Ridley Scott está planejando uma continuação de Gladiador
O diretor Ridley Scott indicou que está planejando uma continuação de “Gladiador” com Russell Crowe. Apesar de Maximus, personagem de Crowe, ter morrido no filme, o cineasta afirmou saber um jeito de incluir o ator na nova história. “Eu sei como trazê-lo de volta”, disse Scott à revista Entertainment Weekly, durante sua participação no Festival SXSW. “Eu estava tendo uma conversa com o estúdio – apesar dele estar morto no filme”, continuou. “Mas há uma maneira de trazê-lo de volta. Agora se vai acontecer, eu não sei. ‘Gladiador’ foi em 2000, então Russell mudou um pouco. Ele está fazendo algo neste momento, mas eu estou tentando trazê-lo de volta”. Atualmente, Ridley Scott está promovendo “Alien: Covenant”, mas não confirmou até que ponto são factíveis os planos de filmar “Gladiador 2”. “Alie: Covenant” já é uma continuação de “Prometheus” (2012) e prólogo de “Alien” (1979). Além disso, ele também está produzindo uma sequência de “Blade Runner”, que estreia neste ano. Lançado em 2000, “Gladiador” foi vencedor de 5 Oscars, incluindo Melhor Filme e Ator (para Crowe). Scott também concorreu ao Oscar de Melhor Diretor, mas perdeu para Steven Soderbergh (por “Traffic”).
Astro de As Branquelas posta foto com Anitta no Instagram e arrisca cantar Deu Onda
A cantora Anitta está de férias nos EUA e fazendo, digamos, sucesso em Hollywood. Depois de invadir, sem querer, uma festa do ator Samuel L. Jackson (“Os Oito Odiados”), ela encontrou o ator Marlon Wayans, conhecido pelas comédias “As Branquelas” (2004), “Inatividade Paranormal” (2013) e “Cinquenta Tons de Preto” (2016). E foi ele quem registrou o encontro com uma foto no Instagram. “Em Los Angeles acabei de ter um encontro com um pedaço do meu lugar favorito no mundo: Brasil! A bela, doce e incrivelmente talentosa Anitta”, escreveu. E logo em seguida gravou um vídeo enquanto dirigia, cantando “Deu Onda”, de MC Gui, ainda que errando na concordância nominal. Além de se divertir, Anitta adiantou que também pretende trabalhar muito enquanto estiver nos Estados Unidos. Antes de viajar, ela explicou: “Vou para Los Angeles estudar inglês, fazer reuniões para lançar minha carreira internacional”. In la but I just bumped into a slice of my favorite place in the world #brazil?? the beautiful sweet and incredibly talented @anitta #branquelas Uma publicação compartilhada por Marlon Wayans (@marlonwayans) em Mar 9, 2017 às 11:28 PST Missing my second home #brazil?? nobody parties like you #meupaoteamo Uma publicação compartilhada por Marlon Wayans (@marlonwayans) em Mar 11, 2017 às 12:24 PST
Scarlett Johansson acaba com um morto muito louco em trailer de comédia
A Sony divulgou o trailer legendado de “A Noite É Delas” (Rough Night), que mostra Scarlett Johansson (“Os Vingadores”) num fim de semana de farra com as melhores amigas, enchendo a cara até que uma delas resolve contratar um stripper. É quando um acidente acontece e elas acabam com quase um remake de “Um Morto Muito Louco” (1989) em suas mãos. Vale observar que o elenco é para maiores, e apesar de imagens sugestivas, não baixa o nível nem exagera nos palavrões como outras produções do gênero. O elenco inclui ainda Kate McKinnon (“Caça-Fantasmas”), Jillian Bell (“Goosebumps”), Ilana Glazer (série “Broad City”) e Zoë Kravitz (“Mad Max: Estrada da Fúria”) como as amigas, e um monte de coadjuvantes, entre eles Demi Moore (“Margin Call – O Dia Antes do Fim”), Colton Haynes (série “Arrow”), Ty Burrell (série “Modern Family”), Dean Winters (“De Volta ao Jogo”) e Karan Soni (“Deadpool”). Dirigido por Lucia Aniello, que também escreveu o roteiro em parceria com Paul W. Downs (ambos da série “Broad City”), a comédia estreia em 15 de junho no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Camila Cabello canta em espanhol em clipe da trilha de Velozes e Furiosos 8
A trilha de “Velozes e Furiosos 8” ganhou seu segundo clipe (veja o primeiro aqui), um reggaeton contagiante chamado “Hey Ma”, que traz J. Balvin, Pittbull e Camila Cabello no clima caliente de Cuba, onde o novo filme da franquia de carros velozes se inicia. O vídeo tem cena de Dom (Vin Diesel) e Letty (Michelle Rodriguez) entre crianças e ruas de Havana, mas os três músicos gravaram suas cenas em Miami, na Flórida. O truque não impede a ex-Fifth Harmony de roubar as cenas. Ela aparece desde o primeiro take, num andar que já é puro rebolado, antes de começar a dançar propriamente e seduzir em espanhol. A música é inteiramente cantada em espanhol, mas vai ganhar uma versão alternativa, em inglês, que também terá um clipe disponibilizado na semana que vem. Dirigido por F. Gary Gray (“Straight Outta Compton”), “Velozes e Furiosos 8” chega aos cinemas brasileiros no dia 13 de abril, um dia antes do lançamento nos EUA.
