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Filme|2 de novembro de 2019

Zumbilândia 2 se contenta em repetir a jornada do primeiro filme

Dez anos depois, o diretor Ruben Fleischer volta a se reunir com Jesse Eisenberg, Woody Harrelson, Emma Stone e Abigail Breslin para trazer aos fãs o tão aguardado “Zumbilândia 2”. Ou, como batizaram, “Zumbilândia: Atire Duas Vezes”. Demorou, não? E como a maioria das continuações (ou prelúdios) que levam tanto tempo para sair do papel, o resultado é uma decepção.

O primeiro filme aplicou um olhar original dentro de um gênero desgastado, até quando a comédia já era regra entre os filmes de zumbis, ao focar menos na tensão proporcionada pelo apocalipse e mais nos personagens. Sua história podia ser resumida na busca – mesmo que inconsciente – por uma família, única forma de amenizar o cais ao redor. Deu certo, eles se encontraram, entenderam isso e partiram rumo ao desconhecido, mas unidos para o que desse e viesse.

E o que faz a continuação? A mesma coisa, praticamente num repeteco do primeiro filme, com uma outra morte diferente, mas sem passar por conflitos inéditos. O quarteto pode até se desentender aqui e ali, o que é normal, mas chega à mesma conclusão de que formam uma família, como no final do primeiro “Zumbilândia”. Ou seja, uma década depois, a jornada é a mesma, com mais personagens (dispensáveis e irritantes, diga-se de passagem, com exceção de Nevada/Rosario Dawson) e soluções preguiçosas do roteiro. Num exemplo da perda de tempo criada por certas embromações, um dos personagens se despede dos demais, pois decide seguir em aventura solo, gera choradeira, abraços e beijinhos, só para retornar um segundo depois avisando que uma legião de zumbis está a caminho, voltando correndo ao grupo.

Mesmo que capriche em alguns takes, principalmente num plano sequência durante uma luta em um hotel, o diretor Ruben Fleischer parece se contentar com a abordagem mais convencional possível – uma marca de todos os seus outros filmes, de “Caça aos Gângsteres” a “Venom”. Num momento em que “The Walking Dead” satura o gênero de zumbis com séries derivadas e muita mesmice, “Zumbilândia 2” tem poucos momentos surpreendentes. Tanto é assim que seu maior destaque é uma ótima cena pós-créditos (ou durante os créditos). E quando a parte mais interessante são alguns poucos segundos exibidos depois do fim, é sinal inequívoco de que a sessão não valeu o preço do ingresso.

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Otávio Almeida

Otávio Almeida é formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Nasceu no Rio de Janeiro, mora em São Paulo, mas sempre torcerá pelo Flamengo. É fã de Star Wars, Steven Spielberg, Stanley Kubrick, Blade Runner, Martin Scorsese, Indiana Jones, Frank Capra, Billy Wilder, John Ford, Clint Eastwood, O Senhor dos Anéis, Woody Allen, George Lucas, Lawrence da Arábia, Quentin Tarantino, Rocco e Seus Irmãos, James Cameron e Chinatown. Além de editor do Hollywoodiano, escreve sobre cinema como colaborador da revista Preview.

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