Elenco de Sense8 fica de “coração partido” com o cancelamento da série
A Netflix pegou todo mundo de surpresa ao anunciar o cancelamento de “Sense8” menos de um mês após a estreia da 2ª temporada. A internet surtou e já há até um abaixo-assinado para tentar reverter a situação. Mas o mais impressionante é o desolamento do elenco, que foi ao Twitter agradecer aos fãs e se despedir da série. “Estamos todos de coração partido. Esse programa era a definição de global, igualdade, inovação e diversidade. A TV na forma mais representativa e inclusiva”, disse Freema Agyeman, que interpretava Amanita Caplan, sintetizando o sentimento do grupo. “Lamento que Sense8 foi cancelada, foi uma experiência incrível. Obrigada a todos que assistiram e apoiaram o seriado. Sentirei saudades”, escreveu Tina Desai, a Dandekar. “Me desculpem, gente. Muito obrigado pela paixão e apoio nesses últimos dias, foi tocante ver o amor de vocês pelo seriado. Em frente!”, tuitou Brian J. Smith, que fez o papel de Will Gorski. ”Muito amor pelo elenco e equipe de produção que trabalharam tanto nas duas temporadas. Tenho muito orgulho de ter sido parte da série mais épica de todas”, finalizou Adam Shapiro, que interpreta o doutor Metzger. Veja abaixo os tuítes originais: We are all heartbroken.?This show was the DEFINITION of global, equal, groundbreaking, diverse. TV at its most representational & inclusive. https://t.co/hfHxzEE54b — Freema Agyeman (@FreemaOfficial) June 1, 2017 Sorry guys. Thanks for your passion and support these last few days, was very moving to see your love for the show. En Evant! https://t.co/77H3Ob7OGB — Brian J. Smith (@BrianJacobSmith) June 1, 2017 I'm sorry #Sense8 has been cancelled. It was an incredible experience. Thank u to everyone who watched and supported the show. Wl miss it. — Tina Desai (@tinadesai07) June 1, 2017 Much ❤️ to the cast & crew who worked so hard on the 2 seasons. I have so much #Pride to have been part of the most EPIC show ever. #Sense8 https://t.co/onWiEAdLQt — Adam Shapir? (@adamshapiro) June 1, 2017
Veja o último clipe de Kid Vinil, que ele não teve tempo de assistir
O cantor e radialista Kid Vinil estava gravando um novo disco com sua banda Magazine, quando faleceu subitamente em maio, após passar mal num show. Este trabalho também rendeu o último videoclipe da carreira do artista, que ele não teve tempo de ver finalizado. O vídeo acompanha a banda tocando “Segura a Água” em estúdio. A música combina a letra da popular marchinha de carnaval “Cachaça Não É Água” com a melodia do rock “Hold Back The Water”, do grupo canadense Bachman Turner Overdrive, um dos preferidos do cantor. A gravação foi produzida entre fevereiro e março, no estúdio Gaz, do guitarrista do Magazine, Fábio Gasparini. “Ele vinha muito feliz, radiante, alto astral e cheio de criatividade. Saiu à francesa, uma pena”, disse o baterista Trinkão sobre a morte de Kid Vinil, em 19 de maio. “Segura a Água” vai integrar o álbum inédito do Magazine, ainda sem previsão de lançamento.
