Arquivo X vai retornar para mais uma temporada de 10 episódios inéditos
É oficial. A Fox anunciou a produção de mais uma temporada da série clássica “Arquivo X”. Será a 11ª desde a estreia do programa em 1993 e a 2ª após o revival do ano passado. A principal diferença em relação à ultima leva é que serão mais episódios: 10 capítulos inéditos, em vez dos 6 de 2016. David Duchovny e Gillian Anderson estão confirmados nos papéis dos agentes Mulder e Scully, e a trama vai continuar a contar a história vista no ano passado. A produção será supervisionada uma vez mais por Chris Carter, criador da série. “Personagens icônicos, uma grande narrativa, criadores ousados… São selos que distinguem uma grande série de televisão. E são algumas das razões pelas quais ‘Arquivo X’ teve um impacto tão profundo em milhões de fãs em todo o mundo”, disse David Madden, presidente da rede Fox, no comunicado da produção. “A criatividade de Chris, junto ao brilhante trabalho de David e Gillian, continua propulsando este fenômeno da cultura popular, e estamos ansiosos para ver os novos mistérios que serão investigados por Mulder e Scully”, acrescentou. O retorno da série em 2016 atraiu uma audiência média de 16 milhões de telespectadores, transformando “Arquivo X” num dos programas mais vistos da Fox no ano passado. Os novos episódios devem estrear no começo de 2018.
Campeão de reprises na Sessão da Tarde, A Lagoa Azul deixa de ser censura livre
Um dos filmes mais reprisados na Sessão da Tarde em todos os tempos, “A Lagoa Azul” (1980) não deveria ser exibido para crianças. Em despacho publicado no Diário Oficial da União de quinta (20/4), o Ministério da Justiça reclassificou o longa como “não recomendado para menores de 12 anos”, por conter violência e teor sexual. Até então, o filme tinha a classificação indicativa “livre”. Por conta disso, foi exibido mais de 30 vezes pela Globo e o SBT no horário vespertino só neste século. Foi justamente uma exibição na Sessão da Tarde, em 9 de março deste ano, que gerou a reclassificação. No despacho publicado no Diário Oficial, o Ministério da Justiça relata que recebeu “denúncia” de um “cidadão” sobre “uma suposta incompatibilidade entre o conteúdo apresentado” e a classificação livre do longa. O ministério, então, instaurou um inquérito administrativo, que constatou que a versão editada para TV de “A Lagoa Azul” possui “ato violento” e “apelo sexual” reiteradamente, o que a torna incompatível para menores de 12 anos. “A Lagoa Azul” foi exibido como “censura livre” porque a classificação era mais liberal em 1995, quando o filme recebeu sua certificação para a TV. As regras se tornaram mais rígidas recentemente, com a criação de um manual com o que pode e não pode para cada faixa etária, após excessos cometidos pela TV aberta. Ironicamente, na época em que o filme foi considerado adequado, havia mais rigidez em relação aos horários de exibição. Até recentemente, filmes impróprios para menores de 12 anos só poderiam ser exibidos às 20h. Foi, por sinal, por causa disso que as “novelas das oito” começaram a ser exibidas após as 21h. Entretanto, desde agosto do ano passado o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional a imposição de vinculação de horário à classificação etária. As emissoras têm apenas que informar que a programação é imprópria para determinadas idades. Na prática, a reclassificação de “A Lagoa Azul” aconteceu tardiamente e tem efeito meramente informativo. Na época em que foi feito, o filme também foi acompanhado de polêmica etária. Ele conta a história de duas crianças, Emmeline (Brooke Shields) e Richard (Christopher Atkins), que sobrevivem a um naufrágio. Juntamente com um velho marinheiro, vão parar em uma ilha tropical, um paraíso com uma lagoa azul. O marinheiro morre, e as crianças crescem, se apaixonam e descobrem o sexo – e têm um filho. Brooke Shields tinha apenas 15 anos, o que gerou protestos pelo conteúdo sexual e cenas de topless da produção. Atualmente, a atriz está com 50 anos. O longa foi exibido com censura 16 anos nos cinemas brasileiros. Mas a versão televisiva tem cortes. Os produtores realizaram uma sequência em 1991, “De Volta à Lagoa Azul”, basicamente contando a mesma história com outra beldade adolescente, Milla Jovovich, também com 15 anos na época das filmagens. E lançaram uma versão televisiva em 2012, “Lagoa Azul: O Despertar”, que ainda não estreou na TV aberta e recebeu indicação etária para maiores de 14 anos na TV americana.
