Aquaman inicia seu reinado nos cinemas brasileiros com estreia em 1,6 mil salas


“Aquaman” é a principal estreia de cinema da semana. Embalado por uma bilheteria recorde na China, o filme do super-herói chega ao Brasil uma semana antes de ser lançado nos Estados Unidos. Mas já agradou à crítica por lá, atingindo 75% de aprovação na média do site Rotten Tomatoes – a segunda maior nota das adaptações dos quadrinhos da DC, atrás só de “Mulher-Maravilha”.

Para manter o ímpeto, o lançamento vai acontecer em 1,6 mil salas, uma das maiores distribuições já registradas no país. Há 12 anos, este era o total de telas disponíveis em todo o território nacional.

Combinação de efeitos visuais de última geração e aventura à moda antiga, o filme estrelado por Jason Momoa e diversos coadjuvantes famosos (Amber Heard, Nicole Kidman, Willem Dafoe, Patrick Wilson e até Julie Andrews!) tem direção de James Wan, mais conhecido por filmes de terror como “Invocação do Mal”, “Sobrenatural” e “Jogos Mortais”, que, entretanto, já tinha desafiado expectativas ao estourar no gênero ação com “Velozes e Furiosos 7”.

Com seu monopólio de telas, a produção da Warner deixa pouco espaço para a concorrência, resultando numa das semanas de programação mais enxuta de 2018.

Apenas outro filme tem distribuição razoável: “Colette”, que também caiu nas graças da crítica internacional – 87% no Rotten Tomatoes – , em particular graças à performance de Keira Knightley (“Anna Karenina”) no papel-título.

O filme é uma cinebiografia da escritora francesa e ícone feminista Sidonie Gabrielle Colette, autora dos célebres romances “Chéri” (1920) e “Gigi” (1944). Mas quando a trama começa, ela é apenas uma jovem provinciana do final do século 19 que se casa com o escritor Henry Gauthier-Villars (Dominic West, da série “The Affair”), conhecido pelo nome artístico de Willy.

O drama mostra sua exploração inicial, quando começa a escrever suas experiências da época da adolescência e o livro, “Claudine”, torna-se um fenômeno. Só que é creditado a Willy. Pressionada a escrever continuações e sem receber nenhum reconhecimento, Colette se rebela, o que leva à separação e à sua luta para ser reconhecida como autora. Paralelamente, a jovem também embarca em novas descobertas (bi)sexuais. E tudo isso passa a alimentar sua literatura, que se aprimora e é aclamada pela crítica, tornando sua trajetória símbolo do empoderamento e da independência feminina. Além de um prato cheio para Keira Knightley encarnar outra mulher forte, à frente de seu tempo.

“Colette” também é uma homenagem do diretor Wash Westmoreland (“Para Sempre Alice”) para seu marido e parceiro artístico, Richard Glatzer, que trabalhava no roteiro na ocasião de sua morte em 2015. Rebecca Lenkiewicz (“Desobediência”) é creditada como corroteirista.

O terceiro e último longa de ficção da programação é o drama brasileiro “Intimidade entre Estranhos”, de José Alvarenga Jr. (“Dez Segundos para Vencer”), produção modesta que faria mais sentido, com outra pegada, há 30-40 anos atrás, quando o desejo sexual movimentava tramas excitantes e não relacionamentos de telenovela no cinema nacional.

Fecham a lista dois documentários femininos.

“Chá com as Damas” serve uma conversa agradável entre quatro estrelas veteranas do teatro e cinema britânicos – Eileen Atkins (“Paddington 2”), Judi Dench (“Assassinato no Expresso do Oriente”), Joan Plowright (“As Crônicas de Spiderwick”) e Maggie Smith (“O Exótico Hotel Marigold”).

E “Minas do Futebol” é um golaço. Um filme da Disney sobre a vida real e, ainda por cima, passado no Brasil. A história edificante acompanha um time feminino de futebol infantil que, inconformado por não ter um campeonato para disputar, inscreve-se na competição masculina. As jogadoras não só são aceitas na disputa, como surpreendem quando começam a vencer e vencer, até se consagrarem como campeãs do torneio.


Empoderador e emocionante, o documentário do estrante Yugo Hattori é ótimo por conta própria, mas também serve de exemplo para o tipo de blockbuster infantil que o cinema comercial brasileiro deve ao grande público. Essas minas são musas. Roteiristas, inspirem-se na história delas.

Confira abaixo os trailers e as sinopses dos cinco lançamentos desta quinta (13/12) nos cinemas.

Aquaman | EUA | Super-Heróis

Filho do humano Tom Curry (Temuera Morrison) com a atlante Atlanna (Nicole Kidman), Arthur Curry (Jason Momoa) cresce com a vivência de um humano e as capacidades meta-humanas de um atlante. Quando seu irmão Orm (Patrick Wilson) deseja se tornar o Mestre dos Oceanos, subjugando os demais reinos aquáticos para que possa atacar a superfície, cabe a Arthur a tarefa de impedir a guerra iminente. Para tanto, ele recebe a ajuda de Mera (Amber Heard), princesa de um dos reinos, e o apoio de Vulko (Willem Dafoe), que o treinou secretamente desde a adolescência.

Collete | Reino Unido | Drama

Colette (Keira Knightley) é uma romancista francesa que sofre com o seu casamento abusivo e com o seu parceiro que tenta ganhar créditos em cima de suas obras de maneira ilegal. Para superá-lo, ela emerge como uma grande escritora no seu país e, consequentemente, como uma candidata ao Prêmio Nobel em Literatura.

Intimidade entre Estranhos | Brasil | Drama

Maria (Rafaela Mandelli) acaba de se mudar para o Rio de Janeiro, com o objetivo de acompanhar Pedro (Milhem Cortaz), seu namorado, que será um dos protagonistas de uma minissérie bíblica sobre Noé. Por mais que seja carioca, o retorno à cidade não a agrada devido às lembranças que tem com o pai, já falecido. O casal se muda para um prédio cujo síndico é o jovem Horácio (Gabriel Contente), que é bem rigoroso com as regras do local. De início Maria bate de frente com ele, mas aos poucos se aproxima do vizinho.

Chá com as Damas | Reino Unido | Documentário

Juntas no mesmo ramo por décadas, as consagradas atrizes Eileen Atkins, Judi Dench, Joan Plowright e Maggie Smith deixam de lado os holofotes por alguns instantes para realizarem conversas intimistas, sinceras e reflexivas a respeito de suas carreiras, vidas pessoais e as influências de suas carreiras para a consolidação de uma amizade entre as quatro.

Minas do Futebol | Brasil | Documentário

Treinando diariamente desde a pré-adolescência para conseguir alcançar o topo do futebol feminino, um grupo de jogadoras passa por um momento inédito quando ganha um campeonato masculino disputado por times da elite brasileira como Corinthians e São Paulo. Depois de serem reveladas para o Brasil, chega a hora de finalmente brilhar.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



Back to site top
Change privacy settings