Catástrofe apocalíptica de Tempestade: Planeta em Fúria ganha trailer legendado
A Warner Bros. divulgou a versão legendada em português do trailer de “Tempestade: Planeta em Fúria” (Geostorm). Na verdade, embora a trama seja explicada por meio de letreiros, a prévia não tem diálogos, deixando as imagens falarem por si. O vídeo apresenta a destruição colossal de grandes cidades por catástrofes naturais. Numa das prévias, o Rio de Janeiro é atingido por um tsunami arrasador, mas o fim do mundo também acontece em Londres, Hong Kong, Dubai e Mumbai. Em “Tempestade: Planeta em Fúria”, uma rede de satélites criados para controlar o clima do planeta entra em pane e passa a desencadear tempestades pelo mundo inteiro, num efeito em cadeia que eventualmente levará à destruição da Terra. O elenco conta com Gerard Butler (“Invasão à Casa Branca”), Abbie Cornish (“Sucker Punch”), Ed Harris (série “Westworld”), Jim Sturgess (“Um Dia”), Katheryn Winnick (série “Vikings”) e Andy Garcia (“Caça-Fantasmas”). O filme marca a estreia na direção do roteirista Dean Devlin, que escreveu “Independence Day” (1994), marco do cinema de catástrofe em escala apocalíptica. Ele também assina o roteiro, em parceria com Paul Guyot, escritor da série de fantasia “The Librarians” (produzida por Devlin). A estreia está prevista para 19 de outubro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Mulher Maravilha ganha novo pôster
Surgiu um novo pôster do filme da “Mulher-Maravilha”. A arte traz a atriz Gal Gadot uniformizada, com escudo e espada, na praia de Temiscira, também conhecida como Ilha Paraíso nos quadrinhos. A própria atriz revelou a imagem por meio de seu Twitter, com a mensagem: “Acredite na Maravilha”. Com roteiro de dois autores da DC Comics, Allan Heinberg e Geoff Johns, e direção de Patty Jenkins (“Monster – Desejo Assassino”), o filme estreia em 1 de junho no Brasil.