Conheça a trilha de rock clássico de Guardiões da Galáxia Vol. 2
A Marvel divulgou nesta quarta a trilha sonora de “Guardiões da Galáxia Vol. 2”. No filme, a música é tão importante quanto os efeitos especiais, graças ao walkman que o Senhor das Estrelas carrega para todo o lado. Intitulada “Guardians of the Galaxy: Awesome Mix Vol. 2”, a atrilha traz 14 faixas, quase todas de rock clássico. Há também funk e soul. E apenas a última é inédita. “Guardians Inferno” foi composta especialmente para o filme pelo diretor James Gunn e o compositor Tyler Bates, e tem a participação especial do icônico ator e cantor David Hasselhoff, eternizado pelos seriados “A Super Máquina” e “SOS Malibu” (Baywatch). O disco estará à venda em versão física a partir da sexta-feira (21/1). Confira a relação das músicas: “Mr. Blue Sky” — Electric Light Orchestra “Fox on the Run” — Sweet “Lake Shore Drive” — Aliotta Haynes Jeremiah “The Chain” — Fleetwood Mac “Bring It on Home to Me” — Sam Cooke “Southern Nights” — Glen Campbell “My Sweet Lord” — George Harrison “Brandy (You’re a Fine Girl)” — Looking Glass “Come a Little Bit Closer” — Jay and the Americans “Wham Bam Shang-a-Lang” — Silver “Surrender” — Cheap Trick “Father and Son” — Cat Stevens “Flash Light” — Parliament “Guardians Inferno” — The Sneepers feat. David Hasselhoff
7ª temporada de Game of Thrones ganha primeiras fotos oficiais
A HBO divulgou as primeiras fotos da 7ª temporada de “Game of Thrones”, mostrando todos os personagens centrais. As imagens evitam adiantar spoilers, mas já registram a chegada de Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) e Tyrion Lannister (Peter Dinklage) em terra firme. Isto significa que o exército da Mãe de Dragões já está em Westeros. Outras curiosidades das imagens incluem a revelação da última temporada, a precoce Lyanna Mormont (Bella Ramsey), a alegria de Tormund (Kristofer Hivju) diante de Brienne (Gwendoline Christie), Samwell (John Bradley) e Gilly (Hannah Murray) entre os livros da Cidadela, Sandor Clegane (Rory McCann) em meio a um exército, Meera (Ellie Kendrick) arrastando Bran (Isaac Hempstead Wright) na neve, Sansa (Sophie Turner) e Mindinho (Aidan Gillen) com olhares conspiratórios, Jon Snow (Kit Harington) numa armadura negra e Cersei (Lena Headey) no trono de ferro, com Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) a seu lado A 7ª temporada da série estreia em 16 de julho no canal pago HBO.
Produtor afirma que franquia Velozes e Furiosos acaba no 10º filme
Depois do recorde de estreia mundial, a franquia “Velozes e Furiosos” parecia que ia acelerar até o infinito. Mas as explosões tem prazo de validade, segundo o produtor Neal Moritz. Em entrevista ao site Collider, ele afirmou que a saga vai terminar em 2021, com o 10º filme. O produtor afirmou que a ideia é completar a franquia com mais dois filmes, como já tinha sido revelado anteriormente por Vin Diesel. “Nosso plano é fazer o mais rápido possível, temos uma grande história e precisamos estar prontos para finalizar. E, honestamente, temos bons temas e coisas que estamos discutindo, mas ainda não chegamos lá. Nós meio que temos o ponto final da franquia, mas não sabemos o ponto intermediário ainda”, explicou o produtor. A finalização da franquia, que é mais bem-sucedida do estúdio Universal, deve ter outros motivos além da simples “conclusão” da história. A equação inclui contratos que se encerram no elenco, e custariam um “Homem de Ferro” para serem renovados, mas não deve ser descartada a hipótese do desmembramento dos velozes e furiosos em spin-offs, que manteriam o universo dos personagens nos cinemas. Em seu fim de semana de estreia, “Velozes e Furiosos 8” arrecadou US$ 532 milhões em todo o mundo, quantia que muito filme que se diz blockbuster não atinge em toda a sua trajetória em cartaz. O filme também teve a maior estreia de 2017 no Brasil.
