Helena Bonham Carter viverá a Princesa Margaret na 3ª temporada de The Crown
A atriz Helena Bonham Carter (“Alice Através do Espelho”) entrou no elenco da 3ª temporada de “The Crown”. Ela viverá a versão mais velha da princesa Margaret, interpretada nas duas primeiras temporadas por Vanessa Kirby. Em entrevista à revista The Hollywood Reporter, Kirby tinha dito que ficaria com ciúmes de quem fosse encarnar a princesa Margaret nos próximos episódios. “Fico animada por quem fizer isso, porque definitivamente conseguiu a melhor parte. Tragam o drama! Eu teria adorado ter feito isso. Eu absolutamente amei fazer todas as linhas ardentes, ficar bêbada e tudo o mais. Mas suponho que tive a sorte de ter duas temporadas, pelas quais posso me dizer agradecida”. Helena Bonham Carter vai se juntar a Olivia Colman (da série “Broadchurch”), que substituirá Claire Foy como a rainha Elizabeth II. Por enquanto, apenas as duas atrizes foram confirmadas nas próximas fases da atração, que devem abranger também a 4ª temporada. Cada temporada da premiada “The Crown”, que venceu o Globo de Ouro de Melhor Série de Drama em 2017, deve seguir uma década diferente da vida da nobreza britânica. Assim, a 3ª temporada será passada na década de 1970, época do Jubileu de Prata do reinado de Elizabeth II, do punk rock e da música “God Save the Queen”, dos Sex Pistols.
Mulher-Maravilha e Corra! são indicados ao prêmio dos Produtores dos EUA
O Sindicato dos Produtores dos Estados Unidos anunciou os indicados à sua premiação anual, os PGA Awards. Um dos mais importantes prêmios da indústria, o prêmio serve como um bom termômetro para o Oscar 2018, já que os integrantes do sindicato também votam no prêmio da Academia. Desde 2000, as duas premiações só diferiram quatro vezes, quando “Moulin Rouge!” (2001), “Pequena Miss Sunshine” (2006), “A Grande Aposta” (2015) e “La La Land” (2016) venceram o prêmio dos produtores e, digamos assim, os filmes errados (“Uma Mente Brilhante”, “Os Infiltrados”, “Spotlight” e “Moonlight”) ficaram com Oscar. Curiosamente, a lista de candidatos ao troféu de melhor produção cinematográfica de 2017 inclui 11 indicados, em vez dos tradicionais 10. E a surpresa fica por conta da inclusão de “Mulher-Maravilha”. Vale lembrar que “Deadpool” apareceu entre os indicados do ano passado, mas foi esnobado pelo Oscar. Entre os demais títulos lembrados estão alguns que já venceram diversas premiações, como “Corra!”, “Me Chame Pelo Seu Nome”, “A Forma da Água”, “Três Anúncios para um Crime” e “Lady Bird”. O PGA Awards também premia séries, e curiosamente sua lista já registra a mudança de status de “Big Little Lies”. Exibida como minissérie, a atração teve 2ª temporada confirmada, e assim terá que disputar reconhecimento na categoria de série dramática, contra “The Crown”, “Game of Thrones”, “The Handmaid’s Tale” e “Stranger Things”. Difícil. Os vencedores serão anunciados no dia 20 de janeiro. Confira abaixo a lista dos indicados nas categorias de cinema e séries. Indicados ao PGA Awards 2018 Melhor Filme “Doentes de Amor” “Me Chame Pelo Seu Nome” “Dunkirk” “Corra!” “Eu, Tonya” “Lady Bird – A Hora de Voar” “A Grande Jogada” “The Post – A Guerra Secreta” “A Forma da Água” “Três Anúncios para um Crime” “Mulher-Maravilha” Melhor Animação “O Poderoso Chefinho” “Viva – A Vida É Uma Festa” “Meu Malvado Favorito 3” “O Touro Ferdinando” “Lego Batman: O Filme” Melhor Documentário “Chasing Coral” “City of Ghosts” “Cries from Syria” “Earth: One Amazing Day” “Jane” “Joshua: Teenager vs. Superpower” “The Newspaperman: The Life and Times of Ben Bradlee” Melhor Série Dramática “Big Little Lies” “The Crown” “Game of Thrones” “The Handmaid’s Tale” “Stranger Things” Melhor Série Cômica “Curb Your Enthusiasm” “The Marvelous Mrs. Maisel” “Master of None” “Silicon Valley” “Veep” Melhor Minissérie ou Filme para TV “Black Mirror” “Fargo” “FEUD: Bette and Joan” “Sherlock: The Lying Detective” “O Mago das Mentiras”
Ridley Scott negocia dirigir filme sobre a juventude do mago Merlin para a Disney
