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O diretor Roman Polanski falou pela primeira vez sobre a <a href="https://pipocamoderna.com.br/2019/11/roman-polanki-e-alvo-de-nova-denuncia-de-estupro-cometido-nos-anos-1970/">mais recente denúncia de estupro</a> de que foi acusado, apresentada pela francesa Valentine Monnier em novembro passado. Chamando a acusação de uma "história bizarra", ele acabou atacando o produtor Harvey Weinstein, grande catalizador do ultraje que originou o movimento de denúncias #MeToo, como responsável pela onda de difamações que o acompanha nos últimos anos.Em entrevista à revista Paris Match, que chega às bancas na quinta-feira (12/12), trazendo Polanski na capa, o cineasta de 86 anos "nega absolutamente" tudo do que acusado, como já tinha feito há um mês através de seu advogado.Monnier disse ter sido agredida e estuprada por Polanski em 1975, na Suíça, quando tinha 18 anos.Ao declarar que se lembra dela "vagamente", o diretor de cinema acrescentou que "evidentemente não guarda na memória o que ela conta, pois é falso".Em um depoimento publicado no início de novembro pelo jornal francês Le Parisien, dias antes do lançamento do mais recente filme de Polanski, "An Officer and a Spy" (J'accuse), a fotógrafa e ex-modelo contou que, que quando foi esquiar em Gstaad (Suíça), junto com outra jovem, hospedou-se na casa do cineasta e que ele a "agrediu" e em seguida "a estuprou, fazendo-a sofrer todos os tipos de mazelas"."Isso é uma loucura! (...) Toma como testemunhas três amigos meus presentes no chalé: meu assistente Hércules Bellville, Gérard Brach e sua esposa, Elizabeth. Os dois primeiros morreram - muito conveniente, pois já não podem confirmar ou refutar o que ela disse. Em relação à senhora Brach, o jornal não a encontrou", prossegue o cineasta, que classifica essa história como "bizarra".Valentine Monnier disse não ter feito uma denúncia porque o crime estava prescrito. Mas que havia decidido apresentar publicamente esta denúncia devido à estreia do novo filme do diretor, que faz referência a um famoso erro judicial francês, o caso Dreyfus, em que um inocente é injustamente condenado por um crime que não cometeu. Polanski já teceu comentários comparando o seu caso, em que foi julgado por estupro em 1977, com o de Dreyfus.Ela foi a sexta mulher a acusar Polanski de estupro.O cineasta é considerado foragido pela justiça dos Estados Unidos, após se exilar na França em meio ao julgamento de 1977 em que se declarou culpado de ter mantido relações sexuais com Samantha Geimer, então com 13 anos. Ela foi compensada financeiramente por Polanski e ainda escreveu um livro sobre sua história, e nos últimos anos <a href="https://pipocamoderna.com.br/2017/06/vitima-de-estupro-de-polanski-nos-anos-1970-defende-o-cineasta-na-justica-americana/">vem defendendo o diretor</a> por considerar que ele cumpriu sua pena - ficou preso alguns dias nos anos 1970 e novamente em 2009, além de ficar impedido de trabalhar em Hollywood mulheres surgiram com denúncias de abuso sexual de décadas atrás.As denúncias anteriores também relataram casos acontecidos nos anos 1970.A atriz alemã Renate Langer, vista em "Amor de Menina" (1983) e "A Armadilha de Vênus" (1988), <a href="https://pipocamoderna.com.br/2017/11/justica-suica-arquiva-acusacao-de-estupro-contra-polanski/">relatou ter sido estuprada duas vezes em 1972</a>, quando ela tinha 15 anos e Polanski 39, também na casa do cineasta em Gstaad, na Suíça. Logo após o primeiro ataque, Polanski teria convidado Langer para figurar em seu filme "Que?", como pedido de desculpas. O segundo abuso teria acontecido durante as filmagens, em Roma. A atriz revelou que, para se defender, chegou a jogar uma garrafa de vinho e outra de perfume no diretor.Outras acusações partiram da atriz britânica Charlotte Lewis ("O Rapto do Menino Dourado"), que denunciou ter sido estuprada em 1983, quando ela tinha 16 anos, de uma mulher identificada apenas como Robin, que acusa o diretor de tê-la estuprado nos anos 1970, também quando tinha 16 anos, e de Marianne Barnard, <a href="https://pipocamoderna.com.br/2017/12/policia-de-los-angeles-investiga-nova-acusacao-de-abuso-de-polanski-nos-anos-1970/">atacada em 1975 aos 10 anos de idade</a>, durante uma sessão de fotos em que Polanski lhe pediu que posasse usando apenas um casaco de pele em uma praia de Los Angeles.A maioria das denúncias só veio à tona recentemente, durante o auge do movimento #MeToo, que <a href="https://pipocamoderna.com.br/2018/05/roman-polanski-chama-movimento-metoo-de-histeria-coletiva-e-hipocrisia/">Polanski já chamou de "histeria coletiva" e "hipocrisia"</a>. Por conta das novas denúncias, o cineasta foi <a href="https://pipocamoderna.com.br/2018/05/bill-cosby-e-roman-polanski-sao-expulsos-da-academia-de-cinema-dos-eua-responsavel-pelo-oscar/">expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos</a>, que lhe premiou com o Oscar de Melhor Direção por "O Pianista", em 2003.Na conversa com a Paris Match, o cineasta francês culpou o produtor Harvey Weinstein, denunciado de abuso sexual por mais de 80 mulheres e catalizador do movimento #MeToo, pela perseguição que diz sofrer.Ele acusou Weinstein de ter "desenterrado" seu caso com Samantha Geimer, que "não interessava a ninguém", durante a campanha do Oscar de 2003, para prejudicar o favoritismo de seu filme "O Pianista" - e que mesmo assim conquistou três estatuetas, inclusive uma para o próprio Polanski."Seu assessor de imprensa foi o primeiro a me chamar de 'estuprador de crianças'", declarou o cineasta na entrevista, acrescentando que "há anos tentam fazer de mim um monstro".A denúncia mais recente chegou a gerar <a href="https://pipocamoderna.com.br/2019/11/manifestantes-impedem-premiere-do-novo-filme-de-polanski-na-franca/">piquetes de manifestantes femininas</a> na frente de cinemas e campanhas de boicote ao novo filme do cineasta. Mesmo assim, "An Officer and a Spy" (J'accuse) liderou as bilheterias na França em sua primeira semana em cartaz. Com mais de 501 mil ingressos vendidos, a obra teve a <a href="https://pipocamoderna.com.br/2019/11/polanski-tem-a-melhor-bilheteria-de-sua-carreira-em-meio-a-protestos-e-boicotes-feministas-na-franca/">"melhor estreia da carreira"</a> do veterano diretor.<img src="https://pipocamoderna.com.br/wp-content/uploads/2019/12/Exclusif-Roman-Polanski-On-essaie-de-faire-de-moi-un-monstre.jpg" alt="" width="1030" height="1332" class="alignnone size-full wp-image-152417" />