Nudez de Sophie Charlote em Os Dias Eram Assim vira trend topic
A nudez da atriz Sophie Charlotte, que mostrou os seios nos três primeiros capítulos da nova série da Globo, “Os Dias Eram Assim”, virou trend topic no Twitter. Na atração, a atriz já tirou a roupa para seduzir o personagem vivido por Daniel de Oliveira, seu marido na vida real, e também em cenas de topless na praia. Com tamanho de novela, a série começa em 1970, no Rio de Janeiro, no dia em que o Brasil venceu a Copa do Mundo e se tornou tricampeão. Por conta do período, Alice, a personagem de Sophie, é meio hippie e libertária, representando as mudanças trazidas pela juventude na época, marcada pela repressão e a censura da ditadura militar. Em entrevista para diversos veículos na véspera das cenas irem ao ar, a atriz se disse à vontade com as cenas de nudez. “O sexo faz parte da vida e a paixão, principalmente na juventude, está muito ligada a isso. Essas cenas estão contando histórias e, se está dentro do contexto da cena, faz sentido para mim”. Veja abaixo algumas das impressões do público registradas em tuítes.
Festival É Tudo Verdade apresenta documentários inéditos no Rio e em São Paulo
A organização do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade começou sua 22ª edição, com a exibição do filme “Eu, Meu pai e Os Cariocas”, da atriz Lúcia Veríssimo, no Rio, e com “Cidade de Fantasmas”, de Matthew Heineman, em São Paulo. O festival termina no dia 30 nas duas cidades. Destaque nacional na abertura, “Eu, Meu pai e Os Cariocas” aborda a história do grupo musical Os Cariocas, que ficou conhecido pelos arranjos vocais refinados, que marcaram desde a era do rádio até a bossa nova. Lúcia Veríssimo é filha de um de seus integrantes originais, o maestro Severino Filho (1928-2016). E “Cidade de Fantasmas” acompanha o trabalho de um grupo de jornalistas que se arrisca diariamente para registrar as atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico na Síria. A programação prevê a exibição de 82 títulos de 30 países, dos quais 16 são estreias mundiais. As mostras competitivas trazem uma boa seleção de filmes aguardados. Sete filmes nacionais concorrem na Competição Brasileira de Longas e Médias-Metragens. Outras nove obras, seis inéditas, compõem a Competição Brasileira de Curtas-Metragens. As mostras competitivas internacionais só apresentam documentários inéditos; serão 12 na categoria longas e médias-metragens e 9 dentre os longas-metragens. A edição deste ano também terá homenagens aos cineastas Alexandre O. Philippe, Andrea Tonacci, Bill Morrison, Jean Rouch e João Moreira Salles. Após passar por Rio e São Paulo, a 22ª edição do Festival É Tudo Verdade chegará ainda a outras duas capitais: Porto Alegre, de 3 a 7 de maio; e Brasília, de 4 a 7 de maio. Todas as sessões são gratuitas. Confira a programação completa no site oficial do evento.
