Buscando…: Suspense passado em tela de computador vai ganhar sequência



A Sony planeja produzir uma continuação de “Buscando…”, suspense passado inteiramente na tela de um computador.

O filme virou um dos melhores negócios já feitos no Festival de Sundance. Adquirido por US$ 5 milhões pela Stage 6 Films, divisão “indie” da Sony, acabou faturando US$ 75 milhões nos cinemas. Por conta disso, o estúdio quer fazer mais um.

A equipe criativa original foi contratada para desenvolver uma nova história, que pode ter relação com a trama original ou trazer novos personagens num suspense com a mesma premissa tecnológica.

Estreia do cineasta Aneesh Chaganty, “Buscando…” radicalizou o conceito do “found footage”, que marcou terrores recentes com o ponto de vista de câmeras amadoras, mostrando toda a ação a partir da interação dos personagens com a internet. O detalhe é que o “maneirismo” é indissociável da narrativa, que acompanha um pai preocupado (John Cho, de “Star Trek”) com a filha que sumiu.


Em busca de pistas, ele vasculha as redes sociais da adolescente, conecta-se com amigos da filha, sempre diante da câmera do laptop, enquanto acompanha notícias do desaparecimento no YouTube e pesquisa sites, que se materializam para o espectador compartilhar sua busca e a constatação de que não tinha a menor ideia da vida privada da jovem. Mas a estética “online” não chega a distrair da principal força da trama: seu suspense. Há mais reviravoltas que se pode imaginar em visitas ao Google, Instagram e Reddit, arrastando o protagonista, um homem comum, a uma situação desesperadora, digna do cinema analógico do velho mestre Hitchcock.

Com 92% de aprovação no Rotten Tomatoes, a obra impressionou tanto nos Estados Unidos que foi consagrado como Melhor Filme da seção Next, no Festival de Sundance 2018, e recebeu um raro prêmio da Fundação Alfred P. Sloan, que reconhece trabalhos capazes de popularizar a ciência, no caso a web.

“Buscando…” foi o primeiro suspense criado no Google. E em mais de um sentido, já que Chaganty se notabilizou trabalhando em comerciais da companhia de tecnologia digital antes de virar diretor de cinema.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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