Todos são suspeitos no primeiro trailer legendado de Assassinato no Expresso do Oriente
A Fox divulgou o pôster, 13 fotos em alta definição e o primeiro trailer legendado de “Assassinato no Expresso do Oriente”. E a nova versão já chama atenção pelo título, diferente do filme de 1974, com uma preposição a mais, refletindo a tradução nacional do livro de Agatha Christie, publicado em 1934. A prévia apresenta os personagens como estereótipos de um romance de mistério – “o professor”, “o mordomo”, “a governanta”, etc. Todos são suspeitos de uma assassinato cometido a bordo do trem que dá título à produção. E quem leu o livro ou viu o filme anterior sabe que isto é levado à extremos na trama. Graças à conveniência literária/cinematográfica, também viaja neste mesmo trem aquele que se apresenta como outro estereótipo, “o maior detetive do mundo”, que se propõe a responder à pergunta inevitável dos enredos do gênero: “quem é o assassino”. A longa de lista de suspeitos inclui Johnny Depp (“Alice Através do Espelho”), Michelle Pfeiffer (“Sombras da Noite”), Daisy Ridley (“Star Wars: O Despertar da Força”), Willem Dafoe (“Meu Amigo Hindu”), Penelope Cruz (“O Conselheiro do Crime”), Judi Dench (“007 – Operação Skyfall”), Josh Gad (“A Bela e a Fera”), Derek Jacobi (“Cinderela”), Olivia Colman (série “Broadchurch”), Lucy Boynton (“Sing Street”), Miranda Raison (minissérie “24 Horas: Viva um Novo Dia”), Leslie Odom Jr. (série “Pessoa de Interesse”), Tom Bateman (série “Da Vinci’s Demons”), Manuel Garcia-Rulfo (“Sete Homens e um Destino”), Marwan Kenzari (“Ben-Hur”) e Sergei Polunin (do vindouro “Red Sparrow”). O estúdio sempre pretendeu reunir um grande elenco para fazer justiça à obra, cuja primeira adaptação rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Ingrid Bergman. Além da lendária atriz sueca, o impressionante elenco original incluía Albert Finney no papel do detetive e os suspeitos Lauren Bacall, Jacqueline Bisset, Sean Connery, John Gielgud, Anthony Perkins, Vanessa Redgrave e Michael York. Desta vez, quem vive o detetive belga Hercule Poirot é Kenneth Branagh (“Operação Sombra: Jack Ryan”), que se divide em cena, atuando também atrás das câmeras como diretor do filme. A nova adaptação foi escrita por Michael Green (“Logan” e “Alien: Covenant”) e tem produção a cargo de Ridley Scott (diretor de “Perdido em Marte”) e Simon Kinberg (roteirista de “X-Men: Apocalipse”). A estreia está marcada para 23 de novembro no Brasil, duas semanas após o lançamento nos EUA.
Sense8 é cancelada menos de um mês após a estreia da 2ª temporada
A Netflix anunciou o cancelamento de “Sense8”, série sci-fi das irmãs Lilly e Lana Wachowski (“Matrix”), menos de um mês após a disponibilização de sua 2ª temporada. “Após 23 episódios, 16 cidades e 13 países, a história dos grupo Sense8 terminou”, disse Cindy Holland, vice-presidente de conteúdo original do serviço de streaming, em comunicado divulgado à imprensa americana. “Foi tudo o que nós e os fãs sonhávamos que seria: ousada, emotiva, impressionante, vigorosa e completamente inesquecível”, continuou. “Nunca houve uma série mais global com elenco e equipe igualmente diversa e internacional, o que se refletiu na apaixonada comunidade de fãs pelo mundo. Agradecemos Lana, Lilly, Joe (Michael Straczynski, cocriador da série) e Grant (Hill, produtor executivo) por sua visão, e todo o elenco e equipe por seu trabalho e comprometimento.” Mas ao contrário do clima de “missão cumprida” do comunicado, a série sai do ar deixando questões no ar e com a vontade dos envolvidos de continuar. Na terça (30/5), dois dias antes da guilhotina cair, o ator Brian J. Smith usou o Twitter para conclamar os fãs a fazerem campanha pela renovação. “Se não mostramos nosso apoio, ‘Sense8’ pode não ser renovado. Vamos tuitar o máximo possível a hashtag #RenewSense8”, ele escreveu. A série estreou em 2015 com uma proposta ousada. A trama acompanhava oito pessoas aparentemente aleatórias ao redor do mundo, que passam a dividir consciência, habilidades e memórias repentinamente. Por conta disso, eles também começam a compartilhar seus sentimentos e visões de mundo, permitindo um diálogo entre diferentes culturas. A série era apontada como a primeira sci-fi abertamente queer, não apenas por incluir personagens gays e transgêneros, mas por abordar o modo de vida LGBTQ em sua trama. Um dos episódios da 2ª e agora última temporada foi gravado na Parada de Orgulho LGBT de São Paulo. O cancelamento de “Sense8 chega apenas uma semana após a Netflix anunciar o fim de “The Get Down”, série musical criada por Baz Luhrmann. As duas têm em comum o fato de serem projetos criados por cineastas com custos elevadíssimos. Não por coincidência, a Netflix já tinha cancelado “Marco Polo”, que também se situava entre suas séries mais caras, apontando uma tendência de revisão de metas. Da lista das mais dispendiosas, apenas “The Crown”, premiada com Globos de Ouro, SAG e BAFTA Awards, foi renovada.