Série Girls chega ao fim após marcar época
Uma das séries mais marcantes dos novos tempos chegou ao seu fim. Poderíamos dizer que “Girls” seria uma versão feminina de “Entourage” (2004-2011). Ou uma versão mais explícita de “Sex and the City” (1998-2004), por também tratar da vida de quatro amigas, mas a verdade é que se trata de algo completamente diferente, diferente da série dos rapazes de Hollywood, diferente da série das mulheres ricas de Nova York. O que vemos aqui são quatro moças no início dos seus vinte e poucos anos. Tão inseguras talvez quanto um adolescente e tão irritantes também, embora possam ser adoráveis e enternecer nossos corações à medida que vamos conhecendo cada uma delas, em seus dramas individuais. Lena Dunham, a criadora e protagonista da série, como Hannah, é o centro das atenções, embora com o tempo dê espaço para seus colegas brilharem. Inclusive, talvez o melhor dos episódios da série seja um todo centrado em Marnie (Alisson Williams). Trata-se de “The Panic in Central Park”, da 5ª e melhor de todas as temporadas. A 6ª e última não teve a intenção de superar a obra-prima que foi a anterior, mas há vários episódios que brilham e que trazem discussões muito pertinentes aos dias de hoje. O que dizer de “American Bitch”, no qual Hannah vai até a casa de um famoso autor que ela admirava, mas que foi alvo dela em um site feminista? O escritor estava envolvido em um escândalo em que se dizia que ele assediava garotas universitárias durante as turnês promocionais de seu livro. A relativamente longa e muito interessante discussão entre os dois personagens é o grande destaque deste episódio tão diferente, feito sob medida para esses dias em que tanto se discute o assédio e o abuso sexual. Se “Girls” já era uma série mais ou menos feminista, com “American Bitch” esse posicionamento se torna mais claro ainda. É o tipo de episódio que pode ser visto separadamente, por alguém que apenas tem curiosidade pelo assunto em questão e não quer necessariamente se envolver com o universo da série. Já para aqueles que desejam mergulhar no cotidiano das “Girls”, talvez o episódio mais poderoso seja “What Will We Do This Time About Adam?”, em que Hannah tem um reencontro com o seu ex-namorado (Adam Driver), depois de já ter vencido a dor de ter sido trocada por Jessa (Jemima Kirke), que nesta temporada ganha menos espaço em cena e mais antipatia dos espectadores, com ares de megera e bem menos glamour. E isso até pode ser visto como uma falha (ou melhor, ato falho), já que beneficia Hannah, na comparação. Quem ganha também episódios especiais na nova temporada é Elijah (Andrew Rannells), o amigo gay e roommate de Hannah, sendo o principal deles “The Bounce”, sobre sua tentativa de ser ator de uma peça da Broadway. Ele também está bem presente em “Gummies”, episódio focado na mãe de Hannah e seu processo de aceitação da nova fase, após a separação do marido que saiu do armário. O episódio final, “Latching”, que mostra a confrontação de Hannah com as responsabilidades da vida adulta e com o bebê, é dos mais estranhos, contrariando tudo o que se esperaria de uma “series finale”. Está mais para um epílogo, já que o penúltimo episódio, “Goodbye Tour”, é que tem mais cara de desfecho, como o último a reunir as quatro amigas. Ou ex-amigas. Afinal, a conclusão da série mostra que vida pode ser bem diferente de uma telenovela.
O Novato é uma bela história de amizade e superação na adolescência
A ótima safra de filmes da edição passada do Festival Varilux de Cinema Francês continua gerando bons frutos no circuito comercial brasileiro. Agora é a vez de “O Novato”, longa-metragem de estreia de Rudi Rosemberg, que conta, de maneira sensível, a história de um garoto tímido que tem dificuldade em conseguir amizade na nova escola e acaba por se apaixonar por uma linda garota sueca, que também encontra dificuldade em se socializar, até por não falar direito o francês. “O Novato” não tem nada de tão diferente entre as tantas comédias que lidam com amores da juventude. Até lembra um pouco o ótimo e mais romântico “ABC do Amor”, de Mark Levin. Mas aqui não há uma intenção de focar tanto assim no amor do garoto pela menina. As amizades que ele faz até ganham mais importância, assim como as questões do bullying e da rejeição, tão comuns no perverso universo estudantil. Na trama, Benoît (Réphaël Ghrenassia) acaba de entrar em uma nova escola e os pais o incentivam a fazer amizade com os colegas da turma. Acontece que pra ele a coisa não é tão simples. A timidez e a total falta de sensibilidade da maioria dos meninos e meninas acabam prejudicando a sua socialização. Quem primeiro quer sua amizade são justamente garotos que também já têm fama de serem rejeitados por não se enquadrarem nos padrões, como o jovem nerd Constantin (Guillaume Cloud-Roussel) e o gordinho Joshua (Joshua Raccah). Mas quem traz alegria e palpitação para o coração de Benoît é a também recém-chegada sueca Johanna (Johanna Lindsteadt). Junte-se a beleza da garota com a carência afetiva de Benoît e temos aí um caso de fácil identificação e solidariedade do espectador com o personagem. Afinal, quem nunca passou por algo parecido? Vale destacar a excelente direção de atores do elenco jovem, quase todo composta por estreantes. A única “veterana” do grupo principal é a garota que interpreta a deficiente física Aglaée (Géraldine Martineau, e “Atirador de Elite”), que já conta com uma carreira sólida para a idade. Sua personagem, aliás, traz algo de muito interessante por nunca se fazer de vítima devido a sua deficiência. Ao contrário, tem uma autoestima incrível e que ajuda a compor sua fortaleza. A presença de Aglaée também acentua o caráter marginal do grupo. Há vários momentos de riso ao longo do filme, o que faz com que “O Novato” seja uma dessas obras que encantam o espectador também pela leveza da condução narrativa. No final, o que temos é uma bela história de amizade e superação em um momento bastante difícil da vida, que é a adolescência.
