Academia desqualifica filme nigeriano do Oscar 2020 e é criticada por Ava DuVernay


A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos desqualificou “Lionheart”, o representante da Nigéria na disputa por uma vaga no Oscar, na categoria de Melhor Filme Internacional, e a decisão desagradou causou polêmica nas redes sociais.

Primeiro filme da Nigéria selecionado para participar do Oscar, “Lionheart” foi desqualificado porque, apesar de utilizar idiomas locais como igbo, hausa e ibo, boa parte dos diálogos são em inglês, que é a língua falada pela maioria da população do país devido à colonização britânica.

Embora as regras da Academia estabeleçam que a inscrição nesta categoria deve ser de filmes de idioma estrangeiro, a aplicação dessa diretriz acaba excluindo a possibilidade de participação de todos os países de língua inglesa. O caso da Nigéria é exemplar, por ter uma das indústrias cinematográficas mais prolíficas do mundo, chamada de Nollywood, e mesmo assim nunca ter participado de uma premiação da Academia. “Lionheart” era sua primeira tentativa. Por conta disso, a decisão foi questionada pela cineasta americana Ava DuVernay (“Selma”, “Olhos que Condenam”).

“Vocês estão barrando esse país de competir no Oscar em seu idioma oficial?”, DuVernay questionou frontalmente no Twitter, recebendo agradecimentos da diretora e estrela do longa, Genevieve Nnaji, por chamar atenção da Academia para essa questão.

“O inglês é a língua que serve de ponte entre as mais de 500 línguas faladas no nosso país e que nos torna uma Nigéria única”, ainda reforçou Nnaji.

A cerimônia do Oscar 2020 marcará uma mudança na denominação da categoria que embala essa polêmica. Pela primeira vez, ela será chamada de Filme Internacional, após passar décadas sendo referida como Filme de Língua Estrangeira. Aparentemente, a mudança no nome não alterou em nada o sentido do prêmio.

O evento de gala da Academia vai acontecer em 9 de fevereiro, em Los Angeles (EUA), com transmissão ao vivo no Brasil pelos canais Globo e TNT.




Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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