Ator brasileiro de 13 Reasons Why é confirmado como Mancha Solar em Novos Mutantes
O primeiro super-herói brasileiro da Marvel será interpretado por um ator brasileiro nos cinemas. Confirmando rumores, Henry Zaga, que integra o elenco da série “13 Reasons Why”, vai viver Mancha Solar (Sunspot) no filme dos “Os Novos Mutantes”. Henry Zaga é nome artístico de Henrique Gonzaga. O ator brasiliense de 25 anos é filho do ministro Admar Gonzaga, do TSE, e começou a se destacar na TV americana como um dos vilões adolescentes da 5ª temporada de “Teen Wolf”, em 2015. No fenômeno da Netflix “13 Reasons Why”, ele interpreta o namorado de Tony (Christian Navarro). Criado por Chris Claremont em 1982, Mancha Solar é o alter ego do jovem herdeiro milionário Roberto da Costa, que tem o poder de canalizar e usar a energia solar. O personagem já tinha aparecido no cinema antes, vivido pelo mexicano Adan Canto (série “Designated Survivor”) numa pequena participação em “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (2014). Além de Henry Zaga, duas atrizes já estão confirmados no elenco de “Os Novos Mutantes”: Maisie Williams (a Arya de “Game of Thrones”) como Lupina (Wolfsbane) e Anya Taylor-Joy (“Fragmentado”) como Magia (Magik). Mas boatos também apontam que Charlie Heaton (série “Stranger Things”) e Rosario Dawson (série “Punhos de Aço”) podem se juntar a elas, respectivamente como Míssil (Cannoball) e a Dra. Cecilia Reyes, uma mutante introduzida numa fase, revista e grupo completamente diferente dos demais integrantes até agora mencionados. “Os Novos Mutantes” será dirigido por Josh Boone (“A Culpa É das Estrelas”) e tem estreia prevista para abril de 2018.
Veja o primeiro teaser da animação acusada de “gordofobia”
A animação sul-coreana “Red Shoes & the 7 Dwarfs”, cujo marketing foi acusado de “gordofobia” nas redes sociais (saiba mais aqui) ganhou seu primeiro teaser. A prévia é uma cena estendida, que mostra dois anões escondidos sob a cama da Branca de Neve. A sequência tem um voyeurismo pouco infantil, mas termina com o susto dos anões diante da descoberta de como as pernas de Branca de Neve engrossam ao ficarem descalças. Sem os sapatos, ela vira uma garota gorda. Na história, os anões são ex-príncipes, transformados por bruxaria, que precisam dos sapatos mágicos de Branca de Neve para quebrar sua maldição. Só não esperavam que os sapatos também ajudassem Branca de Neve a parecer diferente. O filme tem direção do estreante Sung Ho Hong, e a versão norte-americana traz a voz de Chloë Grace Moretz como Branca de Neve, além de Gina Gershon (série “Red Oaks”) e Jim Rash (série “Girlboss”). No Twitter, Moretz defendeu a animação, dizendo que “a verdadeira história é poderosa para jovens mulheres e me tocou”. Ainda não há previsão para a estreia.