A Disney está negociando com o diretor Ridley Scott a realização de uma aventura passada na juventude do mago Merlin. O longa será baseado na série de livros da “Saga Merlin”, do escritor norte-americano T.A. Barron. Segundo a revista Variety, o estúdio e o diretor também conversam sobre outro filme com o personagem: a adaptação da animação clássica “A Espada Era a Lei” (1963), em que o futuro Rei Arthur ainda é um menino e aprende com Merlin o seu destino de empunhar a lendária espada excalibur, cravada em uma pedra. Enquanto o segundo longa faz parte da estratégia do estúdio de refilmar seu catálogo de animações com atores de verdade, o primeiro visa lançar uma nova franquia, uma vez que a saga de Barron já rendeu 12 livros – só três deles foram lançados no Brasil até o momento. Além disso, está numa fase mais adiantada de pré-produção, com roteiro encomendado para Philippa Boyens, responsável pelas adaptações das trilogias “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit”. A saga do jovem Merlin começou a ser publicada em 1996 com “Merlin: Os Anos Perdidos”, sobre a juventude desconhecida do mago da corte do Rei Arthur. Vale observar que a premissa não é muito diferente da apresentada na série da TV britânica “As Aventuras de Merlin” (Merlin). O mais recente trabalho de Scott é o longa “Todo o Dinheiro do Mundo”, sobre a história real do rapto de John Paul Getty III (Charlie Plummer), herdeiro do homem mais rico de sua época, que foi sequestrado nos anos 1970. O filme também virou notícia pela decisão do diretor de substituir o ator Kevin Spacey, acusado de diversos abusos sexuais, após as filmagens terem sido finalizadas. Seu substituto, Christopher Plummer, chegou a receber indicação ao Globo de Ouro. “Todo o Dinheiro do Mundo” tem estreia marcada para 25 de janeiro no Brasil.
Última temporada de New Girl vai se passar no “futuro”
A Fox anunciou que a 7ª e última temporada de “New Girl” terá um salto temporal de três anos, com o objetivo de mostrar aos fãs o que acontece com os amigos da personagem de Zooey Deschanel no “futuro”. Entre as revelações, Jess (Deschanel) e Nick (Jake Johnson) ainda estarão juntos e retornando de uma turnê européia, Schmidt (Max Greenfield) será um dono de casa que cuida da filha Ruth enquanto CeCe (Hannah Simone) se tornará uma mãe trabalhadora, enquanto os agora casados Winston (Lamorne Morris) e Aly (Nasim Pedrad) estarão esperando uma criança. A 7ª temporada também terá várias participações, incluindo os retornos de Damon Wayans Jr., Dermot Mulroney, David Walton, Nelson Franklin, Sam Richardson, Jamie Lee Curtis e Rob Reiner, além de novidades como JB Smoove e Tig Notaro. O final da série começará a ser exibido em 10 de abril, enquanto o último episódio foi programado para 15 de maio.
Produtores da Fox revelam ter recebido ligações da Disney sobre futuro de seus programas
Os criadores de série de terror “American Horror Story” e da animação adulta “Uma Família da Pesada” (Family Guy) revelaram ter recebido ligações do CEO da Disney, Bob Iger, para tranquilizá-los à respeito da aquisição da Fox e os planos da companhia para seus conteúdos. A informação foi compartilhada durante o evento de imprensa semestral da TCA (Television Critics Association). Ryan Murphy, produtor de vários sucessos da Fox e da FX, incluindo “American Horror Story”, “American Crime Story”, “Feud” e o recente “9-1-1”, disse ter aproveitado a ligação para questionar Iger sobre como seus produtos se encaixaram na Disney. “As coisas que faço não são especificamente Disney. Estou preocupado com isso. Será que terei que colocar o Mickey Mouse em ‘American Horror Story?'”, ele contou ter perguntado ao novo patrão. Segundo Murphy, Iger respondeu que a Disney comprou a Fox por acreditar em seus produtos, executivos e criadores. O produtor lembrou o sucesso de Iger ao integrar a Pixar e a Marvel “mantendo suas comunidades intactas”. “Quero ver como essa empresa vai ficar antes de decidir para onde ir”, disse Murphy. Já Seth MacFarlane, criador de “Family Guy” e “The Orville”, também disse que Iger o tranquilizou. “Esse tipo de coisa acontece o tempo todo. Não acho que teremos grandes mudanças”, ele afirmou. Presente no evento, o co-presidente da rede Fox e da produtora 20th Century Fox Television, Gary Newman, confirmou que o negócio tem gerado ansiedade entre os produtores da empresa. Ele disse ter se reunido com muitos colegas para assegurá-los que o negócio continuará normalmente durante as avaliações regulatórias, que devem durar de 12 a 18 meses. “Quando os gerentes da Disney falaram conosco, fizeram questão de dizer o quanto admiram nossa marca, o quando admiram nossa programação”, compartilhou Newman. “Nossa expectativa não é que eles estejam comprando a Fox para transformá-la numa empresa para menores. Acho que eles vão encorajar nosso conteúdo”. Séries originalmente exibidas na Fox, porém, pode não continuar na rede, que não foi comprada pela Disney. Já o canal pago FX foi adquirido no negócio. Assim como a parte da Fox no serviço de streaming Hulu. Em entrevistas após a aquisição, Iger deu a entender que usará o Hulu para veicular as produções mais adultas do pacote de conteúdo da Fox. A Disney, que já detinha 30% de ações do serviço, comprou os 30% da Fox e passou a ser majoritária no negócio – originalmente, uma joint venture formada também pela Comcast (do estúdio Universal, que ainda detém 30%) e Warner (10%).
