Google desiste de competir com a Netflix e muda estratégia do YouTube Premium



O Google desistiu do YouTube Premium, pelo menos do jeito como foi concebido, como uma Netflix embutida no YouTube. Em comunicado oficial, o YouTube anunciou que o acesso ao conteúdo original e exclusive do YouTube Premium passará a ser aberto para todos os usuários, gratuitamente. Mas só a partir de 2020.

A ideia é disponibilizar o conteúdo companhado por anúncios e lucrar com visualizações, em vez de assinaturas. Mas o YouTube Premium continuará a funcionar, oferecendo, para quem se dispuser a pagar, conteúdo exclusivo com antecedência e sem publicidade. Mais ou menos como experimenta a Globo no Brasil com seu Globo Play – no caso nacional, em relação à séries televisivas.

Há poucas semanas, o YouTube começou a testar o novo formato, disponibilizando cerca de 100 filmes clássicos, como “O Exterminador do Futuro”, “Legalmente Loira” e títulos da franquia “Rocky”, sem cobrar por suas visualizações.

O YouTube também planejar redirecionar seus investimentos para programas focados em celebridade e criadores de conteúdo da própria plataforma, como fazia quando começou seu projeto de programação original.

Os novos rumos do negócio vêm à tona duas semanas depois da estreia da sci-fi “Origin”, uma produção caríssima do YouTube Premium que teve pouca repercussão na mídia, e logo após a comemoração das 50 milhões de visualizações do primeiro episódio de “Cobra Kai”, disponibilizado de graça no portal. A matemática que permite a comparação dos dois resultados pode ter sido o “algoritmo” consultado para a decisão de apertar o pause.



Atualmente, o YouTube Premium enfrenta a guerra de streaming em curso nos Estados Unidos com um dos menores orçamentos de reserva, e ele já estaria comprometido com produções em desenvolvimento, como as novas temporadas de “Cobra Kai”, “Impulse” e as séries “Wayne”, produzida pelos roteiristas de “Deadpool”, “On Becoming a God in Central Florida”, que será estrelada por Kirsten Dunst (“Melancolia”), e “The Edge of Seventeen”, adaptação do filme homônimo, lançado no Brasil como “Quase 18”.

Estes projetos já encomendados podem explicar a data de 2020, anunciada para a mudança de estratégica, uma vez que devem embutir obrigações contratuais.

Não está claro se o YouTube Premium continuará a produzir séries originais de ficção, nos moldes ambiciosos dos projetos já desenvolvidos, após esse período.

Analistas apostam que o Facebook será o próximo a “pedir para sair” desse mercado, que em 2019 terá mais três serviços gigantes de streaming: plataformas da Disney, Apple e Warner Media.


Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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