As Falsas Confidências traz Isabelle Huppert e Louis Garrel em jogo de aparências
“As Falsas Confidências” é uma comédia de Marivaux, ou Pierre Carlet de Chamblain de Marivaux (1688-1763), um dos principais dramaturgos franceses do século 18. Nesta peça, o que está em jogo são o relacionamento romântico e os jogos sociais de aparências. O diretor suíço Luc Bondy encenou esse texto de Marivaux no teatro Odéon de Paris e transformou-o em filme. Foi seu último trabalho antes de falecer, em 2015, após ter dirigido mais de 40 peças de teatro e óperas e ter feito também muitos filmes, como ator e diretor. Os atores do filme, os famosos Isabelle Huppert, no papel de Araminte, e Louis Garrel, no de Dorante, foram também os atores da peça teatral. Assim como todo o elenco da montagem. Uma curiosidade: eles fizeram muitas apresentações da peça no teatro Odéon, à noite, após terem filmado no próprio teatro e em seus arredores, representando os mesmos personagens, durante o dia. Uma interessante e intensa fusão de cinema e teatro, que parece ser uma forma econômica de investir nos personagens e nas decorações de seus diálogos. O texto é muito bom, as falas, cheias de espertezas, artimanhas e jogos de engano e sedução, vão envolvendo o público, numa trama onde o que parece espontâneo, na verdade, nunca é. “Me engana que eu gosto” parece ser uma máxima perfeitamente aplicável àqueles personagens. Dorante, um homem sem dinheiro, consegue ser secretário de Araminte, uma viúva rica, que ele ama secretamente e, naturalmente, tem grande interesse em usufruir de sua fortuna. Dubois (Yves Jacques), que já trabalhou com Dorante, planeja um esquema para que Araminte também se apaixone por seu amigo. Araminte esconde seu jogo e procura enredar os dois em seus objetivos. E por aí vai. “As Falsas Confidências” pode não ser um grande filme, mas é uma boa diversão. Tem na base um texto teatral clássico, um diretor de teatro e cinema competente, um elenco muito bom, encabeçado por Isabelle Huppert e Louis Garrel, e uma leveza inteligente que respeita o público.
O Ornitólogo enverada pelo erotismo místico em busca de Deus
O diretor português João Pedro Rodrigues é conhecido por abordar a homossexualidade em seus filmes desde “O Fantasma” (2000), passando por “Odete” (2005) e “Morrer como um Homem” (2009). Nesse sentido, até que “O Ornitólogo” (2016) é sutil no que se refere à quantidade de cenas com apelo homoerótico. Na verdade, só há uma cena erótica: quando o protagonista Fernando (Paul Hamy, de “Apesar da Noite”) encontra Jesus, na figura de um pastor de cabras surdo-mudo. De enredo onírico e simbolista, não deixa de ser uma realização admirável desde o começo, acompanhando Fernando em seu trabalho como cientista observador de pássaros. Sua vida muda quando seu caiaque é tragado pela correnteza de um rio. Ele é resgatado por duas chinesas católicas que o salvam e dizem precisar de sua ajuda para chegar no caminho de Santiago. Em vez disso, porém, elas o amarram e têm planos sádicos para o rapaz. Fernando desde o começo se mostra ateu. Afirma para as chinesas que não existem demônios nem Deus. Seu encontro com a espiritualidade acontece de maneira curiosa, culminando numa completa conversão, com a rejeição total da vida que levava, da identidade e até das próprias feições. Suas novas feições aos poucos são percebidas pelo ponto de vista das aves. É quando vemos seu outro eu, Antônio, vivido pelo próprio cineasta João Pedro Rodrigues. Completam o rol de bizarrices um trio de amazonas seminuas que falam latim, o encontro com um homem morto, um grupo de homens fantasiados para um ritual ao mesmo tempo macabro e idiota, e uma pomba branca, que deve ser a representação do Espírito Santo. Nessa brincadeira entre o sagrado e o profano, o protagonista, por mais que o vejamos com algum distanciamento, é o único elo com a normalidade do mundo dito real em comparação ao mundo místico que João Pedro Rodrigues projeta em seu caminho, que curiosamente apresenta paralelos à história de Santo Antônio de Pádua. Premiado em festivais menos tradicionais, confirma o talento de Rodrigues como um dos melhores representantes do cinema queer atual.