Chloe Moretz se defende após dublar animação acusada de “gordofobia”
Uma animação sul-coreana que fará uma releitura da história de Branca de Neve, chamada de “Red Shoes & the 7 Dwarfs”, começou a receber muitas críticas nas redes sociais por uma campanha de marketing considerada ofensiva. O filme ganhou um cartaz que contém a frase “E se a Branca de Neve não fosse mais bonita e os anões não fossem mais baixinhos?”. Ao lado da frase, há um antes e depois, de uma Branca de Neve alta e magra e outra baixinha e gordinha. Por conta disso, o desenho foi acusado de body shaming, a popular “gordofobia”. A crítica acabou envolvendo a atriz Chloë Grace Moretz, que dubla a personagem para o mercado norte-americano. A modelo plus size Tess Holiday comentou em suas redes sociais no Twitter: “Como isso foi aprovado por uma equipe inteira de marketing? Por que está tudo bem falar para crianças que ser gordo é igual a ser feio?”. E junto do protesto, ela marcou a conta da atriz. O comentário teve tanta repercussão, que Moretz precisou ir ao Twitter se defender. “Eu acabei de revisar todo o marketing para ‘Red Shoes’ e eu estou tão chocada e brava como todo mundo. Isso não foi aprovado por mim. Por favor, saibam que eu deixei os produtores do filme cientes. Emprestei minha voz para um lindo roteiro que eu espero que vocês vejam por inteiro. A verdadeira história é poderosa para jovens mulheres e me tocou. Eu sinto muito pela ofensa que estava além do meu controle criativo”, a atriz escreveu. Veja o texto original abaixo. Em resposta às críticas, a Locus, produtora responsável pelo filme, pediu desculpas pelo anúncio, que passou uma ideia diferente do que esperavam. “O nosso filme, uma comédia familiar, carrega uma mensagem para desafiar os padrões sociais prejudiciais, relacionados à beleza física na sociedade, enfatizando a importância da beleza interior”, disseram os produtores, em comunicado. Na animação, Branca de Neve usa sapatos vermelhos mágicos para parecer alta e magra, mas quando os tira vira uma garota baixinha e gordinha. How did this get approved by an entire marketing team? Why is it okay to tell young kids being fat = ugly? ??@ChloeGMoretz pic.twitter.com/PVhgwluGTM — Tess Holliday ? (@Tess_Holliday) May 30, 2017 I have now fully reviewed the mkting for Red Shoes, I am just as appalled and angry as everyone else, this wasn't approved by me or my team — Chloë Grace Moretz (@ChloeGMoretz) May 31, 2017 Pls know I have let the producers of the film know. I lent my voice to a beautiful script that I hope you will all see in its entirety https://t.co/IOIXYZTc3g — Chloë Grace Moretz (@ChloeGMoretz) May 31, 2017 The actual story is powerful for young women and resonated with me. I am sorry for the offense that was beyond my creative control https://t.co/HZP2ydPCAX — Chloë Grace Moretz (@ChloeGMoretz) May 31, 2017
Mulher-Maravilha enfrenta clichês de super-heróis para vencer limites do gênero
“Mulher-Maravilha” é um filme cheio de senões. É longo demais, limpo demais (choro, suor e sacrifícios são sempre impecavelmente iluminados e maquiados para parecem lindos), exagerado nos efeitos e, como aventura, está longe de apresentar fluidez narrativa. A diretora Patty Jenkins nunca equilibra as dosagens de ação, humor e drama com harmonia e leveza. Disso, resulta um espetáculo todo compartimentado e truncado. Tem trechos que são só cômicos, outros só de ação, outros exclusivamente dramáticos. Neste sentido, a engenharia da Marvel é bem mais azeitada, as peças são melhor encaixadas e os filmes, mais divertidos e redondos. A mão pesada de Patty Jenkins na direção, contudo, não impede o filme de superar seus limites. “Mulher-Maravilha” triunfa ao trabalhar questões especificamente femininas, sem fazer do rancor ou do proselitismo o centro de seu olhar. O roteiro (curiosamente assinado por cinco homens) tem achados e a presença da atriz Gal Gadot ajuda a sustentar a produção. A Diana Prince de Gadot é uma mulher cheia de nuances. Forte e dedicada, com sensibilidade e inteligência para driblar as burrices e patadas dos brutamontes. Jenkins filma a beleza escultural de Gadot e suas amigas amazonas, no mesmo espírito altivo que Leni Riefensthal registrava os atletas nazistas no cinema dos anos 1930. As mulheres no filme são como deusas, superiores num primeiro momento, mas quando olhadas de perto, revelam traços de ingenuidade e fraqueza. Diana é a mais contraditória das Amazonas. Ela nasce num ilha chamada Themyscira, um lugar paradisíaco, de rochedos e cascatas que parecem esculpidos por sonhos. Filha do mitológico Zeus, Diana é cuidadosamente