James Cameron anuncia novo adiamento de Avatar 2 – de novo
Mais um ano, mais um pronunciamento de James Cameron avisando que “Avatar 2” vai atrasar. “A estreia não vai acontecer em 2018”, disse o diretor ao jornal canadense Toronto Sun, quando perguntado sobre o progresso de “Avatar 2”. Ele ainda se saiu com essa: “Não anunciamos uma data de lançamento”. O que não é exatamente verdade. Todo o ano Cameron anuncia uma data de lançamento diferente, ainda que extra-oficialmente. “O que as pessoas têm que entender é que este é um encadeamento de lançamentos. Então, não estamos fazendo ‘Avatar 2’. Estamos fazendo ‘Avatar 2’, ‘3’, ‘4’ e ‘5’. É um empreendimento épico.” “Demoramos quatro anos e meio para fazer um filme e agora estamos fazendo quatro”, acrescentou Cameron. E quando começam as filmagens? O diretor não sabe dizer, é claro. Vale lembrar que Cameron prometeu originalmente a sequência do sucesso de 2009 para o ano de 2013. Mas logo que viu o trabalho que teria, revisou seus planos e remanejou o lançamento para o final de 2014, ao mesmo tempo em que revelou que faria dois filmes. Conforme o prazo se aproximava sem a produção começar, o diretor fez novo anúncio, garantindo a estreia em 2015 e que seria uma nova trilogia. Na data prevista, porém, apenas os roteiros ficaram prontos. O que fez o longa ganhar uma nova data “definitiva”: dezembro de 2016. Que passou, claro, para dezembro de 2017, quando ele resolveu acrescentar um quarto filme no cronograma. Mas os quatro filmes deveriam começar a ser lançados, com espaço de um por ano, a partir do final de 2018. Esta é, portanto, a data que vai “atrasar”, segundo o diretor. De adiamento em adiamento, Cameron aumenta seu orçamento sem iniciar a produção. Fala-se que os longas que ele pretende filmar simultaneamente custarão mais de US$ 1 bilhão para a 20th Century Fox. E isto é um grande perigo. Embora “Avatar” detenha o recorde de maior bilheteria de cinema de todos os tempos (com US$ 2,7 bilhão de arrecadação mundial), se os planos de sua continuação derem errado, o risco para a Fox é altíssimo. Um desastre nas bilheterias poderia, inclusive, quebrar o estúdio. Isto pode explicar, em parte, porque o projeto não sai do papel. Cameron vai dirigir todos os filmes, mas cada um foi escrito por um roteirista diferente, entre eles Josh Friedman (criador da série “Terminator: The Sarah Connor Chronicles”, também baseado em personagens de Cameron), Shane Salerno (do pavoroso “Aliens vs. Predador 2”) e o casal Rick Jaffa e Amanda Silver (a dupla de “Planeta dos Macacos 2: O Confronto”). Enquanto isso, a Disney prepara o parque temático “Pandora – The World of Avatar”, desenvolvido em parceria com Cameron, que deve ser aberto no Walt Disney World em Orlando, na Flórida, em maio.
Versão genérica de A Pequena Sereia ganha trailer e engana muita gente
Com tantos lançamentos de versões de clássicos animados, não é à toa que diversos sites e portais brasileiros, pouco atentos aos meandros cinematográficos, caíssem no truque, mas o trailer abaixo, divulgado como uma nova versão de “A Pequena Sereia”, é uma produção genérica, feita para o mercado de home video. O chamariz da participação da veterana atriz Shirley MacLaine e a consciência de que uma adaptação da fábula original está sendo desenvolvida ajudam no engodo. Entretanto, o resto do elenco desta “The Little Mermaid” é televisivo, o orçamento é de telefilme e a história é completamente diferente da versão animada pelos estúdios Disney em 1989. Na trama escrita e dirigida por Blake Harris (do telefilme “Revivendo o Natal”), a pequena sereia do título já surge capturada e exibida como atração de circo. E nem essa vida de cativeiro a impede de surgir reluzente e sorridente para a menina que guia a história, de quebra apaixonando seu irmão adolescente. Lógico que há um dono de circo malvado neste remix que pincela um vilão de “Pinóquio” e um picadeiro de “Dumbo” para agradar às crianças mais inocentes. O elenco inclui Loreto Peralta (“Não Aceitamos Devoluções”), William Moseley (de “As Crônicas de Nárnia”), Gina Gershon (série “Z Nation”), William Forsythe (“Rejeitados pelo Diabo”), Diahann Carroll (série “White Collar”) e Poppy Drayton (da série “As Crônicas de Shannara”), que interpreta a sereia. Vale observar que não é a primeira vez que a produtora Conglomerate Media avança sobre a Disney, tendo produzido, com muita polêmica e pouco orçamento, o filme “Walt antes de Mickey” (2015), cinebiografia de Walt Disney que saiu direto em streaming no Brasil. “The Little Mermaid” ainda não tem previsão de estreia.