BBC vai regravar minissérie para excluir ator Ed Westwick, acusado de estupro
Os produtores da minissérie “Ordeal by Innocence“, adaptação da obra homônima de Agatha Christie, pegaram a deixa de Ridley Scott e anunciaram que a produção, já finalizada, passará por refilmagens para substituir o ator Ed Westwick (série “Gossip Girl”), que foi denunciado por estupro. Diversas cenas terão que ser refilmadas, uma vez que a minissérie estava pronta para ir ao ar no Natal passado, e teve sua exibição cancelada diante da polêmica com o ator. A BBC anunciou que Westwick será substituído por Christian Cooke, conhecido por seu trabalho no filme “Caindo no Mundo” (2010). A opção foi a mesma utilizada por Ridley Scott em “Todo o Dinheiro do Mundo”, diante das denúncias contra Kevin Spacey. O ator foi substituído por Christopher Plummer em refilmagens, após uma versão completa do longa ter sido finalizada. “Ordeal by Innocence” também conta com Bill Nighy (“Uma Questão de Tempo”), Catherine Keener (“Corra!”), Matthew Goode (“O Jogo da Imitação”), Alice Eve (“Além da Escuridão: Star Trek”), Eleanor Tomlinson (série “Poldark”), Anthony Boyle (“Z: A Cidade Perdida”), Luke Treadaway (série “Fortitude”), Morven Christie (série “Doctor Who”), Crystal Clarke (“Assassin’s Creed”) e Ella Purnell (“O Lar das Crianças Peculiares”). A adaptação do livro “Punição para a Inocência” foi escrita por Sarah Phelps, que no ano passado adaptou o livro “Testemunha de Acusação” em outra minissérie para a BBC, e a direção está a cargo de Sandra Goldbacher (“Eu sem Você”, “Dançando para a Vida”). A minissérie tinha estreia prevista para o Natal, dando sequência a uma leva de minisséries derivadas da obra da escritora, como “And Then There Were None”, “The Witness for the Prosecution” e “Partners in Crime”, mas a programação foi suspensa após as acusações de três mulheres contra Westwick. Além disso, as gravações já iniciadas da 2ª temporada da série “White Gold”, protagonizada pelo ator, foram interrompidas e não devem ser retomadas. A atração passada nos anos 1980 era uma coprodução entre a BBC e a Netflix. Westwick foi acusado de estupro por Kristina Cohen, Aurélie Wynn e Rachel Eck. Segundo as vítimas, os três casos aconteceram em 2014. Desde a primeira denúncia, o ator nega que tenha cometido agressões sexuais e garantiu que trabalha com as autoridades para provar sua inocência.