Joaquim é retrato sujo e realista do mártir que virou alegoria nacional
O cinema de Marcelo Gomes é um cinema de generosidade. Dos seus cinco longas-metragens, dois deles foram feitos em parceria com outros cineastas: “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” (2009), com Karim Aïnouz, e “O Homem das Multidões” (2013), com Cao Guimarães. Sua assinatura como autor acaba se tornando um pouco apagada, levando em consideração que os referidos trabalhos apresentavam algo muito em comum com a filmografia de seus colegas realizadores. Ele não havia dirigido sozinho um filme melhor do que sua brilhante estreia, “Cinemas, Aspirinas e Urubus” (2005) até agora, com “Joaquim”. Apesar de se passar no período colonial, o filme diz muito sobre o Brasil atual, seja na forma como mostra os índios como mendigos, os negros como um exemplo de alegria de espírito (que cena linda, a do escravo cantando com o índio à beira do rio), mas que devem se manter em posição subalterna, e os pobres explorados por interesse dos ricos. Sem importar quão raro tinha se tornado o ouro nas Minas Gerais, o reino europeu continuava cobrando pesados impostos. O quanto as coisas mudaram nos dias de hoje? No filme, Joaquim José da Silva Xavier lê os textos da independência das 13 colônias americanas e acredita que o Brasil também pode se livrar do fardo de Portugal. A trama se passa antes dos eventos mais famosos de sua vida, narrados em “Os Inconfidentes”, de Joaquim Pedro de Andrade, deixando claro que se trata de outra proposta, outro olhar cinematográfico, com um prólogo que parece didático na apresentação do personagem, mas cujo registro vai se provar o contrário já a partir da primeira cena com os personagens dialogando e agindo de maneira inquieta. O diálogo é ágil e natural, bem diferente do que se costuma ver em produções que retratam essa época, que em geral possuem uma linguagem mais empostada, o que acaba por distanciar o espectador. Aqui, até a câmera na mão nos aproxima de tudo. “Joaquim” quase nos faz sentir o cheiro daquele ambiente, em especial em uma das primeiras cenas: quando Preta (a atriz portuguesa Isabel Zuaa) leva comida para Joaquim (Júlio Machado) e Januário (Rômulo Braga). A câmera na mão segue inicialmente a escrava, para depois nos mostrar o relacionamento de proximidade entre aqueles personagens: Preta tirando piolho de Joaquim enquanto ele almoça. Esse aspecto mais sujo no retrato dos personagens e do ambiente também se distancia do que geralmente se vê em produções dessa época, mesmo as que trazem personagens pobres. Nessa mesma cena aparece um indiozinho pedindo comida. Januário diz para não dar, pra não acostumar. Joaquim é um pouco mais generoso. É um filme que faz questão de adotar um caminho contrário ou esperado o tempo todo. Em vez de vermos um herói, temos em Joaquim a figura de um perdedor. Marcelo Gomes o despe totalmente de sua glória, mesmo quando o reveste de uma obsessão pelo ouro para poder ficar rico e ter sua desejada mulher, que ainda por cima é uma escrava cujo corpo pertence a outro negro. O fato de Joaquim ter se tornado um mártir, e isso só é mostrado no prólogo, com uma apresentação dotada de ironia machadiana, é quase um acidente, fruto de sua revolta contra aquilo que ele acredita estar errado no Brasil colônia. No fim das contas, alguém precisou (precisou?) morrer por nossa causa e daí vem a imagem de Tiradentes até hoje parecida com a de um Jesus brasileiro, alguém que morreu por nós e que ganhou um feriado em 21 de abril que mais parece católico do que patriótico. No momento político opressivo e desesperançado em que vivemos, é natural que o público brasileiro se identifique não só com esse personagem, mas com todas as circunstâncias que o rodeiam, com figuras e eventos que podem muito bem ser vistos como alegorias do presente.