Final de The Vampires Diaries marca fim do namoro entre Paul Wesley e Phoebe Tonkin
O final de “The Vampire Diaries” também vai marcar o fim do namoro entre os atores Paul Wesley e Phoebe Tonkin, que se conheceram nos bastidores da produção. Após quatro anos juntos, os dois decidiram colocar um ponto final no relacionamento. Segundo a revista Us Weekly, Phoebe parou de usar o anel de compromisso que ganhou de Wesley e apagou diversos vídeos que fez ao lado dele nas redes sociais. Além disso, o casal, que morava junto em Los Angeles, e agora vive em casas separadas. A última vez que os dois foram vistos juntos foi em dezembro, quando passaram as festas de fim de ano na Austrália com a família de Tonkin, que é australiana. “Eles definitivamente terminaram. Ainda são amigos. A relação só tomou rumos diferentes”, confirmaram fontes próximas aos dois. Nem tão amigos assim. O final do relacionamento aconteceu na véspera de uma viagem do casal para o Brasil, onde participariam de um evento para fãs. Hayley acabou cancelando o compromisso, sendo substituída na última hora por Candice King, intérprete de Caroline e namorada de Stefan (justamente o personagem de Wesley) em “The Vampire Diaries”. O último episódio de “The Vampire Diaries” vai ao ar nesta sexta (10/3) nos EUA, marcando a despedida de Paul Wesley do papel do vampiro Stefan Salvatore, mas Phoebe continuará no ar no spin-off da atração, “The Originals”, para onde sua personagem, a híbrida Hayley Marshall (metade lobisomem e metade vampiro) se mudou em 2013. A 4ª temporada de “The Originals” começa a ser exibida na próxima sexta (17/3) nos EUA.
Jorge Fernando luta para se recuperar das sequelas de AVC
O ator e diretor Jorge Fernando, que sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) no final de janeiro, ficou com sequelas que envolvem o sistema motor e a fala. Em entrevista para o diário carioca Extra, sua mãe Hilda Rabello explicou que ele está cercado por profissionais para que sua recuperação aconteça o mais breve possível. “Ele está fazendo fono e fisioterapia todos os dias. Já está falando melhor. Ele é uma pessoa muito ativa e sente falta da rotina dele”, afirmou. Segundo a publicação, Jorge só tem saído de casa para se consultar com médicos. Em sua casa, ele é assistido por dois enfermeiros que se revezam e uma cozinheira que prepara uma dieta específica. “Ele já estava em um processo de emagrecimento, mas perdeu bastante peso”, conta Hilda. Um de seus últimos trabalhos antes do AVC, o musical “Vamp”, estreia no teatro no próximo dia 17. No entanto, quem está dando os ajustes finais é um assistente de Jorge Fernando. “Ele não está em condições de trabalhar como sempre fez. O que ele precisa, a Maria, irmã dele, faz. Ele diz que uma é a mãe de reza, que sou eu, e a outra é a mãe de fazer”, revela Hilda. Por conta das sequelas, ele também deixou a direção de “Deus Salve o Rei”, novela prevista para estrear na Globo em janeiro, na faixa das 19h.
Kong – A Ilha da Caveira usa truques digitais, ação e humor para disfarçar falta de roteiro
“Kong – A Ilha da Caveira” quer ser mais que um spin-off/reboot do mais famoso gorila de Hollywood. Tem a clara pretensão de superar tudo o que já foi visto antes no gênero. Considerando que o cinema é lugar de milagres, onde o impossível se torna possível, por que não pagar para ver? Para começar, porque não há reembolso. Como espetáculo tecnológico, o novo filme faz o “King Kong” (2005) de Peter Jackson parecer uma obra-prima, e, como aventura seria uma covardia compará-lo ao clássico de 1933. Claro, nenhum remake, nem o de Jackson supera o original. Ainda que houvesse as precariedades técnicas em 1933 e o macaco não passasse de um boneco animado a partir de um esqueleto em arame, forrado com uma antiga estola de pele, o “King Kong” original alinhava uma cena de ação após a outra num clima mágico sem igual. Para não dizer que falta boa vontade, o novo Kong tem lá algumas qualidades. A maior delas vem da comparação com a quase esquecida versão de 1976, com Jessica Lange. Dessa, “Kong – A Ilha da Caveira” ganha. Mas não de lavada. Existe sim uma ambição de renovação em cena comandada por Jordan Vogt-Roberts. O diretor é egresso da TV e do cinema independente norte-americano. Tem uma pegada boa para as comédias, tendo se destacado na série “You’re the Worst” e no ótimo filme “Os Reis do Verão”, sobre