Atriz da série de Spike Lee entra no filme da Capitã Marvel
A atriz DeWanda Wise, que conquistou o público da Netflix com a série “She’s Gotta Have It”, adaptação do filme “Ela Quer Tudo” (1986), de Spike Lee, entrou no filme “Capitã Marvel”. O papel não foi revelado, mas se trata da primeira investida importante da atriz no cinema, após também estrelar as séries “Shots Fired” e “Underground”. O primeiro filme de super-heroína da Marvel será estrelado por Brie Larson (“Kong: A Ilha da Caveira”) no papel-título e voltará a trazer Samuel L. Jackson (“Capitão América: O Soldado Invernal”) como Nick Fury. Além deles, o elenco inclui Jude Law (“Rei Arthur: A Lenda da Espada”) e Ben Mendelson (“Rogue One”) em papéis não confirmados, mas que geram grande especulação entre os fãs dos quadrinhos. O que foi revelado até agora é que os skrulls estarão na trama e que a história será passada nos anos 1990. A roteirista Geneva Robertson-Dworet (do vindouro “Tomb Raider”) foi contratada em agosto para ajeitar o roteiro, trabalhando em cima da premissa escrita por Meg LeFauve (“Divertida Mente”) e Nicole Perlman (“Guardiões da Galáxia”). A direção está a cargo do casal Anna Boden e Ryan Fleck, responsável por dramas e comédias indies, como “Se Enlouquecer, Não Se Apaixone” (2010), “Parceiros de Jogo” (2015) e “Half Nelson: Encurralados” (2006). A estreia é prevista para março de 2019.
Viva – A Vida É uma Festa continua tradição revolucionária dos desenhos da Pixar
Os desenhos anteriores da Pixar giravam em torno de brinquedos falantes, animais adoráveis, monstros cômicos ou super-heróis. Eram personagens perfeitos para conquistar as crianças, e as piadas eram suficientemente mordazes para provocar risos entre seus pais. “Viva – A Vida é Uma Festa” subverte o jogo. Apresenta Miguel, um garoto sufocado por uma família terrível, que o cerca de trabalhos e obrigações e não admite seu gosto por cantar e tocar instrumentos musicais. As privações ao menino chegam a tal ponto, que a severa avó Abuelita destrói uma viola para que o neto não participe de um show de talentos. É um ato cruel, esse momento, talvez uns dos mais terríveis mostrados num desenho infantil, mas a crueldade, claro, tem um motivo. Acredita-se que o tataravô músico de Miguel abandonou a mulher e a filha pelo sonho de ser artista e quase arruinou a família. Falar do velho, portanto, virou um tabu, e admirar a arte tornou-se uma bobagem, uma besteira levada a frente apenas por vagabundos. É uma ousadia da Pixar conduzir uma história tão surpreendentemente dramática como essa. E, olha, que ainda nem chegamos ao tema central do desenho, que é a questão da vida no Além Túmulo. Sim, todo esse melodrama passa-se durante o feriado de celebração do Dia dos Mortos numa vila no México. Miguel fica profundamente magoada quando avariam seu instrumento e se dirige até o cemitério, no mausoléu de um músico famoso, para roubar um violão e assim participar do show de talentos que tanto almejava. Acontece que quando o menino pega o instrumento, ele automaticamente acaba sendo transportado para o Além, onde grande parte da ação se desenrola. É a partir daqui que “Vida” ganha o senso hipnótico de um voo no tapete mágico. O filme vira uma aventura delirante, um desbunde conduzido em alta velocidade pelos diretores Lee Unkrich (de “Procurando Nemo”) e Adrian Molina, cheio de surpresas e maravilhosos prazeres. A Cidade dos Mortos é como uma explosão da cultura mexicana. Os cidadãos são esqueletos, figurinhas frágeis, vestidas de trapos com desenhos filigranados e ossos desconjuntados. Seus animais de estimação e espíritos são fantasias berrantes no estilo das esculturas de madeira de Oaxaca. Enquanto Miguel atravessa este país das maravilhas fluorescente, onde a burocracia administrativa é tão ruim quanto do nosso lado, mas todos parecem felizes, “Vida” tece algumas considerações interessantes sobre nosso comportamento humano e social. O desenho brinca com a maneira como a morte é encarada – e a negação e a repressão com que grande parte cultura ocidental trata desse aspecto essencial da vida. Pra começar, não há nada de mórbido no Além mostrado no desenho e o Dia dos Mortos é uma festa. Um carnaval alegre e multicolorido, que propõe uma noção de vida e morte como uma dádiva, uma espécie de cola comunal que nos liga uns ao outros e àqueles que viveram antes de nós. A única parte da animação que é realmente assustadora é a noção de que, quando você finalmente é esquecido pelos vivos, você se dissolve e expulso em uma “morte final”. Coisas pesadas, sem dúvida, mas não esqueça que esta é a empresa que transformou em comédia a história de um velhinho, o senhor Fredricksen, que se recusa a ir para o asilo em “Up”, e nos deu a morte de Bing-Bong em “Divertida Mente”. Quando os super-gênios de Pixar estão cozinhando, eles forçam uma fusão de diversão e metafísica que é única na cultura pop. É difícil manter esse nível de originalidade a longo prazo, e nos 22 anos desde o primeiro “Toy Story”, a Pixar teve seus altos e baixos. (A empresa é de propriedade da Disney desde 2006, e talvez não nos surpreenda sempre, veja os dois próximos projetos: um segundo “Incríveis” e um quarto “Toy Story”). Mas “Vida” é uma das obras mais maduras já saídas da mesa de desenho desses artistas. É brincalhão, criativo, provocante, um motim absoluto de cor e som alimentados pelo amor e pela paixão – amor à música, amor à família, amor à tradição, amor a si mesmo e até mesmo o amor a um bom cachorro, que por sinal, tem um ótimo nome: Dante. O ano realmente começa bem com essa nova aventura da Pixar.