escondida dos olhos dos desafetos, para nunca ser usada como elemento de barganha. Mas apesar da proteção de uma tribo de guerreiras, Diana revela ter poderes para se virar muito bem sozinha. E embora ainda não saiba, seu destino ou maldição será usá-lo por toda sua existência. O mundo exterior invade a terra confortável da princesa de Themyscira, graças a um soldado norte-americano. É a 1ª Guerra Mundial e o avião de Steve Trevor (Chris Pine) está sendo perseguido pelos alemães. O soldado leva dois sustos: o primeiro, quando atravessa o portal entre os dois mundos, o segundo, quando encontra as mulheres, fortes e destemidas. As amazonas de Themyscira deixam Steve contrariado ao dispensar qualquer ajuda masculina. Numa cena bem humorada, Diana explica para o rapaz que os homens são indispensáveis para a procriação. E só. Para o prazer, ela frisa, há métodos mais eficazes. Essa observação formidável, claro, acaba sendo acelerada, porque os produtores acreditam que é de ação que o público gosta. É preciso então que os personagem obedeçam a produção e comecem a correr. Como já mostraram muito a ilha, toca mudar o cenário para não cansar! Steve retorna às linhas aliadas e Diana espontaneamente decide acompanhá-lo. Ela tem uma espada e um escudo e a ideia ingênua de que, se puder localizar e matar Ares, deus da guerra, acabará com o conflito mundial. Essa motivação conduz à parte mais agradável do filme. Diana não sabe nada sobre os homens. Aliás, não sabe nada sobre a civilização moderna, e é divertido vê-la fazer suas descobertas. Na Londres de 1918, ela reage ao barulho e aos carros. Experimenta um sorvete e adora, e, como uma criança, grita de prazer ao descobrir o segredo de atravessar a porta giratória de um hotel. A mocinha também percebe que a opinião de uma mulher talvez não seja tão valorizada como em Themyscira. E, pra enlaçar o pacote de desilusões, um mundo cheio de destruição e miséria descortina-se para ela, numa escala inimaginável. É aqui que “Mulher Maravilha” torna-se mais do que apenas diversão e jogos de guerra. Este filme facilmente poderia ter sido outro exercício cansativo a definir o feminismo como a oportunidade de uma mulher ser tão ou mais violenta que o mais opressor de seus parceiros. Em vez disso, “Mulher-Maravilha” segue em direção oposta. Ele apresenta Diana como o princípio feminino que representa as artes da vida e, em última instância, o amor, em colisão com um mundo que homens tentaram coletivamente reprimir desde o começo da humanidade. Ao longo desta linha, “Mulher-Maravilha” atinge momentos emocionantes que são incomuns para um filme do gênero. Em particular, há uma cena em que Diana atravessa uma cidade que foi bombardeada com gás mostarda e todos os seus habitantes morreram. Vemos no rosto de Gadot a emoção da dor e da tristeza de deparar-se com o horror da guerra, e seu desencanto expressa algo muito além do que costumamos observar neste tipo de filme. Considerando que no centro desse quadro temos uma atriz israelense, que inclusive serviu no exército de Israel, fica patente que não temos apenas uma atriz representando, mas uma pessoa que com certeza já esteve mais próxima dos horrores de uma guerra química do que nós. Felizmente, nem todos os homens são ruins na história. Existem alguns bons, como Steve Trevor, que tem uma qualidade curiosa: ele está sempre tentando recuperar o atraso. Às vezes, Steve tem que evitar as conseqüências da ingenuidade de Diana, ele tenta argumentar, mas nem sempre consegue convencê-la. O rapaz tenta protegê-la, mas é ela quem o protege. Do elenco, sobressai também a atuação de David Thewlis como um parlamentar gentil, que encontra sempre nuances inesperadas para seu papel. E do outro lado das linhas, Danny Huston acrescenta mais um vilão odioso em sua extensa galeria, um general alemão à procura de vitória usando seu poderoso gás tóxico. Por vezes, os roteiristas baixam o nível e plagiam na cara de pau cenas de “Capitão América: O Primeiro Vingador” (2011). Há dois trechos que são quase decalques do filme do herói patriota, uma no momento em que Steve leva Diana a uma cantina para recrutar um pelotão particular, e outra em que a moça, com seu heroísmo, avança contra os inimigos e sensibiliza os acovardados soldados ingleses a saírem da trincheira. Ainda assim, entre mortos e feridos, o filme supera tudo graças ao carisma de Gal Gadot. O sentimento de esperança, que algum dia a racionalidade feminina ainda vai vencer a brutalidade masculina, está esculpido em cada close da atriz. Essa é parte empolgante que tira “Mulher-Maravilha” do lugar comum.
