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Filme|14 de junho de 2016

Invocação do Mal 2 confirma talento de James Wan para assustar o público

Não foi com “Jogos Mortais” (2004) e “Sobrenatural” (2010) que James Wan mostrou que deveria ser levado a sério como um dos cineastas mais promissores deste século. Foi com o primeiro “Invocação do Mal” (2013), relembrando como se faz um belo filme de terror, ao valorizar sugestões em cada canto de uma boa e velha casa mal-assombrada e recuperar a sensação de medo do desconhecido. Não precisava de uma continuação, mas, como era inevitável, nada melhor que contar novamente com Wan na direção.

Mais uma vez buscando inspiração nos arquivos dos demonologistas Lorraine (a sempre ótima Vera Farmiga) e Ed Warren (o sempre fraco Patrick Wilson), o diretor conduz o espectador à Londres dos anos 1970 para revelar os bastidores do famoso caso conhecido como “Poltergeist de Enfield”. Quem assistir a um documentário da BBC realizado na época, notará o quanto a produção fez um trabalho incrível para reconstruir cenários, figurinos e personagens reais. Destaque para a fotografia de Don Burgess, que além de alçar “voos” pelos cômodos da casa, brinca de forma eficiente com as cores e atua a favor do ilusionismo como poucos filmes do gênero conseguiram. Um exemplo: marcada pelos espíritos de porco de “Invocação do Mal 2”, a menina Peggy (a fantástica Madison Wolfe) só usa vermelho e, assim, se destaca das penumbras ora cinzentas, ora completamente dominadas pela escuridão da casa amaldiçoada da vez.

“Invocação do Mal 2”, porém, não supera o original. Nem mesmo se iguala. Ainda assim, mostra como pode ser prazeroso ver o resgate dos ensinamentos dos melhores exemplares do terror hollywoodiano dos anos 1970, aliados a truques modernos, que Wan tira da câmera para manipular as emoções e prender a atenção da plateia. É um mágico no controle absoluto de seus lenços, pombos e cartolas.

O show permanece elegante, imersivo e impressionante – muitos se pegarão agarrados à cadeira do cinema em alguns momentos –, mas, diferente do primeiro, Wan mostra e explica mais que sugere. Ao contrário do “Invocação do Mal” original, que segura a onda até os minutos finais, quando o implícito dá lugar ao explícito, o segundo filme privilegia os sustos à incômoda e quase que ininterrupta sensação de calafrio, embora Wan ainda brilhe nesse quesito.

Duas cenas de “Invocação do Mal 2” ilustram essa diferença. Há um espírito maligno conhecido como “Homem Torto”, que, já em sua primeira aparição, aparece em toda a sua glória (e não é CGI e sim o incrível trabalho corporal do ator magrelo Javier Botet). Mas é em sua segunda cena, quando mal aparece, que ele tem maior impacto, resultado mais de sugestão que revelação.

Mas o filme não é só uma sucessão de sustos. Há um bom desenvolvimento dramático, que aproxima o espectador dos protagonistas e da família que eles tentam salvar. Somos convidados a entrar e a habitar a casa mal-assombrada. É o que basta para embarcar na proposta. James Wan, tanto aqui quanto no primeiro, valoriza as relações humanas e os dramas familiares, uma estratégia que costuma levar aos melhores filmes do gênero.

Wan é mestre nesse tipo de filme, mas já começa a se repetir, juntando elementos que deram certo em “Invocação do Mal” e “Sobrenatural” – um velho, um demônio, a caminhada solitária pelo lado espiritual, a “nova Annabelle” (representada pelo “Homem Torto”), entre outros.

O que ele faz de melhor é desenvolver bem os personagens, mostrando como os Warren se fortalecem indo até o inferno e retornando como um casal mais apaixonado que nunca. Você pode pular da cadeira na “cena do quadro”, mas é a identificação instantânea com essas pessoas que ficará em sua mente.

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Otávio Almeida

Otávio Almeida é formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Nasceu no Rio de Janeiro, mora em São Paulo, mas sempre torcerá pelo Flamengo. É fã de Star Wars, Steven Spielberg, Stanley Kubrick, Blade Runner, Martin Scorsese, Indiana Jones, Frank Capra, Billy Wilder, John Ford, Clint Eastwood, O Senhor dos Anéis, Woody Allen, George Lucas, Lawrence da Arábia, Quentin Tarantino, Rocco e Seus Irmãos, James Cameron e Chinatown. Além de editor do Hollywoodiano, escreve sobre cinema como colaborador da revista Preview.

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