Série animada dos Animaniacs vai ganhar duas temporadas inéditas
A plataforma de streaming Hulu anunciou que fará novos episódios de “Animaniacs”, a cultuada série animada dos anos 1990. A série ganhará duas novas temporadas. Só que vai demorar. Os episódios inéditos só começarão a ser exibidos em 2020. Mas com um bônus. Pinky e o Cérebro também voltarão junto dos irmãos Yakko, Wakko e Dot (os Animaniacs do título). Além dos personagens, Steven Spielberg também retorna ao projeto como produtor executivo, retomando a frente da colaboração entre a Warner Animation e a Amblin Television que originou a série. Inspirada nas animações histéricas da Warner, “Animaniacs” girava em torno de personagens que tinham sido esquecidos nos arquivos do estúdio: os verdadeiros irmãos Warner – o tagarela Yakko, o guloso e sagaz Wakko e a fofa Dot – , estrelas de clássicos animados, que após sua fase de sucesso e fama foram trancados, por serem considerados perigosamente malucos, e agora moravam na famosa torre d’água do estúdio Warner Bros. Enquanto os novos episódios não chegam, a Hulu vai disponibilizar todos os episódios da série original, além do spin-off de Pink e o Cérebro e até os Tiny Toons.
Volta de Arquivo X trouxe revelações bombásticas sobre segredos dos personagens
A 11ª temporada de “Arquivo X” começou com revelações bombástica. Exibido na noite de quarta-feira (3/1) nos Estados Unidos e programado para o dia 10 no Brasil, o capítulo de estreia da temporada acabou com um mistério que já durava mais mais de uma década: a verdadeira origem do filho de Scully (Gillian Anderson). Muitos spoilers abaixo. E esta não foi a única novidade do episódio, intitulado “My Struggle III”. Centrado na mitologia do programa, especialmente na conspiração que envolve o “Canceroso” (William B. Davis), o capítulo transformou o final apocalíptico da temporada passada numa visão de Scully sobre o futuro. Além disso, confirmou que o ex-agente Jeffrey Spender (Chris Owens) estava vivo e que, assim como ele, Fox Mulder (David Duchovny) também é filho do “Canceroso” – o que já havia sido subentendido – , cujo verdadeiro nome finalmente se tornou conhecido: Carl Gerhardt Bush. Mas a grande reviravolta ficou por conta de um flashback com ramificações perturbadoras, durante a afirmação do “Canceroso”/Bush de que Mulder não era pai do filho de Scully. Na verdade, William era seu filho. “Ele (Canceroso) não estuprou Scully. Ele a engravidou com a ciência”, afirmou Chris Carter, o criador da série, em entrevista feita ao site da revista Entertainment Weekly após a exibição do episódio. “Isso leva os personagens a um caminho emocional interessante. E como o público sabe a verdade, e Mulder e Scully não, essas revelações são grandes para a série porque são imensas para os personagens. A história de vida de Mulder e Scully, tanto profissional quanto pessoal, são o coração da série.” Segundo Carter, a história da paternidade de William estava guardada desde 1999. “É claro que se ‘Arquivo X’ não tivesse voltado nunca teríamos tido a chance de explorar isso”, disse o criador da atração, que escreveu o episódio bombástico. Ah, sim. E não existe apenas uma conspiração envolvendo figuras sombrias e alienígenas. São duas conspirações rivais. Quem tinha se desinteressado da série, após o final decepcionante do revival de 2016, ganhou bastante incentivo para voltar a acompanhá-la. Serão 10 episódios na nova temporada, que a atriz Gillian Anderson considera sua despedida da atração. A exibição no Brasil acontece com uma semana de atraso em relação aos Estados Unidos, no canal pago Fox.
