Disney fecha Fox 2000, estúdio de A Culpa É das Estrelas e Clube da Luta



Um dia após assumir o controle da Fox, a Disney desceu a guilhotina em seus novos funcionários, demitindo executivos veteranos de distribuição e marketing, entre outros departamentos que serão extintos na consolidação da fusão. A maior novidade, porém, foi o anúncio de que o estúdio Fox 2000 será fechado.

Criado e comandado por Elizabeth Gabler desde 1999, o estúdio era especializado em filmes contemporâneos de médio orçamento. E lançou muitos sucessos, como “O Clube da Luta” (1999), “Nunca Fui Beijada” (1999), “Johnny & June” (2005), “O Diabo Veste Prada” (2006), “Marley & Eu” (2008), “A Culpa É Das Estrelas” (2014), “Joy: O Nome do Sucesso” (2015), “Ponte dos Espiões” (2015), “Estrelas Além do Tempo” (2016), “Com Amor, Simon” (2018) e “O Ódio que Você Semeia” (2018).

A empresa será desativada após lançar “The Woman in the Window”, novo filme de Joe Wright (“Anna Karenina”), atualmente em pós-produção e previsto para chegar aos cinemas em outubro. Não há informação sobre se os demais projetos que estavam em desenvolvimento no estúdio foram cancelados ou se serão remanejados para outra divisão da Disney. Também não há posição oficial sobre a situação de Gabler – se ela será dispensada, virará executiva da Disney ou produtora associada.

Curiosamente, a Fox 2000 fazia o tipo de filme que deve entrar em demanda com o lançamento da plataforma Disney+.



A decisão de eliminar o estúdio é consequência de uma projeção de economia na cada dos US$ 2 bilhões com cortes de produções, cargos dobrados e redundâncias operacionais que decorreram da compra da Fox. Várias demissões aconteceram entre quarta e quinta (21/3) nos Estados Unidos e mais são esperadas ao redor do mundo.

As divisões televisivas passaram sem muito trauma pela transição, mas a aquisição deixou a Disney com 11 estúdios de cinema: Walt Disney Pictures, Disney Animation, Pixar, Marvel, Lucasfilm, 20th Century Fox, Fox Searchlight, Fox Family, Fox Animation, Blue Sky e Fox 2000.

Além de limar um estúdio, a Disney também vai diminuir a produção de filmes da Fox, que deixará de lançar cerca de 20 títulos por ano para se limitar a no máximo meia dúzia de lançamentos anuais a partir de 2020. Esta conta, ao menos, não incluirá os filmes dos X-Men, que passarão a ser produzidos pela Marvel.

O detalhe é que a Marvel também vai diminuir – e não aumentar – a quantidade de seus lançamentos em decorrência do acúmulo de estúdios. Serão apenas dois filmes de super-heróis por ano.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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