Globo de Ouro 2019 consagra “filme sem diretor” Bohemian Rhapsody



Ah, o Globo de Ouro. Sem decepcionar, o prêmio dos 80 membros da Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood foi mais Globo de Ouro que nunca em 2019. Premiou um musical como Melhor Filme de Drama. E um drama como Melhor Comédia ou Musical.

Como bônus, Bill Murray ainda subiu no palco com um copo de bebida para dizer que o ponto alto da cerimônia, realizada na noite de domingo (6/1) em Los Angeles, foi o álcool.

Vencedor do Festival de Toronto, “Green Book – O Guia” foi o longa mais premiado da noite com três troféus: Melhor Ator Coadjuvante para Mahershala Ali, Melhor Roteiro e Melhor Filme de Comédia ou Musical. E ao fazer seu longo discurso final de agradecimento, o cineasta Peter Farrelly se vingou dos organizadores que o impediram de agradecer seu prêmio de Roteiro, mandando a orquestra parar de tocar para não interromper seu texto.

Já a vitória dupla de “Bohemian Rhapsody” com os prêmios de Melhor Ator para Rami Malek, que interpretou o cantor Freddie Mercury, e de Melhor Drama pela história musical da banda Queen, trouxe para o centro da sala o elefante mais vistoso da premiação, que todos pretenderam ignorar. E olha que o produtor Graham King quase chutou o elefante, ao mandar um agradecimento “para todos que esqueci”.

Os envolvidos com “Bohemian Rhapsody” lembraram de esquecer que o filme teve diretor(es). Nenhum agradecimento, reclamação, menção foi feita ao cineasta Bryan Singer, demitido nas filmagens, nem a seu substituto Dexter Fletcher. Como se direção fosse detalhe numa produção cinematográfica.

Acusado de abuso sexual de menor num processo na Justiça americana, Singer foi parar debaixo do manto de invisibilidade. Mas o motivo de sua demissão teria sido outro, após sumir durante as filmagens, poucos dias antes da nova acusação vir à público.

Em tom discordante, outro destaque da noite foi “Roma”, que levou o cineasta Alfonso Cuarón duas vezes ao palco, para receber os troféus de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Diretor. Enquanto “Bohemian Rhapsody” se provou um filme envergonhado de seu diretor, “Roma” jogou seus holofotes sobre o cineasta responsável por sua realização. Com direito a bis. Um contraste digno de nota.

“Vice”, “A Esposa” e “A Favorita” renderam troféus para seus Melhores Atores: Christian Bale, que lembrou de agradecer aos maquiadores e ao diabo pelo prêmio, Glenn Close, que fez um discurso sobre empoderamento aplaudido de pé, e Olivia Colman, que não parou de rir. Bill Murray explica.

Para completar a seleção cinematográfica do Globo de Ouro, ainda teve troféu para Regina King como Melhor Coadjuvante por “Se a Rua Beale Falasse”, para a animação “Homem-Aranha no Aranhaverso”, para a trilha de Justin Hurwitz em “O Primeiro Homem” e para a música “Shallow”, de Lady Gaga, no filme “Nasce uma Estrela”.

Os prêmios de “Roma” trouxeram a marca Netflix para a temporada de premiações. Mas ninguém disse mais vezes o nome do serviço de streaming quanto o produtor Chuck Lorre, que agradeceu seis vezes a plataforma em seu discurso, ao vencer o Globo de Ouro de Melhor Série de Comédia por “O Método Kominsky”. A série também premiou o ator Michael Douglas.

“A Maravilhosa Sra. Maisel” rendeu o Globo de Ouro para a atriz Rachel Brosnahan, consolando a Amazon.

Além de “O Método Kominsky”, “O Assassinato de Gianni Versace: American Crime Story” foi uma das raras séries a ser agraciada mais de uma vez, vencendo como Melhor Série Limitada (ou Telefilme, supostamente), além de render reconhecimento ao desempenho de Darren Criss como Melhor Ator do formato.

O Globo de Ouro também lembrou de “The Americans”, que exibiu sua temporada final em 2018. Nunca antes sequer indicada como Melhor Drama, venceu a categoria em sua primeira e última disputa.

Já os prêmios de interpretação dramática superestimaram Richard Madden, por “The Bodyguard”, e Sandra Oh, por “Killing Eve”. Por coincidência, ela também foi a apresentadora da cerimônia – ao lado de Andy Samberg.

Confira abaixo a lista completa de todos os premiados do Globo de Ouro 2019.

 

CINEMA

Melhor Filme – Drama
“Bohemian Rhapsody”

Melhor Filme – Comédia ou Musical
“Green Book – O Guia”

Melhor Ator – Drama
Rami Malek (“Bohemian Rhapsody”)

Melhor Atriz – Drama
Glenn Close (“A Esposa”)

Melhor Ator – Comédia ou Musical
Christian Bale (“Vice”)



Melhor Atriz – Comédia ou Musical
Olivia Colman (“A Favorita”)

Melhor Ator Coadjuvante
Mahershala Ali (“Green Book – O Guia”)

Melhor Atriz Coadjuvante
Regina King (“Se a Rua Beale Falasse”)

Melhor Diretor
Alfonso Cuaron (“Roma”)

Melhor Roteiro
Peter Farrelly, Nick Vallelonga e Brian Hayes Currie (“Green Book – O Guia”)

Melhor Trilha Sonora
Justin Hurwitz (“O Primeiro Homem”)

Melhor Canção Original
“Shallow” (“Nasce uma Estrela”)

Melhor Animação
“Homem-Aranha no Aranhaverso”

Melhor Filme Estrangeiro
“Roma” (México)

TV

Melhor Série – Drama
“The Americans”

Melhor Ator de Série – Drama
Richard Madden (“Bodyguard”)

Melhor Atriz de Série – Drama
Sandra Oh (“Killing Eve”)

Melhor Série – Comédia ou Musical
“O Método Kominsky”

Melhor Ator de Série – Comédia ou Musical
Michael Douglas (“O Método Kominsky”)

Melhor Atriz de Série – Comédia ou Musical
Rachel Brosnahan (“A Maravilhosa Sra. Maisel”)

Melhor Telefilme ou Série Limitada
“O Assassinato de Gianni Versace: American Crime Story”

Melhor Ator – Telefilme ou Série Limitada
Darren Criss (“O Assassinato de Gianni Versace: American Crime Story”)

Melhor Atriz – Telefilme ou Série Limitada
Patricia Arquette (“Escape at Dannemora”)

Melhor Ator Coadjuvante – Série ou Telefilme
Ben Whishaw (“A Very English Scandal”)

Melhor Atriz Coadjuvante – Série ou Telefilme
Patricia Clarkson (“Sharp Objects”)



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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