120 Batimentos por Minuto registra radicalização histórica pela vida contra a Aids
Despontam os anos 1990 e há quase uma década a descoberta da Aids já produziu mudanças muito intensas no comportamento e na vida das pessoas. Estigmatizando grupos, como os homossexuais, bissexuais, prostitutas, dependentes de drogas, hemofílicos, pessoas encarceradas. A sociedade ainda não sabia lidar bem com uma questão que mexia diretamente com a vida sexual, com valores, comportamentos, hábitos. Que exigia prioridade e investimentos do Estado e um grande trabalho educacional, que envolvia, sobretudo, o combate aos preconceitos e a necessidade de encarar a vida real, sem tabus. Mais ainda do que isso: era preciso encarar a morte de frente. O filme de Robin Campillo trata desse momento político fundamental, na França, a partir da atuação de um grupo de ativistas, o Act Up Paris, que reunia soropositivos, doentes com Aids e colaboradores, em luta por uma prevenção eficaz e tratamento para os portadores do vírus HIV e para os doentes que acumulavam um número de mortes trágico. Enfrentar uma sentença de morte sem que a pesquisa evoluísse o suficiente para gerar esperanças, sem poder contar com tratamento efetivo e disponibilização dos medicamentos então existentes – AZT e DDI – e tendo de enfrentar o preconceito social e o descaso das autoridades, exigia, como ainda exige, que as pessoas se organizassem. O grupo retratado, como o filme mostra, partia para ações agressivas para poder ser ouvido e notado, como jogar tinta vermelha em pessoas e instituições que estavam sendo questionadas, denotando um desespero e a falta de mecanismos de diálogo eficazes. A ponto de simbolizar o rio Sena todo vermelho do sangue que contamina e mata. As sequências finais, que não vou revelar aqui, são muito fortes e representativas de uma luta radicalizada. Gente jovem encarando tanto uma sexualidade que buscava se expressar, apesar da contaminação, quanto a perspectiva da morte, se organiza politicamente e parte para o ativismo, tentando ser democrática. Não é fácil. A urgência acirra os conflitos, produz dissenção, julgamentos às vezes injustos, competitividade. E excessos. Mas a vida pulsa, os desejos se manifestam, ainda que não possam ser duradouros. É de tudo isso que o filme fala, em personagens emotivamente fortes e impactantes, que fizeram emocionar às lágrimas o presidente do júri do Festival de Cannes, Pedro Almodóvar. Ele sempre trabalhou com essa temática, mas num registro diferente, em que a compreensão, a solidariedade e o humor encontravam guarida e davam um respiro à situação retratada. Esses elementos também estão presentes em “120 Batimentos por Minuto”, mas são minoritários e a luta política se sobrepõe a tudo. Chama atenção no filme o contexto fortemente opositor entre a organização da sociedade civil, o governo, os laboratórios e as seguradoras. A realidade brasileira do período foi, certamente, menos conflitiva e alcançaram-se grandes avanços na prevenção e no tratamento da Aids, com a disponibilização universal dos medicamentos alcançando a todos. A ação das ONGs e do Estado resultou em sucesso no controle da epidemia e as ações educacionais prosperaram, detendo o quadro apocalíptico que muitos pintavam. Trabalhei bastante nessa área de prevenção, naquele período, e posso aquilatar que os avanços eram reais. Tanto que me preocupa, hoje, o retrocesso que estamos experimentando, tentando retornar a valores morais do século 19, em pleno século 21. Parece que temos de voltar a proclamar a necessidade do uso da camisinha, da discussão das relações de gênero e da diversidade sexual, como se isso fosse uma coisa nova. Será que a sanha por cortes no tamanho do Estado também vai atingir as políticas de saúde bem sucedidas do Brasil nesse terreno? É bom que o cinema trate do assunto com clareza, como faz “120 Batimentos por Minuto”. É hora de avançar, nunca de retroceder.
