Crítica: Homem Formiga e a Vespa aprimora sua fórmula para se destacar na Marvel

Depois da pesada carga dramática de “Vingadores: Guerra Infinita”, “Homem-Formiga e a Vespa” representa para os fãs da Marvel a hora de relaxar e aproveitar a diversão.

Realizado sem grandes problemas nos bastidores, como a saída de Edgar Wright e a entrada de Peyton Reed na direção do filme original, a nova aventura do herói é menos fórmula e mais coração.

Em retrospecto, o primeiro “Homem-Formiga” era legal, mas tão descompromissado que parecia um spin-off do Universo Marvel – tanto que o rótulo “Sessão da Tarde” encaixou da forma mais pejorativa possível, por ser divertido, inofensivo e completamente esquecível minutos depois. Talvez tenha sido a saída encontrada por Reed e o estúdio para “Homem-Formiga” passar bem longe, tanto da proposta visual quanto do estilo narrativo, de um diretor de assinatura tão reconhecida como Edgar Wright.

Já o segundo longa chega sem sombra em seu ombro. Peyton Reed, que concluiu o anterior, pode não ser criativo como Edgar Wright, mas soube encontrar um padrão para as aventuras do Homem-Formiga. Desta vez, a leveza da história não parece forçada. Melhor que isso, consegue dar personalidade própria ao filme sem a necessidade de descaradas ligações com os Vingadores. “Homem-Formiga e a Vespa” está devidamente inserido neste universo, mas não depende de easter eggs para impressionar o público e, com muita garra, reivindica seus status como parte essencial das engrenagens de uma saga gigantesca. Mesmo que tenha um tom completamente diferente e (por que não?) próprio.

“Homem-Formiga e a Vespa” tem o grande mérito de avançar questões iniciadas no primeiro filme e não se repetir. Entre elas, dar o passo seguinte nas discussões da complicada relação entre pais e filhas. Há, por sinal, três núcleos de pais e filhas que se complementam, formados por Scott Lang (Paul Rudd) e Cassie (Abby Ryder Fortson), Hank Pym (Michael Douglas) e Hope (Evangeline Lilly), e Bill Foster (Laurence Fishburne) e Ava (a revelação Hannah John-Kamen, estrela da série “Killjoys”). E “Homem-Formiga e a Vespa” consegue ser mais completo nesse tema que muito filme por aí com rótulo de sério.

Além disso, o filme desenvolve muito bem o arco do protagonista iniciado no episódio anterior, quase encerrando a jornada inicial de Scott Lang. Inicial, porque sabemos que ele se juntará em breve aos Vingadores na sequência de “Guerra Infinita”, graças ao gancho em uma das cenas pós-créditos – aliás, uma boa decisão fazer essa ligação somente após o fim do filme, porque mantém a identidade própria da produção.

Mais bem construído e equilibrado que o primeiro, “Homem-Formiga e a Vespa” encontra seu próprio tom. Para isso, não só a direção segura de Peyton Reed conta, mas também o comprometimento do elenco. Paul Rudd está muito à vontade e com a liberdade para ser o Paul Rudd que queremos ver, mas sua importância não é maior ou menor que a de Evangeline Lilly, que ilumina a tela toda vez que surge. Até os coadjuvantes de luxo brilham, especialmente Michael Peña (engraçadíssimo), Michael Douglas (com mais coisa para fazer que no primeiro longa) e a mulher que não precisa de efeitos para emitir sua luz natural, Michelle Pfeiffer. Sua presença é como um troféu de recompensa para o espectador. Aliás, uma curiosidade para quem já viu o filme: reparem no que está escrito no troféu da filha de Scott. No fim, não é mera piada, porque seu significado dialoga com a conexão do protagonista com uma certa personagem.

Pode não ser aquele filme que alça voos ousados, mas há uma harmonia indiscutível entre comédia, ação e efeitos (visuais e sonoros). A sequência que sintetiza essa junção é a perseguição em alta velocidade pelas ruas de São Francisco, que é a melhor do filme, e conclui a aventura como um espetáculo descompromissado. Só que, desta vez, mais difícil de ser esquecido.

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