Estreias: Nem feriado de Tiradentes faz Joaquim ter o lançamento que merece
Os cinemas demonstram pouco sinal de “Vida” neste feriadão. Com “Velozes e Furiosos 8” ocupando boa parte das telas do país, o maior lançamento desta quinta (20/4), a sci-fi “Vida”, tem que se contentar com 220 salas. Jake Gyllenhaal (“Animais Noturnos”) e Ryan Reynolds (“Deadpool”) são astronautas presos numa trama influenciada por “Alien” (1979), que até agradou a crítica americana (68% de aprovação), mas deu grande prejuízo (custou US$ 58 milhões e só fez US$ 28 milhões nos EUA). Segundo maior lançamento, o suspense “Paixão Obsessiva” leva a 130 salas um trash com cara de telenovela, que foi escondido da imprensa. O filme também estreia nesta semana nos EUA, com Katherine Heigl (série “State of Affairs”) determinada a tornar um inferno a vida de Rosario Dawson (série “Punho de Ferro”), nova mulher de seu ex-marido. Quase com o mesmo circuito, o besteirol nacional “Gostosas, Lindas e Sexies” deve gerar discussões… sobre gramática. A comédia gira em torno das aventuras de quatro gordinhas – Carolinie Figueiredo (novela “Malhação”), Cacau Protasio (“Vai que Cola”), Mariana Xavier (“Minha Mãe é uma Peça 2: O Filme”) e Lyv Ziese (novela “Boogie Oogie”). Enquanto isso, “Joaquim”, drama sobre Tiradentes, lançado no feriado de Tiradentes, fica restrito a 33 salas. Dirigido por Marcelo Gomes (“Cinema, Aspirinas e Urubus”), o filme apresenta um olhar bastante diferenciado sobre o personagem histórico brasileiro e foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Berlim, onde conseguiu repercussão internacional com críticas bastante positivas. O que aparentemente não faz a menor diferença para os exibidores de cinema no Brasil. Outros títulos excelentes também chegam no circuito limitado, após se destacaram em festivais europeus. O americano “Paterson”, de Jim Jarmusch (“Amantes Eternos”), foi um dos dramas mais elogiados de Cannes no ano passado e chegou a figurar em diversas listas de melhores de 2016 nos EUA. Muitos consideram que Adam Driver, no papel do motorista de ônibus que escreve poemas nas horas vagas, deveria ter sido indicado ao Oscar. Chega em 28 salas espraiadas por 13 cidades. Exibido no Festival de Berlim de 2016, o australiano “O Sonho de Greta” é uma comédia juvenil sensível, que mostra o delírio de uma garota no dia de seu aniversário de 15 anos. A projeção chama atenção para o formato inusitado em que foi filmado – numa proporção de imagem de 4:3. Venceu vários prêmios na Austrália. Também voltado ao público jovem, o francês “O Novato” conquistou troféus em festivais menores, como o IndieLisboa e o My French Film Festival. A produção gira em torno do mais novo e menos popular aluno da escola, que resolve dar uma festa para conquistar os colegas. Estreia em seis salas. A programação se encerra com o menor lançamento da semana: o documentário brasileiro “O Profeta das Águas”, sobre Aparecido Galdino Jacintho, mentor de um grupo religioso de camponeses que foi preso como subversivo nos anos 1970. O filme será exibido em apenas uma sala do Cine Araújo Campo Limpo, em São Paulo. Clique nos títulos de cada filme para assistir a todos os trailers das estreias.