três garotos que se exilam da sociedade montando um acampamento na selva. Apoiados pelo sucesso que o igualmente indie Colin Trevorrow obteve com o blockbuster “Jurassic World” (2015), os produtores sentiram que podiam apostar as fichas no jovem diretor com ponto de vista para o novo. Acontece que o talentoso Jordan Vogt-Roberts caiu de pára-quedas no meio de uma produção imensa e, pelo resultado, não teve muito tempo pra se situar. O maior problema de “Kong – A Ilha da Caveira” é que não consegue se decidir o que pretende ser. É um filme de monstros? Um filme de terror? Um filme de ação (anti-guerra)? Os três roteiristas contratados não se firmam em nenhum desses registros, e ainda roubam cenas inteiras de “Apocalypse Now” (1979), “Jurassic Park” (1993) e “Godzilla” (2014). Uma pena, porque se examinarmos a essência, o filme até promete um ponto de partida diferente. A premissa é que o programa LandSat (Satélite de mapeamento de terras) em 1973, tira fotos de uma ilha perdida (A Ilha da Caveira do título) e John Goodman (“Argo”) convence o governo a lançar uma expedição para explorar o lugar. Eles levam alguns soldados que acabam de ser derrotados no Vietnã e são chefiados por Samuel L. Jackson (“Os Oito Odiados”). Para completar a equipe, convidam um britânico das ex-forças especiais (Tom Hiddleston, de “Thor”) e um fotógrafa “anti-guerra”, interpretada por Brie Larson (vencedora do Oscar 2016 por “O Quarto de Jack”). O frustrado capitão feito por Jackson chega a ilha querendo mostrar a imponência da armada norte-americana, e Kong aparece sem cerimônias e destrói todos os brinquedinhos voadores. Os sobreviventes se espalham pela selva e então – essa é a melhor parte do filme – descobrem que a ilha é oca e esconde uma caverna, onde animais pré-históricos ficaram preservados. Quando esse fiapo de história acaba, fica patente que os roteiristas, o diretor e o elenco estão perdidos. Tom Hiddleston e Brie Larson estão tão desorientados em cena, que acabam não se assumindo como protagonistas. E o impasse rola por todos os lados. Sabe-se que a produção começou a ser rodada antes mesmo do roteiro estar pronto. Levando em consideração que a trama engana bem até o ataque de Kong aos helicópteros, o que deve totalizar uns 25 minutos de filme, e que o edifício treme, desaba e não fica mais de pé nos 90 minutos seguintes, então, é absurdo deduzir, mas o diretor começou a trabalhar com menos de metade de uma história formulada! Para os produtores de Hollywood, depois do sinal verde, pouco importa a falta de roteiro, é preciso manter o foco na dimensão operacional. Nesse sentido, cabe ao diretor ser profissional. Como a trama patina e se torna repetitiva, o negócio é improvisar com o seu melhor número de mágica, no caso, o humor. Toda vez que o assunto acaba em Kong, ele bota um Creedence para enxotar o tédio de cena. E felizmente quando o recurso se esgota, ele obtêm o auxílio do veterano John C. Reilly (“Guardiões da Galáxia”), como um piloto da 2ª Guerra encalhado há 29 anos na ilha. O personagem é quase uma apropriação dos roteiristas do doido Dennis Hooper de “Apocalypse Now”. Para a maioria dos atores isso podia soar como uma desvantagem, mas Reilly é um baita ator. E acaba dando um encanto bonachão ao personagem que disfarça a roubada. Outros personagens, como John Goodman e Toby Kebbell (“Quarteto Fantástico”), parece que foram destinados a desempenhar papéis mais significativos. Cria-se uma aura de pó de pirlimpimpim em volta deles, mas na falta de texto e sem ideias, eles não decolam. O personagem mais bem composto em cena é Kong. Ainda assim, fica claro que poderiam ter dado mais atenção ao uso da criatura em sua dimensão tecnológica. O CGI é convincente, mas suas proporções parecem erradas. Cada hora, o gorila aparece com um tamanho diferente. Coroando a comédia de erros: há várias cenas de transição que não se encaixam, que fazem os personagens acabarem em lugares diferentes do que estavam nas cenas anteriores. A platéia gargalha a valer na sessão, o que pode parecer um sinal positivo para o filme. Mas será que o público ri pela diversão ou por conta das “cartolinas” que estavam despencando na cena? Uma lástima. Quando esse Kong acaba, deixa uma sensação de vazio na tela. Nos anteriores, inclusive o de Peter Jackson, a tecnologia era usada para dizer alguma coisa. Aqui, para deixar de dizer.
