afirmou em novembro que iria rever toda a operação, o que inclui as mudanças estruturais já realizadas pela Disney na Fox. Só que até agora não marcou reunião para tratar disso.