The Square simplifica o que Buñuel já transformou em clássicos
Nas premiações em festivais, “The Square – A Arte da Discórdia” vem se mostrando imbatível. Venceu a Palma de Ouro deste ano em Cannes, foi considerado o melhor de 2017 no European Film Awards e será o provável favorito ao Oscar de Filme Estrangeiro, mas toda essa festividade não esconde as contradições que o filme oferece. Na sessão prévia para os jornalistas havia uma parte entusiasmada saudando como obra-prima, assim como um grupo se reservava o direito de fechar a cara e sair do cinema em silêncio. Nem tanto o céu, nem tanto o inferno. “The Square”, em princípio, funciona bem como sátira da crise de valores políticos sociais e culturais que andam assolando nosso mundinho, mas, no decorrer, o que parece incisivo, descamba para o usual. Como muito do que é produzido hoje, o filme é oportunista e conveniente. Oportunista, porque trata o mal-estar europeu em lidar com o drama dos refugiados como se fosse um “case” publicitário, e conveniente pelo modo como ligeiramente escamoteia a questão social para centrar-se no papel que a arte adquiriu dentro dos museus no século 21. Está tudo interligado? Não, cada assunto merece uma discussão à parte. O diretor sueco Ruben Östlund, que antes criou outro sucesso, “Força Maior” (2014), sobre uma avalanche nos Alpes, agora desloca sua atenção para mais perto de casa. “The Square” desenvolve-se em Estocolmo, onde um curador do museu, Christian (Claes Bang), manobra suas exposições na vanguarda da arte moderna. É um sujeito fino, suave, e o filme é projetado para desconstruí-lo. Perto do começo, ele é roubado e se diverte com o fato de ser feito de bobo. Duas horas depois, Christian se arrasta no meio da chuva, vasculhando sacos de lixo quase como um mendigo. O título refere-se a um trabalho instalado no pátio do museu: um pequeno quadrado vazio delimitado por uma luz de neon. Na placa, a artista refere-se a obra como “um santuário de confiança”, onde quem entrar, deve compartilhar direitos e obrigações iguais. Parece um pouco vago? O que um quadrado vazio é capaz de ativar no público? A conceito em si é de grande beleza. É um quadrado no chão, mas podia ser um papel em branco, um cartaz, uma tela de cinema. O diretor Östlund usa os limites da figura geométrica, para demonstrar como se comporta o pacato cidadão do século 21. Na visão de Östlund, pensamos de uma forma, mas agimos de outra, muito diferente. O idioma que descreve a instalação sugere que o estado natural da humanidade tende para o equilíbrio e a justiça – ou que estes podem pelo menos ser alcançados como ideia. Mas quando esse pensamento é levado para o mundo real, é claro, o caos ocorre e, através de suas vinhetas um tanto calculadas, que a trama avança. Seja por meio de uma cena de encontro sexual onde um preservativo usado torna-se uma questão de disputa e desconfiança impagáveis, ou numa discussão da diretoria do Museu, onde a todo momento se fala em arte, mas quase ninguém parece interessado no produto, e sim em debater sua repercussão. Christian pensa em si mesmo como uma pessoa decente e justa. Mas sua visão de si mesmo é seletiva. Quando ele está se sentindo bem, ele dá dinheiro aos mendigos; Quando está preocupado e distraído, ele os ignora. Ele é um progressista boa praça e justo em teoria, mas quando as pessoas menos privilegiadas que ele cometem a injustiça de enfrentá-lo, ele se irrita e esbraveja. No fundo, sua preocupação maior reside em administrar os grupos de pressão que giram em volta, as panelinhas, para manter seu status quo. Que o ator Claes Bang consiga transformar este protagonista num sujeito encantador, mesmo que o filme interrogue seu privilégio e sua própria natureza, certamente é uma conquista. Outro ponto admirável e que rende bem em “The Square” é o potencial de encenador de Östlund. O diretor tem um domínio de quadro, de tempo, de comicidade fabulosos. É muito estimulante como ele associa imagens de “quadrados” no filme todo, até mesmo a espiral de uma escada, a certa altura, sugere que o personagem está preso num cercado. Östlund também tem uma predileção para criar cenas provocativas, que alguns espectadores vão adorar. Seus alvos maiores são os limites da correção política e a pompa pequeno burguesa. O ataque mais delicioso que desfere, acontece num jantar de gala de museu. O evento é interrompido por um homem que finge ser um primata (interpretado por Terry Notary, o dublê americano que viveu o macaco Rocket na trilogia “Planeta dos Macacos”). A experiência primeiro é tomada por todos como divertida mas, eventualmente, o artista extrapola os limites e, então, as pessoas furiosas, esquecem-se dos bons modos e partem para espancá-lo com selvageria. A cena reitera algumas das questões-chave no coração de “The Square”: quando deixado para seus próprios dispositivos, a humanidade encontra equilíbrio ou se desintegra em agressores? Ou numa sociedade moderna, onde se estabelece a fronteira da civilização? Claro, nada disso é novo. Luis Buñuel desferiu ataques muito mais obscenos a tradição em seus clássicos “O Anjo Exterminador” (1962) e “O Discreto Charme da Burguesia” (1972). “The Square” tem uma maneira incrivelmente clara e simplificada de fazer as mesmas perguntas.