Filme|11 de dezembro de 2019

Roman Polanski: “Há anos tentam fazer de mim um monstro”

O diretor Roman Polanski falou pela primeira vez sobre a mais recente denúncia de estupro de que foi acusado, apresentada pela francesa Valentine Monnier em novembro passado. Chamando a acusação de uma “história bizarra”, ele acabou atacando o produtor Harvey Weinstein, grande catalizador do ultraje que originou o movimento de denúncias #MeToo, como responsável pela onda de difamações que o acompanha nos últimos anos.

Em entrevista à revista Paris Match, que chega às bancas na quinta-feira (12/12), trazendo Polanski na capa, o cineasta de 86 anos “nega absolutamente” tudo do que acusado, como já tinha feito há um mês através de seu advogado.

Monnier disse ter sido agredida e estuprada por Polanski em 1975, na Suíça, quando tinha 18 anos.

Ao declarar que se lembra dela “vagamente”, o diretor de cinema acrescentou que “evidentemente não guarda na memória o que ela conta, pois é falso”.

Em um depoimento publicado no início de novembro pelo jornal francês Le Parisien, dias antes do lançamento do mais recente filme de Polanski, “An Officer and a Spy” (J’accuse), a fotógrafa e ex-modelo contou que, que quando foi esquiar em Gstaad (Suíça), junto com outra jovem, hospedou-se na casa do cineasta e que ele a “agrediu” e em seguida “a estuprou, fazendo-a sofrer todos os tipos de mazelas”.