Melhores Amigos é retrato sensível da amizade na adolescência
O cineasta Ira Sachs, que virou querido da crítica desde “Deixe a Luz Acesa” (2012), anda trilhando um caminho curioso em sua tentativa de alcançar um público cada vez maior com seus filmes de temática homoafetiva. De seu primeiro filme de grande repercussão ao seguinte, “O Amor É Estranho” (2014), já é possível notar uma tendência rumo ao mainstream, conforme o sexo deixa de ser prioridade para se destacar o amor entre seus protagonistas. O mesmo acontece em “Melhores Amigos”, desta vez sem relação de contato físico entre os dois protagonistas, meninos de 13 anos. A obra pode ser vista como um filme sobre a importância das amizades na adolescência, sem que se resuma à história do surgimento do primeiro amor, ou algo do tipo. Até porque o roteiro, feito em parceria com o brasileiro Mauricio Zacharias e indicado ao Independent Spirit Awards (o Oscar indie), é muito sutil ao abordar a questão. Assim como em “O Amor É Estranho”, o relacionamento é afetado por questões de ordem socioeconômicas. A trama apresenta primeiramente Jake (Theo Taplitz, um prodígio que aos 13 anos já dirigiu oito curtas), um garoto que está se mudando para o Brooklyn com seus pais, vividos por Greg Kinnear (“A Pequena Miss Sunshine”) e Jennifer Ehle (“Além das Palavras”), que herdaram uma nova casa, deixada pelo patriarca recém-falecido. O velho arrendava uma parte do prédio para uma mulher chilena (Paulina García, de “Glória”) e seu filho Tony (Michael Barbieri, uma revelação) cuidarem de uma pequena loja de roupas. Mas o aluguel era antigo e barato, e a chegada dos herdeiros, que querem aproveitar o potencial lucrativo daquele espaço, acaba prejudicando a vida daquela família simples. Os meninos, porém, não sabem o que acontece, e a proximidade súbita acaba por torná-los os melhores amigos do título. E é justamente no modo delicado como o filme trata essa amizade que está o grande desafio e o grande mérito da produção. No fim das contas, por mais que a história seja importante, é o que acontece entre os diálogos que torna o filme um dos mais bonitos trabalhos sobre a amizade na adolescência, esse período complexo em que a vida adulta começa a bater à porta. A cena mais importante do filme reflete essa questão, da iminência do futuro, num diálogo entre Jake e seu pai, que perto do fim transcende e, mesmo de forma delicada, parte corações. Ao mesmo tempo, ilumina como a filmografia de Ira Sachs evoluiu em sua associação com Mauricio Zacharias – que não é seu parceiro de vida, mas de arte. O diretor de “40 Tons de Azul” (2005) e “Vida de Casado” (2007) virou outro após “Deixe a Luz Acesa” e “O Amor É Estranho”, justamente os primeiros frutos da parceria com Zacharias.
Mulher-Maravilha estreia em mais de mil salas de cinema
“Mulher-Maravilha” é o maior lançamento da semana no Brasil, com uma distribuição em 1,2 mil salas. O longa chega precedido por críticas muito positivas, com 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, que o apontam como uma das melhores adaptações de quadrinhos já feitas. Trata-se de uma mudança de percepção gigantesca em relação aos filmes de super-heróis da DC Comics, como “Batman vs. Superman” (2016), que introduziu a heroína. E isto acontece com a primeira superprodução de quadrinhos dirigida por uma mulher neste milênio. Patty Jenkins (do premiado “Monster: Desejo Assassino”) está fazendo História, mas também se destaca o desempenho de Gal Gadot, perfeita no papel. A segunda maior estreia é uma comédia nacional, “Amor.com”, com Ísis Valverde (“Faroeste Caboclo”) e Gil Coelho (“S.O.S.: Mulheres ao Mar 2”), que chega a 336 salas. Seu humor reflete o tema do reality show “As Gostosas e os Geeks”. Na trama, o geek conquista a gostosa, perde a gostosa e tenta reconquistá-la, com o diferencial de que boa parte disso é compartilhado nas redes sociais. Uma história convencional em tempos modernos. O filme marca a estreia solo na direção de Anita Barbosa, que foi diretora assistente de algumas das maiores bilheterias brasileiras do século – como “Se Eu Fosse Você 2” (2009), “De Pernas pro Ar” (2010) e “S.O.S.: Mulheres ao Mar 2” (2015). “As Aventuras de Ozzy” aparece em terceiro. Trata-se de uma animação espanhola sobre cachorros que, mesmo sem o pedigree de “Pets: A Vida Secreta dos Bichos” (2016), mostra que as alternativas no nicho da computação gráfica de bichos falantes estão se aprimorando. A premissa enfoca um dos grandes receios de quem tem cachorrinhos. Quando seus donos precisam viajar, Ozzy é deixado num hotel