Vencedor da Palma de Ouro, The Square discute o que é arte no mundo atual
Em 1917, o dadaísta Marcel Duchamp colocou num museu uma das suas mais famosas obras, A Fonte, que nada mais era do que um urinol virado de cabeça para baixo. Considerado polêmico por muitos na época, este ato suscitou diversas discussões acerca da natureza da arte e do papel do artista – discussões que perduram até hoje. O filme sueco “The Square – A Arte da Discórdia”, grande vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2017, retoma essa percepção polêmica da arte, por meio uma abordagem bem-humorada, criticando de maneira ávida não apenas aqueles que produzem arte, mas também quem a aprecia e, principalmente, aqueles que a expõe. Escrito e dirigido por Ruben Östlund (do ótimo “Força Maior”), o longa-metragem acompanha a rotina de Christian (Claes Bang), o curador de um conceituado museu que se prepara para receber uma exposição intitulada The Square (o quadrado). Visando atrair um grande público para a exposição, o museu realiza coquetéis para convidados da alta sociedade – que parecem mais interessados na comida do que no conteúdo da exposição – e contrata dois jovens publicitários “especializados” em marketing digital – que querem, a qualquer custo, criar um conteúdo viral. Desta forma, a exposição surge apenas como uma desculpa para que possamos conhecer melhor a rotina daqueles indivíduos. Vivendo no alto de um pedestal de arrogância, Christian defende as peças que expõe como sendo a “arte de hoje”, ou até mesmo a “arte do futuro”. Sua erudição, porém, é uma fachada, já que logo no início ele não consegue sequer explicar à jornalista americana Anne (Elisabeth Moss) o significado de um texto que ele próprio escreveu. Já em outro momento, ele sugere remontar uma peça danificada, ignorando completamente a “aura” da arte e o fato de ela ser a expressão única e inimitável do artista. Ou seja, essas supostas “pessoas cultas” viram alvo do humor sagaz do cineasta, uma vez que elas habitam um mundo próprio, longe da realidade. Permitindo-se bizarrices como levar um cachorro ao local de trabalho ou invadir um castelo durante uma noite de bebedeira, os habitantes desse universo paralelo vivem num mundo muito diferente do restante da população, em especial daqueles menos favorecidos. São mundos distintos, que não se misturam. E o diretor expõe essa diferença ao mostrar como a população nem quer entrar em alguns espaços do museu ou só entra para tirar selfies ao lado das peças, ou ainda ao destacar a dificuldade de um faxineiro para limpar o ambiente de uma exibição feita de montes de sujeira. Quanto mais baixa for a condição social, menos visível o povo se torna para essa alta sociedade, e é preciso um esforço muito grande para ser notado pelos cidadãos “importantes” – o homem com Síndrome de Tourette que atrapalha uma entrevista é um exemplo irônico disso. Assim, embora o garotinho que exige um pedido de desculpas após ter sido acusado injustamente de roubo receba um mínimo de atenção, os mendigos que se enfileiram nas calçadas são ignorados até mesmo pela população mais simples, pois ninguém repara naquele que está abaixo na escada social. O arco dramático do personagem principal se completa quando ele começa a notar essas pessoas. Christian é visto como um sujeito pedante durante quase toda a projeção, e Östlund destaca isso por meio dos pequenos detalhes, como ao mostrá-lo ensaiando um discurso de tal forma que este pareça improvisado, vestindo as luvas antes de cometer um “delito” ou quando, durante o sexo, seu olhar foge do rosto da garota e foca no lustre do teto. Mas quando as coisas começam a fugir do seu controle, ele sai da sua zona de conforto e sua figura até então inabalável, como uma estátua de mármore, torna-se confusa e sem nexo, tal qual aquelas peças que ele exibe em seu museu. Apesar de essa “redenção” soar um pouco exagerada, como a tentativa de trazer humanidade a um ser inanimado, é preciso levar em conta que até mesmo quando o protagonista tem que – literalmente – se arrastar pelo lixo, o cineasta enquadra essa cena de tal maneira que parece ter se inspirado no conceito de “estetização da pobreza” – o que, por sua vez, é algo bastante elitista. Assim, “The Square – A Arte da Discórdia” apresenta um olhar ácido sobre o mundo da arte e seus habitantes. E se sua crítica social parece um pouco didática em alguns momentos, isso não o impede de ser um excelente longa, pois as discussões que suscita vão além do que é dito no filme e estão presentes no mundo da arte há muito tempo – e no mundo real, como demonstram manchetes sobre performances de homens nus no Brasil.












