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Filme|26 de julho de 2018

Arranha-Céu – Coragem sem Limite é tão exagerado que causa indiferença

Eis um filme que dá saudades do cinema de ação que deixou de ser feito há algumas décadas. “Arranha-Céu – Coragem sem Limite” acaba remetendo, inevitavelmente, aos filmes dos anos 1980 e 1990, em particular ao clássico “Duro de Matar”, divisor de águas entre as explosões cenográficas da era Reagan e o que surgiria com mais sofisticação na década seguinte. Trata-se da mesma história do herói passando por situações perigosas para enfrentar terroristas armados, em um prédio alto e isolado pelas autoridades.

Acontece que tudo é anabolizado, exagerado e inverossímil a ponto de o efeito para o espectador ser uma sensação de anestesia e indiferença. A começar por Dwayne Johnson, uma figura tão forte e tão cheia de músculos que parece um super-herói, mesmo quando seu personagem é retratado com perna prostética. Nada parece ser obstáculo para sua determinação, que lhe permite passar de um lado a outro do prédio mais alto do mundo com auxílio de fitas adesivas nas mãos, como um Homem-Aranha. A comparação deixa Bruce Willis parecendo um homem normal, que até sangra bastante no original.

Retratar o protagonista com uma deficiência física (o herói perde a perna em ação no início do filme) não significa que o personagem tenha pontos fracos. Ao contrário, ele se torna ainda mais invencível com aquela perna falsa, que lhe será muito útil em determinadas situações de perigo.

A trama, que ainda inclui um incêndio para aumentar o perigo, não promete nenhuma sutileza. Nem a equipe de efeitos especiais se preocupa em deixar as cenas realistas a ponto de fazer o espectador se importar com o protagonista. Não é uma produção feita no capricho de um “Missão Impossível” e nem tem a pretensão de ser, na verdade. Mas o diretor Rawson Marshall Thurber, que já trabalhara com Johnson em “Um Espião e Meio” (2016), poderia usar os exageros a seu favor, como acontece em “Velozes e Furiosos”.

Poderia-se elogiar a volta de Neve Campbell a um papel de destaque no cinema. Intérprete da mulher de Johnson, ela retorna após ausência de sete anos, desde “Pânico 4”. Mas a eterna Sidney, que enfrentava assassinos psicopatas com destemor, agora não é mais do que uma esposa em perigo cuidando de seus dois filhos.

Resta, portanto, a locação. Hong Kong é um charme e tem sido um grande polo de filmes de ação há várias décadas. Parte do elenco é composta por atores locais. Além do homem que idealizou o prédio mais alto do mundo, vivido por Chin Han, há uma personagem coadjuvante, do grupo dos vilões, que poderia ter sido melhor aproveitada, a jovem e bela Hannah Quinlivan. Ela e Neve Campbell tem um momento juntas, mas é muito pouco. Porque Dwayne Johnson ocupa a maioria das cenas, com seu vigor exaustivo.

É curioso que, assim como o ator na sala de cinema, o protagonista da trama passa a ter suas ações acompanhadas por uma multidão através de uma imensa tela de televisão, enquanto o prédio está em chamas e sua família corre perigo. Um instante de metalinguagem que, claro, o diretor não soube ou não quis explorar.

A trama é o de menos: envolve os inimigos do empresário que planejam por em chamas o prédio mais alto do mundo. As cenas não deixam de passar uma lembrança do 11 de setembro. Talvez a ideia de Thurber tenha sido esta: fazer um grande épico de ação que remetesse a um grande desastre americano. Conseguiu: fez um simulacro de “Duro de Matar” que dá saudades de “A Força em Alerta”.

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Ailton Monteiro

Ailton Monteiro é professor e vai ao cinema com frequência desde os 16 anos de idade. Mantém o blog Diário de um Cinéfilo, premiado com o Quepe do Comodoro de melhor blog de cinema em 2004.

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