The Walking Dead é oficialmente cancelada… em quadrinhos



A história de “The Walking Dead” chegou ao fim. A revista em quadrinhos que acompanhava as desventuras dos sobreviventes do apocalipse zumbi foi cancelada por seu próprio criador. Robert Kirkman resolveu encerrar a publicação na edição 193, que chega às bancas dos Estados Unidos nessa quarta-feira (3/7).

A decisão, sem aviso prévio, foi uma surpresa para os leitores, que chegaram a duvidar quando a notícia chegou na internet, por meio do vazamento do texto de despedida de Kirkman, incluído na edição.

O fim abrupto mantém a tradição de choque que acompanha “The Walking Dead” desde seu lançamento em 2003. A história sempre se diferenciou por matar personagens favoritos dos fãs e vai acabar numa edição especial com 70 páginas, concebida como epílogo, um mês depois de Kirkman matar seu protagonista, Rick Grimes.

Para Kirkman, a morte de Rick se confunde com o fim da publicação, já que a história refletiu o ponto de vista do ex-xerife desde o primeiro exemplar. Em seu texto, ele escreveu que “The Walking Dead” foi uma jornada “de Shane até Rick”, lembrando que, ao menos nos quadrinhos, Shane foi o primeiro e Rick o último a morrer.

“Eu odeio saber o que está vindo agora”, Kirkman escreveu nas páginas finais da edição. “Como um fã, odeio perceber quando a história do filme está no terceiro ato e ele está acabando. Eu odeio contar comerciais e saber que a série está no fim. Eu odeio o sentimento de quando você sabe que está chegando ao fim de um livro. Alguns dos melhores episódios de ‘Game of Thrones’ são tão envolventes que você não sabe se viu 15 ou 50 minutos dele e quando o fim chega, você fica chocado”, continua o criador.

“Eu amo filmes longos por essa razão. Você perde a noção do tempo porque está convencido de que estará lá por muito tempo, mas a história se move e quando começa a terminar… você não acredita que já acabou. Surpresa, a revista em quadrinhos terminou! Tudo que eu fiz, tudo que um criador pode fazer é contar histórias que nos divirtam e esperar que o público se sinta da mesma maneira. Foi tudo que eu fiz e pareceu funcionar na maior parte do tempo”, anunciou Kirkman.



“The Walking Dead sempre foi construída na surpresa”, acrescentou o escritor.

“Estranhamente, por mais inseguro que eu esteja em terminar a história, sinto-me confiante em como a acabei. Eu venho construindo isso há anos, e é bom terminar com uma nota tão feliz. Saber que tudo o que esses personagens viveram significou alguma coisa. Ver que Michonne conseguiu encontrar sua filha, encontrar a paz em sua vida, e até ter um neto … isso é bom. Que o mundo está consertado… e em paz, o que de certa forma é ainda melhor do que antes… isso é significativo. E ver Carl naquela cadeira de balanço, lendo feliz para sua filha, sabendo que é a vida que Rick queria que ele tivesse … isso me deixa feliz”.

Assim, apesar de todas as mortes brutais ao longo de sua narrativa, “The Walking Dead” termina com um final feliz. E com um final que não poderá ser replicado na série televisiva, que desnecessariamente incluiu a morte de Carl, o filho de Rick, em sua 8ª temporada. Em compensação, Judith, morta nos quadrinhos, segue viva na série.

Atualmente, a atração televisiva está na altura da edição 144, no começo da Guerra dos Sussurradores, que se encerrou no número 162 dos quadrinhos. Bem mais curta que a guerra contra os Salvadores, a nova batalha deve incluir novas mortes chocantes, mas, curiosamente, a perda mais importante registrada nas páginas da história original já está morta desde a 3ª temporada da série – Andrea.

“The Walking Dead” chega a sua 10ª temporada em outubro.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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