Scorsese transcende e deixa o cinema mudo com Silêncio
Martin Scorsese sempre usou de forma deliberada o efeito do silêncio em seus filmes. Muito do que intriga até hoje em “Taxi Driver” (1976) são as cenas silenciosas de Robert De Niro dirigindo e observando Nova York. Famosos também são os silêncios de “Touro Indomável” (1980) – especialmente na cena em que um lutador adversário momentaneamente estuda Jake LaMotta antes de partir para cima dele e demoli-lo. Outra inesquecível acontece em “Os Infiltrados” (2006), no trecho em que Matt Damon descobre o número do celular de Leonardo DiCaprio e liga para checar se o outro se entrega pela voz. A cena dura uns 15 segundos, e ninguém fala ao telefone. Os dois ficam apenas sentindo a presença do outro, e esse pequeno branco na trilha ecoa por todo o filme. Scorsese é chegado nestas brincadeiras sensoriais, mas nunca trabalhou esse efeito de forma tão depurada como faz agora em “Silêncio”. Sequer há uma trilha sonora no filme. O protagonista, o padre Rodriguez (vivido por Andrew Garfield, de “Até o Último Homem”), é testemunha de tantas atrocidades em sua viagem clandestina para o Japão, que passa o filme inteiro pedindo a Deus um sinal de intervenção contra as barbaridades do mundo. E se tortura frente a falta de resposta. As três horas em que o personagem imerge neste conflito de dúvida e crise estão sendo vistas por muitos críticos como um calvário. Pode-se reclamar da autenticidade da cena, afinal os jesuítas portugueses falam o tempo todo em inglês, ou ainda da intolerância com que o Shogun no filme persegue os missionários, afinal a reação nipônica vai justamente contra o interesse europeu de usar os jesuítas para tentar colonizar o Japão. Mas não se trata de um filme com fronteiras bem definidas, a destacar as acusações de maniqueísmo (os japoneses sendo mostrados como algozes e os jesuítas como vítimas). Scorsese nunca trabalha personagens ou questões de forma redutora. É preciso quebrar a superfície das aparências para entender o que o diretor experimenta nesta adaptação do livro de Shusaku Endo. “Silêncio” é um filme de oposição. Evolui na direção exatamente inversa à da Hollywood contemporânea (não à toa, o filme foi ignorado na festa do Oscar). Por vezes, ele nos diz o quanto existe de crença em cada adulto. Outras, enfatiza o quanto pode haver de infantil na fé de cada um. E a medida que o filme evolui, e conforme Andrew Garfield se entrega de corpo e alma a esse estranho padre em que corpo e alma nunca coincidem, o filme passa a se particularizar. Vistos do alto, o bispo e dois jesuítas aparecem como três figuras diminutas, logo numa das primeiras cenas. Depois, o mesmo ocorre quando nos deparamos com os missionários dentro de um barco, sendo açoitados pelas águas do mar com um ponto de vista do céu. A pequenez humana instaura-se plenamente em dois cortes. O curioso é como Scorsese rompe essa estrutura nas cenas seguintes. Começa como uma ideia pequena, mas o diretor sugere que as mínimas dúvidas deste diminuto padre estão crescendo. E elas, de fato, aumentam até tomar um tamanho assombroso. Não são só dúvidas: o medo frente ao vazio e a morte abate o personagem de tal modo, que ele se acovarda e, à certa altura, deixa bem claro que está prestes a desistir da sua missão. É por isso que ele procura tão obsessivamente seu mestre desaparecido (vivido por Liam Neeson, de “Busca Implacável”) em Nagasaki. Em sua busca por uma resposta que não se materializa, nem pelo homem e nem por Deus, ele se afunda numa espécie de embriaguez, que cala cada vez mais fundo. Em estrutura, o filme lembra muito a viagem de Willard (Martin Sheen) na selva asiática de “Apocalypse Now” (1979), o que nos leva a deduzir que este talvez seja o “Coração das Trevas” de Scorsese. A ambição é grande, mas as semelhanças com a ópera de guerra de Francis Ford Coppola param por aí. Scorsese foge o tempo todo do espalhafatoso, da grandiloquência. Cada detalhe é depurado. O roteiro, a composição dos atores, a encenação. A forma como o