“Isso é uma loucura! (…) Toma como testemunhas três amigos meus presentes no chalé: meu assistente Hércules Bellville, Gérard Brach e sua esposa, Elizabeth. Os dois primeiros morreram – muito conveniente, pois já não podem confirmar ou refutar o que ela disse. Em relação à senhora Brach, o jornal não a encontrou”, prossegue o cineasta, que classifica essa história como “bizarra”.

Valentine Monnier disse não ter feito uma denúncia porque o crime estava prescrito. Mas que havia decidido apresentar publicamente esta denúncia devido à estreia do novo filme do diretor, que faz referência a um famoso erro judicial francês, o caso Dreyfus, em que um inocente é injustamente condenado por um crime que não cometeu. Polanski já teceu comentários comparando o seu caso, em que foi julgado por estupro em 1977, com o de Dreyfus.

Ela foi a sexta mulher a acusar Polanski de estupro.

O cineasta é considerado foragido pela justiça dos Estados Unidos, após se exilar na França em meio ao julgamento de 1977 em que se declarou culpado de ter mantido relações sexuais com Samantha Geimer, então com 13 anos. Ela foi compensada financeiramente por Polanski e ainda escreveu um livro sobre sua história, e nos últimos anos vem defendendo o diretor por considerar que ele cumpriu sua pena – ficou preso alguns dias nos anos 1970 e novamente em 2009, além de ficar impedido de trabalhar em Hollywood mulheres surgiram com denúncias de abuso sexual de décadas atrás.

As denúncias anteriores também relataram casos acontecidos nos anos 1970.

A atriz alemã Renate Langer, vista em “Amor de Menina” (1983) e “A Armadilha de Vênus” (1988), relatou ter sido estuprada duas vezes em 1972, quando ela tinha 15 anos e Polanski 39, também na casa do cineasta em Gstaad, na Suíça. Logo após o primeiro ataque, Polanski teria convidado Langer para figurar em seu filme “Que?”, como pedido de desculpas. O segundo abuso teria acontecido durante as filmagens, em Roma. A atriz revelou que, para se defender, chegou a jogar uma garrafa de vinho e outra de perfume no diretor.

Outras acusações partiram da atriz britânica Charlotte Lewis (“O Rapto do Menino Dourado”), que denunciou ter sido estuprada em 1983, quando ela tinha 16 anos, de uma mulher identificada apenas como Robin, que acusa o diretor de tê-la estuprado nos anos 1970, também quando tinha 16 anos, e de Marianne Barnard, atacada em 1975 aos 10 anos de idade, durante uma sessão de fotos em que Polanski lhe pediu que posasse usando apenas um casaco de pele em uma praia de Los Angeles.

A maioria das denúncias só veio à tona recentemente, durante o auge do movimento #MeToo, que Polanski já chamou de “histeria coletiva” e “hipocrisia”. Por conta das novas denúncias, o cineasta foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, que lhe premiou com o Oscar de Melhor Direção por “O Pianista”, em 2003.

Na conversa com a Paris Match, o cineasta francês culpou o produtor Harvey Weinstein, denunciado de abuso sexual por mais de 80 mulheres e catalizador do movimento #MeToo, pela perseguição que diz sofrer.

Ele acusou Weinstein de ter “desenterrado” seu caso com Samantha Geimer, que “não interessava a ninguém”, durante a campanha do Oscar de 2003, para prejudicar o favoritismo de seu filme “O Pianista” – e que mesmo assim conquistou três estatuetas, inclusive uma para o próprio Polanski.

“Seu assessor de imprensa foi o primeiro a me chamar de ‘estuprador de crianças'”, declarou o cineasta na entrevista, acrescentando que “há anos tentam fazer de mim um monstro”.

A denúncia mais recente chegou a gerar piquetes de manifestantes femininas na frente de cinemas e campanhas de boicote ao novo filme do cineasta. Mesmo assim, “An Officer and a Spy” (J’accuse) liderou as bilheterias na França em sua primeira semana em cartaz. Com mais de 501 mil ingressos vendidos, a obra teve a “melhor estreia da carreira” do veterano diretor.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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