pet, cuja hospedagem de luxo se revela mera fachada para um regime carcerário, em que os cãozinhos são mal-tratadas e se vêem prisioneiros de ferozes cães de guarda. O drama épico “Z – A Cidade Perdida” completa a lista dos lançamentos de maior alcance. Com grande elenco, encabeçado por Charlie Hunnam (“Rei Arthur: A Lenda da Espada”), Robert Pattinson (“Mapas para as Estrelas”) e Tom Holland (o novo Homem-Aranha do cinema), conta a história do Indiana Jones da vida real, o Coronel Percy Harrison Fawcett (Hunnam), que deixou a carreira militar para se tornar explorador. Obcecado pela Amazônia, o britânico se embrenhou nas matas brasileiras para encontrar uma cidade que ele chamava de “Z” e acreditava ser El Dorado, a cidade de ouro. Sua última expedição aconteceu em 1925 no Mato Grosso, onde foi visto pela última vez. Há mais três filmes em circuito bastante limitado. “Inseparáveis” não é o que se poderia chamar de cinema de arte. Ao contrário, trata-se de uma comédia concebida como remake de um blockbuster internacional. Para resumir, é a versão argentina do francês “Intocáveis” (2014), que, curiosamente, elimina o elemento racial do original, alimentando o questionamento sobre a falta de negros no cinema argentino. A trama do paraplégico milionário que fica amigo de seu tratador pobre ainda ganhará remake americano em breve. O drama escandinavo “Ande Comigo” também lida com deficiência física e clichês. Após perder uma perna no Afeganistão, um ex-militar tem dificuldades para se reajustar à vida civil e é auxiliado em sua reabilitação por uma bailarina. Os opostos se atraem, como nos romances de cinema. Mas os cinéfilos podem minimizar os lugares-comuns por conta de mais uma boa performance do dinamarquês Mikkel Boe Følsgaard (o rei louco de “O Amante da Rainha”). Por fim, o documentário nacional “O Jardim das Aflições” tem lançamento apenas em sessões especiais, mas mesmo assim chega em cinco capitais (veja onde aqui). A obra do pernambucano Josias Teófilo é um passeio pelos pensamentos filosóficos de Olavo de Carvalho, o anticomunista que na juventude militou no PCB. Sem contraditórios, ele empilha discursos sobre a “autonomia da consciência individual” em oposição à “tirania da coletividade”, no conforto de sua residência nos Estados Unidos, mostrando-se culto e articulado. É bem feitinho com seu orçamento de R$ 300 mil, arrecadados em financiamento coletivo. Mas também um tédio, que se contrapõe à forma como eletrizou a esquerda, a ponto de cineastas provocarem o cancelamento do festival Cine-PE, ao se retirarem da programação num boicote coletivo contra sua inclusão no evento. As críticas ruidosas ao pensamento de Carvalho e a contrariedade com a ideia de se fazer um filme sobre ele são usadas, de forma inteligente, no material de marketing do lançamento. Mas as reações sobressaltadas dariam um filme bem melhor que o retrato plácido realizado. Clique nos títulos em destaque para ver os trailers de todas estreias da semana.
Hailee Steinfeld negocia estrelar primeiro spin-off de Transformers, centrado em Bumblebee
A atriz Hailee Steinfeld (“A Escolha Perfeita 2”) está em negociações para estrelar o primeiro spin-off de “Transformers”, centrado em Bumblebee. Os detalhes do enredo estão sendo mantidos a sete chaves no lado escuro da lua, mas o papel de Steinfeld aponta uma direção. Caso a negociação tenha desfecho positivo, ela vai interpretar uma garota com jeito de moleque (tomboy) que trabalha como mecânica após o horário da escola. O filme será o primeiro spin-off do Universo Cinematográfico dos Transformers, que já tem filmes planejados até 2025. Eles apenas não foram divulgados. Com o objetivo de expandir o universo dos robôs gigantes, a Paramount Pictures contratou o roteirista Akiva Goldsman (“A Série Divergente: Insurgente”) para supervisionar um time de roteiristas capazes de desenvolver produções centradas em diferentes personagens, seguindo o padrão estabelecido pela Disney nos lançamentos derivados de “Star Wars”. A escolha de Bumblebee para inaugurar o projeto se deve ao fato de o autobot amarelo ser um dos principais integrantes da franquia, presente desde o primeiro “Transformers” (2007), como o carro-robô de Shia Labeouf. O roteiro foi escrito por Christina Hodson (“Refém do Medo”) e a direção está a cargo de Travis Knight, da aclamada animação “Kubo e as Cordas Mágicas” – indicada ao Oscar 2017 da categoria. A produção será seu primeiro trabalho com atores reais. O filme de Bumblebee está programado para chegar aos cinemas norte-americanos em junho de 2018.