diretor trabalha com os espaços intriga. Amplos, em princípio, gradativamente vão encolhendo no decorrer da projeção, até o personagem ficar encerrado numa cela diminuta. Há, aliás, os espaços físicos e, também, os psicológicos. De repente, o espectador precisa lidar com diversos ambientes ulteriores: espaços que repercutem em outros espaços; situações que invadem outras e mudam nossas percepções, situações anteriores e comportamentos que acreditávamos já entender ou conhecer por completo. De certo, olhando de longe há carrascos e vítimas em cena, mas aproximando-se um pouco mais, existe uma questão filosófica um pouco mais sutil sobre a dimensão do que é visto e do que transcende essa condição. É antes de tudo o mistério do ser e do crer que Scorsese consegue com êxito captar na sua complexidade. Cada um porta em si uma parte indefinível de luz e de sombra, a exemplo do personagem encarnado por um Andrew Garfield magistral: sua inocência, seu sofrimento, sua estupidez o tornam demasiado humano. Curioso também como as diferenças entre a cultura ocidental e oriental, que antes são mostradas como imensas, a certa altura se unem e quase parecem indistinguíveis. Antes de morrer, um velho japonês diz ao jesuíta que soube lhe estender a mão: “Eu estou em ti, tu estás em mim… Nós estamos juntos…” Em essência, no filme, a terra fica cada vez mais escura, o céu mais sombrio e os ditames políticos parecem cada vez mais opressivos, mas alguma coisa misteriosa, no íntimo, continua a ser partilhada por todos. Alguns podem enxergar consolo religioso nisso. Claro que não vou contar o que acontece, mas penso que Scorsese transcende a religião. O espectador fica a vontade para decidir e discutir.
Personal Shopper surpreende com Kristen Stewart em terror pouco usual
Mesmo com uma carreira que já dura três décadas, o realizador francês Olivier Assayas parece ter se permitido renovar sutilmente sua filmografia ao encontrar na jovem Kristen Stewart uma nova musa inspiradora. Além de ter se revelado uma grata surpresa em um papel secundário em “Acima das Nuvens”, pelo qual inclusive se tornou a primeira atriz americana a vencer um César (o Oscar francês), Stewart é agora o centro de “Personal Shopper”, o primeiro drama sobrenatural do diretor, do qual se encarrega de forma elogiável. Maureen Cartwright (Stewart) é uma americana que se mantém em Paris trabalhando como personal shopper, como são chamadas as assistentes de compras de celebridades sem muito tempo ou disposição para experimentar o guarda-roupa que vestirá em um evento de gala. É uma função que ela executa a contragosto, especialmente após a morte recente de Lewis, o seu irmão gêmeo. Porém, outro dado muito importante sobre Maureen é o seu dom como sensitiva, sendo convocada para identificar na mansão que um casal deseja habitar se há algum espírito rondando seus cômodos. É uma responsabilidade que ela assume sem saber direito como se comunica com espíritos, mas da qual se encarrega como oportunidade de cumprir uma promessa de se comunicar postumamente com Lewis. O prêmio de Melhor Direção de Olivier Assayas no Festival de Cannes em 2016 (que dividiu com Cristian Mungiu por “Graduação”) pode parecer exagerado, mas não há dúvidas de que ele cumpre excepcionalmente com a proposta de oferecer uma experiência pouco usual, num longa que pode ser categorizado informalmente como terror. Não apenas ectoplasmas assombram as visões de Maureen, como também um stalker, que lhe envia mensagens no celular, pode muito bem ser Lewis, induzindo a uma conversação instantânea, conduzida com interesse por Assayas e que toma todo o segundo ato de seu filme. Outra decisão que enriquece o mistério da trama é uma consequência física, quando se deduz que respostas começarão a ser apresentadas, embaralhando as certezas tanto da protagonista quanto dos espectadores. A lamentar somente o apego obsessivo à busca por uma verdade que possa anular todas as demais, com uma conclusão que, se cortada, melhoraria “Personal Shooper” ainda mais.