Atriz de Teen Wolf vai estrelar duas séries de terror
A atriz Holland Roden, intérprete de Lydia Martin na série “Teen Wolf”, já definiu seus próximos projetos. Ela vai participar de duas séries de terror, estrelando a 3ª temporada de “Channel Zero”, no canal pago SyFy, e a primeira série de terror da plataforma de streaming da Amazon. Intitulada “Lore”, a atração é baseada num podcast que relata histórias paranormais supostamente reais e, assim como “Channel Zero”, terá formato de antologia. Em “Lore”, Roden interpretará Bridget Cleary, uma mulher casada que vive na Irlanda no final do século 19. Ela é uma costureira e comerciante de ovos, que graças às invenções da máquina de costura e do vagão frigorífico começa a ganhar mais dinheiro que o marido. Mas seu sucesso também a torna mais atrevida, o que leva seu marido a acreditar que ela não é a verdadeira Bridget Cleary, mas uma criatura metamorfa maligna que tomou seu lugar. Em “Channel Zero”, ela viverá Zoe Woods, uma jovem forte e dura, cujas lutas com doenças mentais a desgastaram ao longo dos anos. Ela odeia que sua irmã mais nova precise cuidar dela e daria qualquer coisa para voltar à maneira como as coisas costumavam ser. O aspecto sobrenatural da trama não foi revelado, mas a série é baseada em contos de terror da internet, conhecidos como “creepypasta” Antes disso, a atriz ainda será vista nos últimos episódios de “Teen Wolf”. Atualmente em hiato, a série da MTV não tem data para retomar a exibição de sua 6ª e derradeira temporada. Por coincidência, nem “Lore” nem a 3ª temporada de “Channel Zero” tampouco têm previsão de estreia.
Infância pobre de Latino será retratada em Nada a Perder, filme sobre Edir Macedo
O cantor Latino terá sua juventude retratada em “Nada a Perder”, filme sobre a vida de Edir Macedo, líder da igreja Universal e dono da Record TV. Segundo o colunista do UOL Flávio Ricco, ele será retratado pelo ator Rafael Awi, que integra o elenco da produção teen ainda inédita “Meus 15 Anos”, estrelada por Larissa Manoela. Além disso, o próprio artista também fará uma participação no filme. De acordo com relato de Marcelo Rezende numa edição do “Cidade Alerta” de 2014, Macedo “matou a fome de Latino na infância”: “O Latino era um garoto e não tinha onde morar. No Rio de Janeiro, tem um bairro na zona norte chamado Méier e tem uma praça que fica em frente ao Corpo de Bombeiros. Ele vivia como menino de rua. Lavava carro e depois dormia debaixo de um viaduto. Macedo dava dinheiro para ele comprar comida”, contou Rezende no programa. “Nada a Perder” já começou a ser filmado, com direção de Alexandre Avancini (“Os Dez Mandamentos – O Filme”). O roteiro foi escrito por um americano, Stephen P. Lindsey (“Sempre Ao Seu Lado”), que adaptou o livro homônimo de Douglas Tavolaro, vice-presidente de Jornalismo da TV Record. Petrônio Gontijo (novela “Os Dez Mandamentos”) vive o empresário religioso e o elenco ainda inclui Day Mesquita (mais uma de “Os Dez Mandamentos”), Dalton Vigh (minissérie “Liberdade, Liberdade”), André Gonçalves (novela “Salve Jorge”), Eduardo Galvão (novela “Malhação”), Marcelo Airoldi (novela “Sol Nascente”), Nina de Pádua (novela “Chamas da Vida”) e Beth Goulart (novela “A Terra Prometida”). A Record Filmes pretende transformar a história de Edir Macedo numa trilogia, como a própria coleção de livros de Tavolaro. “Nada a Perder – Volume 1” tem estreia marcada para fevereiro de 2018.












